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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS ELEITORAIS 

Noções de Administração Pública 

Elisabete Moreira 

 

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
Sumário 
 
 

Administração Pública 

– Paradigmas 

da 

Administração 

Pública 

reformas 

administrativas: 

Administração 

Pública 

burocrática;  estado  do  bem-estar  social;  a 
nova gestão pública; princípios; fundamentos.  
 

Gestão  por  resultados  no  setor 

público:  metodologias  de  gestão;  avaliação 
de programas e projetos públicos; indicadores 
de  desempenho;  gestão  pública  eficiente, 
eficaz e efetiva;  
 

Governança: 

princípios 

da 

governança;  fundamentos  e  governança 
pública. governabilidade; accountability.  
 

Flexibilização 

da 

ação 

estatal

parcerias 

público-privadas; 

terceirização; 

redes  e  parcerias  com  organizações  da 
sociedade civil. 
 
1.  Administração Pública 

– Paradigmas da 

Administração 

Pública 

reformas 

administrativas: 

Administração 

Pública 

burocrática; estado do bem-estar  social; a 
nova 

gestão 

pública; 

princípios; 

fundamentos 
 
1.1.  Administração  Pública  Patrimonial: 
características
 

 

  Modelo  característico  das  monarquias 

europeias  até  o  século  XIX,  período  pré-
capitalista
; 

  Não  separação  da  Res  pública  X  Res 

principis: 

interpermeabilidade 

dos 

patrimônios público e privado;  

  O aparelho do Estado funciona como uma 

extensão do poder do soberano; 

  Paternalismo e Patriarcalismo

  Poder Hereditário e Tradicional;  

  Os cargos são considerados Prebendas e 

Sinecuras. 

 
1.1.1. República Velha (+-1800 a 1930)
 
 

  Proclamação  da  República,  demarcação 

de  Poderes,  mudança  do  centro  do  poder 
para SP; 

  Política  de  governadores,  café  com  leite, 

clientelismo, 

oligarquia, 

economia 

agrário-exportadora. 

  Não  houve  alteração  das  estruturas 

socioeconômicas: 

Administração 

Patrimonial  

 

1.2.  Administração  Pública  Burocrática: 
Max Weber (+-1930 a 1990)
 

 

Burocracia:  bureau  (escritório),  kratia 
(poder, regra) 

– poder do escritório. 

 

Max  Weber  relacionou  três  tipos  de 
autoridades legítimas:
 

 

• 

Tradicional:  patrimonial,  patriarcal, 

hereditário e delegável. 
• 

Carismática: personalista, mística. 

• 

Legal, 

racional 

ou 

burocrática

impessoal, formal, meritocrática. 
 
Características da Teoria da Burocracia  
 
• 

Caráter legal das normas; 

• 

Caráter formal das comunicações; 

• 

Divisão do trabalho e racionalidade; 

• 

Impessoalidade do relacionamento; 

• 

Hierarquização da autoridade; 

• 

Rotinas 

procedimentos 

padronizados; 

• 

Competência técnica e mérito; 

• 

Especialização  da  administração 

– 

separação do público e privado; 

• 

Profissionalização: 

especialista, 

assalariado; segue carreira. 

• 

Consequência 

prevista

previsibilidade 

do 

comportamento 

humano 

padronização 

do 

desempenho 

 

Disfunções da Burocracia 

– Merton 

 
• 

Internalização das normas; 

• 

Excesso de formalismo e papelório; 

• 

Resistência a mudanças; 

• 

Despersonalização 

do 

relacionamento; 

• 

Categorização do relacionamento; 

• 

Superconformidade  às  rotinas  e 

procedimentos; 

• 

Exibição de sinais de autoridade; 

• 

Dificuldades com clientes. 

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS ELEITORAIS 

Noções de Administração Pública 

Elisabete Moreira 

 

• 

Consequências 

imprevistas

imprevisibilidade  do  comportamento 
humano, 

ineficiência, 

lentidão 

rigidez.  Incapacidade  de  resposta  e 
adaptação,  perda  da  visão  do  todo, 
manutenção  do  status  quo  (não 
proatividade). 

 

Características  da  Administração  Pública 
Burocrática 
 
• 

Surge na metade do séc. XIX, Estado 

liberal, 

com 

desenvolvimento 

do 

capitalismo e da democracia; 
• 

Pode ser entendido como dominação, 

poder, controle e alienação; poder racional-
legal

• 

Objetivava combater a corrupção e o 

nepotismo do estado patrimonial; 
• 

Baseada  no  controle  rígido  dos 

processos e procedimentos, a priori; 
• 

Parte-se da desconfiança prévia nos 

administradores  públicos  e  nos  cidadãos  que 
a eles dirigem demandas; 
• 

Qualidade  fundamental:  efetividade 

no controle dos abusos. 

 

1.2.1.  Estado  do  Bem-Estar  Social  e 
Intervencionista: Era Vargas
  
 
• 

Crise  da  bolsa  de  NY  em  1929  e 

recessão no mundo:  era capitalista;  
• 

O  Brasil  inicia  um  processo  industrial, 

desenvolvimentista e de inclusão social; 
• 

Governo Getúlio: 1º governo (30 a 45): 

marcado por 3 fases;  
• 

Criação  da  Comissão  Permanente  de 

Padronização e da Comissão Permanente de 
Compras; 
• 

Estado  Novo  e  Autoritário  (37  a  45): 

grandes  avanços  sociais,  econômicos  e 
administrativos; 
• 

Criação 

do 

Departamento 

Administrativo  do  Serviço  Público 

–  DASP

marco  da  implantação  da  administração 
racional-legal/burocrática

tentativa 

de 

formação 

da 

burocracia 

nos 

moldes 

weberianos 

–  instituto  do  concurso  público  e 

do treinamento; 
• 

Criação da indústria de base 

– função 

intervencionista. 

• 

O  patrimonialismo  mantinha  força  e  o 

coronelismo  dava  lugar  ao  clientelismo  e  ao 
fisiologismo; 
• 

Movimento 

cultural-populista

concurso  para  alto  escalão  e  indicação 
clientelista para o baixo. 
• 

Com  a  saída  de  Getúlio,  assume 

Gaspar  Dutra  e  ocorre  a  volta  de  práticas 
clientelistas 

patrimonialistas

Esvaziamento do DASP; 
• 

Em  1951  a  1954,  Getúlio  é  eleito, 

promulga 

segundo 

estatuto 

dos 

servidores  públicos  (lei  1711/51),  toma 
medidas polêmicas.  
 
1.2.2. Estado do Bem-estar Social: Era JK
  
 
• 

Criou 

COSB 

Comissão 

de 

Simplificação Burocrática 

– promover estudos 

visando à descentralização dos serviços, por 
meio  da  avaliação  das  atribuições  de  cada 
órgão  ou  instituição  e  da  delegação  de 
competências
,  com  a  fixação  de  sua  esfera 
de responsabilidade e da prestação de contas 
das autoridades. 
• 

Criou  a  CEPA 

–  Comissão  de 

Estudos 

Projetos 

Administrativos 

–  

assessorar  a  presidência  da  República  em 
tudo que se referisse aos projetos de reforma 
administrativa
. 
• 

Grupos  executivos  ad  hoc 

  criou 

estruturas  flexíveis,  paralelas  de  governo  - 
híbrido  administrativo  de  estatutários  e  não 
estatutários (burocracia gerencial)
• 

Plano de Metas 

– crescer 50 anos em 

5, 

ampla 

expansão 

industrial, 

desenvolvimentista 
 
1.2.3.  Estado  do  Bem-estar:  Governo 
Goulart (governo parlamentarista)
 
 
• 

Comissão  Amaral  Peixoto:  objetivo 

era  promover  “uma  ampla  descentralização 
administrativa
 até o nível do guichê, além de 
ampla delegação de competência”.  
  Reorganização das estruturas e atividades; 
  Expansão  e  fortalecimento  do  sistema  de 
mérito;  
  Normas  de  aquisição  e  fornecimento  de 
materiais; 
  Organização  administrativa  do  Distrito 
Federal.  

 

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS ELEITORAIS 

Noções de Administração Pública 

Elisabete Moreira 

 

1.2.4. 

Reforma 

Desenvolvimentista 

Militar  
 
• 

Comestra  -  Comissão  Especial  de 

Estudos  da  Reforma  Administrativa  -  com  o 
objetivo  de  proceder  ao  “exame  dos  projetos 
elaborados 

preparo 

de 

outros 

considerados  essenciais  à  obtenção  de 
rendimento  e  produtividade  da  administração 
federal”. 
• 

DL  200/67:  primeiro  momento  da 

administração  gerencial  na  tentativa  de 
superação 

da 

rigidez 

burocrática 

– 

descentralização  funcional  (criação  da 
administração  direta  e  indireta 

–  autarquias, 

fundações, EP, SEM).  
 

Definia 

os 

princípios 

do 

planejamento 

(princípio 

dominante), 

d

coordenação,  da  descentralização,  da 
delegação de competência e do controle; 
 
 

Distinção  entre  a  administração  direta 

e  a  indireta 

–  descentralização  funcional 

Expansão das empresas estatais (SEM e EP), 
de órgãos independentes (fundações) e semi-
independentes (autarquias); 
 

Definia as bases do controle externo 

e interno.  
 

Indicava  diretrizes  gerais  para  um 

novo  plano  de  classificação  de  cargos  e 
apontava a necessidade de fortalecimento e 
expansão do sistema do mérito

 

Estatuía  normas  de  aquisição  e 

contratação de bens e serviços
 

Tratava 

da 

organização 

administrativa do DF e dos Ministérios
 

Fixava 

estrutura 

do 

Poder 

Executivo  federal,  indicando  os  órgãos  de 
assistência 

imediata 

do 

presidente 

da 

República  e  distribuindo  os  ministérios  entre 
os  setores  político,  econômico,  social,  militar 
e  de  planejamento,  além  de  apontar  os 
órgãos  essenciais  comuns  aos  diversos 
ministérios;  
 

Desenhava 

os 

sistemas 

de 

atividades  auxiliares  -  pessoal,  orçamento, 
estatística, 

administração 

financeira, 

contabilidade e auditoria e serviços gerais;  
 
“Apesar de representar a primeira tentativa de 
reforma  gerencial  da  administração  pública 
pela intenção de mexer na rigidez burocrática, 
o  Decreto-Lei  200/67  deixou  sequelas 
negativas

”. 

 
• 

Dicotomia:  Estado  Tecnocrático  X 

Burocrático. 
• 

Distanciamento  entre  a  AD  e  AI

criando um fosso.  
• 

Não  garantiu  a  profissionalização 

do  serviço  público:  não  institucionalizou 
uma  administração  do  tipo  weberiano; 
utilização  da  administração  indireta  como 
fonte  de  recrutamento,  prescindindo-se,  em 
geral, do concurso público; 
 
• 

A  Reforma  da  Desburocratização:  

caminho rumo à administração gerencial 
 

Em  1979  foi  criado  o  Programa 

Nacional  de  Desburocratização  (PrND)
combate a burocratização dos procedimentos, 
revitalização  e  agilização  das  organizações 
do  Estado,  descentralização  de  autoridade, 
melhoria  e  simplificação  dos  processos 
administrativos
  e  promoção  da  eficiência. 
Hélio  Beltrão  tentou  resgatar  o  conceito  de 
cidadão. Reforma inédita, social e política. 
 

Programa  de  Desestatização:  para 

conter 

os 

excessos 

da 

administração 

descentralizada. 
 
 

Crise 

do 

Modelo 

Nacional 

Desenvolvimentista 
 
“As tentativas de reforma até 1985 careceram 
de  planejamento  governamental  e  de  meios 
mais  eficazes  de  implementação.  Havia  uma 
relativa 

distância 

entre 

planejamento, 

modernização  e  recursos  humanos,  além  da 
falta 

de 

integração 

entre 

os 

órgãos 

responsáveis pela coordenação das reformas. 
Os  resultados  dessa  experiência  foram 
relativamente  nefastos  e  se  traduziram  na 
multiplicação 

de 

entidades

na 

marginalização 

do 

funcionalismo, 

na 

descontinuidade 

administrativa 

no 

enfraquecimento do DASP

”.  

 
Outros fatores desencadeadores da crise:  
 
• 

Crise do petróleo de 73 e 79; 

• 

Crise  fiscal  (crise  da  dívida  externa  e 

interrupção 

do 

ciclo 

de 

crescimento 

econômico); 
• 

Esgotamento da estratégia estatizante 

de  intervenção  do  Estado  e  do  modelo  de 
substituição de importação; 

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS ELEITORAIS 

Noções de Administração Pública 

Elisabete Moreira 

 

• 

Globalização; 

• 

Tendência  ao  Modelo  Neoliberal, 

diminuição do tamanho do Estado; 
• 

Reestruturação produtiva; 

• 

Crise 

de 

Estado 

Crise 

de 

governabilidade (década de 70/80). 
 
 
1.2.5. A Nova República 

– Governo Sarney:  

redemocratização 
 
• 

Instituiu  uma  numerosa  comissão, 

com objetivos extremamente ambiciosos, mas 
nada fez;  
• 

Extinguiu  o  BNH  e  pouco  avançou  na 

implementação do SUS; 
• 

Não conseguiu instituir um sistema de 

carreiras de RH; 
• 

Mudanças 

apenas 

de 

cunho 

incremental; 
• 

CF  88:  democratização  da  esfera 

pública  (Estado  Democrático  de  Direito)    X 
volta  aos  ideais  burocráticos  dos  anos  30; 
fortalecimento  do  sistema  de  mérito  e 
universal e perda de autonomia e agilidade da 
administração indireta. 
 
O Retrocesso da CF de 1988: 
centralização 
administrativa e descentralização política
  
 

“As  ações  rumo  a  uma  administração 

pública  gerencial  são,  entretanto,  paralisadas 
na  transição  democrática  de  1985  que, 
embora  representasse  uma  grande  vitória 
democrática,  teve  como  um  de  seus  custos 
mais  surpreendentes  o  loteamento  dos 
cargos  públicos
  da  administração  indireta  e 
das  delegacias  dos  ministérios  nos  Estados 
para os políticos dos partidos vitoriosos.  

“Um 

novo populismo patrimonialista surgia no país. 
De  outra  parte,  a  alta  burocracia  passava  a 
ser  acusada,  principalmente  pelas  forças 
conservadoras,  de  ser  a  culpada  da  crise  do 
Estado,  na  medida  em  que  favorecera  seu 
crescimento  excessivo.  A  conjunção  desses 
dois  fatores  leva,  na  Constituição  de  1988,  a 
um 

retrocesso 

burocrático 

sem 

precedentes.  Sem  que  houvesse  maior 
debate  público,  o  Congresso  Constituinte 
promoveu  um  surpreendente  engessamento 
do  aparelho  estatal.

..  que  “geraram-se  dois 

resultados:  de  um  lado,  o  abandono  do 
caminho  rumo  a  uma  administração  pública 

gerencial  e  a  reafirmação  dos  ideais  da 
administração pública burocrática clássica; de 
outro 

lado, 

dada 

ingerência 

patrimonialista  no  processo,  a  instituição 
de  uma  série  de  privilégios
,  que  não  se 
coadunam  com  a  própria  administração 
pública burocrática”.  

 

                       Bresser Pereira, PDRAE, 1995. 
 
 
1.2.6. Pacto social-liberal
  
 
• 

Governo Collor: criação da Secretaria 

Administração  Federal  (SAF)  e  do  Programa 
Brasileiro de Qualidade e Produtividade. 
• 

Governo  Itamar:  Secretaria  Federal 

de Controle, Lei 8.666, Plano Real. 
 
1.2.7.  Crise  de  Governança  e  Crise  do 
Modelo Burocrático
 
 
• 

Controle  transforma-se  na  razão  de 

ser do funcionário; 
• 

Estado  volta-se  para  si  mesmo

deixando de servir à sociedade; 
• 

Gerou 

ineficiência, 

lentidão 

incapacidade  de  voltar-se  para  servir  aos 
cidadãos  vistos  como  clientes 

–  modelo 

autorreferido
• 

Um  dos  motivos  do  engessamento  do 

modelo de gestão burocrática é que, no início, 
os  serviços  do  Estado  eram  reduzidos, 
limitando-se  a  manter  a  ordem,  administrar  a 
justiça, garantir os contratos e a propriedade; 
no  entanto,  no  Estado  social  e  econômico, 
com  o  crescimento  do  tamanho  do  Estado,  a 
hierarquia,  a  centralização  e  a  rigidez  dos 
procedimentos  acabou  levando  a  ineficiência 
do modelo. 

 

A Administração pública ficou associada a 

um  papel  preponderante  do  estado  como 
executor  direto
  no  desenvolvimento,  na 
gestão  de  políticas  públicas  e  no  provimento 
de serviços.  

 
Isso, após a implantação do Plano Real, o 

excesso  de  quadros  e  as  recomendações  do 
Consenso  de  Washington  fizeram  gerar  uma 
crise  de  governança  e  a  necessidade  de 
reforma do aparelho do estado. 
 

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ANALISTA JUDICIÁRIO DE TRIBUNAIS ELEITORAIS 

Noções de Administração Pública 

Elisabete Moreira 

 

 
 
 
1.3. 

Administração 

Gerencial/Pós-

burocrática/ Modelo Gerencial 
 
• 

A  Nova  Gestão  Pública  (NPM)  foi 

implantada  na  segunda  metade  do  Século 
XX
.  Nasceu  nos  EUA,  mas  foi  na  Grã-
Bretanha que obteve maior sucesso. 
• 

Governo  FHC:  Criou  o  Ministério  da 

Administração  e  Reforma  do  Estado 
(MARE, 

depois 

MPOG) 

iniciou 

implantação 

da 

administração 

pública 

gerencial  (PDRAE):  foco  no  controle  de 
resultados,  descentralização,  flexibilidade, 
participação,  controle  social  e  transparência, 
competição administrada, foco no cidadão. 
• 

Modelo  administrativo  e  complexo: 

não  pode  ser  confundido  com  a  absorção 
de práticas neoliberais. 
• 

Inspiração  nos  modelos  de  gestão 

empresarial 

contemporâneo 

(gestão 

privada),  mas  não  pode  ser  confundido  com 
estes  últimos,  não  são  similares,  pois  a 
gestão  pública  possui  especificidades  que 
não estão presentes na gestão das empresas 
privadas, o que impede de implantar o modelo 
nos moldes da iniciativa privada. Tem que se 
adequar a realidade pública. 
 

Convergências e Divergências: gestão 

pública X gestão privada 

 

Administração 
Pública
  

Administração 
Privada
 

 

Supremacia 

do 

interesse  público
continuidade 

da 

prestação 

do 

serviço.  

Autonomia  da  vontade 
privada

 

Controle 

Social, 

transparência, 
participação.  

Preservação 

os 

interesses  corporativos 
(dirigentes 

acionistas). 

 

Tratar 

todos 

igualmente  e  com 
qualidade.  

Tratamento 
diferenciado 

para 

clientes. 

 

Gera  valor  para  a 
sociedade 
 

Visa 

ao 

lucro 

financeiro. 

 

Contribuições 
compulsórias
 

Recursos 

de 

particulares

 

Só  pode  fazer  o 
que a lei permite.
  

Pode  fazer  tudo  que 
não  estiver  proibido 
por lei. 

 

Poder  de  regular  e 
gerar, 
unilateralmente, 
obrigações 

deveres 

para 

sociedade. 

 
 

 

 

A necessidade de implantação do modelo 

gerencial no Brasil, segundo o PDRAE, deve-
se  ao  fato  de  ainda  persistirem  práticas 
patrimoniais  e  excessos  do  modelo 
burocrático

que 

se 

apresentavam 

superados e não atendiam mais a realidade. 
 

É importante frisar que isso não significa 

que esses modelos deixaram de existir. Ao 
contrário,  alguns  estudiosos  afirmam  que  os 
três modelos ainda coexistem. 
 

Também,  não  se  trata  de  descartar  a 

administração 

racional-legal, 

mas 

de 

manter as suas características que ainda são 
válidas 

para 

garantir 

efetividade 

à 

administração. 
 

O  modelo  gerencial  se  apoia  e 

conserva  alguns  princípios  fundamentais 
da burocracia, embora flexibilizando, 
como 

rigorosa 

profissionalização 

da 

administração 

pública

que 

continua 

princípio  fundamental.  Além  disso,  têm-se  os 
seguintes 

princípios 

burocráticos 

apoiadores 

orientadores 

do 

gerencialismo: 

 

  Admissão segundo rígidos critérios de 

mérito;  

  Existência  de  um  sistema  estruturado 

e universal de remuneração: carreiras; 

   Avaliação constante de desempenho;  

  Treinamento sistemático.