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Um casamento relâmpago * Alessandra Sellers*

 07/04/2006 10:01 

A Carlee Miller não importava que seu bebê fosse herdar uma fortuna, só queria um 
filho a quem amar. Mas depois do erro cometido pelo banco de esperma, encontrou-se 
com advogados que reclamavam a custódia do herdeiro.  
E então apareceu o pai em questão.  
O fato de que Hall Ward fosse sexy, também multimilionário, não implicava que Carlee 
devesse casar-se com ele. Mas os homens ricos podiam ser muito convincentes.  
E uma vez que Carlee se converteu em sua esposa, descobriu que ficava muito difícil 
negar qualquer coisa ao seu encantador marido.... 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   Pólogo 07/04/2006 10:09 

**** **** 
 

A mulher estava sentada, com as pernas muito juntas e retas, apertando as correias da 
bolsa com as suas mãos tensas enquanto olhava fixamente o quadro de cor rosa e 
púrpura da parede. Parecia intimidada, mas qualquer um estaria, disse-se Hal, 
pressionado pela sufocante decoração. Ele mesmo estava tenso.  
Estava ali a vinte minutos esperando, e ela já estava ali quando ele chegou, de maneira 
que não podia dizer que a eficiência daquele lugar estivesse à altura das exigências de 
seu avô. Moveu-se lentamente na cadeira e soltou um gemido abafado ao sentir uma dor 
aguda em suas costelas. Maldito velho cheio de manias! Por que lhe obrigou a fazer 
algo tão absurdo?  
-Você está bem? Escutou a pergunta e encontrou com os grandes olhos azuis cheios de 
preocupação da mulher. Tinha-lhe ouvido gemer.  
Sorriu para tranqüilizá-la. 
-Parece que você teve um acidente prosseguiu ela, olhando os machucados em seu rosto 
e em seu braço vendado.  
Antes de que pudesse contestar, a recepcionista entrou na sala e se sentou sob o discreto 
cartaz que dizia, em letras brancas contra um fundo turquesa: Cyberfuturo. Plantamos as 
sementes do futuro. Mais abaixo, outro cartaz ordenava que o cliente se dirigisse à 
recepcionista na sua chegada.  
-Sento muito fazê-la esperar, senhorita Miller disse a recepcionista . Em seguida virá 
alguém para procurá-la.  
-Não importa - contestou a mulher dos olhos azuis, mas mordeu o lábio e o homem 
soube que a demora a estava pondo nervosa. Parecia um cachorro explorando o mundo 
exterior pela primeira vez e manifestava uma palpável ansiedade.  
Perguntou-se onde estaria seu marido. Se tinha ido para uma inseminação artificial, 
talvez o marido tivesse problemas de orgulho, mas não era desculpa para deixar só a 
uma garota como aquela. Bastava vê-la para saber que precisava de proteção. 
-Não é muito eficiente disse em voz alta, - pelo prazer de obter outra olhada daqueles 
olhos tão azuis. 

 

  

 

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°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:23 

. Ela girou a cabeça para ele, mas teve algo em seus olhos que o fez se perguntar se 
estava sendo desagradável.  
-Espero que minha temperatura não mude falou para a mulher.  
Não se parecia com nenhuma mulher que tivesse conhecido. Ao menos não se parecia 
ao tipo de mulher com o que costumava sair. Tinha um rosto docemente arredondado 
cominando com um corpo docemente arredondado que não tentava dissimular suas 
curvas. Uns olhos azuis cheios de sinceridade, e o cabelo loiro encaracolado estava 
preso, um cabelo que nunca tinha sido submetido às mãos experientes de um 
cabeleireiro de prestígio.  
Tinha um ar fresco, limpo, desperto, o aspecto de uma pessoa disposta sempre a aceitar 
tudo que a vida lhe desse, e se deu conta de que estava acostumado a pessoas que só o 
perseguiam pelo que queriam conseguir. Tinha uma sombra em seus olhos azuis que 
dizia que a tinham ferido e que tinha deixado que a dor a tocasse. Pensou que preferia a 
olhada segura das mulheres sofisticadas que tinham aprendido a proteger-se.  
Sem dúvida era atraente e sexy, mas não era seu tipo. Precisava de proteção e ele não 
era o tipo de homem capaz de oferecê-la.  
-Senhrita Miller? Poderia seguir-me, por favor? disse uma garota que não parecia ter 
mais de dezoito anos, mas vestia um uniforme de enfermeira e a mulher se levantou, 
sorriu-lhe e saiu da sala.  
Já era hora, disse-se ironizando sobre sua repentina debilidade. Um minuto mais e a 
teria oferecido salvá-la de tudo de mau e fugir com ela em seu cavalo branco. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   Capítulo 1 07/04/2006 10:24 

20 de Junho de 1997.  
 
Senhor Harlan de Vouvray Ward IV Mansão de Vouvray. Cantabria, California.  
 
Estimado senhor de Vouvray Ward:  
Sentimos enormemente comunicar-lhe que, devido a circunstâncias imprevistas, o 
esperma que entregou em depósito no Cyberfuturo em 01 de Maio deste ano, foi 
utilizado por erro num procedimento de inseminação nesse mesmo dia, procedimento 
que aconteceu sem a sua autorização.  
A receptora é uma cliente cujo marido falecido tinha deixado seu esperma em depósito 
conosco. Por uma desafortunada confusão, seu esperma foi utilizado na inseminação em 
lugar do de seu esposo falecido.  
Apressamo-nos a assegurar-lhe que sua intimidade não foi violada. Tomaremos todas as 
medidas necessárias para que você fique livre de toda responsabilidade legal, caso a 
inseminação dê lugar a uma gravidez. Todos os dados sobre sua pessoa seguirão sendo 
confidenciais, salvo os que afetem à saúde das pessoas. Temos a suspeita de que o Rh 
pode ter relevância neste caso.  
Sentimos profundamente esta situação e esperamos que não lhe perturbe em excesso. 
Tenha por certo que Cyberfuturo continuará oferecendo-lhe o serviço mais eficiente e 
profissional.  
Agradecendo-lhe de novo seu entendimento nesta assunto, despede-se atenciosamente,  
G. Edgard Bloomer, Diretor dos Laboratórios Cyberfuturo.  
 

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PD: Peço-lhe que apareça quando lhe convenha ao laboratório para fazer um novo 
depósito.  
 
Hal Ward começou a rir. O sol estava pleno e a luz brilhando sobre seus cachos loiros e 
sobre as pestanas mais escuras lhe dava o aspecto de um anjo pintado por um maestro 
renascentista.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:25 

Uma impressão, recordou George McCord, absolutamente errônea. Um demônio o 
definiria muito melhor.  
-Não tem nenhuma graça - disse severamente. Quase nunca via em pessoa o neto de seu 
cliente, mas tinha esperado que a carta de Cyberfuturo acalmaria o espírito caprichoso 
do último herdeiro da casa Vouvray Ward.  
-E daí? Hal deixou cair a carta sobre a mesa de seu avô. Chegavam continuamente 
cartas de Cyberfuturo e não entendia por que George tinha lhe mandado chamar por 
isto. - Te mandou meu avô que me ensinasses?  
Um homem mais educado teria dito pediu em lugar de mandou, refletiu George MeCord 
e pôs a mão sobre a carta sem olhá-la de novo.  
-Não a viu. Naturalmente pensei que você deveria conferir primeiro.  
-O que tem há ver comigo?  
-Pois, sinto ser grosseiro, mas se trata de seu esperma.  
Hal se esticou, bocejando. Seguia tendo um braço vendado a fez uma careta ao sentir a 
dor.  
-Perdão, George, mas é que ontem trabalhamos até tarde no laboratório.  
-Se um menino nascesse deste erro, seria, sem dúvida, filho seu continuou com a mesma 
gravidade MeCord.  
-Não, não seria meu filho, George - lhe corrigiu.- Seria um herdeiro da casa Vouvray 
Ward. Não foi por isso que o velho me obrigou a depositar esperma com essa liga de 
incompetentes? Não tem nada que ver comigo.  
-Não sabia que o tinham obrigado.  
-Claro que o sabia. Estavas neste mesmo escritório quando ele me ameaçou em cortar 
meu acesso a meu próprio dinheiro a não ser que o fizesse, ou não te lembras?  
George orientou a resposta para os aspectos legais.  
-Legalmente não pode considerar teu dinheiro.  
-Legalmente, meu avô é um pirata. Esse dinheiro era de meu pai - disse Tremendo, entre 
os dentes. - E si estivesse presente quando eu nasci, saberia de sobra que teria mudado o 
testamento a meu favor.  
-Mas não fez. E sua vontade foi deixar uma renda a tua mãe e a responsabilidade sobre 
o resto para teu avô, que tem todo o direito...  
Hal bocejou de novo e olhou o relógio em seu pulso. 

 

  

 

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°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:29 

-Parece-me McCord falou com tom irritado , que você não entende a gravidade da 
situação criada por Cyberfuturo.  
-Mas me vai explicar, verdade? Muito bem, pode ser engraçado mas não me virá rir em 
nenhum momento.  
-Quero que entenda que tinha tido uma noite interessante - o advogado não pôde evitar 
sentir curiosidade, ainda que lhe tinham ordenado que não batesse um papo de 
engenharia nem inventos. 
-Não é pela investigação, George. Isso vai bem, ainda que seria melhor se tivéssemos 
mais dinheiro. Cada vez que vejo a meu avô, preciso um pouco de alegria,  
-Pois o erro de Cyberfuturo não é coisa de riso. Poderíamos denunciá-los, - logo depois 
disse George, - mas a mulher poderá fazer uma denúncia também.  
-Não me estranharia que ela fizesse.  
-Sobretudo tendo em conta que és Rh negativo.  
Hal franziu o cenho.  
-o que quer dizer?  
-Que é possível que exista uma incompatibilidade entre o sangue do bebê e o da mãe. 
Pode ter problemas na gravidez ou mais tarde - e adicionou cinicamente. - Esse é o 
único motivo pelo qual Cyberfuturo não ocultou seu erro. 
-Portanto, ela tem razão. Mas, por que nós iríamos denunciar?  
-As novas formas de reprodução fizeram que a lei mudasse muito rápido. Só Deus sabe 
normas que terá a alguns anos. E nada impediria a essa mulher pôr qualquer coisa venha 
a reclamar seus direitos sobre a fortuna da família ou suas empresas petroquímicas.  
Hal se sentou para ouvi-lo, e pela primeira vez mostrou interesse.  
Mas a carta diz que minha identidade é secreta.  
O advogado sorriu tristemente, tirou um lenço branco de seu bolso e limpou os óculos. 
Era a primeira vez que via Hal mostrar certo interesse pela companhia que um dia 
dirigiria. Talvez estivesse acordando em fim.  
-Cyberfuturo tenta tranqüilizar-nos. Mas se a mulher vai ao juíz, pode ser que o tribunal 
reconheça seu direito a conhecer o nome do doador. 
-E esse menino - Hal deixou de olhar ao advogado um instante para assinalar a carta 
sobre a mesa ... - teria algum direito legal sobre os bens?  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:31 

-Como já te disse, é muito difícil saber que pode decidir um tribunal.  
Hal Ward deixou escapar uma gargalhada de prazer e se jogou para atrás, sentindo que 
toda tensão o abandonava. Depois fez uma careta de dor.  
-Maldito seja! - gritou, levando a mão a coluna onde se tinha rompido cinco, ou eram 
seis?,se perguntou o advogado, costelas . -Isto ensinará ao velho a não interferir em 
minha vida!  
-Se tivesses mais cuidado com teu estilo de vida... começou o advogado.  
-Ao diabo com meu estilo de vida! Meu único problema é a obsessão do velho com a 
dinastia. Que lhe importa quem receba o dinheiro? Se vai estar morto! Me encantaria 
que esse menino ficasse com a metade de tudo. E com sorte, ela vai querer participar na 
gestão da empresa! pensa que pode fazer muito dano?  
-Muito - disse McCord com sentimento . - Temos que tomar medidas.  

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Já imagino!- riu Hal . - A pergunta é: sobreviverá essa pobre mulher às medidas que 
vocês tomarem?  
O homem maduro olhou para o jovem com severidade, mas não conseguiu acalmar seu 
espírito frívolo. Hal seguia alternando os ataques de riso com os gemidos de dor.  
-Teu avô - começou de novo o advogado pomposamente, pois lhe molestava que o neto 
se referisse a seu avô com o mote que todos usavam a suas costas O Dois, em lugar de o 
segundo , - sempre foi um homem respeitável e respeitado no mundo dos negócios.  
Hal se reclinou na cadeira, sorrindo.  
-È! Mas, e o sangue dos Ward, George? Temos uma longa linha de piratas e 
aventureiros, por não dizer delinqüentes a nossas costas. Sinto dizê-lo, mas se O Dois 
foi sempre respeitável é porque nunca pôs em perigo sua situação. Mas, a herança! 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:48 

Mas, a herança! voltou a rir. Isto vai lhe tirar de sua casinha. Não posso esperar para ver 
sua cara quando ficar sabendo. 
-Como... disseste? - George McCord gaguejou. Olhou a seu padrão, com a cara 
dissimulada pela resposta mas este não parecia um anjo. As sobrancelhas espessas e 
escuras, herança do ramo francês e marca da casa, pareciam eternamente franzidas num 
gesto de soberba, e as rugas da idade não faziam nada para suavizar o rosto cheio de 
inteligência impaciente e feroz determinação.  
-Disse que quero a essa mulher - repetiu Harlan de Vouvray Ward II com ênfase . - 
Quero-a aqui, na minha frente. Traga-me, George.  
O advogado olhou para os lados com temor, como se alguém tivesse entrado no 
escritório. Mas não tinha ninguém.  
-Que mulher? Perguntou com precaução.  
-Essa! o homem mostrou a carta com impaciência . - A que está gestante de meu neto.  
George MeCord saltou da cadeira involuntariamente, como se tivesse recebido uma 
descarga.  
-Harlan, está louco?  
Tanto faz como o faças. Rapte-a se precisar. Mas quero a essa mulher aqui.  
Hartan, com o devido respeito, de que diabos estás falando?  
O velho o olhou, profundo.  
-Quero esse bebê, George - falou com um tom que não admitia réplica ,- É meu neto e o 
quero aqui.  
-É ilegal tentar comprar a um menino - disse o advogado quase sem voz.  
-Não vamos comprá-lo, George. Você a vê e diga à ela quem somos, Verás como 
aparecerá aqui.  
-Dizer quem você é, Harlan; se ela for ao juiz, poderá tirar qualquer coisa...  
O ancião o olhou e George aproveitou sua vantagem:  
-O melhor do que podemos fazer é...  
-Cala-te, estou pensando Harlan seguiu olhando um ponto da parede. O advogado 
esperou em silêncio massa que as sobrancelhas impressionantes se relaxaram.  
O Dois golpeou então a mesa com a mão e o advogado deu um suspiro.  
-Isso é! - exclamou. - Pode casar-se com a garota!  
-Esqueca.  

 

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°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:48 

-É o pai desse menino. Não acredita que deve dar um nome decente à mãe de teu filho?  
-Em primeiro lugar, eu não sou o pai de ninguém. Os pais são esses incompetentes do 
laboratório. Em segundo lugar, já tem um nome decente. Qual é seu nome, George? 
Estou certo de que a estas alturas deves saber Hal se dirigiu ao advogado, mas não 
afastava a vista de seu avô.  
-Carlee Miller disse McCord.  
-Miller. Um nome muito decente. Seus antepassados deviam ser gente decente, bem 
mais do que os nossos. 
-Maldita seja interveio seu avô Só um Ward era pirata e tu o dizes como se fosse o 
negócio da família. Que dizes de meu avô francês? Esse era...  
-Um era pirata e a outro o penduraram por roubar, e está esse que matou ao marido de 
seu amante num duelo, e outros dois...  
-Já conheço a história, não me a contes disse o avô com impaciência. 
-As mulheres não perdem a honradez por ter filhos fora do casamento, vovô, ou tem 
estado invernando os últimos cinqüenta anos? - continuou Hal, abusando da situação.  
-Mas uma mulher grávida prefere estar casada - insistiu o ancião. - Uma mulher 
descente sempre quer um casamento, como costumava dizer meu bisavô francês.  
-Pergunto-me que experiência lhe faria tão lúcido. E a resposta é não,  
Muito bem, muito bem. Não queria que as coisas fossem assim, tivesse-me agradado 
que tu decidisses livremente ignorou o ataque de riso de *Hal ... mas já que me reptas, 
terás que me ouvir. Vais casar-te com essa garota. Não tens que viver com ela. Eu a 
instalarei em minha casa. Mas deves casar-te. Vamos assegurar-nos de que esse menino 
tem o direito legal ao sobrenome *Vouvray *Ward.  
*Hal olhava a seu avô com incredulidade.  
Bueno, parece que ao fim estás reconhecendo que estás louco.  
Falo em sério. Vais casar-te com ela, e rápido.  
Ou? perguntou *Hal.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 10:49 

Ou curto os fundos para esse maldito carro que estás pagando e para o resto de tua vida.  
*Hal se pôs em pé.  
Isso é uma proposta indecente a *insultante, e o sabes. Sabes que o dinheiro que 
ameaças com tirar-me é meu. Faz vinte e nove anos, quando leram o testamento, 
prometeste-lhe a minha mãe que se não protestava, cuidarias do dinheiro de meu pai. És 
o pior dos piratas.  
George *McCord, passando do um ao outro, pensou que o jovem nunca se parecia tanto 
a seu avô como quando discutiam.  
E mantive minha palavra. Nunca te faltou nada.  
Salvo o que preciso para a investigação que estou levando a cabo. Se me deixas agora 
sem dinheiro...  

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,Investigação'? Comprar-te um carro de carreiras é pesquisar? ¡Um capricho de menino 
rico! Vai sendo hora de que deixes essas tolices perigosas e te ponhas a trabalhar em 
sério. Casa-te, garoto e verás como vês o mundo de outro modo. ¡Maldita seja! Quero 
descansar. ¡Não quero morrer-me como um velho cavalo de ônus!  
Não jogues ao velho patético, avô lhe advertiu *Hal . Sabes que podes soltar as rédeas 
quando queiras. Mike se morre de vontades de ocupar teu assento.  
Mike não é da família.  
Tenho uma solução.  
O velho o olhou com desconfiança.  
Tu podes casar-te e ter uma filha. A casa com Mike e já será da família.  
Juro-te que posso cortar teus rendimentos hoje mesmo.  
Bem *Hal se rendeu de repente. Estava rígido de raiva . Renuncio. Farei o que queiras. 
Me casarei com quem digas alçou a mão e assinalou a seu avô . Procuras à garota, se o 
explicas, caso-me e tu vives com ela.  
Não podes esperar que uma mulher aceite...  
É minha última oferta *Hal cortou o protesto de seu avô e adicionou com fúria : A 
tomadas ou a deixas.  
Depois, saiu do despacho fechando a porta com tanta violência que os cristais tremeram. 

 

Capítulo 2

 07/04/2006 12:02 

Carlee Miller estava sentada na mesa de sua cozinha olhando o mundo exterior. Tinha 
duas vistas diferentes: podia olhar pela janela à rua, ou bem pela porta aberta que dava 
ao jardim traseiro à erva molhada pela última chuva, brilhando sob o sol enquanto um 
pássaro cantava exultante a chegada do verão.  
Estava pensando. Pensava nas vidas complicadas dos ratos e das mulheres.  
Por que tinha saído tudo tão mau? Seus planos perfeitos, os que tinha elaborado com 
Bryan, não eram mais do que pó. Num lapso tão curto de tempo sua vida tinha passado 
de ser feliz e segura a encher-se de amargura a incerteza.  
Dois anos e meio atrás, cada momento de sua vida podia falar da totalidade, como um 
holograma. Enquanto avançava pelo corredor da igreja onde Bryan a esperava sorrindo, 
tinha-o visto tudo: seus filhos e seus netos. E Bryan a seu lado até o final do dia. Os 
inícios de sua convivência na casa pequena que tinham comprado e depois a 
possibilidade de mudar-se para uma casa maior onde fariam velhos. Seus filhos 
crescendo saudáveis e alegres, algum quiçá famoso, um jogador de beisebol, ou um 
grande escritor ou um político, mas todos felizes ainda que ninguém soubesse nunca de 
seus nomes fora de Buck Falls, em Colúmbia.  
Tinham comprado uma casa que precisava uma infinidade de melhoras porque, como 
disse Bryan, era melhor gastar o dinheiro em metros quadrados do que em paredes 
vistosas e eles poderiam ir arrumando a casa pouco a pouco. A primeira vez que Bryan 
tinha desmaiado estava subido à escada, colocando o papel de parede no quarto. Pouco 
tempo depois descobriram que o mesmo que lhe tinha feito cair o mataria cedo, a não 
ser que fora uns dos poucos com sorte.  
Você foi um desses -disse Carlee . Talvez não tiveste sempre sorte? Conhecemo-nos no 
primeiro dia de universidade, não foi isso sorte?  
Mas teriam que renunciar a seus sonhos de família numerosa. Inclusive se sobrevivia, o 
tratamento deixaria estéril a Bryan. 

 

  

 

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°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 12:07 

Temo-nos o um ao outro disse então Carlee . E podemos adotar meninos.  
Não tinham ido de viagem de noivos quando se casaram, porque queriam investir na 
casa. De maneira que antes de começar o tratamento, decidiram realizar a viagem 
sonhada de Bryan, desde as rochosas até México, negando-se a reconhecer que podia 
ser o último de sua vida.  
Tiveram notícia de Cyberfuturo lendo uma revista em São Francisco, mas a idéia não 
lhes veio à mente até muito depois. No entanto, era tão óbvio. ¡Podiam congelar 
esperma de Bryan! E quando ele se recuperasse, poderiam iniciar a sonhada família...  
Não se recuperou. Não foi dos que têm sorte. Depois de uns meses de ser sua esposa, 
Carlee se converteu em sua viúva.  
O tempo a ajudou a superar a insuportável dor da perda, mas sempre soube que o que 
tinha com Bryan era irrepetível. Assim que se convenceu de que não voltaria a casar-se, 
e se dispôs a encher sua vida para não cair na amargura.  
Ensinar lhe salvou a vida. Sempre lhe tinha agradado seu trabalho, e lhe dedicou mais 
tempo, pensando que mais adiante poderia fazer um doutorado e dar classe a alunos 
maiores. Mas não bastava. Carlee sabia que era uma mulher demasiado familiar e terna 
para ser feliz por meio de uma carreira profissional.  
Um ano depois da morte de Bryan, os pais de Carlee morreram num acidente de tráfico. 
Esta segunda, terrível perda, assinalou-lhe o caminho. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 12:19 

Se lhe tinha ocorrido um dia, de repente, como uma idéia trazida pelo vento. Não tinha a 
Bryan, mas podia ter o filho com o que ambos tinham sonhado. 
Lhe tinha custado uns meses de reflexão e de poupança. Tinha que pagar a inseminação, 
e a viagem, e precisava um ano de licença para ocupar-se do bebê, pois não pensava ter 
um filho para não poder ocupar-se dele. Se não era suficiente, sua irmã Emma, uma 
advogada com muito sucesso que vivia em Toronto, tinha-lhe prometido que o dinheiro 
nunca lhe faltaria. Emma nunca a abandonaria.  
E depois de tanto pensar, tinha-se decidido e ali estava, gestante de um estranho cujo Rh 
negativo podia causar um problema ao bebê, e tendo perdido toda possibilidade de ter 
um filho de Bryan, pois o laboratório tinha jogado a perder sua mostra.  
Por que tinha saído tudo tão mau? E daí faria  
Soou o timbre.  
Senhora Miller? É você Carlee Miller?  
Sim, sou eu.  
Meu nome é George McCord. Poderíamos bater um papo uns minutos?  
_Se é por uma seita religiosa, não me...  
O homem pareceu ofendido.  
_Não, não vendo nada. O que tenho que lhe dizer é privado sacou um cartão de seu 
bolso . Me deixa passar?  
_Claro, entre- disse Carlee, abrindo a porta . Mas é que neste bairro vêm continuamente 
os pregadores. E por isso supus que você...  
_Não se desculpe, entendo-o.  
Carlee se pôs tensa. Era um homem normal, com cabelo cinza e levava um traje de 
executivo. Mas, quem vestia assim um sábado pela tarde? O uniforme em seu bairro 
eram os vaqueiros e a camiseta. Miró o cartão que dizia: George MeCord, assessor 

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legal, Petroquímicas Ward e uma direção em California.  
_Por favor, sente-se. Quer um café ou alguma outra coisa?  
Não, muito obrigado.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 12:25 

O homem se sentou na cadeira que lhe indicou Carlee. Esta se apoiou no braço do sofá, 
frente a ele e ergueu as sobrancelhas:  
_Que desejava?  
George McCord Pigarreou antes de falar.  
_Senhorita Miller, suponho que tem notícias do extraordinário erro dos Laboratórios 
Cyberfuturo.  
_Recebi uma carta a semana passada.  
Lhe informava de que a fertilização do quinze de maio não correspondia ao esperma de 
seu marido, verdade?  
_Assim é. Você é da Cyberfuturo?  
_Não,senhorita Miller. Represento ao doador do esperma.  
_Oh -Carlee se deixou cair no sofá. Seus olhos muito azuis olharam fixamente ao 
homem . _Como obteve minha direção? Disseram-me que tudo era confidencial.  
_Suponho que compreenderá que encontramos a forma.  
_Que forma utilizou?  
O advogado tossiu e se moveu, incômodo.  
_Meu cliente é agora o acionista principal de Cyberfuturo.  
Carlee sentiu que uma chacoalhada de temor lhe percorria a espinha dorsal.  
_Por que? Que quer seu cliente?  
_Senhorita Miller, cri entender que você tem a intenção de continuar com a gravidez.  
A mulher se levou a mão ao estômago num gesto instintivo de proteção.  
Claro que sim disse com firmeza.  
_Procurou algum tipo de ajuda legal?  
_Se refere a denunciar a Cyberfuturo?  
_E outras matérias relacionadas.  
_Minha irmã é advogada e trabalha para uma assinatura importante o instinto lhe 
indicou que não devia contar que Emma vivia a três mil quilômetros de distância dali.  
_Preferiria que ela estivesse presente nesta entrevista?  
Carlee o olhou com crescente hostilidade.  
_Olhe, seu cliente não tem que se preocupar. Não vou interpor uma demanda de 
paternidade ou algo assim. Se quer que assine algo, o farei.  
_Resulta que meu cliente é um homem de verdadeira... importância.  
_Que quer dizer isso? É rico?  
_Essa palavra não é apropriada. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 13:54 

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De repente Carlee se jogou a rir. 
_É incrível! Assim que se equivocam de esperma e resulta que pertence a um milionário 
americano que se permite comprar uma companhia para obter meu nome. É uma 
brincadeira? 
_Não é uma brincadeira, se o asseguro. 
_Como se chama? 
_Harlan de Vouvray Ward II. 
Carlee teve um novo ataque de riso. 
_Harlan de Vouvray Ward II? 
_George McCord se sentiu de repente satisfeito. 
_Se já ouviu falar dele, isso facilita meu requerimento... 
_Existe alguém com esse nome? 
_Asseguro-lhe que sim de novo estava rígido . O senhor de Vouvray pode permitir-se a 
manutenção desse menino e sua educação. 
_Carlee deixou de rir e tornou a olhar. 
_Se é uma oferta, é muito amável. Agradeça a ele, mas não me falta nada, senhor 
MeCord. 
_Trata-se de uma família honorável estabelecida em Cantabria, California. 
_Olhe, vou me virar muito bem sem o dinheiro de seu cliente. Mas agradeça. 
_Talvez me permita que eu lhe conte a história de meu cliente. 
-Não vai mudar nada, senhor McCord. 
_Meu cliente irácompletar em seu aniversário oitenta anos. O que você tem? 
_Oitenta? repetiu Carlee, repentinamente assustada. Estou grávida de um homem de 
oitenta anos? Não acredito! você está louco? Meu marido tinha vinte e quatro anos. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 20:34 

_Por favor, senhora Miller, não se preocupe. Meu cliente não é o doador.  
_Mas se me disse que ele era -Carlee se pôs em pé e deu um passo com os braços 
cruzados _Que está acontecendo? Quem é você?  
_O doador é o neto de meu cliente lhe assegurou rapidamente o advogado, movendo as 
mãos para acalmá-la. -Por favor, senhorita Millerr, deixe-me que lhe explique.  
Carlee o olhou e decidiu que o homem parecia esticado e coibido, mas não perigoso.  
De acordo disse e se sentou de novo.  
_O senhor de Vouvray teve a desgraça de perder a seu único filho sendo este muito 
jovem. AOS poucos meses, nasceu seu neto. Esse menino é o único herdeiro de uma 
grande fortuna e de um sobrenome histórico.  
_E é o... doador de meu bebê. Como se chama?  
_Harlan de Vouvray Ward IV  
Carlee alçou os olhos ao céu.  
_Por isso meu cliente pôs o máximo cuidado na educação de seu neto.  
_Suponho que lhe pressionou até que o garoto se rebelou- apontou Carlee com ar 
prático.  
_Bom, é a palavra *McCord pensou consigo que era exatamente o que tinha acontecido 
_É verdade que é rebelde.  
_Se droga? perguntou secamente *Carlee.  
_Como diz?  
_O garoto rebelde. Se droga? Pergunto-o por meu menino...  

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_Não, diverte-se com carros corridas.  
-Em sério?  
-Ganhou duas vezes o Grand Prix teve uma nota de orgulho inconsciente na frase do 
advogado.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 20:58 

-Maravilha! exclamou Carlee, pensando que não lhe importaria que seu filho herdasse 
certo espírito de aventura  
_A seu avô não lhe parece bom. Faz dois meses escapou por um fio a um acidente 
mortal em Argentina. Não era a primeira vez, e de fato pensa voltar a correr quanto se 
senta capaz de fazê-lo.  
Que idade tem? Carlee se sentia mais interessada a seu pesar.  
_Cerca de trinta. Não se casou nunca nem parece ter a intenção de fazê-lo.  
_Como é fisicamente? de repente tinha pensado que seu filho não teria os trasços 
familiares de Bryan senão os daquele estranho.  
-Como?  
_O doador. Meu marido era um homem bonito, não ao estilo de Hollywood, minha mãe 
sempre disse que não pode confiar de um homem muito bonito, mas um filho de Bryan 
teria... fez um gesto vazio, sentindo que lhe piscavam os olhos repentinamente.  
_Não se preocupe. O pai de seu bebê é um jovem atraente . Também é inteligente, ainda 
que não o tenha demonstrado até hoje.  
Carlee começava a sentir compaixão do pobre tipo. 
_Quer dizer que não fez o que seu avô esperava dele?  
O advogado ignorou a ironia.  
_Nunca pensou em ter um filho. Sua ocupação é de alto risco e meu cliente vive no 
contínuo temor de que seu neto morra sem deixar descendência.  
Carlee se pôs. rígida: tudo começava a encaixar  
_Já vejo via com clareza e de repente não teve vontade de seguir falando . Muito 
obrigado por vir contar-me tudo isto. Mas se me o permite, tenho coisas que fazer.  
_Deseja reconhecer a esse menino declarou George McCord como se ela não tivesse 
falado.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 21:05 

A mulher o olhou com gravidade e o advogado se sentiu incomodado.  
_Eu nunca terei um filho de meu marido, sabia?  
_Os laboratórios destruíram a mostra de Bryan McCord -pigarreou de novo.  
Informaram-nos do erro.  
-E seu cliente só se preocupa por não perder o grande nome,não é verdade? Minha vida 
lhe é totalmente indiferente.  
_Agora o advogado se sentia bem mais incomodado.  
_Lhe asseguro que se preocupa por seu bem-estar. De fato, nada deseja mais que a 

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ajudar em tudo.  
Carlee suspirou.  
_Claro, claro imagino -saltou de sofá, sentindo que seu estômago protestava . Tenho 
que comer algo. Quer uma xícara de café?  
O homem a seguiu obedientemente à cozinha e se sentou numa cadeira.  
_Que estava dizendo? Quer que ponha que o IV é o pai no certificado de nascimento? -
perguntou *Carlee enquanto preparava um sandwich. Ao vê-la comer com apetite, 
McCord se relaxou pela primeira vez desde que tinha iniciado sua incômoda missão.  
_Senhorita Miller, deixe eu ser mais claro. Meu cliente quer que lhe proponha o 
seguinte: que viagem você aos Estados Unidos a criar a seu filho ali. Sugere que você e 
o pai se casem para assegurar a completa legitimidade do menino, mas que você viva 
não com seu neto, senão com ele. A mudança promete ocupar-se de seu futuro 
financeiro. Por suposto pagará a melhor educação a seu filho. Em realidade quer 
preparar a esse menino como seu sucessor e herdeiro. Seu filho, senhorita Miller, será 
multimilionário.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 21:22 

_O silêncio se alongou enquanto a mulher o olhava com o sanduíche esquecido no 
prato.  
_Está louco? perguntou ao fim.  
_Asseguro-lhe que estou em meu juízo perfeito -disse McCord com pesar . Pode 
parecer-lhe pouco habitual, mas...  
_Parece próprio de um demente, se quer minha opinião. Casar-me com um homem que 
não conheço e viver com seu avô! A não ser que lhe pareça normal na sua terra, mas 
aqui, no Canadá, chamamos loucura. Inclusive começo a duvidar que você seja quem 
diz ser. Igual a um empregado de Cyberfuturo que brinca com os pacientes, ou um 
louco recém escapado que fala de obscenidades com estranhos...  
_Não falei de obscenidades replicou dignamente McCord.  
_E daí lhe parece o de viver com o avô de meu possível marido?  
George soltou uma exclamação de horror  
_Não é o que pensa! Está totalmente equivocada! Trata-se de um acordo completamente 
impessoal. Só pretendemos que esteja em uma situação cômoda enquanto espera o bebê 
nascer.  
Eu já não lhe disse que estou bem aqui, em minha casa -replicou Carlee, voltando de 
novo a seu sanduíche . A resposta é não.  
George tossiu outra vez, não se dando por vencido.  
_Meu cliente desejaria...  
_Seu cliente, senhor McCord, desejaria que todo mundo se sujeitasse a sua vontade. 
Mas diga-lhe isto. Não me faz feliz ter um filho que é metade Harlan ainda mais, no 
lugar de ser do meu marido, mas estou tentando superá-lo e só quero ter a meu filho em 
paz.  
-Sei que é...  
_Já dei minha resposta e creio que basta -se pôs em pé . E agora se não lhe importa...  
A boa educação obrigou ao advogado a levantar  
_Senhorita Miller, creio que não considerou muito a proposta de meu cliente.  
Carlee s encolheu os ombros.

  

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°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 21:23 

_Não há nada que considerar.  
Acompanhou-o até a porta, enquanto ele dizia em uma última tentativas:  
-Pense nas oportunidades que teria seu filho.  
Carlee o olhou esta vez com verdadeira dureza enquanto abria a porta.  
_Darei a meu filho ou filha tudo o que precisar, obrigada. A melhor oportunidade é um 
lar cheio de amor e ele ou ela terá.  
_Não considerou a herança. Muito poucos no mundo...  
_Pois não parece ter feito feliz a Harlan IV.  
Por favor, me dê uns minutos para defender meu ponto de vista.  
Carlee fechou a porta e cruzou os braços sobre o peito.  
_Disse-me que não era vendedor- comentou com ironia.  
_Claro que não!  
-Pois se comporta como um vendedor de aspiradores que veio a semana passada e se 
empenhou em mer empurrar o aparelho... 

 
George McCord piscou os olhos.  

E assustou ao gato do vizinho que tinha vindo dar um cochilo na minha sala. 
_Espero que não ache ruim que assustei o gato do vizinho disse o advogado.  
_Olhe, McCord, não estou interessada, entende? Se o avô de meu filho quer vir 
conhecê-lo um dia, tudo bem mas só daqui de quinze anos, quem sabe. Mas quero ser 
dona de minha vida. Bon dia, senhor McCord, foi um prazer.  
 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   Capítulo 3 07/04/2006 21:41 

-Posso falar com Carlee Miller? a voz masculina era grata e ressonante, com um leve 
acento americano.  
_Sou eu respondeu ela com voz cantante.  
_Quem fala é Hal Ward, senhorita Miller.  
Carlee esperou, mas o homem não adicionou mais explicação.  
_O que posso fazer por você, senhor Ward? –perguntou.  
_Não te lembra nada o meu nome?  
_Não, lembro.  
Hal procurou as palavras. Como podia descrever-se? Como o pai por erro de seu filho? 
_Somos vítimas na incompetência do banco de esperma?  
Bom, nossa... ligação não é fácil de expressar. Ambos estivemos o mesmo dia num 
lugar chamado Cyberfuturo. 
_É você Harlan de Vouvray Ward IV? interrompeu Carlee sem poder evitá-lo.  
_Hal Ward disse ele com firmeza.  
Carlee tomou ar para falar:  
-Gostaria que me deixassem em paz todos vocês. Maldito seja, já disse que não e _ digo 

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seriamente. Entendeu?  
Sim. Eu penso o mesmo disse a voz suavemente, com seu acento agora marcadamente 
americano. Era curioso o que podia dizer a voz de uma pessoa. Aquela sugeria uma 
pessoa carinhosa, divertida e sexy, em absoluto o tipo de voz que se esperaria num 
menino mimado corredor de carros.  
_Senhorita Miller? Está aí?  
Ela voltou à realidade, sobressaltada, e perguntou com receio:  
_Que quer dizer que pensa o mesmo?  
Hal pensou que aquela voz lhe recordava algo, mas não sabia o que.  
_Queria felicitá-la por sua maneira de enfrentar o velho... _quero dizer a meu avô. 
Também queria agradecer. Temo-me que foi culpa minha que teve que passar por isso. 
Eu tive que ceder. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/04/2006 21:59 

_Oh! a voz de Carlee soou no ar, musicalmente . _Quer dizer que não quer casar-se 
comigo?  
_Não é nada pessoal, se o asseguro.  
Carlee se jogou a rir. Tinha um riso fácil, rouca, contagiosa, mas Hal decidiu não tentar 
comentar. Era melhor não dar intimidade.  
_Mas não entendo. Por que entãome disse isso? O senhor McCord disse que você estava 
de acordo.  
_Chantagem -replicou Hal.  
_Chantagem?  
_Entre nós, devo contar-lhe que meu avô tem o controle de minha fortuna. Se quero 
receber algo, terei que me casar com você. 
_Maldição!  
_Como diz?  
_Nada. Só disse maldição.  
_Isso cri ouvir. Mas me pareceu estranho. Para valer disse “maldição”?  
Carlee se sentiu como uma menina pequena.  
_Pois sim, é que dou aula em uma escola .  
_As crianças dizem «maldição» ?  
Bom, dizem coisas assim e se eu falei isso, importa algo? replicou Carlee à defensiva.  
_Agora não está na escola e eu tenho trinta anos. 
_Mas os hábitos são os hábitos, senhor Ward.  
_Não podes chamar-me Hal? Não gostaria que que se acostumasse a dizer senhor Ward.  
_Mas se não vamos nos falar nunca mais.  
Hal olhou o fone com surpresa. Que estava fazendo exatamente?  
_Não, claro, tens razão.  
_Não é pessoal, mas não creio que seja boa idéia.  
_Se manter essa firmeza, creio que não teremos que falar mais reconheceu Hal.  
_Oh, podes estar seguro disse Carlee . Adeus.  
Hal não estava acostumado a que as mulheres o despachassem. Em realidade não estava 
acostumado a mulheres que não queriam casar-se com ele. Desejou perversamente 
seguir falando com ela, mas era uma tolice.  
_Adeus -disse.  

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°o.Sherazade.o°

   08/04/2006 22:40 

_Oferece-lhe dois de milhões primeiramente.  
_Seriamente, Harlan, não quer. Por que não nos concentramos em casar a Hal com 
alguém, agora que aceitou o princípio? Sharon Harlowe Benton é uma boa candidata.  
Os Dois moveram a cabeça com impaciência.  
_Mais vale um pássaro na mãos do que dois voando -sentenciou. E diante ao olhar 
atônito de seu advogado, adicionou :_ Assim costumava dizer meu avô francês. Temos 
que nos concentrarmos na senhorita Miller.  
_Permita-me que a visite e diga que não lhe importa pôr o nome do pai no certificado. 
Que mais queres?  
_Pode desaparecer em qualquer momento. Imagina que o menino precisa ajuda médica 
e ela não pode pagá-la.  
_Nesse caso, seguro que nos chamaria.  
_George, quero que esse menino cresça sob minha vigilância.  
_Carlee?  
_Carlee reconheceu ao instante a voz viril, atraente e cálida.  
_Disseste que não me chamarias mais lhe acusou.  
_Creio que há algo que deves saber -respondeu com doçura Hal.  
Ela suspirou sem dissimulo.  
_Que passa agora?  
_Não vai dar-se por vencido, Carlee.  
Esta esteve a ponto de soltar um gemido, mas só perguntou, ainda que sabia a resposta: 
_Quem?  
Harlan de Vouvray Ward II, ao comando do sino” assegure seu nome no futuro”.  
-Olha, tenho outros problemas, não quero ouvir mais nada- disse Carlee com 
impaciência . Uma mulher grávida é...  
_Estás doente? Hal recordava que podia ter dificuldades com seu sangue, ainda que 
preferia não pensar em isso.  
_Fisicamente estou bem. Estou triste porque hoje fiquei sabendo que minha amiga Anna 
conseguiu um trabalho em outro cidade e não poderá mais ir comigo às aulas de parto 
sem dor.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   08/04/2006 22:43 

_Meu avô vai ficar encantado em te acompanhar.  
_Teu avô pode ir para o inferno. Esse homem está louco! Acredita que contratou a um 
detetive de Vancouver para seguir-me? Por que faz isso?  
_Como ficou sabendo?  
-Acredita que é habitual que numa cidade como esta chegue um estranho fazendo mil 
perguntas? replicou Carlee.  
_Ahhh!suspirou Hal, e Carlee se deu conta de que estava divertindo-se. 

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Quatro pessoas me chamaram em menos de vinte e quatro horas para avisar-me. Joey e 
Matt têm motocicletas...  
_Quem são?  
_Eu dou aula a Hank, o irmão pequeno de Matt. Joey e Matt que se fazem de durões, 
ainda que não o são. Mas foram até a cidade a perguntar ao detetive o que queria e 
quem era seu cliente. Só disse que era um americano e pagava muito. Por que faz isso?  
_O detetive ainda te segue?  
_Bom, eles lhe pediram muito amavelmente que deixasse de me pertubar.  
_Amavelmente? Está certa disso?  
Carlee franziu o cenho e perguntou com cautela:  
_ Oque quer dizer?  
_Bom,ouvi algo sobre um ataque de uma gangue de motoqueiros selvagens chamados 
“os demônios da estrada” no meio de uma noite sombria.  
-Como? Carlee se engasgou com a risada . Contaram-me que lhe tinham dito que em 
Buck Falls não nos agradav que se metam em nossas vidas. E que ele esteve de acordo. 
Isso me contaram!  
_Suponho que não queriam derrubar teu mundo de fantasia  
_Bom, já imaginava que não teria sido tão civilizado... Mas Demônios da estrada?  
_Será melhor que você tenha uma pequena conversa com eles lhe advertiu Hal.  
_Está de brincadeira? Penso em esquecer o que me contou. Mas vamos direto ao ponto, 
teu avô te disse o que procurava?  
_Bom, posso te falar que a chantagem lhe resultou útil no passado.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   08/04/2006 23:02 

_Chantagem! Senhor! Que pensará que pode encontrar aqui? E mais, sou viúva e posso 
fazer o que eu quero com minha vida.  
_Enquanto há vida, há esperança _declarou sem poder evitá-lo.  
_Se não parar de fazer isso, não terá mais vida, porque irei mata-lo com minhas próprias 
mãos.  
_Você faz meu tipo- disse com sinceramente . Posso te adiantar que o dinheiro do avião 
chega logo.  
-E ainda o temo ele tentou me comprar e o bebê. Já ouviu algo parecido?  
_Tenta compreender seu ponto de vista -sorriu Hal, encantado de que o chamassem de 
Harlan Vouvray Ward II, a maneira quando todo mundo o chamava era senhor.  
_-Um milhão de dólares eles ofereceram para eu vender meu filho e nada mais depois 
que nascer estourou Carlee, indignada É uma obscenidade.  
_E sem dúvida ilegal. O que você falou?  
_Perguntei-lhe se era por peso. Talvez posso comer muito, ter um filho maior e pegar 
mais dinheiro.  
_Hal se jogou a rir. O velho não lhe tinha contado aquilo.  
_Como reagiu?  
_Disse-me que era sua última oferta e que o preço baixaria depois se aceitasse a idéia. 
Mas, que lhe passa a teu avô?  
_Perde seu senso de humor quando fica obsecado por algo. Por isso tem tanto sucesso 
nos negócios.  
_Pois neste não vai se sair bem.  

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Hal tossiu antes de falar.  
_Por isso a chamo.  
Carlee sentiu que seu coração se parava.  
_Assim que inventou algo novo.  
_Vai iniciar o procedimento para obter a custódia compartilhada do menino. Em meu 
nome. 
Carlee falou com um tremor na garganta:  
_Não podes detê-lo?  
_Carlee, estou a ponto de descobrir algo em minha investigação. Preciso de dinheiro 
agora. Se o deixo passar, perderei a dois dos melhores engenheiros do país.  
_Que investigação? perguntou Carlee.  
_Estou... desenhando um carro.  
_Um carro! Que tipo de carro?  
O homem não contestou.  

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   08/04/2006 23:11 

_Ouvi dizer que você tinha ganhado uns prêmios. Falamos de um carro de corridas?  
_Pois... sim.  
_Estás comparando um carro com o futuro de teu filho! estourou Carlee.  
Ambos calaram, enquanto as palavras tremiam no ar. Os dois as escutaram e simularam 
não ter ouvido nada.  
E então, Hal disse:  
_Posso te dar dinheiro para que sse esconda. Posso te manter o tempo que for 
necessário.  
_Deixar minha casa? exclamou Carlee.  
_Deve ter outros lugares agradáveis no Canadá. 
-Mas estaria sozinha! Eu vivi aqui toda minha vida e aqui estão meus amigos.  
_Já sei que parece tremendamente egoísta, mas deves acreditar em mim, é um problema 
de prazos. Só preciso mais seis meses, ao menos se tivermos sorte. Depois serei livre, 
não precisarei seu dinheiro. Isto é, meu dinheiro.  
_De verdade? Vai ganhar o Grand Prix e com isso bastará? perguntou Carlee com 
incredulidade.  
_Ao menos poderei ensinar o desenho a outra gente que me financiará. Só preciso estar 
um ano coberto. Para quando teu bebê tenha seis meses, tudo voltará a seu curso e vai 
poder voltar a Buck Falls.  
_Muito obrigado.  
_Carlee, não posso lutar agora. Dá-me um ano e ele não voltará a incomodar.  
_Mas não entende que este ano é crucial! Estou grávida, droga. Se me encontrar numa 
cidade, deverei fugir para outra? Que vai acontecer com meu médico e meus cursos? 
_Você etá me pedindo que eu passe uma gravidez toda como uma fugitiva.  
_É verdade -teve uma pausa . Tem razão, não tinha pensado nisso.  
Carlee falou com a maior doçura.  

 

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°o.Sherazade.o°

   08/04/2006 23:22 

Ainda tem mais, por que ele iria ganhar uma demanda de custódia? Nada mais é do que 
o doador, e por erro. Nenhum juiz te escutará.  
_Isso depende de onde seja o juízo.  
_Por que não em Vancouver?  
_Meu avô, se você na se deu conta disso, é um osso duro de roer. O esperma residia na 
Califórnia.  
_O esperma reside em algum lugar?  
_Há uma primeira vez para tudo, sobretudo se falamos de reprodução assistida. 
_Poderia ganhar o caso. Conhece a todo mundo e tem os meios.  
_E pode comprar a todo mundo! Carlee se sentia furiosa . Mas, que direito tem a fazer-
me isto?  
Hal guardou silêncio, envergonhado.  
_E de onde ia tirar eu o dinheiro para um advogado? Ainda estou pagando minha 
viagem a California.  
_Vieste por aqui ultimamente?  
_Como acha que fiquei grávida? replicou Carlee.  
_Bom, eu pagaria teus gastos legais, se decides lutar.  
Carlee sentia o coração agitado e uma náusea crescendo em seu interior. Tinha que se 
acalmar e comer algo.  
_Você imagina o quanto é angustiante que pode ser um juízo em meu estado? _Sentindo 
que alguém me pode tirar a meu filho? Uma mulher grávida não deveria passar por algo 
assim. E ademais é mau para o bebê.  
_O é?  
Hal nunca tinha ouvido nada semelhante, mas até esse dia a gravidez só tinha sido algo 
que devia evitar com seus casos.  
_O ânimo da mãe influi na saúde do bebê. Poderia nascer com asma ou algo pior se teu 
avô segue com seus planos.  
Hal se sentiu preocupado. Não sentia uma ligação particular com aquela criatura, mas 
não era culpa de Carlee estar grávida do único herdeiro dos Vouvray Ward.  
_Olha- disse de repente Hal . Sei que não é o que queres, mas suponnha que cedemos.  
_Como? Carlee se como uma pedra.  
_Não queremos, mas, e se lhe darmos o que ele pede? E se nos casarmos? 

capitulo 4

 25/04/2006 13:19 

HOUVE um silêncio ao outro lado da linha. 
-O mundo ficou louco nestes minutos. Logo me acontecerá também, não é isso? -
perguntou Carlee com voz débil. 
-Terá que estar louco para enfrentar o meu avô. 
-Não vejo que seja dessa forma que deve ser o enfrentando -protestou Carlee. 
-Não vamos fazer isso. vamos simular que vamos fazer o que ele quer e assim o 
desarmamos. 
-Simulamos um casamento? 
-Não, não. 
-Pois me perdi. Acredito que é melhor eu me achar e me ponha a pensar um momento. 
-Me escute, Carlee -Hal falou com convencimento-. Vamos nos casamo e deves vive 
aqui. Em troca tiro muito dinheiro do meu avô para terminar o carro. Cada vez me 

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parece melhor ideia. 
-Onde vive? 
-Vivo em uma casa pequena dentro das propriedades. Antigamente era a casa do, 
administrador. Mas não me importo que não venha morar comigo. Pode viver na 
mansão, com meu avô. 
-Tenho que viver com o «velho»? -perguntou Carlee com ironia. 
-Com sorte, nunca o verá. A casa é enorme e cheia de empregados. Não terá que mover 
um dedo nem para te fazer um chá. 

 
-Porei-me ao dia em leitura, não é isso? 

-Também estão os melhores médicos do país. 
-Quero que meu filho nasça em minha casa -declarou Carlee com violência. A idéia de 
uma alta tecnologia desnecessária interfiriendo em seu parto a punha doente. Se o velho 
queria obrigá-la... 
-Pode fazer o que quiser. Pode dar a luz no mar, rodeada de golfinhos. Acredito que é a 
última moda. 
-Tem golfinhos? 
-Posso consegui-los. Pode ter algo que possa comprar o dinheiro. 
-É realmente rico, verdade? 
-Eu não -declarou Hal. 
-Vale,suponhamos que eu e o menino temos agora seu sobrenome, não pensará que vou 
lhe dar esse nome terrível, e , o que vai acontecer? 
-Um ano depois de sua chegada, vc vai embora para a casa tranqüilamente. 
-Promete divorciar e me dar a custódia depois de um ano? 
-Tem minha palavra. E tudo vai ser, como antes. 
-E se as coisas não derem certo? O que acontecerá depois de um ano se você não tiver o 
carro? 
-Em qualquer caso, esse é meu prazo. Se não o tiver, deixarei de pedir dinheiro a meu 
avô. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 14:40 

Carlee começava a sentir-se como se a tivessem perdido a luta contra a vontade de um 
mundo absurdo, mas possível. resistiu fracamente. 
-Suponhamos que seu avô te ameaça te deixando sem um dinheiro se não interpor uma 
demanda de custódia quando eu me for . O que fará? Agora está cedendo por dinheiro. 
-Não dependo dele para sobreviver. 
-E o que fará? Procurar um trabalho e viver como alguém normal? -prosseguiu Carlee 
sem lhe acreditar. 
-Não é algo tão absurdo, Carlee. Tenho um diploma de engenheiro. 
-OH, me perdoe ! Acreditei que você tinha vivido uma vida de farra em farra. 
Hal riu de boa vontade. 
-Isso Também. Mas quando nasci, meu avô pôs uma quantidade de dinheiro a meu 
nome e sua decisão é irrevogável. Posso viver perfeitamente, mas não me dá para 
fazerparte desta categoria. 
Quanto mais falava com ele, menos lhe parecia o tipo de menino rico playboy. Carlee 
começou a perguntar-se como seria em pessoa Harlan do Vouvray Ward IV Tinha que 

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existir um motivo pelo que nenhuma mulher queria lhe dar um filho. 
Ao melhor o advogado tinha mentido. “Atrativo” era uma palavra ampla a incerta. 
Carlee tinha visto uma fotografia do primeiro Grande Prix que ganhou, mas só mostrava 
a um homem levantando uma taça, com o rosto oculto pela espuma do champanha que 
outro homem agitava a seu lado. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 14:48 

-Quer dizer, que se renúnciar o seu carro, será imune às pressões de seu avô. 
-Exato -reconheceu Hal. 
-Não poderá te forçar a lutar pela custódia de meu filho? -insistiu Carlee. 
-Não, e te recordo que uma vez que nos casemos, o menino poderá herdar uma parte 
importante dos bens da família. Em realidade -calou uns instantes, pensando-... Posso 
ter aos Dois caso aceite se casar comigo em troca de uma soma de dinheiro em nome do 
menino que não poderá tocar aconteça o que acontecer. 
-Pensará que aceitei sua proposta obscena -protestou Carlee. 
-Não se preocupe pelo que ele pense. 
-O que ocorre se me nego? 
-Então, farei tudo o que posso para impedir que ele vá atraz de você, mas temo que não 
o conseguirei. 
Carlee tomou ar e o expulsou para acalmar-se. Não acabava de entender por que a 
proposta do Hal tinha passado de lhe parecer completamente ridícula a ser a única saída. 
-Tenho que pensar. 
-Quando conhecer a meu avô -comentou Hal com um sorriso na voz-, dará-te conta de 
que em assuntos de mulheres, sempre cita à mesma autoridade. 
-Sério? -disse Carlee algo tensa pelo encargo de que conheceria velho cedo ou tarde. 
-Seu bisavô era francês. E sabe o que estava acostumado a dizer. 
-Se uma mulher tiver que pensar-lhe já a perdeste. 
O som dos motores se apagou e Carlee pôde ver, entre o pó, alguém que esperava perto 
do helicóptero. Abriu os olhos, surpreendida. Era aquele o homem «atrativo» de que 
tinha falado o advogado cujo aspecto tinha chegado a lhe preocupar? 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:00 

Abriu-se a portinhola junto a ela. 
-Carlee? Olá, sou Hal -disse a voz que reconheceu imediatamente. 
O cabelo brilhante, ligeiramente encaracolado, de um loiro dourado cobria uma frente 
nobre e ampla. Os olhos eram verdes, cheios de vida e diversão, os maçãs do rosto 
proeminentes e um sorriso encantador que curvava seus lábios bem formados, sobre o 
queixo forte. 
«Atrativo» significava neste caso uma beleza impressionante. 
Quanto ao corpo não havia dúvida de que era são, e parecia forte sob as calças cor cáqui 
e a camiseta de brilhantes cores étnicas. Tinha o braço engessado. 

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Tinha ouvido que todo mundo em Califórnia era bonito, algo que nunca tinha 
acreditado, até o momento. Mas era muito bonito. Um homem não deveria ser assim. 
Além disso, não podia uma confiar-se em um homem bonito, sentença de sua mãe que 
nunca tinha posto em dúvida. 
-Olá -disse com cautela, mas era impossível não responder a seu sorriso. de repente se 
fixou no estuque e franziu o cenho. 
O sorriso de Hall fez-se maior. 
-Já. eu também tenho essa sensação -disse-. Já nos conhecemos. 
-Estava ali! -recordou Carlee, assombrada. Os dois começaram a rir, mas no caso do 
Carlee era uma risada de alívio. Por algum motivo, tranqüilizava-a que ele tivesse 
estado presente o dia de seu enseminação-. Tinha o rosto tão cheia de machucados que 
não te reconheci. Como você esta? 
-Estou bem. 
Quando se deram a mão, Carlee se surpreendeu ao as encontrar calosas. Sempre tinha 
suposto que os meninos ricos têm mãos suaves e cuidadas. Possivelmente fossem assim 
as mãos dos pilotos. 
-Obrigado por vir a me buscar. Não sabia o que ia fazer se não aparecia -comentou com 
um sorriso confiado. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:03 

Disse-o como se ele fosse seu único amigo em um mundo aterrador, e ao escutar-se, 
Carlee compreendeu a frase de sua mãe sobre os homens bonitos. 
-Em realidade -continuou em outro tom- me tivesse arrumado isso sozinha. 
Hal teve uma estranha intuição naquele momento. Ao escutar o tom do OH, meu 
salvador!» em boca da garota, pôs-se em guarda. Não era nenhum herói de armadura 
chapeada e não ia defender a de nenhum perigo, em particular de seu avô. Mas apenas o 
tinha pensado quando a mulher retirou sua confiança. 
Era como se algo suave lhe tivesse roçado o coração para desaparecer imediatamente. O 
tom do Carlee indicava às claras que não pensava depender dele. 
O curioso foi a decepção que sentiu. E como não podia explicar-lhe decidiu esquecer o 
incidente. 
O aeroporto da Cantabria não era grande. Virtualmente estava dedicado aos aviões 
privados e aos helicópteros dos ricos, que ao parecer abundavam naquela comunidade. 
Hal a dirigiu pelo estacionamento até um estilizado carro de carreiras vermelho. 
Enquanto tomava assento, Carlee disse alegremente: 
-Perguntava-me por que mandou minha bagagem em táxi. Não há muito espaço, 
verdade? 
Hal Ward sorriu com a extremidade do olho e Carlee se sentiu obrigada a sorrir a sua 
vez. 
-O que? -riu Carlee- O que eu disse? 
Hal não respondeu. perguntou-se se seria a única mulher entre os quinze e os cinqüenta 
anos que não ficava sem fôlego ao ver seu carro. Certamente não tinha conhecido a 
outra. 

 

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°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:10 

-Quer que eu dirija? 
Hal a olhou com assombro. Acabava-a de conhecer e queria conduzir seu Maserati? 
-Quer dizer, deve te incomodar com o braço assim. É do acidente? 
-Sim, mas não me dói ao dirigir -respondeu Hal, o que era certo pela metade. 
Carlee abriu a janela , assim decidiu não ligar o ar. Depois de uma breve vacilação, 
decidiu tomar caminho mais rápido e apertou o acelerador. A seu lado, Carlee suspirou 
de satisfação. Assim que gostava da velocidade. Bom, assim eram todas as garotas que 
conhecia. 
-Que maravilha! -exclamou Carlee-. eu adoro ver palmeiras e este céu tão azul. Não é o 
mesmo no norte, nem sequer no verão. Vive perto do oceano? 
Hal riu para seus adentros. 
-A mansão tem como um quilômetro de costa -disse, levantando o pé de acelerador e 
tomando o caminho mais lento. 
-OH, que bom. Buck Falls está também perto da costa. Acredito que não posso viver 
longe de mar. 
-São escarpados, não se pode entrar. 
-Não importa, basta-me vendo-o. E escutar seu som. 
-Como está sua irmã? 
Carlee se pôs-se a rir. 
-Bom, Emma aceitou à idéia bastante rápido, quando me viu decidida. Disse-me que te 
dissesse que é muito hábil com o... 
-Facão, se é que te faço algum mal -Hal terminou a frase e Carlee lhe olhou com 
surpresa. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:29 

-Você falou com a Emma? 
-Digamos que Emma falou comigo. 
-Conversou com você de Toronto? por que? 
-Pensaria que ao melhor não transmitia a mensagem. 
-Mas é o cúmulo! Eu sei me cuidar e Emma sabe melhor que ninguém. 
Hal a olhou de esguelha. Não parecia tão forte. Havia algo nela que despertava um 
instinto de amparo. Não nele, é obvio. Mas lhe parecia que muitos homens quereriam 
protegê-la. 
-Arrependeste-te? -perguntou. 
-Sabe o que? Convenci-me que são umas férias pagas. Quanto demoraremos para 
chegar? 
-Uns vinte minutos -respondeu Hal. Normalmente ele o fazia em doze. 
Era uma casa proporcionada e graciosa de outros tempos, elevada sobre. a cidade, 
protegida por seu parque e suas poderosas grades de ferro. O táxi com suas malas já 
tinha chegado, aspecto que Hal comentou com ironia, e estas não estavam à vista. 

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Carlee desejou as seguir. Não estava muito cansada, mas depois de um táxi, um avião, 
um helicóptero e um carro de carreiras, tinha vontades de trocar-se e estar sozinha um 
momento. Por não falar de ir ao banho. 
Para sua surpresa, Hal a acompanhou pelo corredor e a escadaria até o primeiro piso, 
chamando diretamente ao escritório de seu avô que lhes esperava em casa. O Dois 
estava falando por telefone quando entraram. Elevou uma mão como saudação, e logo 
assinalou duas cadeiras para lhes indicar que tomassem assento, o que ambos fizeram 
obedientemente. 
-Agora estou com vós -disse, e dirigindo-se a seu interlocutor-. Muito bem, Mike. me 
repita esse último nome. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:36 

Hal observou Carlee com certa compaixão divertida. O velho era impressionante, com 
seu rosto moreno e duro, sua invejável juba branca, a sensação de poder que emanava 
de todo seu corpo. Era evidente que estava fazendo esperar ao Carlee a propósito, um de 
seus métodos para mostrar quem mandava, e Hal estava desejando ver como reagia a 
mulher. 
Durante os seguintes longuísimos cinco minutos, Carlee se foi pondo cada vez mais 
tensa e quando Harlan desligou por fim, a mulher aproveitou para ficar em pé e dirigir-
se à porta. 
Hal a seguiu educadamente. 
-Tenho que ir tomar banho -disse em voz baixa e Hal assentiu e a acompanhou pelo 
corredor- São estas coisas das grávidas. Não me posso conter. 
-Não importa -assegurou-lhe Hal-. Esta é seu quarto e o banheiro está ao fundo. Saberá 
voltar para o escritório? 
-OH, claro que sim. 
-Pois te espero ali. 
Quando retornou ao escritório, o ancião lhe olhou com aborrecimento: 
-Onde se colocou? 
-Tinha que ir ao banho. Em um minuto volto. 
Vinte minutos mais tarde, tempo que o velho passou simulando trabalhar com crescente 
ira, enquanto Hal logo que podia conter a risada, bateram na porta, e Carlee entrou. 
trocou-se de roupa e recolhido o cabelo e Hal observou que lhe brilhavam as pestanas, 
como se se tivesse tomado banho. 
-Olá! -disse animadamente-. Como estava você tão ocupado, decidi me refrescar um 
pouco. foi uma longa viaje e fazia calor. Espero não ter demorado muito. 
-Não importa -disse Harlan com aborrecimento logo que reprimido-. Disse ao Hal que te 
trouxesse imediatamente porque não tenho muito tempo, mas dá no mesmo. 
Carlee sorriu generosamente. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:44 

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-Está você perdoado. 
O perdão implica uma falta. Hal pensou que nunca tinha visto ninguém perdoar ao 
velho ao menos nos últimos trinta anos. Teve que morder o lábio para não estalar de 
risada enquanto Harlan do Vouvray Ward II elevava as sobrancelhas em uma mescla de 
confusão a incredulidade. 
A partir desse momento, para o Carlee todo foi ir de impressão em impressão. Primeiro 
a apresentação ao avô do Hal, logo o passeio pela mansão, que unia a suas velhas 
formas as comodidades mais avançadas, jacuzzi incluído. Depois viu como suas malas 
eram ordenadas por uma mulher que se apresentou como seu assistente privada; a isso 
seguiu a assinatura de um centenar de papéis, incluídas vários cartões de crédito e é 
obvio, um acordo prematrimonial; a visita ao médico da família para uma série de 
provas e análise; a visita à prefeitura para procurar a licença matrimonial e outras 
formalidades... Todo isso ocorreu a uma velocidade pasmosa. Só sentiu que seguia 
sendo ela mesma ao falar com a Emma por telefone. 
Sua irmã insistiu em que lhe mandasse por fax todo papel que lhe fizessem assinar para 
sua revisão pelos melhores cérebros de sua assinatura. Durante três dias os faxes voaram 
entre Toronto e Cantabria, até que Emma deu sua aprovação: 
-É um bom acordo. Pode assinar. 
A única cláusula que preocupava ao Carlee era a que dizia que o acordo não limitava 
nem definia os direitos futuros dos filhos que pudesse ter o casal. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   25/04/2006 15:50 

Harlan o velho não desejava que ninguém trocasse de opinião, por isso pressionava para 
que tudo fora rápido. Depois de cinco dias de loucura, Carlee se encontrou atravessando 
as portas da igreja da Cantabria, que tinha visto várias gerações do Vouvray Ward 
nascer, casar-se e morrer, para contrair matrimônio com um homem que não conhecia 
de nada. 
Posto que Hal a tinha abandonado a sua sorte. Depois do encontro no aeroporto, apenas 
havia lhe tornado a ver. 
Certamente tinha ido à igreja e falava com o sacerdote junto ao altar. Estava muito 
bonito com um traje de jaqueta claro e uma camisa verde que fazia que seus olhos 
parecessem ainda mais profundos e brilhantes. Carlee começou a sorrir nada mais vê-lo. 
Era assombroso até que ponto a tranqüilizava aquele homem, como se fora um oásis no 
deserto impessoal que acabava de atravessar. Hal podia ser frívolo e perigoso, mas ao 
menos era humano e a olhava com simpatia. 
É obvio, todo aquilo eram emoções próprias da gravidez 
, mas não acreditava que fora uma emoção do gravidez o repentino pânico que sentiu. 
«Não posso fazê-lo», disse-se enquanto acompanhada pelo George McCord e o velho, 
avançava sem cerimônia pelo corredor central. Mas então o sacerdote se voltou por 
volta dela sonrindo e Carlee compreendeu que era tarde. Estava apanhada. Seu coração 
se acelerou até sufocá-la. 
-Olá -disse Hal com suavidade quando a teve perto. 
-Olá -sussurrou Carlee. E de repente se disse que sua mãe não estava no certo e que Hal 
merecia sua confiança. Bastava vê-lo para saber que cumpriria sua palavra e que ela não 
tinha nada que temer. 
-Quem teme o anel? -disse o sacerdote, abrindo seu livro para começar. 

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-O anel? -exclamou Harlan o Duas com irritação. Não queria nenhum contratempo-. 
George, o anel? 

 
Aquilo não era justo e George o olhou com aborrecimento. Hal começou a rir. 

-Vejo que Carlee leva um anel na mão direita -disse o reverendo Bill Pearson com 
amabilidade-. Talvez podemos usá-lo. 
Carlee sim tinha recordado que haveria um anel. Pela manhã, com uma desculpa mental 
para o Bryan, tinha passado seu anel de casada à mão direita. 
-Mas é o anel do Bryan! -protestou para ouvi-lo e o reverendo a olhou com estranheza. 
-Não importa! -ordenou o velho-. É só para a cerimônia, já procuraremos outro. 
Carlee fechou o punho e o pôs contra seu coração, em um gesto de amparo. Olhou com 
calma ao ancião e falou sem rebeldia, mas em um tom que não deixava lugar a dúvidas: 
-Não. 
de repente Hal não teve vontades de seguir rendo. Observou ao Carlee e compreendeu 
de repente que a mulher se arrumou cuidadosamente para não parecer uma noiva. Seu 
traje de jaqueta não tinha nada romântico, era mas bem adequado para uma entrevista de 
trabalho. Seu comprido cabelo estava recolhido em um coque severo, e não levava 
nenhuma jóia, nem buquê de flores, nem chapéu. 
E ao olhá-la, soube como se teria vestido o dia de seu casamento com o Bryan. Com um 
vestido branco, romântico, antigo, com flores em todas partes. Tentava manter aquela 
lembrança separada, como algo sagrado que não deve mesclar-se com um vil negócio. E 
o velho queria que cometesse o sacrilégio de utilizar seu anel em uma farsa. 
Hal sentiu que lhe encolhia o coração. 
-Maldita seja... -começou a dizer o velho, enquanto o sacerdote explicava fracamente 
que não era fundamental o anel. 
-Harlan, não pode acontecer por cima de todo sentimento decente que o encontra -
interveio Hal com força- Meu anel de engenheiro servirá. 
E dizendo-o, tirou-se o singelo anel que levava e lhe tendeu ao reverendo enquanto 
Carlee lhe lançava um olhar que tivesse derretido a uma rocha. 
-Venha -disse Hal. Não sabia como tinha sido Bryan, mas estava seguro de que não 
merecia ao Carlee. Em qualquer caso, ela tinha direito a suas lembranças-. vamos casar 
nos. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 5 07/05/2006 20:04 

QUANDO saíram da igreja, as nuvens que se foram acumulando no céu, tornaram-se 
escuras e ameaçadoras. Na curva esperavam os dois carros dos Vouvray Ward, em 
aberto desafio às normas de estacionamento, sem que houvesse uma multa à vista. O 
Maserati do Hal estava ao pé mesmo das escadas. um pouco mais longe, sob uma 
árvore, a limusine negra de seu avô. 
-Perfeito -disse o velho e nada mais-. Suponho que estará desejando voltar para seu 
laboratório, Hal. Nós vamos com Carlee ao escritório do George para assinar uns 
papéis. 
Hal franziu o cenho. 
-Já assinou todos os papéis do mundo, incluído um contrato com o diabo. O que pode 
ficar? 
Harlan do Vouvray Ward II olhou com zango a seu neto. 

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-Um testamento, é claro está! Não adiantaria que o assinasse antes do casamento. Mas 
não vai querer a metade de sua fortuna desapareça em algum lugar do Canadá se algo 
acontecesse com Carlee?. 
-Como? -exclamou Hal. 
-Não é mais que uma formalidade -interveio George para acalmar os ânimos. 
Mas o ancião seguia com o formidável cenho franzido. 
-Você também, claro está. Pode passar lá para assiná-lo em qualquer momento, não é 
assim, George? 
-Não há pressa -disse George. 
-Ou pode vir conosco agora, se tiver tempo -ironizou seu avô. 
Tinham baixado a escadaria da igreja e falavam junto ao carro esportivo. Hal se inclinou 
a abrir a porta do co-piloto. 
-Temo que Carlee e eu temos coisas mais importantes que fazer esta tarde -disse e 
empurrou brandamente Carlee pela cintura. 
Reprimindo um sorriso, Carlee se deixou cair no assento, alargou as pernas com um 
suspiro, e saudou com a mão aos dois homens atônitos que a olhavam. 
Enquanto, Hal tinha tomado assento sem perder um momento. 
-Onde vão? Onde a leva? -perguntou o Duas com irritação. 
-A comprar um anel, vovô! -gritou Hal-. Pensei que você gostaria da idéia. 
O homem voltou a gritar algo, mas suas palavras se perderam no ruído do motor ao 
arrancar. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:06 

Carlee se pôs-se a rir pela primeira vez em cinco dias. 
-OH, que maravilha -exclamou-.Obrigado! Nada menos que assinar meu testamento o 
dia de meu casamento... Mas é que não tem nenhum ...? 
-Nenhum -terminou Hal, perguntando-se o que lhe teria empurrado a fazer essa tolice. 
Mas era tarde para retornar. Assim perguntou-: Que tipo de pedra quer? 
-Pedra? 
-No anel. 
-OH, no aliança de casamento. Uma pedra? 
- -No anel. 
-OH, no aliança de casamento. Uma pedra? 
-No anel de compromisso. 
-Para que? -perguntou de novo Carlee sem entender-. Basta-me com um pouco dourado, 
singelo. 
Aquilo lhe enterneceu, ou seja por que motivo. Dedicou-lhe um sorriso brilhante. 
-Você é nova na cidade, verdade, senhora? -disse com a voz de um paquerador de bar. 
-Como o soube? -respondeu ela, simulando surpresa. 
-Não foi difícil. Não muitas mulheres de por aqui põem em dúvida a necessidade de 
jóias. Que tal safiras, a jogo com seus olhos? 
-Meus olhos não são dessa cor. 
-Se levar safiras, serão. 
A risada sacudiu a Carlee de novo. 
-Ah, que bem me sinto. Pensei que talvez tinha alguma enfermidade e não voltaria a rir 
nunca. 

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-Tem uma enfermidade. chama-se Eldositis. Por fortuna, só se manifesta em presença 
de meu avô. 
-Não me disse isso antes de se casar comigo -acusou-lhe Carlee. 
-Pensei que igual foi imune -defendeu-se Hal-. Alguma gente o é. 
-Quantos? 
-A porcentagem é baixa -admitiu Há, rendo de novo. 
-Baixa? 
-Não temos uma amostra estatística o bastante ampla para elaborar conclusões. Mas 
falamos de um entre um milhão. 
Carlee não pôde mais que rir de novo e logo disse: 
-Quem é o bisavô francês que sempre está citando? 
-Vnicent do Vouvray. Era um sobressaio da França que veio de visita e se casou com 
uma Vouvray Ward lá por 1885. Tomou o nome da família. 
-O que tem de particular? 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:11 

-Nada. Era um aristocrata que se acreditava um filósofo. O Dois era ao parecer seu neto 
favorito. Sua sabedoria sobre as mulheres caiu em terra fértil. 
-Vincent -repetiu Carlee-. Você leva também seu nome, não? -tinha descoberto pela 
manhã, com horror, que seu nome completo era «Harlan Vincent do Vouvray Ward III» 
e o recitou com soma antes de acrescentar Não tem vontade de cortar um pouco! 
Hal sorriu enquanto estacionava frente à porta de uma famosa joalheria. 
-Aqui estamos. 
-Maldição! -exclamou Carlee assustada. 
-Maldição! -repetiu Hal burlando-se- É uma expressão muito canadense? 
Carlee se mordeu o lábio e o olhou com aborrecimento fingido: 
- Vamos, não te ria. Expliquei-te que é deformação profissional. 
Um anel de diamantes e safiras e outro de ouro mais tarde, sentaram-se a comer em um 
restaurante tranqüilo que Hal não conhecia. 
-É um pedaço de anel -disse Carlee pela sexta vez, sonriendo. Estavam junto à janela e o 
sol que jogava entre as nuvens fazia resplandecer seu anel. 
Sem pensá-lo, Hal tomou a outra mão onde descansava o singelo anel de um homem 
chamado Bryan. 
-Seu marido alguma vez deu de presente um anel de compromisso? 
-OH, sim e era precioso. eu adorava. Mas me roubaram isso um dia na piscina do 
colégio. 
-E não comprou outro? 
-Bryan estava doente naquela época. Estávamos tvivendo pelo seguro, mas... bom, havia 
outras coisas que fazer com o dinheiro. E além disso, as coisas não se substituem. 
-Sinto muito -disse Hal, zangado consigo mesmo por ter tirado o tema e convertido sua 
risada alegre em um gesto tremente. 
-OH, não se preocupe. Já faz dois anos e começo a superá-lo. Salvo quando me assalta 
por surpresa. 
-Não conheceu outra pessoa? 
-Não -Carlee negou com a cabeça-. E sei que não encontrarei a ninguém assim. Era tão 
especial. Não vai hacer outro. 

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-Pois está planejando uma vida bastante vazia. 
Carlee sorriu. 
- vou ter um filho. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:17 

-É verdade -assentiu Hal. 
Pela primeira vez, começava a ver clara a situação. Uma mulher que seguia venerando a 
seu marido morto, ia ter um filho dele, do Hal, em memória de seu marido. Seu avô, por 
outra parte, desejava educar a esse menino em memória dos do Vouvray Ward. 
E logo estava Hal, acidentalmente no meio. 
de repente teve a clara sensação de que todo aquilo prometia um desastre. 
 
-Me fazia falta isto! -disse Tom Hayes com entusiasmo físico enquanto se limpava a 
cara molhada com uma toalha. 
Hal também estava suando. Acabavam de terminar uma partida de squash, ritual 
semanal que tinham mantido dos tempos da universidade. Era a primeira partida do Hal 
desde que lhe tinham tirado o estuque, de maneira que a partida tinha sido mais 
tranqüila do habitual. 
Enquanto avançavam para as duchas do clube, os dois homens eram observados com 
interesse por um grupo de mulheres, mas havia uma que olhava com algo mais que 
interesse. 
-Olá, Sharon -saudou Hal quando passaram junto a uma mulher magra e alta, vestida 
para jogar tênis. Tinha um pé sobre o banco, e conversava com outra mulher enquanto 
se atava a sapatilha- bom dia, Tessa. 
Tessa Clark o olhou sonriendo. 
-Olá. 
Mas Sharon não tinha ouvido sua saudação. incorporou-se e Hal tomou pela cintura 
nesse instante. 
-Olá -disse de novo- Está livre para comer? 
Estava acostumado a está-lo, mas naquela ocasião se sobressaltou levemente e se voltou 
para ele. 
-OH, Harlan -disse Sharon Harlowe-Benton com uma compostura distante de seu 
entusiasmo habitual-. Hoje? -olhou-o como se fora um desconhecido e censurasse seu 
gesto familiar-. Não, sinto muito, estou ocupada. 
Hal se assombrou da hostilidade pura, gelada, que emanava dela. Deixou cair as mãos e 
comentou, recuperando sua raquete. 
-Outra vez será -e ele e Tom se afastaram para as duchas. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:30 

-Ouça! -comentou Tom ao momento -. O que lhe tem feito? Fiquei-me que pedra. 
Hal estava perplexo. 

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-Nada que eu saiba. Não a vi em um par de semanas, mas não há nada estranho nisso. 
-Será isso -disse Tom com sensatez. 
-Morro de fome. Tem entrevista para comer? -comentou Hal entrando na ducha e 
ficando sob a água. 
-Hoje não posso. Prometi ao Ellie que a levava de picnic e que chegaria a tempo. 
Por sorte, ao sair da ducha, viu o Maddie, só e provavelmente livre. 
-Maddie -chamou-a-. Come? 
Maddie Stonewald girou sobre seus calcanhares, olhou-o de cima abaixo, e separo seus 
formosos lábios carnudos: 
-Nem pensar -disse com um sorriso e desapareceu. 
Hal procurou pelo bar, mas não havia nenhum amigo à vista, e as garotas que 
normalmente tivessem acessado encantadas, negaram-se em redondo. 
A gente de mundo não comia sozinha no Clube de Campo da Cantabria. Foram ali para 
ver e ser vistos, para intercambiar informação e intrigas, e isso se fazia na hora de 
comer. Embora a comida fora excelente, a ninguém lhe ocorria ir ali a comer, sem mais. 
De maneira que Hal, que só comia uma comida decente os domingos no clube, aceitou 
sua nova condição de emprestado e se foi casa a fazer um sanduíche. 
-Mas é que não estou acostumada a não fazer 
nada! -estalou Carlee-. Aborreço-me!  
O velho a olhou com assombro. 
-Va às compras, mulher. Ou ao cabelereiro. Tem um cartão de crédito que pode usar em 
todas as lojas de luxo desta cidade. Como estava acostumado a dizer o vida torta do Hal: 
as mulheres dão bem fazendo compras porque esse é o negócio de suas vidas. 
-O vida torta do Hal não conheceu grande coisa do século XX, ao parecer. Já fui às 
compras, obrigado. 
E meu cabelo está bem. 
-Faz-o de novo! As mulheres vão ao cabelereiro várias vezes por semana. 
Carlee o olhou com fúria. 
-Não -disse- Quero fazer algo útil. 
-Bom, não pode invadir a três por quatro a cozinha da Sara perguntando se pode ajudar. 
Sara é uma cozinheira excelente e não quero perdê-la. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:38 

-Sara é uma cozinheira sem a menor imaginação. por que não posso cozinhar um pouco 
em seu dia livre? 
-Já ouviste o crave dizer que no domingo ele toma o mando. organizaste um caos na 
cozinha porque te deu de cozinhar. por que não faz artesanatos? Ela tem uma pequena 
oficina de cerâmica. 
Não lhe importará que o use em sua ausência. 
A mãe do Hal estava na França, e Carlee já se acostumou a que o ancião assumisse que 
outros sempre sentiam o que lhe convinha. 
-Como sabe que não lhe importa? –perguntou bruscamente-. Por isso vi nunca tiveste 
em conta mais que seus próprios desejos desde que nasceu! 
As sobrancelhas espessas se uniram com surpresa. 
-por que ia incomodar a? Não está aqui! 
-Vê o que digo, só te importa ter a vida mais fácil -assinalou- Não penso utilizar o 

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material de minha sogra sem sua permissão, embora desejasse fazê-lo. E não o desejo. 
Não sei nada de argila, embora eu adoraria ter um pouco a emano nestes momentos. 
-É verdade -assentiu o velho-. Não deve ser bom em seu estado aspirar argila. Nunca se 
sabe... 
Estava falando com vento. Carlee tinha saído fechando a porta de uma portada. 
-Carlee! Aqui estou! 
O estilizado carro vermelho se deteve no caminho que levava a casa do Hal e ele 
comprimentou o Carlee. A mulher, que tinha estado passeando furiosamente sem rumo, 
avançou para ele sem sorrir. 
-É você! -disse. 
-Ouça, não me olhe assim! O que te passa? 
Carlee respirou profundamente. 
-Estava recordando que você é o que me meteu em tudo isto! 
Hal assentiu com gesto solidário: 
-Problemas com o velho? 
-O que acontece com esse homem? Como pôde acontecer uma vida inteira sem inteirar-
se de que não vive sozinho no mundo com soldadinhos de chumbo que pode dispor a 
seu desejo? 
-Pois já passou. 
-Eu gostaria de lhe pegar. 
-eu adoro quando fica furiosa. 
Carlee sentiu que seus lábios se curvavam em um sorriso e que sua raiva se evaporava. 
Bastava-lhe vendo o Hal para sentir-se melhor. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:42 

-Não é que me incomode ter tempo livre, mas é que eu adoro cozinhar! por que não me 
deixam fazer algo alguma vez? E além me aborrece esta sã comida americana. 
Necessito um pouco de variedade. 
-Sabe cozinhar? -Hal foi direto ao grão. 
-É meu hobby, mas Sara não quer que ninguém entre em seu território, assim não me 
deixam me aproximar de um fogão. 
-Eu tenho fogões -disse Hal com esperança. 
-Como? 
-Que não comi hoje. 
Carlee observou como seu sorriso encantador se fazia suplicante. 
-É seu dia de sorte! -exclamou de boa vontade. 
-Sobe -disse Hal e lhe abriu a porta para que passasse. Uns minutos depois estacionava 
em frente a sua casa. 
-Onde guardas os mantimentos? -perguntou Carlee na cozinha, aparecendo pela porta 
que dava ao salão, onde Hal se entretinha com uma espécie de maquete. 
Hal elevou a vista. 
-O que te faz falta? 
-Bom, algo mais que umas latas de atum e pão passado. Sou cozinheira, não maga. 
O estômago do Hal rangeu de esperança e fome. 
-Faz uma lista e salto à loja do Monique. 
-É essa a loja que vimos o outro dia? Vou contigo -sugeriu Carlee com ânimo. 

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E assim iniciaram sua primeira expedição juntos. Carlee avançou feliz entre os 
produtos, enquanto sua fome de grávida lhe dizia que estava no lugar ideal. 
-É alérgico a algo? -perguntou, escolhendo ao azar para encher a despensa do Hal. 
- Não acredito. 
Escolheu manteiga, nata, iogurte e queijo e o pôs no carrinho ante o olhar atônito do 
Hal. 
-Não vão prender nos? -perguntou. 
Carlee, inclinada sobre o mostrador, olhou-o sem entender 
-O que? 
-Todo isso é graxa animal. Não é contrabando ou algo assim? 
Carlee riu com aquela risada rouca e contagiosa que tinha escutado pela primeira vez 
por telefone. Recordou que a risada lhe tinha feito perguntar-se que aspecto teria. Então 
nunca tivesse imaginado uma cena assim. 
-Todos esses contos são pura propaganda -disse com aprumo-. O ano próximo dirão que 
não há nada melhor que a manteiga. O único importante é comer coisas naturais, sem 
aditivos. 
Hal assentiu: 
-O que vamos comer? 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:45 

-Vejamos que legumes têm. Embora acredite que necessita de todo um pouco -estudou 
com atenção as garrafas de azeite e escolheu uma de oliva virgem. 
Hal tentou imaginar a alguma de seus amigas fazendo a compra com ele. Se fizessem 
algo assim, certamente não comprariam manteiga. Pensou que a manteiga era algo 
assim como uma obscenidade para elas. Em uma ocasião, Sharon tinha levado comida 
preparada de um restaurante japonês. 
-Hal! 
Falando do rei de Roma, disse-se o interpelado, olhando aproximar-se da Alexa 
Harlowe, a jovem madrasta da Sharon que a sua vez estudava com uma mescla de 
curiosidade' e surpresa. Não acreditava que aquela mulher fizesse a compra, assim que o 
mais provável era que lhes tivesse seguido dentro. 
-Olá, Alexa. 
-Não lhe vimos em anos -o que era certo, embora o comentário passava por cima que 
Sharon odiava a sua madrasta e que nunca lhe tinha levado a casa enquanto saíam 
juntos. 
Voltando-se para o Carlee a mulher disse com um sorriso: 
-E você é a nova esposa da que tanto ouvimos falar? 
A expressão do Hal se fez de repente tão sólida como a lava de um vulcão ao entrar em 
uma geleira. 
-Pois... sim... -balbuciou-. Carlee, apresento a Alexa Harlowe. 
-Carlee! Estou tão contente de te conhecer -exclamou Alexa com convencimento-. Nem 
sequer tínhamos ouvido seu nome, só sabíamos que Hal se casou em segredo com uma 
completa desconhecida. Tínhamos todos tanta curiosidade! Parecia que nunca foram 
apanhar o. 
Carlee sorriu com amabilidade. 
-E ao final me apanhou -disse. 

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-Certamente! ouvi que vive na mansão. Suponho que está esperando a que Hal arrume 
sua casa. 
-Vamos, Carlee -interrompeu Hál com impaciência-. Estou morto de fome. Alexa, sinto 
muito. mas é que ainda não comemos. 
-Claro, entendo-o. Escuta ,por que não lhes passam esta noite a tomar uma drink? 
Estarão os de sempre, já sabe. 
-Em outra ocasião melhor. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 20:48 

Alexa lhes deu a mão e saiu correndo sem ter comprado nada. Puderam ver como subia 
a um esportivo verde a jogo com suas lentes de contato. 
Carlee olhou ao Hal pela extremidade do olho enquanto se aproximavam da padaria. 
-por que está tão contente com seu casamento? -perguntou, posto que entre toda a 
artificialidade da mulher, esse sentimento tinha sido sincero-. Duas barras, por favor. 
-Porque estive saindo com sua enteada -reconheceu Hal. de repente, as cenas do clube 
cobravam sentido. Nem lhe tinha passado pela cabeça que a notícia de seu matrimônio 
logo correria por toda a sociedade da Cantabria. E tinha sido idiota ao não considerar os 
efeitos sobre sua vida sentimental. Teria que fazer umas chamadas. 
-Não acredito que saia com meninas de doze anos -seguiu Carlee, mas imediatamente o 
entendeu tudo-. Deve estar casada com um homem que a dobra em idade e detesta a 
idéia de que sua enteada arranque o prêmio gordo. É isso? 
-Objeto o término <arranque> . 
-leve-se. 
-Ninguém diria que Harald Harlowe é um segundo prêmio. É milionário e ao menos 
controla sua fortuna -disse Hál com sentimento-. E pelo que ouvi, a competição foi 
dura. 
-Sim, mas você é rico e jovem. E bonito -acrescentou com objetividade enquanto 
inspecionava as verduras e frutas- Não acredito que Alexa me resulte muito simpática -
alcançou uma formosa berinjela-. vai ser sua sogra algum dia? 
Hal piscou os olhos os olhos, momentaneamente confuso. 
-O que? Nem pensar. 
-Como se chama sua noiva? -perguntou Carlee enquanto tomava ao azar tomates, 
salsinha, limões, alfaces e outras frutas. Hal estava quase salivando de fome. 
-Sharon Harlowe-Benton e pelo que vi esta manhã é meu ex-noiva. 
Carlee o olhou com assombro: 
-Está-me dizendo que não lhe contaste tudo isto? 
-Não pensei nisso. Morro de fome. Não podemos partir já? 
Carlee deixou a frutería obedientemente. 
-Há mais peixes na água -confiou-lhe Hal com tranqüila segurança. 
Comeram junto à piscina, no jardim, e Hal se encheu como se fora a última comida de 
sua vida. 

 
Carlee tinha preparado distintos pratos para mesclar, desde berinjela empanada a 

frango frito com arroz e todo lhe tinha parecido delicioso. 
-Onde aprendeu a cozinhar assim? -perguntou quando superou a fome e pôde desfrutar 
de do sabor. 

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-Já te disse que é meu hobby. Sempre vou a cursos no verão. já fiz cozinha da Índia, 
russa, espanhola, francesa e grega. Este verão pensava aprender cozinha mexicana. A 
gente me há dito que igual já não gostava de estando grávida, mas não me aconteceu de 
momento. 
-meu deus, acabo de te encontrar e vais deixar de cozinhar? 
-Não acredito que acontecer -riu Carlee-. Em geral, as náuseas se passam depois dos 
primeiros meses. E de momento eu me encontrei bastante bem. 
-passou o perigo? -perguntou ansiosamente Hal fazendo-a rir de novo com sua 
expressão de espanto. 
-O que sugere? Quer que cozinhe para ti de forma regular? -brincou Carlee, sonrindo 
com paquera. 
-Faria-o? -pediu Hal, afetado pelo sorriso 
-Com tal de perder de vista a seu avô? Faria algo -disse ela fervientemente. Hal não 
estava acostumado a essa classe de reação. Estavam acostumados a lhe apreciar por seus 
méritos próprios-. Quantas vezes? 
-Trabalho muitas horas -disse Hal-. Mas uma boa comida uma vez por semana me 
salvaria a vida. Amanhã? 
-De acordo, as segundas-feiras -aceitou Carlee encantada, enquanto Hal molhava a 
última parte de pão no molho da salada de tomate e olhava a mesa vazia com cara de 
satisfação ante o trabalho completo. 
-O que fará amanhã? – perguntou elevando os olhos. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 6 07/05/2006 21:05 

QUANDO Hal deixou suas ferramentas na segunda-feira pela tarde, todo mundo na 
oficina ocultou um sorriso. 
-Vá, chefe -comentou Trev-, parece que lhe esperam em casa. 
Hal se deu a volta e se encontrou com toda sua equipe olhando-o com cara de 
aprovação. 
-Que demônios lhes passa? -perguntou com o cenho franzido. 
-Felicidades, Hal -disse outro dos homens-. Assim ao final picaste. 
- Já era hora. 
-ouvi que a garota é muito bonita. 
Hál olhou-os com assombro enquanto a verdade se fazia corpo. Assim que a notícia 
tinha pirado e o casamento, a que tão pouca atenção tinha emprestado, convencido de 
que em nada trocaria sua forma de viver, começava a transformar seu mundo. Todo 
mundo sabia, e a julgar pela atitude de sua equipe de trabalho, todo mundo pensava que 
se casou por amor. de repente a raiva fria da Sharon parecia completamente natural. 
Viu também, com claridade pasmosa, no que ia se converter sua vida: sua vida sexual 
estava acabada, ao menos até seu < divórcio», quer dizer, até que terminasse o carro. Se 
algo podia lhe dar novos ímpetos para trabalhar, era sem dúvida isso. 
Durante uns segundos jogou com a idéia de explicar a verdade a uns quantos, em 
particular a Sharon. Mas duas considerações lhe fizeram duvidar. Em primeiro lugar, 
segundo tomasse, Sharon podia lhe contar a verdade a todo mundo, e isso podia afetar 
ao trato que a comunidade dava ao Carlee. Ao fim e ao cabo, devia-lhe certo amparo. 
Estava ali porque ele o tinha pedido e fossem quais fossem as razões, Carlee tinha 
entrado em seu mundo. Não podia jogá-la aos lobos, só porque convinha a sua vida 

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sexual. 
Em segundo lugar, deu-se conta de que toda mulher com a que tinha saído nos últimos 
anos tinha tido uma intenção matrimonial. Sem aquela possibilidade, foram mostrar 
muito menos interesse por sua encantadora companhia. 
A revelação o assombrou. Quando Carlee voltasse para casa ao ano seguinte, ele ia ser 
também algo diferente: um divorciado com um filho. As coisas nunca voltariam a ser 
iguais. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:08 

Sentiu-se profundamente irritado com seu avô por obrigá-los a toda a farsa e consigo 
mesmo por emprestar-se a esta sem calibrar os inconvenientes. Seguia zangado 
enquanto caminhava pelo parque para sua casa e empurrava a porta da cerca que 
rodeava a piscina. 
Uma figura pequena com um traje de banho negro nadava com energia em sua direção e 
se deteve, admirado ante a graça e a ferocidade das braçadas. Quando chegou ao final, o 
corpo girou sob a água e se dirigiu como uma flecha para o outro lado. Hál foi andando 
pelo bordo da piscina e Carlee o viu o elevar a cara, detendo-se o fim. 
-Olá! -estava sem fôlego. 
-Olá -respondeu Hál- Não deveria ir mais devagar? É bom nadar tão forte? 
-Não vais começar com isso! -exclamou Carlee com uma fúria que a ajudou a subir 
agilmente, ajudando-se com as mãos-. Estou mais que farta de ouvir o que é bom ou 
mau para as grávidas -olhou-o com os olhos relampagueantes e acrescentou-: Seu avô é 
o ser mais autoritário do universo, e se o tivesse sabido, jamais tivesse aceito este trato e 
estaria escondida no lugar mais afastado possível. 
Enquanto Hal a olhava com assombro, ela seguiu, lançada: 
-É um paranóico e me Mato a lhe explicar que não sou de porcelana, nem meu filho 
tampouco. Não quero que me tenham entre algodões. 
-Por isso eu vejo, não necessita nada -comentou Hal, observando com surpreendida 
apreciação o corpo arredondado da mulher. Era a primeira vez que a via sem roupa, e 
começava a estar muito a favor da manteiga. Não é que estivesse gorda, simplesmente 
não parecia um gato faminto. 
-O que? -perguntou Carlee, começando a rir. 
-Já está melhor -disse Hal. 
-Perdoa -disse a mulher-. Não deveria tomá-la contigo, mas esse homem me põe louca. 
Sinto-me como uma vaca sagrada. Vigia cada bocado que como, cada movimento que 
faço. Hei-lhe dito que a tensão é o pior para o bebê, mas ele não pode evitá-lo. 
Hal se passou a mão pela nuca. 
-Seja seja o conheço. Devia ter pensado que se comportaria assim contigo. 
-Muito tarde -murmurou Carlee. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:11 

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Tomou uma toalha e se secou a cara, depois o cabelo que levava solto. 
-Mas lhe hei dito que se não me deixar em paz, me comprido a casa -deixou cair a 
toalha e ficou uma bata vermelha, movendo a cabeça com gestos de gracioso abandono. 
Hal sorriu, contente: 
-E o que respondeu? 
-Assinalou-me que assinei um montão de papéis e que cortará meus recursos se me 
partir -Carlee foi para a casa e Hal a seguiu-. Respondi-lhe que podia ficar com seu 
maldito dinheiro e me disse... na cozinha se interrompeu para inclinar-se e olhar o forno. 
Um aroma delicioso invadiu a instância e Hal sentiu que ia gemer de prazer. 
-Pode acreditar que alguém diga algo assim? -dizia Carlee quando Hal recuperou o 
ouvido. levantou-se e baixou a força do forno. 
-Acredito-me tudo. O que há aí dentro? 
-OH, só é frango. 
-Não pode ser. É frango dos deuses, ou algo assim. 
-É uma panela mediterránea. Sério, não comeste em sua vida? 
-Já vê o tipo de cozinheira que tem meu avô. Toda uma vida comendo pratos 
aborrecidos. 
-Mas ia a restaurantes. 
-Nunca é o mesmo. Que mais temos? 
-Nada até que me troque. Não te ocorra tocar nada, de acordo? Troco-me nesse quarto 
vazio, parece-te? 
-Perfeito. Posso te servir uma bebida? 
Carlee lhe lançou um olhar curiosamente agradecido por cima do ombro. 
-Obrigado. Um copo de vinho seria perfeito. 
Supôs que seu avô lhe tinha proibida qualquer bebida que não fora água. 
Um par de horas mais tarde, estavam sentados junto aos restos da melhor comida 
caseira que tinha tomado em sua vida. Carlee parecia relaxada e um pouco dormitada, 
sem a menor irritação no rosto e Hal compreendeu até que ponto a punha nervosa o 
velho Harlan. 
Hal conhecia muito bem a sensação, pois a obsessão de seu avô por proteger ao único 
descendente da dinastia tinha arruinado sua vida até que entrou na universidade. O 
estava contando ao Carlee e ela ria com os detalhes, mas tinha sido um inferno viver 
assim, algo que sua mãe nunca tinha compreendido. 
-E que fazia o guarda-costas quando estava nadando ou algo assim? 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:14 

-Sentava-se no bordo e não me tirava os olhos de cima. Se me afastava na praia, 
chamava aos gritos. 
Carlee elevou os olhos ao céu, horrorizada. 
-Onde dormia? Na soleira de sua habitação como um escravo? 
-OH, não, dormia comigo. Os outros meninos, eu, e o guarda-costas. 
Carlee abriu a boca, atônita. 
-Devia odiá-lo. 
Assim era. Fazia tempo que não se lembrava, mas via com nitidez a humilhação 
daqueles acampamentos do verão, ano atrás ano. É obvio, ninguém queria dormir em 
sua cabana. Escapar à vigilância familiar era a grande diversão do acampamento, mas 

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não para ele. 
-Sim, odiava-o -disse. 
-Não sente saudades que te rebelasse e começasse a fazer o mais perigoso que te 
ocorreu. 
Hal franziu o cenho. 
-Não é rebeldia, maldita seja. Faço isto porque eu gosto. 
-Bom, como quer, mas não vai fazer isso com meu filho -disse Carlee aplaudindo seu 
estômago como se o bebê pudesse lhes escutar-. Não vai obter que ele ou ela tenham 
medo de tudo, ou se sintam o centro do mundo. Este pequeno Vouvray Ward vai ter 
uma infância normal com os riscos normais da vida. 
Possivelmente foi aquele bate-papo, ou possivelmente já tinha começado antes. O caso é 
que Hal começou a sentir que tinha que proteger a essa criatura dos desmandos de seu 
avô. E sabia que tinha que tirar o Carlee da tutela do velho o quanto antes. Por algum 
motivo, a solução parecia óbvia. 
-Olhe -disse de repente-, o que te parece te mudar pra cá? Há espaço de sobra e o velho 
não pode pôr pegas. 
Houve uma pausa que lhe pareceu larga. Era como se tivesse saltado um precipício sem 
dar-se conta, e só compreendesse o perigo uma vez do outro lado. 
Carlee o olhava com seus olhos azuis muito abertos, mas de repente a surpresa se 
apagou de sua expressão, e apareceu um sorriso amplo, aliviada, agradecida. 
-OH, Hal, não te importa? Seria perfeito para mim, mas, não vou trocar sua vida? 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:21 

Não valia a pena lhe dizer que já o tinha feito. 
-Não, quase nunca estou aqui. Se não fora pelo acidente, já estaria na estrada. Tenho 
dois quartos vazios, como viu. Só tem que escolher um. 
-É uma mudança muito importante para ti -advertiu-lhe Carlee com preocupação-. Está 
seguro? 
Hal a olhou com seriedade. 
- Acredite em mim, não me darei conta de que está na casa. 
E o certo era que lhe acreditava. 
Pensando nisso mais tarde, Carlee se assustou. Hal era tão bonito, e o que era mais 
grave, sempre a punha de bom humor. Não é que se estivesse apaixonando por ele, isso 
era impossível depois do Bryan, mas podia chegar a lhe gostar de viver com ele. Não 
necessitava uma vidente para compreender que Hal estava irritado com a situação. E 
dissesse o que dissesse, suas falsas bodas estava afetando a sua vida social. 
de repente compreendeu que a pior ameaça não era que o Dois lhe pusesse travas para 
partir ao final do ano. O pior seria que ela não queria partir. 
Tinha que ter muito cuidado. Tinha que assegurar-se de manter as distâncias, de 
maneira que não sentisse que perdia algo quando terminasse o prazo e ela e seu bebê 
retornassem a casa. 
O velho estava dividido. Por uma parte desejava saber quais eram os términos daquela 
nova relação e tinha a esperança de que implicasse que Hal tinha decidido sentar a 
cabeça. Por outra, temia que fora só uma manobra de seu neto para lhe chatear e que 
não pensasse ocupar-se do Carlee. Depois de uma breve luta, seus temores venceram. 
-Espero que não te aproxime da oficina... 

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-Em minha condição -repetiu Carlee burlonamente-. Não, não farei isso. Simplesmente 
viverei como uma pessoa normal e não como a princesa Rapunzel. 
O velho franziu o cenho. 
-Que princesa? 
-Esse é seu problema, que nunca lhe contaram contos de menino -suspirou Carlee. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:24 

Aquela classe de comentários diretos sempre desconcertavam velho. Dividido entre as 
vontades de replicar uma rabugice ou perguntar pelo efeito da falta de contos sobre as 
personalidades amadurecidas, limitou-se a dizer: 
-O que? 
-Os contos infantis falam da vida e descrevem modelos de comportamento. Se lhe 
tivessem falado da bruxa do Rapunzel, por exemplo, não teria que fazer esse papel na 
vida, ou ao menos não sempre -informou-lhe Carlee com amabilidade. 
-A bruxa do Rapunzel? -repetiu Harlan do Vouvray Ward II com fascinação indignada. 
-Encerrava aos meninos no castelo e os engordava para comer-lhe como está fazendo 
comigo. Se sua mãe te tivesse contado essa história, saberia já que não se pode encerrar 
às pessoas. 
-chamaste ao velho <horrível bruxa> ? -perguntou Hal, admirado, quando Carlee lhe 
contou a conversação durante o jantar. 
Tinha demorado menos de uma hora em recolher suas coisas e as levar a casa. Depois, 
com a ajuda de uma das criadas da mansão, tinha posta ordem, limpo e arrumado o 
quarto a seu gosto. Podia ser uma mulher independente, mas não perdia o sentido 
comum e não era questão de ficar a mover móveis ela sozinha. 
-Não é assim? 
Aquela noite tinha cozinhado um jantar grego. Tinham começado com diversas e 
exóticas entradas, para seguir com uma moussaka deliciosa acompanhada de salada. 
Durante o dia de trabalho, Hal tinha esquecido por completo que Carlee se mudava a 
viver com ele. Pela tarde, aproximou-se da casa a procurar um programa de ordenador e 
se encontrou com a entusiasta saudação do Carlee: 
-OH, fantástico. Não sabia se deverias jantaria, assim preparei algo que pode reaquecer-
se muito bem. Mas já que está a tempo, comeremos na piscina. Parece-te? Em Vinte 
minutos? 
Não se havia sentido capaz de partir de novo ao laboratório. Além disso, o delicioso 
aroma se to tivesse impedido. Assim que se pôs um traje de banho e nadado um 
momento enquanto Carlee punha a mesa no pátio. 
Terminou o último bocado de moussaka e deu um gole de vinho branco. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:29 

-Qual é esse conto da bruxa? 
-Quer dizer que sua mãe tampouco lhe contou isso 

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-Pode ser que sim mas não recordo os detalhes. 
Carlee se umedeceu os lábios e começou 
-Faz muitos, muitos anos, existia uma mulher que entrava todas as noites a roubar fruta 
de um jardim vizinho. Uma noite. seu marido tomou seu lugar e foi a por fruta. Mas o 
encontrou a bruxa que era a proprietária do jardim. Em troca da vida do homem, a bruxa 
pediu uma única coisa: qualquer filho que tivesse o casal. Posto que levavam anos 
desejando um filho sem obtê-lo, e eram maiores, o homem acessou. -Tum, tum -Hal fez 
soar tambores para aumentar a tensão e Carlee riu com os olhos cheios de faíscas. 
-É obvio, o homem esqueceu sua promessa até que sua esposa deu a luz a uma abacaxi, 
e a bruxa se apresentou a reclamá-la. Tomou ao bebê que chamou Rapunzel e a 
encerrou no alto de uma tome que não tinha entrada, salvo uma janela. A menina 
cresceu até converter-se em uma mulher formosa, com um larguísimo cabelo dourado. 
Quando a bruxa queria visitá-la, chamava-a pela janela e lhe dizia que se soltasse o 
cabelo, e Rapunzel deixava cair o cabelo pela janela. Por esta escala subia a bruxa a vê-
la. 
-Começo a recordar -disse Hal, assentindo. 
Carlee estava encantada. 
-Sua mãe lhe contou isso de pequeno? 
O sol se estava pondo, acompanhado pelo som dos grilos, e por um vento suave, 
refrescante. Na distância, podia escutar o mar golpeando as rochas. de repente Hal se 
deu conta de que fazia anos que não se sentia tão a gosto. Era muito distinto para jantar 
em um restaurante, por íntimo que fora. reclinou-se em seu assento e estirou os pés nus, 
preparado para escutar. 
-O príncipe aparece agora, verdade? Imita a voz da bruxa e Rapunzel lhe deixa subir por 
seu cabelo. 
-Assim é. 
-Mas esqueci o final. O que acontece? 
-Depende da versão. No original, apaixonam-se e o príncipe lhe leva cada noite um 
pedaço de corda para que faça uma escala e possa escapar. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   07/05/2006 21:30 

-Depende da versão. No original, apaixonam-se e o príncipe lhe leva cada noite um 
pedaço de corda para que faça uma escala e possa escapar. Quando está quase 
preparada, a bruxa o descobre, corta- o cabelo ao Rapunzel e o ata à janela e quando o 
príncipe chama, deixa cair o cabelo, como sempre. O príncipe começa a subir e quando 
está quase acima, a bruxa cortao cabelo e o príncipe cai e se mata. 
-Isso é o final? -perguntou Hal, surpreso-. Acreditei que os contos terminavam sempre 
bem. 
-São lições sobre a vida. Na outra versão, o príncipe resgata ao Rapunzel e arbusto à 
bruxa -tranqüilizou-lhe Carlee. 
-Prefiro essa versão -disse Hal. 
Carlee lhe sorriu com doçura e gratidão. 
-Já imaginava -disse e Há compreendeu a que se referia. O tinha estado atuando como o 
príncipe que resgata à moça em perigo ao trazer para o Carlee a sua casa. 
Esteve a ponto de soltar um taco. Aquilo não era próprio dele. Absolutamente. 

 

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°o.Sherazade.o°

   capitulo 7 09/05/2006 20:16 

Durante um momento não escutou nada que não fossem os ruídos do bosque fora da 
casa, até que de repente voltou a ouvir o débil som. Não podia dizer o que era, mas 
sabia que era dentro da casa. Hal se levantou, nu, e ficou o primeiro que encontrou, que 
resultaram ser as calças curtas que tinha levado na tarde anterior. subiu a cremalheira 
enquanto se dirigia em silencio para a porta. 
Um leve resplendor escapava do quarto de Carlee, mas quando a abriu, a mulher não 
estava. A colcha estava apartada e acesa o abajur da mesinha. A janela estava 
completamente aberta e o suave vento da noite fazia ondular as coroas. 
Seu coração se acelerou e foi rapidamente à janela, mas a luz de lua não iluminava mais 
que a forma das árvores. deu-se a volta e foi pelo corredor. De novo ouviu o ruído e ao 
mesmo tempo, distinguiu luz no banheiro. Expulsou o ar, aliviado. 
-Carlee? -golpeou com os nódulos a porta e depois de uns segundos a abriu. Dentro lhe 
esperava a imagem de umas pernas bem torneadas, um traseiro coberto por uma 
calcinha brancas e com as costas dobradas sobre a patente. 
-Carlee -disse Hal de novo. Entrou no banheiro e se aproximou dela, apoiando 
docemente uma mão em seu ombro. Carlee o olhou um segundo e de novo uma náusea 
a obrigou a inclinar-se e seguir vomitando. 
de repente se deu conta de que as noites de universidade com um montão de amigos 
bêbados lhe tinham servido de algo. Umedeceu uma toalha pequena, escorreu-a, e 
limpou a frente e a cara do Carlee. Depois atirou da cadeia. 
-Obrigado -murmurou Carlee-. Pode sujeitar isto? 
Assinalou sua trança, que se empenhava em ficar diante de sua cara. Hal a apartou 
enquanto acariciava com gestos reconfortantes as costas tensa da mulher. 
Quando a convulsão remeteu, limpou-a de novo, encheu um copo de água fria e o 
tendeu. 

 
-Toma, não engole -disse. 

Carlee se enxaguou a boca. Hal seguia massageando-a-a costas, embora isso nunca o 
tinha feito com seus companheiros de universidade. Parecia gelada. 
-Acha que terminou? -perguntou. 
Carlee se ergueu com cuidado e sorriu fracamente. 
-Acredito. Muito obrigado. 
--De nada. Posso te preparar algo? 
-Daria algo por um sandwich vegetal. 
-Agora mesmo -disse Hal sem pestanejar. 
-Pão branco, sem manteiga, muito pouca maionese, tomate, e um pouco de alface -
acrescentou Carlee. 
-Para beber? 
-Leite, por favor. 
-Volta para a cama e lhe trago isso em cinco minutos. 
Ouviu-a lavá-los dentes enquanto baixava as escadas e entrava na cozinha, acendendo 
luzes. Era muito bom fazendo sanduíches, quão único tinha feito em sua vida, de modo 
que separou o pão como um perito e cinco minutos mais tarde, entrava no quarto com 
uma bandeja. 
Carlee estava na cama, erguida sobre os almofadões, esperando. 

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-É muito amável -disse. 
-Não é nada -assegurou Há e lhe pôs a bandeja sobre os joelhos. 
Carlee devorou o sandwich como Hal não tinha visto fazer a ninguém. 
-Deus, que maravilha -declarou entre dentadas-. Tem-no feito exatamente como eu 
gosto. 
-Que bom -disse Hal. 
-Te dá muito bem isto de cuidar de doente. Experiência? 
-Em certo modo -Hal nunca tinha pensado na vida universitária como uma escola para o 
matrimônio, mas era certo que se sentia a gosto no papel. 
Enquanto Carlee se bebia o leite, observou que o livro que havia na mesinha tratava da 
gravidez Uma preocupação lhe cruzou a mente. 
-Viu já ao Daniel Snyder. É o médico da fam...? 
Carlee interrompeu com um sorriso. 
-Está de brincadeira? Como ia permitir seu avô que não o visse? Ao segundo dia de 
cheguei. 
-O que disse? 
-Tomou amostras de sangue e disse que sendo a primeira gravidez não deve haver 
problemas com o Rh. Contei-lhe que classe de parto quero e recomendou a uma médica 
alternativa. Vi-a uma vez. É um dos temas conflitivos com seu avô. Quer toda a alta 
tecnologia para mim. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:22 

-Lembra do que te prometi que não forçaria a isso. 
-Não o farei -Carlee se encolheu de ombros. O velho pode me pedir entrevistas, mas não 
pode me raptar para que atira. Ouça, que estava bom -disse com o último gole de leite- 
Obrigado. 
Hal tomou a bandeja e se levantou, mas teve que reprimir um impulso repentino de 
beijá-la, não apaixonadamente, a não ser simplesmente... carinhosamente. Mas pensou 
que não era boa idéia. 
-boa noite -disse. 
-boa noite -Carlee se meteu sob os lençóis e apagou a luz assim que ele saiu do quarto. 
Permaneceu acordada na escuridão, cheia de maravilhado assombro. Hal era realmente 
surpreendente. Quão último tivesse esperado de um playboy condutor de carros de 
carrida era que fora capaz de converter-se em enfermeira de noite. 
Sonhadoramente, pensou que Bryan fizesse o mesmo, de ter vivido. Mas Bryan era seu 
marido e a amava. Recordou o irritável que se tornou Bryan com sua enfermidade, 
desesperado-o por depender dela e de outros, segundo o mal ia lhe deixando sem forças. 
Não lhe tinha aborrecido que Hal a cuidasse. Nem sequer lhe tinha importado que a 
visse naquele estado, dobrada sobre a patente, suando, com a cara decomposta. Sua 
reação tinha sido sentir-se reconfortada pela presença humana a seu lado. Era um 
assunto algo triste sentir-se doente às três da manhã em uma casa alheia. 
Hal havia tornado a resgatá-la e a casa tinha deixado de lhe parecer solitária e estranha. 
Um suor frio percorreu as costas do Carlee e de repente deixou de sentir-se tão a gosto. 
Abriu os olhos, olhando as sombras. Seria terrível se começava a apaixonar-se pelo Hal. 
Pior que terrível. Estava convencida de que seus sentimentos para o Bryan era únicos e 
que nunca mais se apaixonaria. 

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°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:24 

[nay]Mas nunca lhe tinha ocorrido que pudesse chegar a sentir algo completamente 
diferente e que entretanto merecesse ser chamado amor. 
Carlee estava acostumado a levantar-se cedo, e aquela manhã, quando Hal viu sua porta 
aberta ao passar pelo corredor, fez algo que nunca tinha feito antes. deslizou-se dentro e 
tomou o livro que seguia aberto sobre a mesinha. 
Estava lendo um capítulo chamado «A música e seu filho». Foi ao índice para observar 
capítulos cujos títulos «conexão mental», «Tato», assombraram-no. Nada sobre náuseas. 
Hal deixou o livro como estava e saiu, sentindo-se tão culpado como se tivesse aberto 
uma carta privada. 
-O que passou ontem à noite é normal? -perguntou enquanto tomavam o café da manhã. 
-OH, certamente -disse Carlee-. Passou-me faz um par de semanas. Deveria passar-se 
rápido, acontece só durante os primeiros meses. 
-Acreditei que era um mal-estar matutino. 
-Cada um é diferente. Minha mãe me contou uma vez que ela ficava mal de noite nas 
gravidez 
-Perguntou ao Snyder? 
Carlee o olhou com severidade. 
-Se começar a te comportar como seu avô, Hal, parto a minha casa. 
-Só mostro interesse! 
Mas Carlee não queria essa classe de interesse. Possivelmente outra coisa... 
-E está sugiriendo que não sou competente. Tem que aceitar que eu sou a grávida, 
embora se quiser, manterei-te informado. 
-Não pus isso em dúvida - sentia-se molesto pelo rechaço da mulher 
Mas Carlee estava mais que farta da interferência dos Ward em sua vida. Tinha 
cometido um enorme engano ao aceitar o trato. Deveram ser os hormônios da gravidez 
as que provocaram sua falta de lucidez. E não pensava terminar de destroçar sua vida, 
permitindo que aquele homem a ferisse de algum modo. 
-Está a ponto! Não sou uma vaca, Hal, a não ser uma mulher com o julgamento são que 
decidiu ter um filho. Você é meramente incidental nesta história. Procura o ter em 
conta. Sem o engano do laboratório, jamais tivesse sabido nada desta gravidez.E eu 
tivesse sobrevivido muito bem sem todos vocês. 
 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:25 

Por algum motivo, esse último comentário lhe tirou de gonzo. 
-Não te incomodou minha interferência ontem à noite? 
Carlee suavizou seu gesto e lhe sorriu, fazendo que seu aborrecimento se evaporasse. 
-Não, estou muito agradecida. Não todo mundo é 
capaz de te sustentar a frente enquanto está vomitando no banheiro. Mas não pode ser o 
chefe desta operação, Hal, como não pode sê-lo seu avô. 

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Hal não estava acostumado a ser dirigido daquela maneira e a olhou com desconcerto. 
Habitualmente, quando se zangava com seu avô, tinha que fazer estalar sua raiva, 
tivesse ou não razão. Não tentava controlar-se, gritava e partia a acalmar-se em outro 
lugar 
-Bem -disse em tom aprazível-. Mas preferiria que deixasse a porta aberta de noite. 
Assim, se te passar algo, poderei te ouvir. 
Carlee sorriu de novo. 
-Obrigado, farei-o. 
A partir desse momento, Hal desenvolveu uma sensibilidade deliciosa e despertava no 
momento em que se abria a porta do banho. Na terceira ocasião, já era um perito. 
-Sandwich de tomate? -perguntou quando Carlee voltou para a cama. 
-Importaria-te que fora sopa de tomate esta vez? -perguntou Carlee-. Com umas 
torradas? 
-A sopa em marcha! -anunciou valorosamente, embora com temor. 
-Queima as torradas, Hal. 
-as queimar? 
-Quero que os borde estejam negros. 
Estava quase seguro de ter ouvido que o pão queimado era mau para o coração, ou algo 
assim, mas assentiu e obedeceu. Não pensava discutir com uma grávida morta de fome e 
sobre tudo, tinha outros problemas com os que lutam 
Sopa. Não o tinha feito em sua vida. Nem sequer segundos de pânico antes de descobrir 
uma jarra de cerâmica sobre o aparador, cheia de utensílios. Abriu a lata, mas nesse 
momento, o aroma de queimado lhe assaltou. A panela vazia que tinha posto ao fogo se 
estava queimando... 
-Está bem? -perguntou ansiosamente dez minutos mais tarde. 
Carlee tomava sopa com paixão. 
-Deliciosa. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:27 

-A sopa está queimada e o pão não -apontou Hal com ar culpado-. Fiz-o ao reverso. 
-Está perfeito -disse generosamente Carlee enquanto esmagava os grumos da sopa com 
a colher. 
-Sinto que esteja empelotada. Li que terei que fazê-lo “gradualmente” quando Já era 
tarde. 
Carlee lhe sorriu para lhe tranqüilizar. 
-Dá no mesmo. É úmido e quente. 
-Nunca tinha pensado em quão duro é cozinhar -confiou Hal. 
Para sua surpresa, Carlee se pôs-se a rir. 
Um par de manhãs mais tarde, sentindo-se tão culpado como um espião, Hal chamou o 
Daniel Snyder do laboratório. 
-É sobre o Carlee, Dão -disse. 
-OH, sim. Parabéns, Hál. Finalmente conseguiste uma mulher estupenda. 
-A que vem esse tom de surpresa? 
-Bom, era evidente que um homem como você não faria uma eleição tão boa -comentou 
Dão que tinha tratado ao Hal de centenas de enfermidades imaginárias em sua infância-. 
O que quer saber? se preocupa a gravidez? Não há problema. 

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-Ela, come torradas queimadas. Queimadas de tudo. Sem manteiga -estalou Hal, como 
quem confessa uma separação terrível. 
-Sim, é habitual. Deixa que tenha seus desejos, enquanto sejam de comida. 
-Do que se não? -perguntou Hal estupidamente. 
-A algumas grávidas dá pelo gesso, ou pelo carvão. Há muitos mecanismos da gravidez 
que não entendemos. É uma moça e sã, Hal, não se preocupe. 
Mas Hal tinha um montão de dúvidas e foi expondo, os enjôos das duas da manhã e 
outros que Dão lhe explicou sem lhe dar importância. 
-Tem a cozinha cheia de espécies misteriosas e picantes - acrescentou. 
-Deve cozinhar bem -assumiu o médico-. Minha mulher também faz currys. 
-OH, sim -Hal esqueceu sua angústia para falar com entusiasmo-. Sim que cozinha. Fez 
ontem à noite um cordeiro impressionante, melhor que em qualquer restaurante. Tenho 
que te convidar um dia. 
-Mas que sorte tem. Além disso é boa cozinheira. 
-Genial. Também italiana. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:30 

-Sério? Não o parece -sentiu saudades o médico. 
-Não, digo que também cozinha lasanha. 
-Então, por que o preocupa com as espécies? 
-É que... -Hal seguia lhe dando voltas- Acha que é saudável que coma comida Índiana? 
Está grávida! 
Houve uma pausa ao outro lado. 
-Hal, pensa um pouco o que diz -falou pacientemente Daniel-. acha que as mulheres da 
índia deixam de comem comida Índiana quando estão grávidas? O que acha que 
tcomem? Filetes com batatas ao forno? 
-OH -foi toda a resposta do Hal. 
-Se Carlee está acostumada a essa classe de comida, não há por que supor que lhe sente 
mal agora. 
-E limpa as paredes. Deveria fazer isso? Hal não pensava deixar o tema tão logo. 
-Se não fazer muitos esforços, não há problema. 
-Como posso saber se fizer muitos esforços? -resmungou Hal com certa vergonha. 
Estava seguro de que sua casa estava em um estado que Carlee não poderia considerar 
poda. E se lhe metia na cabeça limpá-la, não poderia impedir-lhe  
-Por Deus, Hal, contrata a uma mulher para limpar. É o homem mais rico da cidade e 
tem a sua mulher limpando paredes? 
-Tem razão -disse Hal-. Farei-o. Agora mesmo. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 8 09/05/2006 20:32 

Aquela mesma manhã, às onze, quando Carlee saía da casa, observou uma caminhonete 
que entrava pelo caminho e se detinha junto à garagem. 

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Uma mulher desceu da caminhonete, seguida de duas garotas jovens e um homem 
também jovem, todos com pinta de estudantes e levando uniformes brancos. Tanto as 
camisas como a caminhonete levavam um logotipo que rezava: limpa e dá brilho. 
-Olá -disse a mulher que levava um caderno na mão- Sou Elaine Mariner. conseguimos 
uma equipe sobre a marcha. 
-Já vejo -disse Carlee prudentemente. 
-Parece que estava você saindo. Não se preocupe, poremo-nos a trabalhar em sua 
ausência. 
Carlee franziu os lábios e olhou uns instantes à mulher antes de perguntar: 
-O que vão fazer exatamente? 
Elaine consultou seu caderno. 
-Janelas, paredes, chãos, estanterías, tapetes, colchas, toda a cozinha. além da limpeza 
normal. Deixei-me algo? 
-São limpadores? 
A mulher sorriu, sentida saudades. 
-Desde 1977. Não é isso lhe que pediu? 
-Não.  
Elaine pareceu desconcertada, mas só um instante. 
-OH, claro, falei com seu marido. O senhor Ward -falou com o tom de quem resolveu 
uma situação absurda-. Mas não me disse que fora uma surpresa. 
-E nem sequer é meu aniversário -acrescentou Carlee com soma. 
A mulher captou a irritação do Carlee e seu entusiasmo se evaporou. 
-Não quer que o façamos? 
de repente Carlee se sentiu injusta. Não era culpa da amável mulher que Hal fora um 
cretino, e claramente tinha feito um esforço para reunir a uma equipe de limpadores em 
pouco tempo. 
-OH, adiante -disse ante o alívio do Elaine Mariner-. Dou-lhe minha chave? 
-Só se voltar depois das seis. A essa hora paramos. Mas tenho a impressão de que 
vamos trabalhar um par de dias. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:33 

-Logo nos vemos -saudou Carlee. 
Entrou no carro e se dirigiu à cidade, cada vez mais zangada. De novo a interferência 
Ward em sua vida. O neto era igual ao avô. Tinha saído de uma confusão para meter-se 
em outro pior. 
Mas o certo era que a casa era de Hál e este tinha direito a fazer que a limpassem sem 
consultá-la. Não tinha pretendido ofendê-la. O caso é que se sentia como se tivessem 
invadido sua intimidade, mas devia reconhecer que não estava em seu território. Não era 
mais que uma hóspede temporária, embora estivesse casada com o proprietário. E era 
muito melhor que o recordasse. 
Mais tranqüila, entrou na consulta de seu médico. 
-Seu marido se preocupa muito -disse Phoebe depois da revisão de rotina-. Tudo é 
perfeito. 
-Você acha? -sentiu saudades Carlee-. Quer dizer, sei que se preocupa, mas, como sabe? 
-Dão Snyder e eu falamos freqüentemente, sabe? -disse a mulher com um sorriso. 
-Hal falou com o doutor Snyder? 

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-Acredito que lhe chamou para comentar suas angústias. É algo muito natural em um 
pai primoroso Os homens tendem a acreditar que uma gravidez é um manual de 
instruções. 
Carlee tomou ar para não estalar de novo. 
-E o que preocupa tanto ao Hal? 
A mulher pôs-se a rir. 
-Torradas queimadas, por exemplo. Acredito que ficou tranqüilo. 
-Já -replicou Carlee secamente- Que mais? 
Phoebe, que era inglesa, olhou-a com um sorriso que significava «já sabe como são 
estes americanos»: 
-Entre seus produtos de cozinha, encontrou especiarias exóticas de duvidosa 
procedência. 
-Como? -Carlee não estava de humor para brincadeiras. sentia-se absolutamente furiosa, 
sem saber por que. Parecia-lhe que para Há aquilo era um jogo, ao que podia deixar de 
jogar em qualquer momento. Entretanto, ela devia manter o guarda, não permitir que 
sua preocupação a emocionasse ou enganasse... 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:35 

De fato, o interesse do Hal não era diferente do de seu avô. Era só uma forma disfarçada 
de controle. 
Phoebe captou a mensagem rapidamente. 
-Vamos -disse em tom pacificador-. Não vale a pena que te zangue. Os homens são 
assim de pesados, não acha? 
-Não acredito. Acredito que são os homens Ward. Que mais perguntou? 
Phoebe apartou os olhos. 
-Nada que eu saiba. Dão não me contou... 
-Claro que perguntou mais e claro que Dão te contou -interrompeu-a Carlee-. Por favor, 
Phoebe, conta-me o  
-Parece ser que tinha limpo as paredes da casa -disse a médico falando rápido-. E nisso 
acredito que tem razão, é melhor que não... 
Carlee suportou o pequeno sermão de seu amiga com os dentes apertados, mas 
simulando a maior calma e compreensão. 
Quando Hal retorno a casa assaltou o aroma da cera, da lejía e o sabão, mas nem rastro 
do aroma que estava procurando. Não havia jantar. 
No corredor do piso de acima se encontrou com o Carlee que saía de banho, envolta em 
uma toalha azul, cheirando a limpo. Tinha o cabelo molhado afastado da cara, caindo 
por seus ombros e estes, como seu peito, tinham o brilho e a cor da fruta recém 
maturada. 
Hal tragou saliva. 
-Olá. 
-Olá -disse .Carlee e Hal observou que seus quentes olhos azuis tinham o resplendor 
sorvete de um lago no inverno-. Perdoa. 
deu-se a volta e entrou em seu quarto, fechando a porta com secura. Dão lhe tinha 
advertido que as mulheres grávidas têm às vezes mudanças de humor, mas lhe 
surpreendia que ocorresse tão bruscamente e sem motivo algum. 
Enquanto a esperava abaixo, passeou-se pela casa observando as diferenças de uma 

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limpeza a fundo. Mas havia coisas que não trocavam: o tapete parecia até mas velha e 
puída e se viam com maior claridade as goteiras, as manchas das paredes, o papel 
separado e quebrado. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:37 

Não estava posta a mesa no salão, a não ser na cozinha. Era estranho, pois Carlee 
desfrutava convertendo o jantar em um acontecimento. No fogo, uma chaleira com água 
fervia. E em um prato junto à cozinha havia umas partes de carne picada crua. 
-Está preparado? -disse Carlee aparecendo a seu lado. pôs-se jeans e uma camiseta 
ampla, o cabelo solto e molhado. 
-Morro de fome -disse Há, encantado de observar como ia converter Carlee uma parte 
de carne em uma delícia. 
Carlee pôs uma frigideira ao fogo, um pouco de azeite e jogou a carne em cima sem 
contemplações. Logo fez algo que Há nunca lhe tinha visto fazer. Tirou do congelador 
um pacote de ervilhas e os jogou à água fervendo. Hál seguia perguntando-se, com 
confiança absoluta, como as ia arrumar a mulher para converter aquilo em um festim. 
Logo, Carlee foi ao armário e saco um pacote de purê de batata instantâneo. Hal 
acreditou ver visões, mas não, assim era. Observou como jogava uma quantidade 
generosa em uma segunda chaleira com água fervendo, como acrescentava margarina e 
leite, e logo lhe dava voltas retirando-o do fogo. 
Aquilo parecia pior que o que Sara cozinhava em casa de seu avô. Sentia saudades ver o 
Carlee com pratos requintados ela que o fazia todo afresco. 
-O que vais fazer? -perguntou ao fim, assustado. 
-Já o vê, hambúrgueres com purê de batata e ervilhas -respondeu Carlee sem alterar-se- 
Quer te sentar? 
antes de que se desse conta, Carlee tinha jogado o purê e as ervilhas em caminhos 
bandejas e os tinha posto sobre a mesa. Quando tomou assento, Hal permaneceu em 
metade da cozinha, como um idiota, olhando-a com estupor. 
-Vem? -repetiu Carlee. 
Havia um pote de ketchup em metade da mesa, margarina e sal e pimenta. Carlee lhe 
serve um hambúrguer disforme no prato e Hal se sentou. 
Hal tinha comido muita comida lixo em sua vida, mas ultimamente seu paladar se 
desenvolveu o bastante. Deu um bocado. A carne estava cozida e o purê tinha sabor de 
farinha. As ervilhas estavam duras, mas aceitáveis. 

 
Hal tinha comido muita comida lixo em sua vida, mas ultimamente seu paladar 

se desenvolveu o bastante. Deu um bocado. A carne estava cozida e o purê tinha sabor 
de farinha. As ervilhas estavam duras, mas aceitáveis. Carlee comia alegremente, 
enchendo seu prato de tomate, como se aquilo fora o mais natural do mundo. 
Não era pior que os hambúrgueres que tomavam no laboratório muitas noites, quando 
ficavam a trabalhar até tarde. Hál suspirou e deu um bocado. 
de repente, fez-se a luz em seu cérebro. 
-A casa estava cheia de gente e suponho que não lhe deixaram cozinhar -propôs. 
Os olhos gelados o olharam. 
-O que quer dizer? Acabo de cozinhar. 
-Já, mas isto... quer dizer, bom -pigarro-... Não é o habitual. 

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-de agora em diante, será assim -assegurou-lhe docemente. 
Hal se pôs-se a rir e a olhou: 
-O que? 
Mas Carlee estava séria. 
-Posto que todas essas especiarias que utilizo são tão perigosas e pouco americanas -
disse com objetividade. 
Sentindo que havia uma autêntica ameaça no ambiente, Hal disse: 
-Que mais dá? O que te passa, Carlee? 
A mulher deixou seu garfo. 
-Como te atreve a chamar o médico e lhe contar minhas ações como se fora um menino? 
Hal a olhou. 
-Como sabe? 
Mas Carlee não respondeu, só lhe lançou um olhar homicida. 
-Estava preocupado -disse Hal. 
«E quanto vai durar sua preocupação por mim?», tivesse querido perguntar Carlee, mas 
viu aqueles olhos verdes obscurecidos agora pelas emoções e se sentiu em perigo. 
-Não tem direito a chamar a meu médico e te colocar em minha vida! Esta gravideznão 
é teu assunto! 
Hál se sentiu ferido. e reagiu com fúria. 
-É também meu filho! -gritou. 
Carlee ficou em pé. Seria terrível que ao final desejasse conservar o menino. 
-Não é seu filho! É meu e não tem nada que ver contigo, com seu avô ou com a maldita 
dinastia. Sabia que isto ia acontecer! Teria que afundar ao Cyberfuturo por me fazer 
isto! 
Hal seguia surpreso pelo que acabava de dizer. No que estaria pensando? de repente, ele 
mesmo não entendia por que tinha chamado ao Snyder.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:41 

Elevou as mãos a fez um gesto de rendição. 
-Tem razão! -exclamou-. Toda a razão. Não é meu filho -mais tranqüila, mas não 
satisfeita, Carlee voltou a sentar-se-. Mas vive aqui e não posso evitar sentir 
preocupação. Não vi nada mau em chamar a Dão porque o tenho feito toda a vida. 
-Já te disse que não queria vigilância! 
-Ao melhor sim a necessita, Carlee. Tinha esfregado as paredes da despensa, ou não? 
-Se a sujeira não tivesse sido tão profunda, não o tivesse feito! -exclamou Carlee-. 
Como ia pôr comida aí? Tivesse-nos envenenado aos três! 
-Podia haver pedido a alguém da casa grande que viesse a te ajudar. 
-Não queria lhe pedir nada a seu avô. 
-por que não me disse isso? Tivesse-te procurado uma pessoa. 
-Pela singela razão de que não tinha visto o estado da despensa até que cheguei a casa 
com toda a compra. Pareceu-me mais simples limpá-la eu. 
-Mas foi um risco. 
-Hal, Por Deus, há mulheres que fazem trabalhos muito duros durante a gravidez 
-Dão disse que no primeiro filho é perigoso fazer coisas assim. 
-Dão não é nem sequer ginecologista. É um médico de cabeceira. Não sou Hércules, 
mas sua despensa tampouco é o estábulo do Augias. 
-Sou engenheiro, Carlee, não filólogo clássico. 

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-Meus meninos de seis anos conhecem os trabalhos do Hércules! -replicou Carlee. Era 
um prazer brigar por um pouco menos pessoal-. Não é exatamente um nível de 
doutorado! 
-De todos os modos, não há um rio próximo. Teria que desviar a piscina -resmungou 
Hal, mostrando que sim conhecia seus clássicos. 
E de repente, todo o aborrecimento do Carlee desapareceu e ficou a rir: 
-Sério, Hal, tenta recordar que tudo isto nasce de um engano de laboratório e que eu ia 
ser uma mãe sozinha -seria estupendo que ela recordasse isso, pensou enquanto falava. 
-Sim, mas sei que seu povo inteiro se ocupou de ti -disse Hal com humor-. Não pode 
lombriga como um substituto e tomar minha preocupação por interesse de amigo? 
Carlee sorriu. Tinha um modo de ser que o fazia irresistível. 
-Muito bem -disse.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:42 

-Muito bem -disse. 
-E agora, se não ser um insulto para a cozinheira... -começou Hal com acanhamento. 
-O que? 
-O que te parece que jantemos fora? 
Como não tinham vontades de vestir-se, foram a pizzeria que havia junto à praia. Havia 
uma mesa reservada perto da areia, mas o garçom, nada mais ver o Hal, chamou-o por 
seu nome e retirou discretamente o pôster de reserva. 
-Conhece todo mundo nesta cidade? comentou Carlee tomando o menu. 
-Fomos juntos ao colégio -explicou Hal-. Não fique paranóica. 
-Colégio? Acreditei que seu avô o mandaria a colégios privados na Inglaterra ou Suíça. 
-Assim foi durante uns anos, mas mais tarde lhe convencemos de que o colégio da 
Cantabria era muito mais seguro para minha moral e minha saúde que esses colégios 
privados. 
Carlee o olhou com desconfiança. 
-Não acredito. 
Hal sorriu, esperando que se explicasse. 
-Crie que vivi duas semanas com esse homem sem saber que ninguém o convence 
alguma vez de nada? me conte como obteve que te deixasse estudar aqui. 
Hal assentiu. 
-Escapei-me do colégio privado com quinze anos, percorri meia região em carona e lhe 
disse aos Dois que ou me deixava voltar para meu colégio, ou me escapava para sempre. 
Não se pode obrigar a alguém a ir ao colégio quando cumpre dezesseis, assim teve que 
agüentar-se. 
Carlee sorriu comprensivamente. 
-Deveu sofrer muito dando seu braço a torcer. Quase me dá pena. 
-OH, não sempre lhe sai tudo bem. 
-Mas ultimamente sim? -inquiriu Carlee sem maldade. 
Hal franziu o cenho. 
-O que quer dizer? 
-Bom, se te enfrentar com ele te saiu bem com quinze anos, como é possível que já não 
o faça? 
Hal estava irritado pela pergunta, embora a resposta era penosamente óbvia: 
-Porque tem o controle de meu dinheiro. 

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°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:44 

Carlee negou com a cabeça, muito docemente. 
-Já, mas também então tinha poder sobre ti. Quero dizer, com quinze anos. E conseguiu 
lhe burlar, não é assim? 
Hal a olhava seriamente: 
-O que tenta dizer, Carlee? 
-Não sei exatamente o que é -disse ela-. Acredito que há um límite.pasado o qual 
ninguém pode te obrigar a nada. Com quinze anos, alguém sabe. Mas freqüentemente se 
esquece logo. 
Hal olhou o negro oceano durante uns segundos, pensando. Girou a cabeça quando 
voltou o garçom com o vinho que tinha pedido. 
-Gerry -disse-, acredito que não conhece minha esposa. Carlee, este é um velho amigo, 
Gerry Maitland. 
-Olá, Gerry. 
-Carlee, me alegro de te conhecer. Quando ouvi que Harlan tinha cansado também, 
quase me rompe o coração, mas vejo que me preocupei sem motivo. 
Carlee sorriu. 
-Gerry é escritor -explicou Hal. 
-De verdade? -os olhos do Carlee mostraram um interesse intenso e Hal sentiu uma 
pontada de ciúmes. Não estava acostumado a olhá-lo a ele assim-. O que escreve? 
-estive fazendo um guia -sorriu Gerry-. Mas ultimamente trabalho pouco. Hal, sabe que 
Sheila deu a luz? 
-Não sabia! Quando? 
- Faz um par de dias. Já está em casa e se encontra muito bem. 
-Um menino? 
-Sim, tem memória. É um menino -sorria com orgulho- Sei que a Sheila adoraria que 
você e Carlee viessem um dia a tomar uma taça -voltou-se para o Carlee-. Os três 
estávamos na mesma classe no instituto. 
-eu adoraria ir ver o bebê -exclamou Carlee que não podia resistir aos recém-nascidos- 
O... ao melhor a Sheila gosta de sair? Parece-lhes que lhes prepare um jantar? 
Ultimamente só cozinho para Há. E por favor, tragam para o menino. 
-Direi a Sheila que te chame e seu vêem -disse Gerry e apontou seus pedidos. 
-Importa-te? -Carlee se voltou para o Hal que estava muito sério. 
Não tenho feito vida social com eles desde que se casaram faz uns anos, mas não passa 
nada. 
-Sim passa algo -disse Carlee olhando-o-. Qual é o problema? . 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   09/05/2006 20:45 

-Sim passa algo -disse Carlee olhando-o-. Qual é o problema? . 
Não queria lhe contar ao Carlee que se sentia culpado por ter deixado que seu ambiente 

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social rechaçasse ao casal. Sharon, por exemplo, não perdia ocasião de lhes fazer sentir 
que não eram de sua classe. Tinham terminado por não ver-se nunca. 
-Acaso Sheila e você foram noivos? -perguntou Carlee. 
-Pois sim, mas não foi nada sério. Todos saíamos com todos. 
Carlee compreendeu que Hal não queria lhe contar que Sheila tinha conservado uma 
debilidade para ele. 
-Pois agora tem um filho -disse com tranqüilidade 
-E isso o que? -perguntou Hal, divertido. 
-Estou segura de que seu mundo está cheio desse filho e de seu pai, e de que não teme 
tempo nem vontades de fantasiar com outros. 
Havia um olhar divertido nos olhos do Hal. 
-E quando seu mundo se encha assim, Carlee, quem haverá nele? 
O rosto do Carlee perdeu seu amplo sorriso. 
-Hal... 
-Hey, olhem, está Hal! 
-Hal! Não o tinha visto do acidente, como está? -as vozes lhes interromperam enquanto 
dois casais muito elegantes rodeavam sua mesa. terminou-se a conversação íntima. 
Carlee lhe agradeceu. Não terminava de entender a pergunta do Hal, mas sim sabia algo: 
não tinha vontades de pensar na resposta.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 9 11/05/2006 09:35 

-QUER mais café? 
Hal assentiu e tendeu sua taça com gesto ausente para que Carlee a enchesse. Em geral, 
ele estava acostumado a preparar-se café instantâneo, mas Carlee preparava autêntico 
café brasileiro de panela e apreciava a mudança. 
-Teríamos que comprar uma cafeteira -observou, depois de ver como as arrumava para 
filtrar o café com um coador. Era sábado pela manhã e se levantaram tarde. 
-De fato... -começou Carlee e vacilou. 
Hal a olhou. 
-O que? 
-Bom, incomodaria-te se comprar alguns equipamento, frigideiras e coisas assim? Tudo 
está bastante velho e só tem uma panela. 
-por que ia incomodar- me? Tem o cartão de crédito, verdade? Não tem que me pedir 
permissão para usá-la. 
Carlee se encolheu de ombros. 
-Não quero interferir em seu estilo de homem solteiro -disse. 
Hal esteve a ponto de lhe dizer que seu estilo não dependia da carência de frigideiras, 
mas não lhe pareceu justo. 
-Se algo que um engenheiro entende é que um trabalhador precisa ter suas ferramentas. 
Você cozinha e a cozinha é seu território. Faça tudo o que queira. 
Carlee aproveitou a vantagem para acrescentar: 
-Poderia comprar um forno elétrico? O teu já quase não funciona... 
-Pode partir a cozinha em pedaços, se quiser. 
Carlee olhou a velha cozinha de tetos altos. A pintura estava descascada, mas o chão de 
cerâmica era formoso e os móveis firmes, embora algo avejentados. 
-Não quero parti-la em pedaços -apressou-se a dizer atrás de seu breve exame-. Mas 
faria falta uma mão de pintura. Isto me recorda os filmes dos anos quarenta. Alguma 

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vez se arrumou? 
-O administrador do imóvel viveu aqui com sua mulher até que morreu faz dez anos. 
Eram muito tradicionais e nunca quiseram modernizar a casa explicou Hal-. Quando me 
vim, fiz construir a piscina, mas não troquei nada mais. 
A verdade era que nunca se fixou muito no entorno. Sempre estava na estrada com sua 
equipe ou trabalhando no laboratório quando não era temporada de carridas. Para ele, a 
casa era um lugar onde não via seu avô. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:35 

-É verdade que terá que pintar -reconheceu-. Nunca entrava aqui, salvo para me fazer 
um sandwich. 
-Mas lhe saem tão bem. 
-Farei que venha um decorador. Você lhe diz o que quer e o fazemos. Se logo eu não 
gosto, sempre podemos atirá-lo. 
Carlee vacilou e logo disse: 
-Importaria-te vir comigo a escolher o forno? Sentiria-me melhor se o passar. 
De maneira que Hal passou a tarde percorrendo lojas de eletrodomésticos com o Carlee, 
escutando a vendedores explicar incríveis detalhes técnicos. 
Descobriu que Carlee preferia o gás à eletricidade. 
-Poderíamos instalar gás, Hal? -perguntou Carlee olhando obedientemente toda a linha 
branca da loja. 
Arrumaram-no rapidamente e se dirigiam à saída quando passaram ante as geladeiras. 
-Não estaria mal uma geladeira nova, verdade? perguntou Hal e o vendedor sorriu 
enquanto Carlee se detinha olhar. 
-Uma grande estaria muito bem -assentiu. o da casa era um modelo muito antigo e quase 
não congelava. 
-Quando querem que o levemos? -perguntou o vendedor. 
-De momento, guarde-o. Primeiro vamos ver um decorador. 
Carlee expulsou o ar. 
-Está decidido a tudo! 
-Já era hora -disse Hal, mas o certo era que não entendia o que lhe estava ocorrendo. Se 
alguém tivesse murmurado a seu lado “instinto caseiro” tivesse saído fugindo, mas 
ninguém o fez. 
 
Carlee seguia escolhendo na loja de utensílios domésticos. Hal estava assombrado com 
a quantidade de objetos diversos que Carlee considerava básico. 
Mas não lhe ocorreu queixar-se. Contra todos os prógnósticos , estava-o passando muito 
bem. 
 
-Certamente, é o último -aprovou o vendedor. 
-Mas custa o dobro -protestou Carlee. 
Hal a olhou com incredulidade, mas falava a sério. 
-Carlee -arreganhou-a docemente-. Não se preocupe por economizar. Escolhe o que te 
faça falta. 
-Hal! Olá! -voltou-se para ver quem lhe saudava. Era Marietta Hunt, a proprietária da 
loja e de toda a cadeia. Seu amigo Tom tinha saído com ela uns anos antes de seu 

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matrimônio. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:37 

-Marietta, olá! Faz anos que não te vejo -saudou Hal. 
-Pois vou ao clube freqüentemente -respondeu a mulher-. ouvi que te casaste. Apresenta 
a sua mulher? -voltou-se e sorriu ao Carlee. Posto que nunca tinha saído com o Hal, e 
nunca lhe tinha interessado o dinheiro de outros, não tinha nenhum receio ante a nova 
esposa. 
-Sou Carlee -Carlee sorriu e as duas mulheres se deram a mão. 
-Blefe, apresento a Marietta Hunt –acrescentou Hal. 
Não te vi nunca no clube, Carlee –observou Marieta 
-Não estive nunca. 
-Pois se esperas a que te leve Hal, pode esperar anos. Parece-te se te recolho amanhã 
pela manhã? Há pistas de tênis muito boas. Sabe jogar? 
Carlee sentiu que se ruborizava. 
-Sei jogar, mas agora não jogo -olhou ao Hal como procurando ajuda. 
-OH, que pena. tiveste algum acidente? 
-Sim, eu... -Carlee se interrompeu, ao dar-se conto de que nunca tinham falado de como 
deviam dar a notícia aos amigos do Hal. 
-Carlee está grávida -terminou Hal em seu tugar. 
-Sério? Que maravilha! Parabéns! exclamou Marietta. Hal tivesse jurado que a mulher 
morria por tomar o telefone e dar a notícia. Sorriu sem querer, e pensou que lhe divertia 
a idéia, embora, compreendeu de uma vez que Marietta interpretaria seu sorriso como 
orgulho. 
-Levo-te amanhã a comer, se quiser? -sugeriu Marietta. 
-Obrigado, mas já a levo eu -declarou Hal. 
Marietta abriu os olhos juguetonamente. 
-Que mudança, Meu deus -e sem dúvida desejando correr a contá-lo, despediu-se 
amavelmente. 
Depois disto, Hal seguiu comprando objetos curiosos que Carlee parecia considerar 
luxos sem igual. 
-Com isso o que se faz? -perguntou ante um novo modelo. 
-É para manter os molhos quentes -explicou Carlee. 
-Não quer um? 
-Não me faz falta. Faço as coisas no momento. 
-Mas estaria bem com convidados. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:38 

Carlee suspirou e capitulou. 
-eu adoraria. É comodísimo. Quando voltar a casa, não vou ou seja fazer nada sofá. 
Hal não apreciou que falasse tão ligeiramente de sua partida, como se aquele ano não 

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fora a trocar nada, mas não viu motivo para discutir. Além disso te havia dito enquanto 
o vendedor estava no armazém procurando algo, e ninguém lhes tinha ouvido. 
-Pode te levar o que queira quando te partir -comentou. 
Uma vez na rua, Carlee se deteve ante uma loja de roupas de casa. 
-Fazem faltas mais toalhas? -perguntou Hal. 
-Em que mundo vive, Hal? Não tem toalhas. Mas se falas seriamente de redecorar, 
possivelmente deveríamos escolher primeira a cor dos banhos. 
 
-Não me dão muito bem estas coisas -disse-. Mas você é a que está em casa. Escolhe o 
que você goste. 
Carlee apartou a vista. Toda a cena era muito sedutora. Se não se controlava, 
terminariam em uma loja de bebês olhando botitas. 
-Hal, só vou estar uns meses aqui. Não tem sentido que te imponha meu gosto -obrigou-
se a dizer. 
Provavelmente Hal estava muito acostumado a suas noivas, que sistematicamente 
insinuavam sua capacidade para redecorar sua casa, provocando imediatamente um 
instinto de amparo que o fazia rechaçar a oferta. E de repente, os papéis tinham trocado 
e tocava a ele ser rechaçado. Não gostava de nada a sensação e a idéia de que sua 
irritação era irracional lhe punha ainda mais nervoso. 
-O caso é que seu gosto deve ser melhor que o meu. Não sei nada de cores. 
Seguiam parados ante a lua da loja, olhando como um casal de recém casados que 
discutem como pôr a casa. 
-É daltônico? -perguntou de repente Carlee. 
Hal piscou os olhos os olhos: 
-por que? 
-Não o diziam na folha de dados que me enviou Cyberfuturo. É-o? 
-Não, não sou daltônico! -gritou de repente Hal, profundamente ofendido. 
-Bom, não faz falta ficar assim.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:39 

-por que pensaste isso? Maldita seja, deixa de me tratar como a um doador de esperma. 
-Só me perguntava isso -disse Carlee em tom pacificador. 
-Estou-te pedindo que me ajude a decorar a casa! Pensei que te faria ilusão -não tivesse 
deixado a Sharon aproximar-se de um quilômetro de seu quarto de banho, e agora 
tentava forçar ao Carlee-. Acreditei que era algo que gostava às mulheres. 
Carlee recordou quando Bryan e ela tinham começado a decorar sua casa. Os dias 
cheios de esperança e de planos para o futuro. E todo se deteve tão tragicamente. Sentia 
ainda a aguda nostalgia dessa cumplicidade. Mas com o Hal não devia começar nada 
parecido. 
-E se logo você não gosta? Você vais viver aí. Se eu não gosto, só terei que agüentá-lo 
um ano. Mas lhe esperam várias décadas -repetiu Carlee tentando ser humorística. 
-Fala mais baixo -Hal pensava em que havia renunciado a sua vida sexual para proteger 
ao Carlee e lhe indignava que ela anunciasse a qualquer que acontecesse a calçada que 
suas bodas era um acordo temporário. 
-Não estou gritando, Hal, o que te passa? 
Seu problema era que levava anos vendo mulheres que lhe consideravam caça maior e 
pela primeira vez se encontrava com uma que não parava de marcar distâncias. 

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E não gostava da sensação. 
Resultou toda uma aprendizagem levar ao Carlee ao clube. Era tão diferente do resto 
das mulheres que esperavam caçar ali uma boa partida, que quase parecia de outra 
espécie. Hal estava tão acostumado a aquele ambiente ou às garotas que seguiam as 
cameras, outro estilo, que não tivesse sabido descrever a diferença. 
Mas começava a vê-la. Carlee não posava. Não se sentava de uma maneira 
deliberadamente atrativa, mostrando o melhor de sua figura. Não se propunha ser 
sofisticada nem sexy. E não brincava com seu cabelo. 
Tinha uma graça natural, e ficasse como ficasse, resultava grato olhá-la. E não era o 
único em pensá-lo. 

 
Todo mundo parecia desejar ser apresentado, por isso Hal concluiu que a notícia 

de seu repentino enlace era a fofoca de moda entre a sociedade da Cantabria. Carlee 
estava rodeada de uma dúzia de pessoas quando Tom se apresentou em busca do Hal 
para a partida semanal. 
Sentindo-se protetor de Carlee, Hal se perguntou como as arrumaria sofá entre os leões. 
-Carlee -murmurou-lhe quando conseguiu captar sua atenção-. Tom está aqui. 
-Olá, Tom! -exclamou ela com alegria. Tinha-lhe conhecido em sua casa, mas ainda não 
tinha visitado sua família-. Como estão todos? 
-Muito bem -Tom sorria abertamente. Gostava de muito Carlee, de um modo claro e 
fundamental que provinha do fato de que se sentia feliz em sua companhia-. Importa-te 
que me leve ao Hal um momento? 
Carlee elevou os olhos ao céu. 
-Não me peça permissão -exclamou e voltando-se para o Hal-. Vemo-nos aqui mesmo? 
-A partida dura uns três quartos de hora -explicou Hal-. Logo iremos comer -observou-
a, procurando sinais de ansiedade ou nervosismo. 
-Pois eu irei me dar um banho -disse Carlee com entusiasmo. Se não me vir por aqui, 
importa-te me buscar na piscina? 
Gostava das mulheres independentes. Por isso não pôde compreender por que motivo 
sua desenvoltura lhe irritou tanto. Mas assim foi. 
Não se concentrou no jogo. Tinha calor e não parava de pensar que estaria melhor 
nadando na piscina. 
-Parece-me que ainda não está em forma -disse-lhe Tom para lhe desculpar e ele não o 
negou. tomou banho rapidamente ao terminar e ficou o traje de banho. 
Carlee estava no trampolim, preparando-se para saltar à água. Seu traje de banho de 
cores tropicais tinha um volante à altura do quadril, marcando suas curvas de um modo 
que nenhuma das belezas esbeltas da Cantabria tivesse permitido. Sua pele era pálida 
comparada com o moreno impecável de todas as demais, mas parecia sã e forte. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:41 

Seu corpo pequeno e compacto se dobrou no salto para estirar-se com graça na água, em 
uma curva perfeita. Tinha percorrido meia piscina antes de emergir. Imediatamente 
voltou a cabeça para lhe gritar algo a alguém. 
Hal distinguiu então ao Jack Cooke, moreno, musculoso, bonito, em caminho para seu 
terceiro divórcio segundo o rumor, e a ponto de saltar à água. Segundos depois, emergia 
junto ao Carlee, com um sorriso perfeito e levando um pouco parecido a uma medalha 

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na mão. 
-Como o obtiveste? -gritou Carlee-. Atirei-a nada mais me inundar. 
-Já me dei conta, trapaceira -acusou-a ele rendo. 
-Pensei que não a veria. 
-Mas a encontrei pelo tato -explicou o homem em tom sedutor. 
Carlee se limitou a rir, mas Hal foi diretamente ao trampolim e se lançou com um salto 
agressivo, percorrendo a água com precisão de projétil. Viu os corpos nadando sobre ele 
e saiu junto ao Carlee, tomando-a pela cintura. 
-Olá -disse. 
-Hal, Por Deus, quase me matas do susto. 
-Tem fome? 
-Hal, como vai? -saudou Jack Cooke. 
-Olá, Jack -Hal não deixou de olhar o rosto risonho do Carlee enquanto falava. Não a 
tinha solto a cintura e sentiu o impulso irresistível de abraçá-la e beijá-la. por que não, 
se formos recém casados?, disse-se. E então o fez. 
Sua boca era suave, enche e firme, como seu corpo, e ao sentir uma quebra de onda de 
excitação, soltou-a bruscamente. 
-Hal, o que faz? -sussurrou Carlee com indignação quando pôde falar. 
-Um impulso. 
-Pois corta-o. 
Estavam sozinhos na água. Jack tinha captado a mensagem e se afastou nadando, 
enquanto o resto saía já da piscina para dirigir-se ao comilão. 
-Queria te separar do Jack -disse com descaramento, seguro de que se zangaria se não 
encontrava uma boa desculpa-. Se não o tivesse beijado, todo mundo tivesse pensado 
que nosso matrimônio não ia bem. 
-Não fazia falta me beijar -acusou-lhe Carlee. 
-Bom, isso foi puro egoísmo -reconheceu ele.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 09:41 

Carlee sentia o calor em seu corpo e seu coração pulsava muito. havia-se sentido 
perfeitamente a gosto em braços do Hal e sua boca ardia, como se todas suas células se 
concentraram em seus lábios para sentir o beijo e agora estivessem muito ébrias para 
voltar para seu sítio. de repente compreendeu com horror quão fácil seria apaixonar-se 
fisicamente do Hal, por não falar de outros vícios. 
Não podia permitir-se essa classe de complicação. Seria muito perigoso. Carlee decidiu 
mostrar-se firme se lhe ocorria ser puramente egoísta de novo. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 10 11/05/2006 10:43 

AO final, Carlee não pôde resistir às duas tentações geme as de um orçamento ilimitado 
e uma formosa casa antiga. deixou-se seduzir pela excitação de planejar e antecipar as 
mudanças. 
Hal nunca tinha pensado que o fato de sentar-se a olhar papéis pintados e amostras de 

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malhas podia ser tão entretido a inclusive lhe apaixonem. Estaria sempre agradecido a 
seu instinto por não ter permitido que algo assim lhe acontecesse com a Sharon, pois, 
conforme ia comprovando, o processo mesmo era perigoso. Em todos aqueles atos 
havia algo que prometia laços e fidelidade. E ele sempre tinha sabido que intensificar os 
laços com a Sharon seria um terrível engano. 
Viver com o Carlee lhe parecia extremamente fácil, salvo pelo fato de que ela seguia 
marcando as distâncias. Como o dia em que enquanto discutiam o estilo do terceiro 
dormitório, Hal disse: 
-Sabe algo? Deveríamos pensar no quarto do bebê se não querermos que meu avô o 
disponha tudo para o ter em sua casa. 
Aquele comentário fez que Carlee voltasse bruscamente para a realidade. Jogar a 
marido e mulher com o Hal era perigoso em mais de um sentido. Criar um quarto para 
seu filho a levaria a uma situação a que não desejava enfrentar-se. 
-Não necessitamos um quarto de meninos -disse em tom neutro-. O bebê e eu só 
estaremos uns meses depois do nascimento e pode dormir em meu quarto. 
Hal notou que estava rígida, mas não alcançava a entender sua reserva. 
-Se não querermos que o velho adivinhe que pensamos sabotar seu plano educativo, 
devemos atuar com normalidade -disse- E os casais normais põem quarto para seus 
filhos. 
-De todos os modos eu não gosto de deixar ao bebê só nada mais nascer -protestou 
Carlee-. Um bebê nunca esteve sozinho, e de repente se encontra em um espaço 
gigantesco... 
-Podemos fazer uma porta de comunicação com seu quarto -seguiu Hal. 
Carlee suspirou pensando na pequena habitação no Buck Falls que tinha pensado 
decorar para seu filho. Olhou ao Hal.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:43 

-Faremo-lo se me promete que não começará a imaginar que esse menino vai crescer aí 
-é obvio, a advertência ia dirigida a si mesmo. 
-Maldita seja, mulher! -estalou Hal ao entender as razões de sua resistência- vais deixar 
de ser paranóica? Dava-te minha palavra! 
E Carlee não pôde resistir a tentação de preparar um quarto especial para o bebê, 
inclusive sabendo que aquilo alimentava uma esperança que nem sequer se atrevia a 
nomear. 
Uma semana mais tarde, Hal tinha que partir ao Japão para o Grand Prix. Os doutores 
lhe haviam dito que era muito logo, que seus músculos não estavam o bastante fortes, 
mas Hal estava acostumado para ouvir coisas semelhantes às ignorar, de modo que todo 
mundo se sentia feliz. 
Menos Carlee. Despediu-lhe com um sorriso corajoso e lhe desejou sorte, mas seu 
coração se escureceu com um sentimento de pavor que não tinha conhecido antes. A 
pulsação escura que sentia era nova e sua imaginação lhe dizia que era um 
pressentimento de morte. 
Tivesse desejado lhe rogar que não fora, e tivesse querido lhe falar daquele horrível 
sentimento de perda. Mas não tinha nenhum direito sobre ele e não podia invocar a seu 
filho, não diante um homem que amava sua liberdade por cima de tudo. Assim não disse 
nada. 
Nem sequer foi capaz de lhe pedir que a chamasse, de modo que passado uma noite 

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espantosa, vendo todos os canais de televisão e esperando a pior de todas a notícias. 
O avião chegou bem, mas o temor não desapareceu e Carlee não pôde evitar começar a 
rezar, sabendo que o perigo estava na corrida. 
Sabia que se seu pior passava, não poderia suportar sabê-lo por outra pessoa, de maneira 
que se instalou diante o televisor a olhar a corrida. 
Não lhe ocorreu procurar companhia, muito obcecada com seus próprios medos. Mas 
quando escutou o timbre da porta e abriu a uma sorridente Marietta Hunt que se limitou 
a dizer: «Não pode ver esta corrida », quase chorou de alívio e gratidão. 
-trouxe bebidas e guloseimas -anunciou a mulher com espírito prático- Sente-se a olhar 
e eu o preparo. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:45 

Hal não estava correndo uma corrida de ganhador, isso esteve claro do primeiro 
momento. Podia ver-se que o carro ia tentando as possibilidades, colocando-se sem 
pressa, e lentamente, Blefe começou a relaxar-se. Tinha que haver-se dado conta de que 
Hal não era um louco e não forçaria as coisas, sabendo que não estava em forma. 
Ocorreu na volta dezessete, como um raio em um céu sem tormenta. Houve um som 
seco e de repente o carro que estava competindo com Hal nas últimas curvas, perdeu o 
controle. 
-Vathek cravou! -exclamou o comentarista. 
-Não! -gritou Marietta porque Vathek estava atravessado na pista e o carro que ia detrás 
era o do Hal. 
Carlee não gritou. Todo seu ser estava concentrado na pista como se a salvação do Hal 
dependesse de que ela não apartasse a vista. 
O carro do Vassily Vathek golpeou a cerca e foi para trás. E como se tivesse previsto 
exatamente a louca trajetória do carro, Hal girou um pouco e passou entre o carro e a 
cerca sem roçá-los. 
As duas mulheres se abraçaram e romperam a chorar. 
Hal terminou em um dos últimos postos e soube que certamente havia tornado muito 
logo à corrida. A dor afetava a sua concentração e quando não se concentrava, pensava 
em Blefe. Aquilo nunca lhe tinha acontecido antes. Decidiu analisar com seriedade o 
que lhe estava passando. 
Hal tinha acertado respeito a seu avô. O velho não se retirou do jogo, só estava 
esperando sua oportunidade. A manhã em que chegaram os decoradores e os operários, 
apareceu o empregado do velho com um convite para comer. 
Carlee o agradeceu e declinou o convite, de maneira que ao momento apareceu Harlan 
em pessoa na soleira de sua cozinha. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:45 

- Não pode dormir aqui rodeada de produtos tóxicos! -disse com zango sem nem sequer 
saudar-. Pode lhe sentar mal ao menino. Já preparamos seu quarto. Tem que ficar na 

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casa até que terminem as obras. 
Carlee olhou ao homem durante uns instantes antes de dizer: 
-Sabe, assombra-me que um homem com tanto êxito nos negócios conheça tão pouco a 
natureza humana. Assim é como to comportaste com o Hal toda sua vida? Não sente 
saudades que te tenha saído tão mal. 
-Como diz? -o velho sentiu que sua ira morria sob o olhar firme do Carlee. 
-Entra aqui e to põe a me dar ordens sobre minha vida... Como acha que vai me 
convencer com essa atitude? 
-Não tem nada o que ver. 
Em realidade o ancião não sabia o que dizer. Carlee que seguia afetada pela corrida, 
aproveitou seu silêncio para descarregar seu coração. 
-Ninguém com o mínimo de inteligência tentaria conseguir as coisas com essa atitude 
insensível, mas vejo que acha que te convém e agora te prova comigo. Mas deveria me 
conhecer e saber que não funcionará, como não funcionou com o Hal. Assim deveria 
começar a te perguntar por que atua de forma tão estúpida. Quer dizer, Harlan,quer, 
proteger a meu bebê de perigos ou só quer uma briga? 
Sem deixar de olhá-la, tomou assento. 
-Quero proteger a teu filho -respondeu, mas todo autoritarismo tinha desaparecido de 
sua voz. 
-Muito bem -aprovou Carlee, com o tom que utilizava com seus meninos da escola-. E o 
que acha que desejo eu? Desejo que meu bebê seja sadiu, ou acha que estou empenhada 
em lhe causar alguma lesão cerebral? 
É uma pergunta idiota! -zangou-se o homem 
-É ridículo pensar que eu faria mal a meu bebê, mas não é ridículo lhe perguntar isso 
porque é te que mostra sua atitude. E é obvio, zango-me e resisto. Como Hal, odeio que 
me digam que devo fazer, e se se tratasse de um pouco menos importante que a saúde de 
meu filho, sentiria, como Hal, que quero fazer to oposto de to que me pede.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:46 

Harlan do Vouvray Ward 11 nunca pedia desculpas. 
-Não é o que pretendia -disse com um pouco parecido a acanhamento. 
-Poderia me perguntar, a próxima vez, quais são meus planos, em lugar de assumir que 
sou uma louca. E deveria recordar que sou uma adulta, que voto e tenho direitos civis. E 
agora, obrigado por to preocupação, mas é desnecessária. Tenho coisas o que fazer, 
Harlan, desculpará-me. 
Ele se levantou com abatimento. 
-.Quais são seus planos? 
Carlee o olhou. 
- Se não se importa não o pergunte - acrescentou Harlan como temendo uma 
reprovação. 
-reservei um quarto de hotel enquanto dure a obra -disse Carlee. 
- Se prefere ficar em minha casa, me fale. 
-Obrigado, igual é melhor. Importa-te que te diga mais tarde? 
Dormia em seu antigo quartona casa grande, quando despertou por primeira vez uma 
mexida do bebê. Foi um leve movimento em seu abdômen, mas de repente o mundo lhe 
pareceu um lugar diferente. 
ficou uma mão sobre a barriga e desejou ardentemente poder lhe contar a alguém a 

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mágica sensação. Se Hal tivesse estado em casa, tivesse ido despertar o, para 
compartilhar o incrível momento com ele, e o profundo desejo de lhe fazê-lo mostrou 
que seus sentimentos estavam escapando a seu controle. 
Teria que ter muito mais cuidado. Não podia permitir-se mais emoções dessa ou 
terminaria com o coração quebrado. 
O médico ordenou ao Hal que deixasse a equipe e voltasse para casa, e o curioso é que 
não lhe importou. Interessavam-lhe muito mais os progressos no laboratório que as 
cameras. Em realidade, nem sequer sabia o que estava fazendo no Japão. 
-Olá -disse docemente ao entrar na cozinha e ver o Carlee que escrevia umas contas 
sobre a mesa de madeira que tinham comprado _juntos. 
-Hal! -esperava-lhe mais tarde e saltou com tanta emoção que atirou a cadeira-. voltaste 
para casa! 
Surpreendeu-lhe sentir o alívio que lhe produzia ver o Carlee de novo. Tinham-lhe 
gostado de muitas mulheres, mas nunca tinha tido a sensação de olhar a uma mulher e 
agradecer sua existência.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:47 

E antes de que se desse conta a estava abraçando com força. E quase sem sentir, Hal 
inclinou a cabeça e fez o que levava semanas desejando. 
Carlee sentiu que quase chorava diante a força da sensação que a embargou ao notar sua 
boca. pendurou-se de seu pescoço até que seus corpos se pegaram e separou os lábios 
para responder a seu beijo. 
Hal se deixou levar. O homem que sempre se orgulhou de sua frieza perdeu todo 
sentido comum. Abraçou-a com força e tomou sua boca como um faminto. A doçura do 
beijo era algo do que nunca poderia cansar-se; não sabia mais. Assim seguiu beijando-a 
e lhe mordendo os lábios como se queria extrair todo seu suco. 
Seguia tendo certa capacidade mental, posto que podia andar. Pareceu-lhe que a levava 
escada acima, sem deixar de beijá-la. Encontrou um trinco sob sua mão e lhe 
surpreendeu ser capaz de abrir a porta. 
Carlee sentiu algo duro e mole em suas costas e soube que estava na cama, mas era o 
peso do Hal o que concentrava toda sua mente. Seu corpo era tão delicioso que não lhe 
bastava com a gravidade e o abraçou mais, sentindo-se envolta em seus braços, em seu 
desejo, e sem querer nada mais no mundo. 
Hal tomou seu rosto e seguiu beijando-a até que os dois estiveram bêbados de desejo. 
-Carlee -sussurrou com tom urgente-. Carlee. 
Havia uma súplica em sua voz, ele que nunca tinha rogado nada a ninguém. Não o 
pensou, mas sabia que não só queria sexo, mas também algo mais, como se lhe estivesse 
pedindo que lhe entregasse a alma. Algo que nunca tinha necessitado de ninguém mais. 
Carlee levava um vestido solto com botões diante e quando os abriu, seus formosos 
peitos cheios se revelaram a ele, lhe deixando sem fôlego. inclinou-se para beijá-los 
enquanto Carlee lhe acariciava a cabeça e a nuca. 
Ao mesmo tempo lhe tirou a camisa para sentir o calor de suas costas e em seguida 
sentiu a pressão de sua pele nua contra seus peitos. Gemeu de alegria ante a sensação.

  

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°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:47 

Quando entrou nela os dois gritaram a um tempo, com a surpresa do aventureiro que 
descobre uma terra ignota. Hal a penetrou com lentidão, observando como seu rosto se 
contorsionaba de prazer. 
-OH, Hal, que maravilha -sussurrou Carlee, gemendo de uma vez. 
-Carlee, é tão linda-disse Hal, desejando dizer outra coisa. Apertou seus quadris com as 
mãos, suas coxas, como se temesse que lhe escapasse e Carlee começou a tremer. 
-me abrace -gritou a mulher e o prazer sacudiu seu corpo, fez-a gritar fechando os olhos. 
Quando sentiu suas convulsões, Hal não pôde conter-se mais. Os lentos movimentos lhe 
levaram a um ritmo mais rápido e gritou seu nome, deixando cair sobre ela no climax do 
prazer. Os dois gritaram o nome do outro e obtiveram como resposta a perfeita calma do 
abraço. 
Carlee fazia algo irrevogável, tinha visitado um lugar ao que jamais chegou. O lugar no 
que tinha escondido seu amor pelo Hal. 
Terrível, terrível engano. 
Mais tarde nadaram na piscina e depois jantaram juntos. Não falaram do acontecido 
entre eles. Carlee sabia que Hal não ia pronunciar as palavras que desejava escutar e que 
o melhor que podia fazer era esquecer o acontecido e pretender que não tinha passado. 
-Acabo de me dar conta de que não viu a casa! -exclamou com alegria fingida quando 
terminaram de jantar, enquanto Hal a olhava e sorria de um modo que ia obrigá-la a 
chorar se não parava. 
-Não me fixei muito -assentiu Hal com um sorriso travesso. 
-Pois vamos agora! -ordenou-lhe Carlee dando-a volta para ocultar seu rubor- Já está 
acabado e é precioso. 
Passearam juntos pela casa, sentindo-se cúmplices, e Hal não se surpreendeu de sua 
alegria. Já nada lhe surpreendia em relação com seus sentimentos para o Carlee. 

 
Era uma casa nascida dos sonhos da jovem. A cozinha grafite de azul claro, com 

os móveis de madeira pálida e o chão cor terra. As prateleiras repletas de jarros e potes, 
de cristal e cerâmica, repletos de especiarias de cores, as novelo seca, a enorme mesa e 
as cadeiras de madeira e a enorme geladeira nova. 
-É um lugar de trabalho perfeito -aprovou Hal. 
-Sim -assentiu Carlee com um sorriso- Quão melhor sonhei nunca. Obrigado, Hal -era 
uma cozinha para cozinhar, comer, viver, convertê-la no centro da casa. 
O salão, com o chão de madeira encerado, as paredes pintadas de amarelo pálido e os 
sofás restaurado de cores vivas parecia agora cheio de luz, quando antes era sombrio. 
abria-se a terraço antes abandonada e agora cheia de novelo, com uma mesa de cristal e 
cômodas poltronas de raias brancas e azuis. 
É perfeito para receber amigos, não acha? tagarelou Carlee, deixando-se levar pela 
excitação-. É exatamente como imaginamos. 
Não se deu conta de que se apoiava com confiança no braço de Hal, mas este não 
deixou de observá-lo. Olhou-a enquanto falava. Tinha o cabelo solto, recém lavado, e 
lhe deu vontade de tocá-lo. Mas nesse momento, Carlee se inclinou a tirr uma folha seca 
de uma planta. 
Só ficava por mobiliar o quarto do menino. Estava pintado de um suave verde, com uma 
sianinha com desenhos infantis, mas os móveis eram ainda os antigos do quarto de 

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convidados. Hal às vezes trabalhava até tarde na casa com algum de seus engenheiros, 
de maneira que tinham decidido deixar o quarto como estava, se por acaso alguém 
ficava a dormir. Ao entrar no dormitório principal, a confusão da cama lhes trouxe as 
sensações que acabavam de compartilhar e Hal a olhou sonriendo, mas Carlee apartou o 
olhar. 
-Não sei onde vamos pôr aos convidados quando chegar o bebê! -falou com 
nervosismo. Hal não disse nada, mas a resposta era tão óbvia que Carlee sentiu que lhe 
golpeava no rosto-. Bom, não será por muito tempo -disse, mas sua voz soou 
extranhamente falsa.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:48 

Havia um ambiente de excitação no laboratório. Como freqüentemente ocorre quando 
um grupo de pessoas trabalhou durante muito tempo em um projeto, o êxito se 
apresentou de repente. Em sua primeira manhã de trabalho depois da viagem, Hal 
entrou no laboratório e se encontrou com um grupo de gente feliz. 
-Alegra-nos que não comeu o Pó no Japão, homem! -saudou-lhe Trevor quando o viu. 
Hal não estava acostumado a ter um comitê de bem-vinda quando voltava de uma 
corrida, assim que os olhou com ssuspeita. A maior parte dos meninos pareciam vir de 
três noites de farra. Não estavam barbeados, tinham olheiras e pareciam ter sobrevivido 
a base de café e barras de chocolate. Seu aspecto era desastroso e não cheiravam muito 
bem. 
-O que lhes passa? -comentou-. Eles raptaram enquanto estava fora, ou é que a higiene 
lhes abranda o cérebro? 
Sabia do que se tratava, é obvio, e todos sabiam que sabia. 
-É melhor do que acha -riu Barry. 
-Bom, sempre podem fazer de extras em um filme de mortos viventes se fecharmos o 
projeto. 
Trev, sonrindo, acariciou-se o queixo. 
-Já, mas provavelmente já não queira nos jogar, Hal. 
de repente todos começaram a rir e a aplaudir as costas de Hal com entusiasmo. 
-Temos, Hal -gritaram todos de uma vez e lhe arrastaram a ver o resultado. 
Não era absolutamente o primeiro descobrimento da equipe, o que lhe fazia tão especial 
era que possivelmente fora o último. Por fim sabiam exatamente aonde foram. O resto 
era só trabalho. 
Um sedutor e perigoso tema de conversação que Carlee não podia evitar era o bebê. 
Quanto mais sentia sua presença, mais se entregava ao prazer de planejar e sonhar em 
torno dele. E Hal sempre estava disposto a compartilhar seus sonhos. 
-Se sair aos Ward não têm a menor esperança de que tenha uma corrida tranqüila, que 
seja contável ou algo assim -comentou Hal-. Mas bem será um pirata. 
-Não meu filho fará nada imoral -replicou Carlee com um brilho de luta nos olhos.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 10:49 

 

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Hal riu. adorava zangá-la para ver como brilhavam seus olhos pela emoção. 
-E como vais impedir o? 
Carlee o olhou com assombro: 
-vou ensinar lhe a diferença entre o bem e o mal, isso é tudo. Eu mesma. Não vou deixar 
sua educação à televisão. 
-E o que é o bem e o mal? -provocou-a Hal. 
-Necessita que lhe explique isso? -ironizou Carlee. 
Hal sorriu diante sua ironia. Tivesse-lhe gostado que caísse em sua armadilha e lhe 
desse uma conferência. 
-Mas não todo mundo que conhece a diferença entre o bem e o mal, escolhe o bem, 
verdade? -seguiu perguntando. 
-Se os insígnias de verdade, e nada terrível lhes acontece na vida, claro que escolhem o 
bem. 
-Isso aprendem seus meninos de, seis anos? 
-Naturalmente. Muitos crescem com a televisão como única companhia. Se eu não os 
ensino, quem o fará? 
-me diga o que os insígnias -pediu Hal brandamente, e de repente iniciaram uma 
conversação sobre o bem, a beleza e o amor 
Aquelas conversações com o Carlee tinham um curioso efeito no Hal. O certo era que 
ninguém lhe tinha falado assim da adolescência. Hal tinha fama de ser um rebelde, um 
egoísta e um vividor sem interesses filosóficos. Todas as mulheres que conhecia eram 
devotas de «vive e deixa viver» ou pretendiam sê-lo, e jamais se comprometeram com 
algo tão pouco frívolo como o bem e o mal. A moral não era um tema chique no clube 
da Cantabria. 
adorava que ao Carlee desse igual a opinião de] mundo quando tratavam temas sérios. 
Um dia no clube, enquanto todos escutavam um recital do Jack Cooke sobre suas 
últimas conquistas, Carlee jogou um jarro de água fria sobre a concorrência 
perguntando: 
-Mas, Jack, não pensaste que o que tem feito está mau? 
Jack se recuperou em seguida da surpresa: 
-Mau desde que ponto de vista? -perguntou com sorriso sardônico. 
-Do ponto de vista do que está bem ou mau. Se tiver ferido seus sentimentos, está mau. 
Estou segura de que confiou em ti. 
 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 11:17 

E deste modo, com a claridade de uma verdade sem prejuízos, todo mundo entendeu de 
repente que a motivação central na vida do Jack era o ódio às mulheres. 
E por isso, Carlee não era universalmente querida na sociedade da Cantabria. 
Sim era querida pela gente que Hal mais apreciava. Viam o Gerry e a Sheila 
freqüentemente da noite em que tinham ido jantar com seu bebê. E os membros de 
equipe do Hal sempre estavam procurando desculpas para ir trabalhar à casa, e não era 
só por sua mestria como cozinheira. Gostavam de estar com o Carlee. 
Tom e Gemma e sua filha Ellie eram também visitantes assíduos, estivesse Hal ou não. 
Carlee se tinha feito muito amiga da Marietta Hunt desde noite da corrida. Estava 

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acostumado a levar-se bem com a gente que trabalhava para viver, tivessem ou não 
necessidade disso. Eram as pessoas falsas e os cínicos os que se sentiam incômodos em 
sua presença. 
Hal voltou para casa esgotado mas exultante de uma prova de seu carro, que embora 
com falhas, tinha sido concludente. Seu único pensamento tinha sido contar-lhe ao 
Carlee quanto antes. Ao entrar encontrou ao Gerry Maitland junto à piscina, imerso em 
uma profunda conversação com o Carlee que parecia fascinada por suas palavras. Não 
notaram a presença do Hal que não pôde evitar escutar embora não pretendia 
surpreendê-los. 
-A noite cai sobre o lago. Meia lua. O fogo do acampamento está baixo. As duas irmãs 
estão sentadas nas rochas, e suas silhuetas destacam contra a água chapeada. 
Murmuram. Lena está apoiada contra um tronco, escutando sem fazer muito caso. de 
repente uma frase se distingue entre o murmúrio... 
Com irritação, Hal compreendeu que lhe estava contando seu último guia. «Tranqüilo, 
Hal», disse-se. Mas maldita a graça que o fazia que tivesse que lhe sussurrar suas 
criações a sua mulher. Nesse momento se deram conta de sua presença e os dois o 
olharam. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   11/05/2006 11:26 

-Hal! -exclamou Gerry ficando em pé. 
-Olá! querer comer? -Carlee lhe recebeu com um sorriso amplo, mas distraída, como se 
seguisse concentrada no argumento do Gerry. 
Hal se deixou cair em uma tumbona. 
-Não o interrompa, Ger. 
Mas Gerry moveu a cabeça. 
-Ainda não está do todo lista para o público. 
Ao Hal tampouco gostou que ele fora definido como “público” enquanto que Carlee, ao 
parecer, entrava nos segredos da criação. 
-Parece-me genial de momento, Gerry -disse Carlee com entusiasmo-. vamos comer e 
me conta o resto quando Hal parta ao laboratório. 
Posto que Hal nunca tinha estado ciumento em toda sua vida, não soube qual era o 
sentimento que lhe fez desejar atirar ao Gerry à piscina, vestido e tudo. 
Só soube que era algo que não gostava absolutamente.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   CAPITULO 11 15/05/2006 21:29 

PENSANDO mais tarde, alegrou-se de que Gerry estivesse presente. Existiam certas 
dificuldades para lhe contar a Carlee seu êxito no laboratório, dificuldades às que 
possivelmente não tinha dado a suficiente importância no entusiasmo do descobrimento. 
Por exemplo, antes que nada tinha que admitir que tinha mentido, a ela e a outros, sobre 
o verdadeiro trabalho que estavam fazendo. 
Claro que Carlee entenderia a importância do segredo, mas o difícil era como lhe contar 
a notícia, 

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Em segundo lugar, tinha-a prometido que poderia partir a sua casa assim que a 
investigação chegasse a certo ponto, e Carlee quereria saber se tinha chegado a esse 
ponto e seria impossível lhe mentir. Então quereria partir, mas ele não podia deixá-la 
partir, quando foram começar as aulas para o parto e quando sua casa do Buck Falis 
estava alugada para o ano. 
E em terceiro lugar, Carlee estava distante ultimamente e parecia intimidada por 
qualquer conversação que não fora sobre o tempo. 
-teve um bom dia? -perguntou Carlee como fazia cada dia. Era uma pergunta ritual, uma 
pergunta de esposa que não deseja uma resposta real. 
-Muito bom -disse Hal-. Um dia incrível. Trev e eu... 
-Que bom. quer beber algo? Hoje trouxe cerveja tcheca da loja do Monique, gostaria de 
prová-la? 
ia ficar louco. Quanto mais se aproximava dela, mais se fechava Carlee diante ele. 
Recordava momentos em que tinha sido ao reverso. Quando as mulheres com as que 
saía lhe acusavam de evitar a intimidade. Não tinha entendido então a que se referiam. 
Agora o entendia perfeitamente. 
Evitar a intimidade era, por exemplo, quando em metade de um filme, passava o braço 
pelos ombros do Carlee e esta ficava rígida, de maneira que Hal retirava o braço. Evitar 
a intimidade era também quando no clube dançavam juntos, em uns momentos que Hal 
acreditava de prazer compartilhado. Até que Carlee se separava um pouco e lhe dizia: 
-Hal. 
-Mmm? -era a sonhadora resposta. Já começava a notar barriga de Carlee e a senti-la 
contra seu abdômen.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:30 

-Tenta convencer a alguém de que isto é um matrimônio? 
Ou começava a lhe acariciar o cabelo, sentados ambos junto à piscina, e Carlee, com 
doçura mas com firmeza, apartava a cabeça e trocava de tema. 
Havia centenas de maneiras de “evitar a intimidade”. Todas as formas lhe irritavam e 
confundiam, além de desconcertá-lo. Há] não sabia o que queria realmente. 
Mas sabia que precisava descobri-lo antes de forçar uma resposta do Carlee. Intuía que 
não seria justo derrubar sua auto-suficiência e descobrir depois que não era isso o que 
desejava. Mas, como ia descobrir nada se a mulher o mantinha sempre a distância? 
Tinha o desejo de proteger a de qualquer perigo, ele incluído. Nunca antes se havia 
sentido tão interessado e preocupado por uma relação, nunca tinha analisado seus 
sentimentos daquele modo obsessivo. 
Por outra parte, tinha medo de descobrir o que sentia e que Carlee o rechaçasse então. 
Era a primeira vez em sua vida que temia o rechaço de uma pessoa. Não tinham falado 
nunca do acontecido quando tinham feito o amor. Tinha chegado a pensar que Carlee 
pretendia mostrar que não tinha passado nada. Ele tinha acreditado em um primeiro 
momento que ela tinha desfrutado tanto como ele, mas era consciente de que podia 
equivocar-se. Carlee tinha ao final os Olhos cheios de lágrimas e ele o interpretou como 
fruto da emoção de seu encontro. Mas logo começou a pensar que possivelmente 
chorava porque sentia que estava traindo ao Bryan. Ou que simplesmente não lhe tinha 
gostado. 
Todo o assunto lhe estava pondo muito nervoso.

  

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°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:31 

Carlee o estava passando mau. Começava a entender muitas coisas, quando já era tarde. 
Tinha sido um engano enorme pensar que jamais voltaria a apaixonar-se depois da 
morte do Bryan. Essa convicção a tinha feito sentir-se imune ao encanto do Hal até que 
já não pôde evitá-lo. 
Outro engano tinha sido sua idéia de que tendo amado uma vez, reconheceria o amor 
assim que este se apresentasse de novo. Mas o que sentia pelo Hal era tão diferente ao 
que tinha sentido pelo Bryan que logo que começava a entender quão perigoso era seu 
sentimento. 
Tinha conhecido e amado ao Bryan virtualmente toda sua vida. Tinha sido um amor 
apoiado e enraizado em sua larga história juntos, na vida compartilhada. Bryan e ela 
tinham crescido juntos, enfrentaram-se juntos às experiências novas, faziam o amor pela 
primeira vez juntos e com ninguém mais, e essa aprendizagem comum os tinha feito ser 
parte do outro. 
Com o Hal era diferente. Era uma relação cheia de brilho e de excitação, mas também 
de profundidade física, como se suas células estivessem apaixonadas. 
Era um sentimento perigoso, porque seu estado de ânimo não era feliz e sereno, a não 
ser volátil a imprevisível. Às vezes, olhando ao Hal comer na hora do jantar, sentia que 
seu sangue enlouquecia de desejo sexual, ou lhe bastava que seus olhares se cruzassem 
para que uma emoção irresistível a embargasse. Quando o via inesperadamente, como o 
dia que voltou para casa quando estava com o Gerry Maitland, tinha que mordê-los 
lábios para não saltar em seus braços. 
Sabia que Hal estava feliz com seu trabalho e suspeitava que tinha tido um êxito 
importante. Mas não queria sabê-lo. Ela não podia alegrar-se da construção de uma 
máquina que lhe levaria de corrida em corrida pondo em perigo sua vida. E, entretanto, 
não podia deixar de alegrar-se por ele.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:32 

Por outra parte, seus êxitos lhe recordavam que seu acordo era temporário e que quanto 
antes culminasse sua investigação, antes voltaria ela para casa., 
Quão único pedia era um pouco mais de tempo. Não ter que perdê-lo tão rapidamente. 
Sabia que era uma estupidez atrasar um momento que de qualquer maneira lhe partiria o 
coração. Mas se dizia que se não permitia mais momentos íntimos, se conseguia manter 
a distância física e a cabeça fria, possivelmente conseguisse sofrer menos no futuro. E 
isso fazia. 
Mentiras cômodas e perigosas. 
Uma tarde, enquanto estavam sentados na piscina, olhando um pôr-do-sol formoso e 
conversando sobre o bebê e suas possibilidades futuras, Carlee sentiu um movimento 
em seu seio que expressava uma alegria tão profunda que não era possível descrevê-la. 
Era como se o bebê não estivesse rodeado de líquido amniótico, mas sim de amor, e se 
estirasse nesse ambiente com total confiança. 
E de forma intuitiva, sentiu que o momento era perfeito e que seu bebê sentia também o 

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amor do Hal. Pois, disso estava segura, Hal estava cada vez mais perto de seu filho 
acidental. 
A idéia a encheu de desassossego. Se chegava a amar a esse menino, como ia separar se 
dele? E se não era capaz de renunciar, o que seria de suas vidas? 
Carlee se sentia insegura e assustada. voltou-se imprevisível. Um momento estava 
encantadora e rendo por nada, e ao momento seguinte reservada e distante. Um passo 
adiante, dois passos atrás.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:32 

Tampouco ajudava o fato de que a gravidez a convertesse no mais sexy que tinha visto 
em sua vida. Não era de sentir saudades que tivesse resistido tão bem a tentação de 
intimidade com mulheres como Sharon ou Maddie. As mulheres magras não lhe 
emocionavam como as curvas sedutoras do Carlee, embora nunca se deu conta até 
agora. Sempre tinha acreditado que gostava dos corpos largos, finos, impecáveis e 
ossudos, carentes de ternura. 
Carlee era diferente. Por exemplo, Há tinha descoberto que tinha dois tipos de aromas 
naturais. Levianamente, era como todo mundo e cheirava bem, a sabão, a suor.. Gostava 
daquele aroma que seus amigas sempre tinham oculto e reprimido. 
Mas além disso havia outro nível, distinto. Não podia nomeá-lo, em realidade não podia 
cheirá-lo, mas sabia que estava ali. Quando dançavam, por exemplo, e respirava esse 
aroma subliminal, sentia-se tão transtornado fisicamente que desejava incorporar ao 
Carlee a seu corpo, apertá-la e abraçá-la contra ele. 
Mas não havia nada que fazer. 
-estabeleceram uma nova lei em Califórnia em minha ausência? -perguntou uma noite 
com irritação depois de um gesto esquivo do Carlee. 
A mulher o olhou sem entender: 
-Como diz? 
-Não sabia que tinham estabelecido uma distância do meio metro entre marido e mulher. 
Carlee lhe dirigiu um olhar largo e sério: 
-Pois assim é -disse. 
O que realmente lhe punha nervoso era que não lhe atraía nenhuma outra mulher. 
Inclusive com possibilidades a seu alcance, Hal tinha o desagradável convencimento de 
que só lhe servia Carlee para satisfazer seus desejos. 
Mas não havia nada que fazer. 
Ao final de setembro, a equipe de Hal ganhou o Grand Prix e voltou para casa onde lhes 
esperava um recebimento exuberante que coincidia com a véspera do aniversário do 
Hal. Ninguém acreditava que pudessem ganhar em ausência de Hal, mas Jon Hoight, o 
segundo condutor da equipe, tinha acertado a situar-se em cabeça quando os dois 
favoritos tinham chocado e se saíram da pista, em um acidente milagrosamente sem 
vítimas. 

 
Depois da celebração na Cantabria, todos os membros da equipe, suas algemas e 

amigos, terminaram na casa do Hal para uma festa improvisada que durou toda a noite. 
Carlee se sentiu muito interessada pelo grupo. Nunca tinha conhecido uma mescla tão 
intensa de solidariedade de equipe e forte individualismo, em homens que arriscavam a 
vida para alcançar uma glória efêmera. 
Eram tantos e falavam com tanta emoção que Carlee não conseguiu entender com 

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claridade quem era quem, salvo o triunfador John Hoight, nem o que faziam exatamente 
na equipe. Assim nunca soube quem era as pessoas, algo bêbadas, às que Hal convidou 
a dormir para evitar que voltassem de carro a casa. 
Mas uma rápida recontagem a fez ver claro outra coisa: com um homem em cada sofá e 
um casal no dormitório de convidados, não havia nenhum lugar onde pudesse dormir o 
outro casal a que Hal tinha estendido generosamente o convite. 
-Hal -protestou brandamente-. Louise e Gilles ficam no querto livre. 
-Ah, já nos arrumaremos isso -disse Hal com entusiasmo-. A casa é enorme. 
O que seguiu foi inevitável. Hal ofereceu sua cama à segundo casal, disposto a 
compartilhar o quarto com sua esposa. 
Carlee se sentiu perdida. Seus sentimentos para o Hal a estavam arrastando a um ponto 
sem retorno e não necessitava uma noite de intimidade. 
-A que joga? -disse-lhe com ira quando por fim se encontraram a sós na habitação. 
-Não te comporte como se te tivesse posto uma armadilha -disse Hal com indignação e 
de repente todos os sentimentos reprimidos, a confusão emocional, e a instabilidade que 
ambos percebiam, estalaram em uma discussão que não era menos violenta por 
transcorrer em voz baixa-. bebi muito champanha e não me dava conta de quantos 
fomos. 
-Não te deu conta? Convida a sete pessoas a ficar e não conta as camas? 
-Estou acostumado a que me sobrem dois quartos! Gilles e Ben e suas mulheres sempre 
ficam a dormir. Vivem em Los Angeles! Não pretenderá que os deixe partir? 
-Não me acredito que alguém seja tão idiota embora tenha bebido!

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:35 

-A que vem isto? vais passar a noite com seu marido pela lei e o pai de seu filho. Não é 
para montar um escândalo! 
Carlee o olhou, em silêncio. Aterrava-lhe quando falava assim. Ou mas bem lhe aterrava 
pela metade e pela metade a seduzia, e a desarmava e a enternecia e isso aumentava seu 
horror. 
-O que diz, Hall -perguntou. 
-Nada que não seja certo! É minha mulher! Isso significa algo, não é verdade? 
-O que crie que significa? Significa que tem direito a sexo enquanto dure? Sou sua 
mulher só oficialmente, recorda. Esse era o trato. Nunca dissemos que poderia te 
colocar em meu quarto quando tivesse vontades! 
-Não te importava que entrasse em sua habitação quando se sentia doente! 
-O que tem que ver isso com o que digo? 
-por que não podemos trocar as normas de nosso trato? -perguntou Hal, provando uma 
nova aproximação. 
-E até que ponto quer trocar as normas? 
-Não vejo por que não Podemos deixar que as coisas aconteçam dia a dia! -protestou 
Hal-. Não me deixa que me aproxime de ti. 
Com um coice, Hal se deu conta de que era a classe de acusação que ele tinha ouvida 
centenas de vezes toda sua vida. 
-Nunca me há dito que queira te aproximar -acusou-lhe Carlee com dureza. 
-Mas é que tudo tem que ser dito? -suspirou Hal com aborrecimento-. Não me deixa que 
te toque. por que não posso te tocar? 
Carlee não baixou o guarda. 

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-por que quer me tocar? 
-Maldita seja, não tenho todas as respostas. Como vou ou seja o que sinto se não 
permitir que nada avanço? 
de repente, Carlee sentiu que sua reserva se rompia e que tinha que expressar seus 
sentimentos:

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:36 

-Já perdi a um homem ao que amava! disse com a voz rota-. Não quero te perder, Hal, e 
terminar sofá e vazia quando ditas que já está bem. Temos um acordo e quero que o 
mantenhamos. Não vou trocar e dar a volta a meu coração como se fora uma luva só 
porque você se sente sozinho, ou aborrecido, ou o que seja que sente! Não tem direito a 
me exigir nada quando só te interessa o sexo! Estou grávida, maldita seja, e isso me faz 
mais vulnerável e não penso sofrer por sua culpa e se não o fizer, melhor que o aprenda, 
porque não penso ter nenhuma cena mais durante nos próximos meses! 
-Quem diz que só me interessa o sexo? perguntou Hal, assombrado pela catarata de 
palavras. 
-Pois, o que é o que te interessa? Não penso adivinhá-lo e lhe perguntei isso já três 
vezes. O que é o Hal ficou olhando-a, cheio de confusão e desejo, temor e esperança, 
incapaz de pôr em palavras o que sentia. 
-O que quer você? -perguntou à defensiva. 
-Quero estabilidade e um lar feliz para mim filho -esclareceu Carlee-. É o básico. E não 
está em oferta, verdade? 
-por que diz isso? Estabilidade? Tenho mais que oferecer que muitos homens, não acha? 
-Carlee o olhou com desprezo. 
-O que, por exemplo? 
-Nunca terá que preocupar-se pelo dinheiro para o resto de sua vida. 
-Não me interessa nada o dinheiro. E uma mulher necessita algo mais em um marido e 
um menino em seu pai. Tenho que pensar em meu filho, Hal! Não quero aventuras. 
Nesse momento, recebeu uma suave patada em resposta. 
-OH! -involuntariamente se levou a mão à barriga, embora não lhe tinha doído. 
Simplesmente se tinha assustado, como se sua agitação emocional tivesse perturbado a 
seu bebê.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:38 

Hal empalideceu profundamente. Demorou um segundo em estar junto a ela. 
-O que acontece? ; disse com temor-. Carlee, passa algo? -e quase sem saber que fazia 
lhe pôs a mão em sua barriga. 
Carlee tomou a mão, levou-a até o lugar onde o bebê se movia e a apertou. 
-Quer sentir o que pensa o bebê desta briga? -disse. 
Sentiu-o então, um movimento estranho sob a pele, algo que nunca antes tinha 
experiente. 
-O que é? -disse sem fôlego-. É ele? está-se movendo? 
-Está-me pedindo que deixe de produzir hormônios desagradáveis -disse Carlee com um 

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sorriso doce. 
-meu deus, é isto mi... filho -Hal se sentia tão emocionado como não o tinha estado 
nunca. 
-Ou sua filha -corrigiu-lhe Carlee. 
Surpreendeu-lhe e assustou um pouco que Hal se inclinasse então e beijasse o lugar 
onde havia sentido o movimento do bebê. 
-Muito bem, bebê, filho ou filha -disse com sentimento-. Não mais briga, tem razão. 
vamos descansar. 
E o fizeram, com menos acanhamento da que Carlee esperava. trocou-se e se meteu na 
cama e quando Hal saiu do banho com as cueca e se deitou junto a ela, pareceu-lhe algo 
natural. 
Carlee apagou o abajur e permaneceram tombados, em silencio durante uns segundos. 
Depois, Hal se aproximou e pareceu o mais natural deixar-se abraçar por ele. 
-Eu gostaria de fazer o amor contigo, Carlee disse-. Mas tem razão em tudo. Isto não é 
uma aventura frívola. vou pensar antes de fazer nada que possa te ferir. 
Apertada contra seu peito, Carlee se sentia a salvo e lhe parecia que seus temores eram 
tolos. 
-Muito bem -disse. 
dormiu ao momento entre seus braços. Quando Hal esteve seguro de que dormia, 
moveu-se um pouco e beijou sua frente.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:39 

Não tinha nem idéia de que hora era quando despertou, nem tivesse podido dizer o que 
despertou. Estava convexo de lado, pego à costas do Carlee, abraçando sua cintura. 
Sob sua mão, com uma mensagem que lhe estava dedicado, o bebê se moveu. Hal 
apertou a mão contra a pele do Carlee, para estar seguro da sensação, e o bebê o fez de 
novo. 
Olá. Isso tinha ouvido, isso sentia. Estava seguro de que na profunda inconsciência do 
bebê, em seu sonho feliz, era consciente da presença de outra consciência, a do Hal. 
No mundo só estavam a noite, e Hal, e essa pequena criatura que estava entrando pouco 
a pouco no mundo pela porta que era o corpo do Carlee. 
de repente Hal ficou a pensar em sua última corrida e no acidente que evitou e que pôde 
ser fatal. Tinha tido muita sorte. 
Se tivesse morrido ali, aquele menino tivesse nascido postumamente, como o próprio 
Hal, sem a oportunidade de conhecer seu pai. Mas além disso, o velhotivesse sido 
implacável na perseguição do Carlee e tivesse procurado por todos os meios a custódia. 
Carlee tivesse lutado com toda sua alma, sabia que era uma lutadora, mas tivesse 
perdido essa batalha. Naquela batalha, o dinheiro tivesse tido a última palavra. 
E a história se repetiu, com o velho envolvendo ao menino no rígido amparo que Hal 
tinha odiado tanto. E Carlee se morreu de pena ou tivesse aceito estar junto a seu filho 
sem dispor sua educação como sua própria mãe que ao final tinha renunciado... 
convertendo-se em uma sombra sem vida e sem vontade. 
Todo isso tivesse podido passar. Pensou na loucura de sua última corrida, quando seu 
corpo não estava ainda preparado. quando uma segunda de dor aguda tinha quebrado 
sua concentração. A classe de circunstâncias que provocam os acidentes, sabia bem. 

 

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°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:45 

Hal nunca se havia sentido mortal antes. Sua educação lhe tinha feito sentir que nada 
podia lhe acontecer. O perigo era para ele uma provocação, um prazer, e nunca se havia 
sentido responsável por sua vida, muito menos da de outro. Já não desfrutava tanto do 
perigo da camera como do talento aplicado, da experiência de dominar o risco. 
de repente entendeu, por primeira vez, que podia experimentar o mesmo prazer com um 
sem-fim de coisas. E1 prazer do perigo só se encontrava em atividades de risco. O 
prazer do conhecimento o encontrava diariamente no laboratório. 
Carlee tinha tido razão ao dizer que Hal não tinha nada que oferecer a uma mulher. Seu 
dinheiro tivesse bastado a um tipo de mulheres, mas o que podia oferecer a alguém 
como Carlee, que o merecia tudo? 
de repente via que nem sequer era um homem. Não tinha sido capaz de enfrentar-se com 
seu avô para defendê-la, ou para defender a seu filho. Tinha-a abandonado frente ao 
poder do velho. 
Agora entendia que nunca se enfrentou ao poderoso homem que tinha determinado sua 
vida, e entretanto, de havê-lo feito, tivesse ganho. 
Se houvesse dito, <deixa-a em paz> e se arriscou, o velho não tivesse seguido com suas 
ameaças. Em realidade, tinha-a abandonado a sua sorte. 
Carlee também tinha razão nisso. Não tinha construído sua vida seguindo seus desejos, 
a não ser desafiando e reagindo contra os desejos do Harlan. 
O que legado deixaria a seu filho se morria na seguinte carreira? Um experimento sem 
concluir. A imagem de um pai herdeiro do sangue pirata da família, que não tinha 
contribuído a nada, nem sequer aos cuidados de seu próprio filho. Um pai com a 
reputação de playboy, incapaz do suficiente compromisso para ter um filho fruto do 
amor, e nem sequer de um apaixonado deslize, mas sim de um engano de laboratório.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   15/05/2006 21:46 

 
Pensou em seu novo motor. Aquilo ao menos vinha de sua alma, tinha nascido de sua 
imaginação. Ali estava seu futuro. Sentia-o em seus ossos. Se não se equivocava, e 
sentia que não, ele e sua equipe teriam a parte de glória dos homens que contribuem ao 
progresso. Era um bom legado para um filho. Era um trabalho de homem, não de 
menino. 
Sob sua palma, o menino estava ativo, como uma criatura da noite que sussurrava e se 
movia na escuridão, procurando sua mão de vez em quando como se ele também queria 
senti-la. 
Carlee se moveu no sonho, apertando-se contra ele, e de repente sentiu um desejo 
imenso por volta dos dois, sua mulher e seu filho, um desejo que era físico e espiritual 
de uma vez. Queria fazer o amor com o Carlee, queria abraçar a esse menino que era 
parte de seu corpo, fica sentir que ambos compartilhavam algo... 
Às vezes, a escuridão da noite contribui uma claridade que não existe à luz do dia. Hal 
via agora que tinha dois caminhos diante si, divergentes. 

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Maldita seja, disse-se, acaso o velho louco teve sempre razão? 
Mas já não lhe importava o que pensasse seu avô. Não ia deixar se dominar pelas 
opiniões ou os desejos do velho. Não ia obedecer, tampouco ia rebelar se. ia fazer o 
correto seguindo seu entendimento. 
De maneira que, na véspera de seus trinta aniversários, convexo na escuridão junto a sua 
esposa grávida, Harlan do Vouvray Ward IV se converteu ao fim em um homem.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   capitulo 12 19/05/2006 22:20 

 
A festa voltou a começar ao dia seguinte e durou todo o dia. Os amigos foram passando 
pela casa, comeram, beberam champanha e felicitaram ao Hal por seu aniversário e por 
seu novo estilo de vida. 
-Se Enjoar dessa comida, casaria-me com ela manhã -disse alguém enquanto Carlee 
punha outra bandeja de comida na mesa do jardim. 
Houve uma exclamação indignada. 
-E quem há dito que Enjoe se casaria contigo? 
-Tem razão -disse o homem com voz lânguida e divertida. Carlee se deu conta de que 
falava Aaron, um dos mecânicos-. Me diga, Carlee, como é que um tipo como meu 
amigo Hal conseguiu uma mulher como você? Todos temíamos que Sharon ia caçar o 
ao final, assim que lhe estamos muito agradecidos. Mas queria saber como o obteve. 
Carlee sorriu: 
-Teve que casar-se comigo. É umas bodas de pênalti. 
Todos riram. Hal, que estava perto, tomou sua mão e a beijou . 
-Meu dia de sorte -disse brandamente. 
Carlee deixou de rir e o olhou, surpreendida ao ver uns olhos cheios de mensagens. Seu 
coração deu um tombo e teve que apartar a vista. 
Parecia diferente em tudo o que fazia, da manhã. Carlee se tinha despertado e lhe tinha 
visto junto a sua cama, vestido e sorridente. 
-feliz aniversário -havia dito Carlee. Hal se sentou na cama e a beijou com uma 
determinação que a deixou sem fala. Logo recordou aos convidados-. Levantaram-se 
outros? Quererão tomar o café da manhã antes de ir-se. 
-A maior parte não se levantou e certamente não vão partir. Conheço esta turma -riu 
Hal-. vão se passar o dia bebendo e comendo aqui. Temos duas opções: podemos 
encarregá-lo tudo agora mesmo ou trazer para várias pessoas para trabalhar na cozinha. 
O que prefere? 
-OH, Hal, não me incomoda cozinhar -começou Carlee. 
-Não mencionei essa opção: não vais passar te o dia cozinhando -ordenou Hal-. Pode 
fiscalizar se quiser, mas traremos ajuda. 
Havia uma firmeza em sua voz que Carlee não conhecia e que não lhe desagradou.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:21 

-Muito bem -disse brandamente. 
-Perguntarei ao Robert e a uma das garotas da casa grande se não os molesta vir. A 

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menos que prefira encarregá-lo todo fora. 
-lhe pergunte ao Robert -assentiu Carlee. 
Eram as seis da tarde e estava deixando uma bandeja de canapés quentes com uma 
variedade de gostos: queijos assados, tomate e anchovas, defumados, pimientos fritos, 
etc. Os convidados os provavam e não deixavam de emitir exclamações de prazer. 
O champanha corria entre a gente que rodeava a piscina e duas mulheres ajudavam ao 
Carlee a servir bebidas e passar bandejas. Hal tinha aceso velas dispostas pelo jardim e 
tudo tinha um ar familiar e festivo. 
Eram quase trinta pessoas, o grupo mais numeroso para o que tinha cozinhado Carlee, 
mas a relação com o Robert tinha resultado perfeita e tudo parecia fácil. Depois dos 
aperitivos serviram uma nata fria, e mais tarde uma lasanha abundante e luxuosa com 
salada verde. Por último tiraram o bolo de aniversário e todos cantaram o aniversário 
feliz. 
Hal estava surpreso. voltou-se para ela com um sorriso nos olhos e a beijou nos lábios, 
provocando brincadeiras entre o público. 
Deixou de beijá-la ao fim, mas antes o coração do Carlee tinha dado várias voltas e 
parecia desbocado. Sua falta de controle a assustou, mas sentia, estava quase segura, de 
que Hal estava igualmente emocionado. 
-Um desejo! -gritou alguém e Hal assentiu. Carlee também pediu um desejo, e como se 
ele o sentisse se voltou para sua mulher. 
-me ajude a apagar as velas -disse. Os dois se uniram para sopro as velas e os amigos 
aplaudiram e brincaram. 
-Um discurso! -pediu outra voz. 
Era uma brincadeira, mas Hal assentiu de novo e pediu silêncio. 
-vou fazer um discurso -declarou-. Tenho algo que lhes dizer e posto que toda a equipe 
está aqui, é um bom momento. Tenho trinta anos e como todos sabem, estou casado e 
vou ter um filho. Quero que todos brindem -elevou a taça e olhou a Carlee-... por minha 
esposa.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:21 

Sua voz estava cheia de orgulho, sem a menor reserva e de novo Carlee teve que 
morder-se seus trementes lábios. 
-Por Carlee -disse. 
Todos os convidados fizeram coro seu nome e beberam a um tempo. 
-A equipe leva trabalhando cinco anos -seguiu Hal-, e o passamos muito bem. desfrutei 
que cada minuto -sorriu com soma-... Bom, quase. 
E enquanto contava a história de suas aventuras, êxitos e fracassos, os membros da 
equipe riam e comentavam, embora alguns começavam a protestar, pois tinham 
compreendido que estavam ao final de uma época. 
-A vida troca e a gente também, graças a Deus, e tudo tem seu final. Podem ver que este 
é o final natural para mim. vou pendurar meu casco -agora os protestos eram já gerais-... 
Mas todos sabem que há um novo campeão e que não lhes faço falta. Parabéns, John! 
Brindaram à saúde do John Hoight com entusiasmo. 
-O que pensa fazer, Hall -perguntaram várias vozes. 
-Em parte o que sempre tenho feito... investigar no laboratório. Quase todos sabem que 
estive trabalhando com o Bill e Trev em um projeto muito importante para mim, um 
novo motor. Estamos a ponto de anunciar um êxito, e então haverá um montão de 

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mudanças... 
Quando deixou de falar e voltou a sentar-se, Carlee não podia olhá-lo, pois temia tornar-
se a chorar se seu sorriso confirmava o que tinham irradiado suas palavras. Nunca lhe 
tinha ocorrido que Hal pudesse renunciar às cameras, e seguir com a investigação. 
Acaso era uma resposta à discussão da noite anterior? Significava possivelmente que 
sabia o que queria e que tinha eleito viver para ela e o menino? Tinha muito medo de 
olhá-lo e ver a resposta em seus olhos. 

Alguém ficou em pé e brindou pelo Hal e todos brindaram e logo seguiram 

conversando e bebendo e Carlee seguia sem poder olhá-lo. 
A festa adquiriu o tom de uma despedida. Os amigos bebiam com gravidade, falando 
dos velhos tempos e contando anedotas do Hal como se este tivesse morrido. Hal se 
sentia como um homem que assiste a seu funeral, e não podia deixar de pensar que 
poderia ter sido assim. de vez em quando tinha que beliscar-se para recuperar o sentido 
do real. 
Chegada a meia noite ficou claro que um grupo pensava ficar a passar a noite, mas Hal 
via que Carlee tinha chegado a seu limite de resistência. Assim decidiu tirar-lhe de cima 
pelo método expedito de contratar uns carros com chofer e umas habitações no hotel 
mais próximo. Seus amigos estavam muito bêbados para protestar. Quando o último 
convidado se partiu, Hal e Carlee apagaram as velas e as luzes e terminaram de recolher 
os copos. As mesas já estavam recolhidas e a cozinha limpa. Umas sombras nadando na 
piscina mostravam que terei que limpá-la ao dia seguinte, mas em geral as imperfeições 
eram mínimas. 
-Por fim sozinhos -brincou Carlee, deixando cair em uma cadeira e relaxando-se no ar 
noturno enquanto Hal ia apagando os últimos farolillos do jardim. 
Quando só ficaram as estrelas refletindo-se na piscina, sentou-se junto a ela. 
-Escuta, tenho algo o que te dizer -disse Hal com simplicidade. 
Carlee assentiu e esperou em silêncio, enquanto a paz da noite descendia sobre eles. 
-Em minha última corrida -começou lentamente Hal-, Vassily teve uma espetada e ficou 
em meu caminho. 
-Já sei -disse Carlee, embora nunca lhe tinha contado que tinha estado vendo a corrida.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:22 

-Em uma situação assim tem duas opções, e tudo depende do momento. Não há regras 
que sirvam para todas as situações. Pode ir para o carro acidentado, caso que se moveu 
quando chegar, ou tenta esquivá-lo, com o risco de que se mova contigo. 
Carlee recordou com que ardor tinha rezado naquele momento, e tragou saliva. 
-O caso é, Carlee, que normalmente faz essa classe de eleição na corrida, não sei se me 
explico. Não é algo consciente, é uma espécie de estado de ânimo que forma parte do 
jogo. As corridass são um estado mental alterado, por assim dizer. 
-Entendo -disse Carlee. 
-Acredito que aferrei com força o volante quando vi o que lhe passava ao carro do 
Vassily. Não estou seguro, mas lembrança que de repente uma dor terrível me 
atravessou o braço e as costelas, e de repente, toda minha concentração tinha 
desaparecido e só pensava em ti. Pensei: Carlee! E então me saí da carreira; estava fora. 
Estava por cima. Podia vê-lo tudo, a mim mesmo, e outros, e soube exatamente o que 
devia fazer. 
Carlee sentiu a queimação das lágrimas. Não se atrevia a falar, de modo que assentiu. 

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- Vassily golpeou o muro e se saiu de meu caminho. Se tivesse feito a outra eleição, se 
tivesse tentado esquivá-lo, tivéssemos chocado -ouviu o soluço angustiado do Carlee e 
se deteve-: Está bem? 
-Estou bem -suspirou Carlee. 
-O caso é que tive menos de um segundo e podia ter ido na outra direção. Nesse caso, 
esta noite tivesse sido uma reunião em minha memória e a do Vassily. E isso me faz 
sentir.. Tivessem estado os mesmos amigos, dizendo as mesmas coisas. 
Carlee absorvia suas palavras em silêncio e ao fim replicou: 
-Já entendo.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:23 

-Até esta noite, tomava as coisas como vinham. estive a ponto de me matar em outras 
ocasiões. Ganha corridass, perde-as, mas de momento estou acostumado a ganhar. Mas 
esta noite de repente me dava conta do malditamente feliz que me sentia de ter 
sobrevivido. Em minha forma de vê-lo, Carlee, salvou-me a vida. O que quer dizer que 
minha vida te pertence, não é isso o que dizem? 
-Hal... 
Hal se voltou para ela e a obrigou a olhá-lo, lhe apartando as lágrimas das bochechas. 
-Quero que volte a pensar em todo o ocorrido. Tenho que esclarecer alguns assuntos 
antes de voltar a falar contigo. Mas quero que o pense... fará-o, Carlee? 
-Sim, Hal -disse ela. 
E então, porque ao fim sabia o que queria, abraçou-a com firmeza e a beijou lenta e 
longamente, com determinação. Carlee sentiu o beijo, e a intenção que te guiava, como 
uma droga poderosa que a invadia. 
Esta vez não era possível negar-se. 
O telefone começou a soar às seis da manhã. Alguém tinha chamado a um jornalista 
depois do discurso do Hal e sua inesperada retirada se converteu em notícia. 
Foi um dia estranho. Fazia meio-dia a estrada estava cheia de jornalistas, de equipes de 
televisão e fotógrafos. Não podiam entrar porque o Dois se encarregou de contratar a 
uma equipe de segurança para guardar as grades. 
À imprensa se uniram fãs e simples olheiros e em um momento dado, dois jornalistas 
conseguiram atravessar o cordão de segurança e entrar na propriedade, procurando o 
Hal, ao Carlee ou a qualquer que tivesse informação. 
Encontraram a Carlee. Esta não tinha visto a televisão nem posto a rádio e estava saindo 
tranqüilamente da piscina, secando o cabelo, quando sentiu o flash de uma câmara e 
umas vozes gritando: 
-Senhora Ward!

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:24 

Carlee olhou atônita aos dois homens e rapidamente cobriu seu corpo molhado com a 
bata vermelha de banho. apertou-se o cinturão e tomou o auricular do telefone com um 
gesto firme. 
-Temos intrusos na piscina -disse para ouvir a voz do chefe de segurança e pensou que 

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se acostumou rapidamente aos privilégios da fortuna. 
-penetraram-se -disse o guarda-. Devem ser jornalistas, não acredito que sejam 
perigosos. Mas também revistam aproximar-se loucos a estas coisas. Entre na casa, 
senhora Ward. Agora mesmo chegam dois homens. 
Carlee chamou então ao laboratório. 
-Trevor -disse-. Está Hal? 
-Problemas? -respondeu Hal imediatamente. 
-Há uns repórteres aqui mesmo. Devo falar com eles? 
-O que acontece a segurança? -perguntou Hal. 
-Entraram escondidos, acredito. 
-Maldita seja, tinha que havê-lo previsto.deixe-os tranqüilos. lhes ofereça café ou 
bebidas e lhes diga que vou para lá. Chego em cinco minutos. 
Efetivamente apareceu em poucos minutos e Carlee supôs que tinha tornado emprestado 
o carro do Trevor. O laboratório estava na propriedade, a quinze minutos andando, e 
Hal nunca ia em seu carro. 
Encontrou-a sentada na cozinha, muito tranqüila e dando conversação insustancial a uns 
homens que tomavam café. Dois guardas estavam nas portas da casa, e tinha chegado 
uma dúzia mais de jornalistas que tinham conseguido penetrar. 
-Como sabem, ontem Hal fazia trinta anos e anunciou sua retirada a seus amigos -estava 
dizendo Carlee e Hal sorriu ante a neutralidade jornalística da mulher. 
-Olá -saudou para anunciar sua presença. Ao momento se viu rodeado de jornalistas e 
fotógrafos. 
Esperou a que Carlee estivesse a seu lado, beijou-a na bochecha, e lhe aconteceu um 
braço pela cintura. 
-Estão incomodando a minha mulher? -perguntou com simpatia. 
-Nem pensar! -disseram todos. 
Imediatamente começaram as perguntas e os flashs e Carlee aproveitou para deslizar-se 
fora e vestir-se em seu quarto. Quando baixou de novo, todo mundo tinha desaparecido. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   19/05/2006 22:25 

Imediatamente começaram as perguntas e os flashs e Carlee aproveitou para deslizar-se 
fora e vestir-se em seu quarto. Quando baixou de novo, todo mundo tinha desaparecido. 
Surpreendida pela velocidade com que Hal se desfeito deles, saiu ao jardim e 
compreendeu a situação. 
Não se tinha desfeito deles. Estavam todos reunidos na estrada da casa, ao redor de um 
estranho carro. As câmeras não paravam de trabalhar e Hal estava contando algo que 
parecia entusiasmá-los. 
Carlee se aproximou cheia de curiosidade e olhou o artefato. Não sabia nada de corrida, 
mas era evidente que ninguém podia ganhar o Grand Prix com essa coisa. 
-Este é nosso primeiro protótipo -estava dizendo Hal. 
-Quanto tempo levam trabalhando nisto? perguntou alguém. 
-Interessei-me pelo hidrogênio líquido na universidade -disse Hal depois de uma pausa-. 
E montamos a equipe antes de nos licenciar. 
-Mas isso são sete anos! -exclamou um jornalista surpreso-. estiveram trabalhando nisto 
enquanto formavam a equipe de corridas? 
-Isso. 
-E este descobrimento é o motivo de sua retirada? 

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Hal sorriu ao Carlee. 
-Um dos motivos -disse. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   CAPITULO 13 30/05/2006 08:33 

-VÊ diretamente, Hal -disse Jenny com tom nervoso-. Não parou que perguntar por ti. 
Hal saudou a secretária privada do velho E entrou em seu escritório sem chamar. 
-Que diabos é isto? -gritou Harlan furiosamente, movendo um papel. Estava vermelho 
de ira e parecia a beira de um ataque. 
Hal fechou a porta com calma. 
-bom dia, avô -disse com alegria-. Vejo que recebeste a carta de meu advogado. 
- Seu advogado! Desde quando tem ao Allan Lê Ross como escrivaninha? -gritou o 
homem. 
-Desde que George tem um conflito de interesses entre nós. 
-E o que significa isto? -o velho não tinha baixado a voz. Voltou para a olhar carta com 
ira. 
-por que não diz ao George que lhe explique isso se não o entende? -Hal cruzou o 
escritório e se deixou cair perezosamente em uma cadeira-. Significa o que diz ali. Que 
tem trinta dias para me transferir a fortuna de meu pai. Ou começarei um processo legal 
para obtê-lo. 
Ante a tranqüila evidência da provocação, o velho sentiu que sua fúria se acalmava. 
Deixou cair a mão furiosa, relaxou as sobrancelhas olhou com intensidade a seu neto. 
-Não pode fazer isto, menino. Não pode ganhar. Perderá sua fortuna em um julgamento 
que pode durar anos. 
-Isso contou a minha mãe faz anos. Não espere que funcione comigo -devolveu-lhe o 
olhar a seu avô com tanta determinação que o homem maior se sentiu intrigado -. Não 
vou esperar mais. E não cria que pode usar o dinheiro de meu pai para pagar o 
julgamento, porque vamos interpor uma proibição. 
-Isso não é bom para o negócio -disse o Dois- Sairemos na imprensa e aos acionistas 
não gosta dos escândalos. 
Hal se pôs-se a rir.

  

  

 

°o.Sherazade.o°

   31/05/2006 21:36 

-Levam oitenta anos sem escândalos, assim mudar pouco. 
-vais arruinar minha empresa. 
-Se for necessário -sorriu Hal. 
de repente, de forma quase material, produziu-se uma mudança de poder no quarto, 
embora nenhum dos dois atores de drama to observou conscientemente. Harlan do 
Vouvray Ward II se deixou cair na cadeira. 
-passei a vida construindo este negócio! -disse patéticamente-. Não pode me fazer isto, 
meni... -deteve-se a tempo, como se a palavra «menino» já não servisse- Harlan. 
-Os advogados acrescentaram um documento pelo que devolve os bens de meu pai. 
Recebeste-o? 

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Harlan olhou longamente aos olhos de seu neto e não encontrou neles nem rebeldia nem 
terror, a não ser só seriedade e vontade fume. 
-Fala a sério -disse, mas sua mão já procurava a pluma-. por que me faz isto? 
Hal sorriu com carinho. 
-É o sangue Ward, avô -observou como este assinava a ata pelo que lhe devolvia a 
liberdade- E agora -acrescentou Hal, tomando o documento e guardando-o-... Temos 
que falar de outras coisas. 
Não tinha conseguido calar a seu avô desde aquele dia, com quatorze anos, em que lhe 
tinha ameaçado fugindo-se. perguntou-se o que lhe tinha passado entre os dois 
momentos. Mas a resposta já não lhe importava. 
-É um homem do século XX, avô, e é obvio não te vê claro. me acredite, o petróleo 
terminou e não nos levará a futuro -disse Hal. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   31/05/2006 21:38 

O VELHO resmungava protestos incoerentes. 
-Maldita seja... fizemos uma fortuna com o motor de combustão. O petróleo, e a 
petroquímica Ward, Hal. É nossa história! E foi uma boa fortuna! 
-Tem razão -reconheceu Hal-. Teremos que trocar o nome de novo. 
-E isto é o que estiveste fazendo todo o tempo enquanto todos acreditávamos que queria 
fazer um carro de cameras para o Grand Prix? 
-foi uma boa coberta, verdade? 
-Me podia haver isso dito! Tudo tivesse sido diferente se me tivesse contado isso desde 
o começo. 
Hal se limitou a sorrir. 
-Hidrogênio -murmurou o homem. 
-Funciona -disse Hal-. Agora sabemos que funciona. Mas é só um protótipo e agora 
necessito um investimento a grande escala. Só Petroquímicas Ward pode confrontar 
algo assim. Será muito mais fácil se o fizermos sob o guarda-chuva da empresa. Ward 
fez uma fortuna poluindo o mundo e acabando com os recursos da terra. Não está mal 
que contribua um pouco ao bem-estar geral. 
-Tem idéia de quanto pode custar instalar bombas de hidrogênio líquido em tudo nossos 
postos de gasolina? Os acionistas não vão aceitá-lo -disse o Dois cada vez mais 
fracamente. 
-Aceitarão-o se você o diz, como o aceitam tudo -declarou Hal sem olhares -. E se não 
ser assim, para que te empenhaste em manter a maior parte das ações todos estes anos? 
como sempre, a cozinha estava cheia de aromas deliciosos de cozinha. Carlee o olhou e 
conteve o fôlego. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   31/05/2006 21:50 

Hal tinha um sorriso nos lábios, mas o olhar sério. 
-Um montão de mudanças. Quero falar contigo. 

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-Espera que isto meta no forno -disse ela e um minuto mais tarde, tirou-se o avental e 
lhe seguiu ao salão. Hal esperou a que se sentasse e logo se sentou a seu lado, tomando 
a mão. 
-Carlee, a outra noite me disse que não tinha nada que te oferecer... 
Escutou como a mulher tomava ar e se mordia o lábio. 
-Sinto muito, eu... 
- Mas é que tinha razão. Pensei que o dinheiro bastava e nunca ofereci nada mais a uma 
mulher. Agora quero te oferecer mais, Carlee. 
como sempre, a cozinha estava cheia de aromas deliciosos de cozinha. Carlee o olhou e 
conteve o fôlego. 
Hal tinha um sorriso nos lábios, mas o olhar sério. 
-Um montão de mudanças. Quero falar contigo. 
-Espera que isto meta no forno -disse ela e um minuto mais tarde, tirou-se o avental e 
lhe seguiu ao salão. Hal esperou a que se sentasse e logo se sentou a seu lado, tomando 
a mão. 
-Carlee, a outra noite me disse que não tinha nada que te oferecer... 
Escutou como a mulher tomava ar e se mordia o lábio. 
-Sinto muito, eu... 
- Mas é que tinha razão. Pensei que o dinheiro bastava e nunca ofereci nada mais a uma 
mulher. Agora quero te oferecer mais, Carlee. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   31/05/2006 21:52 

-Petroquímicas Ward vai chegar a um acordo com alguma companhia automobilística 
para iniciar a produção. Temos nossos próprios postos de gasolina por todo o país e isso 
facilita as coisas. Se instalarmos hidrogênio nestas, teremos muito que oferecer. 
-E seu avô está de acordo com esta revolução? 
-Meu avô é agora o presidente da companhia e eu sou o diretor da nova empresa 
Sistemas de Energia Ward. Tudo está sujeito à aprovação da junta de acionistas, claro. 
Carlee o olhou e exclamou: 
-Hal !É tudo emocionante, verdade? 
-foi um pouco rápido -assentiu Hal-. Movi-me depressa, mais do que tinha previsto. 
Mas tudo foi para te mostrar que tenho algo que oferecer, Carlee. 
Carlee sentiu que não podia respirar. 
-Sério, Hal -murmurou-. por que? 
Rodeou-a pelos ombros e lhe acariciou a bochecha. 
-Porque o quero. Quero que seja minha esposa. Quero ser o pai de seu filho. Quer 
provar um verdadeiro matrimônio comigo? 
Carlee o olhou com os olhos cheios de todo o amor que sempre havia sentido e oculto. 
-OH, Hal -não pôde dizer mais, mas bastou. Hal a abraçou e beijou os lábios de sua 
esposa. 
O calor do desejo fez que suas mãos seguissem com ansiedade a suas bocas. Enquanto 
caíam sobre o sofá, enlaçados, Carlee advertiu com maldade: 
-vai se queimar o jantar. 
-Carlee -disse Hal-, não quero ofender seu talento, mas tenho coisas mais importantes 
entre mãos que o jantar 

 

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Não foi mais que um murmúrio, mas Hal esteve completamente acordado em um 

segundo. 
-Carlee? -ergueu-se e acendeu o abajur da mesinha. Carlee estava tombada de lado, lhe 
dando as costas. Estava suando e apertava os dentes. Automaticamente, começou a lhe 
acariciar as costas e a seguir sua respiração agitada. 
-Obrigado! -sussurrou Carlee ao sentir que a dor remetia. 
-Parece-te que chamemos o Phoebe? 
-Não, ainda não. Logo. 

 

  

 

°o.Sherazade.o°

   31/05/2006 22:00 

Não foi mais que um murmúrio, mas Hal esteve completamente acordado em um 
segundo. 
-Carlee? -ergueu-se e acendeu o abajur da mesinha. Carlee estava tombada de lado, lhe 
dando as costas. Estava suando e apertava os dentes. Automaticamente, começou a lhe 
acariciar as costas e a seguir sua respiração agitada. 
-Obrigado! -sussurrou Carlee ao sentir que a dor remetia. 
-Parece-te que chamemos o Phoebe? 
-Não, ainda não. Logo. 
Hal olhou o relógio. sentia-se mais nervoso que diante qualquer corrida de sua vida. 
-São as quatro. Ao diabo, vou chamar a. 
-Hal, não faz falta ainda. 
-Sim, mas quero que esteja bem acordada quando a necessitar -disse, tomando o 
telefone. O número do Phoebe estava na mesinha. Respondeu ao momento. 
-Hal Ward -disse este- Carlee começou. 
A mulher chegou duas horas mais tarde. Carlee estava sentada em um jacuzzi, dentro da 
água e Hal estava detrás dela, acariciando sua nuca. 
-Perfeito -disse Phoebe tirando-a roupa e metendo-se na água em traje de banho-. vamos 
olhar to dilatação. 
-OH, Deus! me dê a mão. 
-Ohhh, Hal, não é lindo? Não é o mais lindo que viu alguma vez? 
-Sim, é-o. 
-Está chorando. por que está chorando? 
-Porque é o mais lindo que ja vi, depois de ti, Carlee. 

 

-Está cansado? -perguntou Carlee, dormitada, horas mais tarde. 

-Não -disse Hal docemente. Estava sentado junto à cama, olhando a sua filha que 
depoiscomer, dormiu-se entre seus braços-. Não me tinha dado conta até que a vi, mas 
todo o tempo desejei que fora uma menina. 
-Seu avô vai sentir se defraudado -disse Carlee.  
-Provavelmente, mas não importa. 
-O há dito? 
-Ainda não. 
Carlee riu sem forças. 
-Todas estas maquinações para nada. Não há herdeiro da dinastia! Estou segura de que 
está desejando dizer-lhe  
-Acrescenta picante à satisfação geral -sorriu Hal. 
-Uma menina? -as sobrancelhas do ancião se encontraram sobre seus olhos que jogavam 

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faíscas-. teve uma filha? E como não soubemos antes? 
 

-Porque Carlee é contrária a essa classe de tecnologia e não queria saber o sexo 

antes -explicou Hal com calma. 
 

-Não deixei que pensar que seria um menino! indignou-se o velho-. Tínhamos o 

colégio pensado, a universidade, tudo... 
 

-Bom, possivelmente deste muitas coisas por descontadas. 

 

Harlan ignorou o comentário, olhando a parede de em frente enquanto sua mente 

trabalhava. de repente, golpeou a mesa. 
 

-Por Deus! Como não o pensei antes? -olhou a seu neto-. Hal, é o melhor que 

podia ter acontecido! Uma mulher! É obvio! Com todas estas tecnologias amigáveis e 
ecológicas, cobra sentido que uma mulher dirija a empresa! As escolas adequadas, isso 
é tudo! Tenho que falar com o George para que investigue! Graduará-se na melhor 
universidade no 2020... podemos pô-la a trabalhar em gestão meio-ambiental. 
Provavelmente em investigação em novos materiais. As mulheres gostam dessas coisas. 
Teremos que montar esse departamento a tempo. 
 

Parecia que nada detinha seu avô. 

 

-Perfeito -acrescentou o homem, entusiasmado-. Lhe diga ao Carlee que tem 

feito exatamente o que devia fazer. A1 fim e ao cabo, Hal, como seu tatarabuelo francês 
estava acostumado a dizer: Se quiser que se fale de algo, encárgaselo a um homem. Se 
quiser que algo se faça, encárgaselo a uma mulher. 

 
FIM