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Curso preparatório para Auditor Fiscal da RFB – Direito Administrativo 

Aula 07 – Controle e Responsabilidade Civil da Administração Pública 

Prof. Fabiano Pereira 

 

 

 

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Olá! 

 

 

 

Depois  de  algumas  semanas  juntos,  conhecendo  e  entendendo  o  Direito 

Administrativo brasileiro, chegou o momento de começarmos a tratar de alguns 
assuntos  mais  “doutrinários”,  a  exemplo  do  controle  e  da  responsabilidade 
civil do Estado. 

Ao  analisar  o  conteúdo  da  aula,  perceba  que  a  ESAF  tem  o  hábito  de 

cobrar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal 
Federal  em  suas  questões,  já  que  não  existe  uma  lei  específica  regulando  os 
citados temas. 

Assim,  encontrando  qualquer  dificuldade  na  assimilação  do  conteúdo, 

fique à vontade para recorrer ao fórum de dúvidas, pois, certamente, todas as 
perguntas enviadas serão respondidas. 

 

No mais, bons estudos! 

 

 

 

Conte comigo sempre que precisar! 

 

 

Fabiano Pereira 

 

fabianopereira@pontodosconcursos.com.br  

 

www.facebook.com.br/fabianopereiraprofessor  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Aula 07 – CONTROLE E RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 

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1. Considerações iniciais .............................................................   

03 

2. Conceito .................................................................................. 

03 

3. Classificação ........................................................................... 

04 

 

3.1. Quanto à extensão do controle .................................... 

04 

 

3.2. Quanto à natureza do controle .................................... 

04 

 

3.3. Quanto ao âmbito da Administração ............................ 

06 

 

3.4. Quanto à oportunidade ................................................ 

07 

 

3.5. Quanto à iniciativa ....................................................... 

08 

 

4. Controle administrativo ........................................................... 

10 

4.1. Instrumentos ............................................................... 

11 

 

5. Controle legislativo ................................................................. 

16 

 

5.1. Controle político ........................................................... 

17 

 

5.2. Controle Financeiro ...................................................... 

20 

 

6. Controle Judicial ...................................................................... 

26 

7. Revisão de véspera de prova – “RVP”...................................... 

32 

8. Questões comentadas .............................................................     34 

9. Questões com gabaritos ......................................................... 

49 

10. Responsabilidade Civil do Estado .......................................... 

56 

 

 

 

 

SUMÁRIO – CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 

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1. Considerações inicias 

 

 

A  atuação  do  agente  público  na  materialização  das  atividades 

administrativas não pode se pautar em sua vontade pessoal. É necessário que 
os  atos  e  condutas  provenientes  dos  agentes  públicos  sejam  pautados  na  lei 
(princípio  da  legalidade)  e  amparados  por  uma  fundamentação  fática  e 
jurídica que permita o respectivo controle e fiscalização (motivação).       

 

Essa  necessidade  decorre  do  próprio  texto  constitucional,  mais 

precisamente  do  parágrafo  único,  artigo  1º,  ao  declarar  que  “todo  o  poder 
emana  do  povo,  que  o  exerce  por  meio  de  representantes  eleitos  ou 
diretamente, nos termos desta Constituição”. 

 

Apesar de o poder originar-se do povo, é necessário esclarecer que não é 

o  povo  que  administra  diretamente  o  Estado.  Em  regra,  o  poder  é  exercido 
indiretamente,  através  de  representantes  eleitos  para  o  exercício  de  funções 
legislativas  e  administrativas.  Assim,  é  imprescindível  que  o  “povo”  tenha 
acesso  às  informações  e  às  condutas  administrativas  de  seus  representantes 
com  o  objetivo  de  fiscalizá-las  e  realizar  o  respectivo  controle,  que  pode  ser 
exercido  através  da  provocação  dos  órgãos  públicos  competentes  e  da 
utilização de instrumentos jurídicos criados com essa finalidade. 

Apesar da possibilidade de participação do povo no controle e fiscalização 

da  Administração  Pública,  esta  se  caracteriza  por  ser  uma  atribuição 
essencialmente  estatal,  constituindo  verdadeiro  poder-dever  dos  órgãos  a 
que a lei atribui essa função, sejam eles integrantes do próprio Poder Executivo, 
ou, ainda, dos Poderes Legislativo e Judiciário. 

 

2. Conceito 

 

 

O  professor  José  dos  Santos  Carvalho  Filho  denomina  de  controle  da 

Administração  Pública  “o  conjunto  de  mecanismos  jurídicos  e  administrativos 
por meio dos quais se exerce o poder de fiscalização e de revisão da atividade 
administrativa em qualquer das esferas de poder”. 

 

No  mesmo  sentido,  a  professora  Maria  Sylvia  Zanella  di  Pietro  define  o 

controle  da  Administração  como  “o  poder  de  fiscalização  e  correção  que  sobre 
ela  exercem  os  órgãos  dos  Poderes  Judiciário,  Legislativo  e  Executivo,  com  o 
objetivo  de  garantir  a  conformidade  de  sua  atuação  com  os  princípios  que  lhe 
são impostos pelo ordenamento jurídico”. 

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Analisando-se os conceitos apresentados pelos mencionados professores, 

conclui-se que o controle da Administração Pública não se restringe apenas ao 
próprio  Poder  Executivo,  sendo  exercido  também  pelos  Poderes  Legislativo  e 
Judiciário.  Ademais,  alcança  todos  os  atos  editados  no  exercício  da  função 
administrativa, independentemente do Poder responsável pela edição. 

 

 

3. Classificação 

 

 

Os  doutrinadores  brasileiros  apresentam  várias  classificações  para  o 

controle  da  Administração  Pública,  mas,  para  fins  de  concursos  públicos,  é 
importante destacar as seguintes: 

 

 

3.1. Quanto à extensão do controle 

 

3.1.1. Controle interno 

 

É  aquele  exercido  internamente,  por  cada  um  dos  Poderes,  em  relação 

aos seus próprios atos. Podemos citar como exemplo o controle exercido pela 
Corregedoria  de  Justiça  em  relação  aos  atos  praticados  pelos  servidores  do 
Poder  Judiciário,  ou,  ainda,  o  controle  exercido  por  um  Gerente  Executivo  do 
INSS em relação aos seus subordinados. 

Assim,  é  correto  afirmar  que  o  controle  interno  de  seus  próprios  atos  é 

exercido  pelo  Poder  Legislativo,  pelo  Poder  Judiciário  e  pelo  próprio  Executivo, 
sempre amparados no poder-dever de autotutela.             

 

 

3.1.2. Controle externo 

Ocorre  quando  o  controle  dos  atos  administrativos  é  exercido  por  um 

Poder  diferente  daquele  responsável  pela  sua  edição.  Essa  possibilidade  está 
amparada  no  artigo  2º  da  Constituição  Federal  de  1988,  ao  afirmar  que  “são 
poderes  da  União,  independentes  e  harmônicos  entre  si,  o  Legislativo,  o 
Executivo e o Judiciário”. 

São  vários  os  exemplos  que  podem  ser  apresentados,  entre  eles  a 

anulação  de  ato  administrativo  do  Poder  Executivo  pelo  Poder  Judiciário;  o 
controle  realizado  pelos  Tribunais  de  Contas  sobre  os  atos  do  Executivo  e  do 
Judiciário;  o  julgamento  anual,  pelo  Congresso  Nacional,  das  contas  prestadas 
pelo Presidente da República (artigo 49, V, CF/88), entre outros. 

 

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O  controle  externo  de  maior  abrangência  certamente  é  aquele  exercido 

pelo Poder Judiciário, pois este tem a prerrogativa de analisar a legitimidade e a 
legalidade  dos  atos  editados  pelos  demais  poderes,  em  caráter  de 
definitividade (coisa julgada material). 

 

3.2. Quanto à natureza do controle 

3.2.1. Controle de legalidade ou legitimidade 

Controle  de  legalidade  ou  legitimidade  é  aquele  em  que  se  verifica  a 

conformidade  da  conduta  ou  ato  administrativo  com  o  direito  vigente. 
Constatando-se  a  incompatibilidade  da  ação  ou  omissão  administrativa  com  a 
lei ou princípios gerais do Direito, a revisão da conduta ou do ato é medida que 
se impõe. 

Quando  os  Poderes  Executivo,  Legislativo  e  Judiciário  estão  analisando  a 

legalidade  de  seus  próprios  atos,  tem-se  o  controle  interno  de  legalidade. 
Por outro lado, quando a legalidade dos atos editados por um poder está sendo 
analisada por outro poder, ocorre o controle externo de legalidade. 

Exemplo:  Quando  o  Poder  Judiciário  julga  mandado  de  segurança 

impetrado  em  face  de  ato  administrativo  supostamente  ilegal,  editado  por 
agente  do  Poder  Executivo,  exerce  o  controle  externo.  Entretanto,  quando  a 
Corregedoria  de  Justiça  anula  ato  administrativo  praticado  por  autoridade 
judiciária, ocorre o controle interno de legalidade. 

 

3.2.2. Controle de mérito 

No  controle  de  mérito,  não  se  analisa  a  conformidade  da  edição  do  ato 

com  a  lei,  mas  sim  a  conveniência  e  a  oportunidade  da  conduta 
administrativa.  O  objetivo  é  verificar  se  aquilo  que  é  mais  conveniente, 
oportuno,  mais  adequado  ou  mais  justo  está  sendo  adotado  para  que  a 
Administração Pública possa alcançar os seus fins. 

 

O controle de mérito do ato administrativo, em regra, é exercido pelo próprio 

Poder responsável pela sua edição. Assim, somente o Poder Executivo pode 

exercer o controle de mérito dos atos editados pelos seus agentes, o que 

também acontece em relação aos demais poderes. 

 

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Exemplo:  Se  um  determinado  servidor  do  Poder  Legislativo  deseja 

usufruir de férias no mês de janeiro e, contrariando o seu interesse, o superior 
imediato entende que o mais conveniente e oportuno para a Administração é o 
gozo no mês de dezembro, de nada adiantará recorrer ao Poder Judiciário para 
mudar a data. 

Por  se  tratar  de  ato  discricionário,  o  Poder  Judiciário  somente  está 

autorizado  a  analisar  a  legalidade  do  ato,  mas  não  o  mérito  administrativo 
(conveniência  e  oportunidade).  Neste  caso,  compete  exclusivamente  ao  Poder 
Legislativo  (no  exercício  da  função  administrativa)  decidir  em  qual  mês  o 
servidor  irá  usufruir  do  período  de  férias  (já  imaginou  se  todos  os  servidores 
decidissem sair de férias no mês de janeiro?). 

É  importante  destacar  que  a  professora  Maria  Sylvia  Zanella  di  Pietro 

afirma  que  somente  em  caráter  excepcional,  e  quando  expressamente 
previsto  no  texto  constitucional,  será  assegurado  a  outro  poder  exercer  o 
controle de mérito sobre os atos praticados pelo Poder Executivo, a exemplo da 
previsão contida no art. 49, X, da CF/88. 

Nos  termos  do  citado  dispositivo  constitucional,  compete  exclusivamente 

ao  Congresso  Nacional  “fiscalizar  e  controlar,  diretamente,  ou  por  qualquer  de 
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta”. 

ATENÇÃO: Quando a Administração Pública efetua o controle de mérito 

e  entende  que  não  é  mais  conveniente  ou  oportuno  manter  a  produção  de 
efeitos de um determinado ato administrativo, poderá então revogá-lo.  

É incorreto afirmar que a Administração poderá anular um ato em razão 

da  inexistência  de  conveniência  ou  oportunidade,  pois  a  anulação  é 
consequência do controle de legalidade, e não de mérito. 

 

3.3. Quanto ao âmbito da Administração 

 

3.3.1. Controle por subordinação ou hierárquico 

Essa  forma  de  controle  é  consequência  das  relações  hierárquicas 

existentes  no  interior  da  Administração  entre  os  diversos  órgãos  e  agentes 
públicos. Ocorre  tipicamente no Poder Executivo, caracterizando-se como um 
controle  interno,  pois,  em  regra,  os  órgãos  públicos  integram  uma  mesma 
pessoa jurídica. 

Como exemplo, podemos citar o controle que uma Secretaria Municipal de 

Saúde  exerce  em  relação  aos  Postos  de  Saúde  do  Município,  que  são  órgãos 
públicos. 

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Informam  os  professores  Vicente  Paulo  e  Marcelo  Alexandrino  que,  em 

razão de sua natureza, o controle hierárquico é pleno (irrestrito), permanente 
e automático (não depende de norma específica que o estabeleça ou autorize). 

Como consequência do controle por subordinação decorrem as faculdades 

de  supervisão,  coordenação,  orientação,  fiscalização,  aprovação,  revisão  e 
avocação das atividades administrativas pelos órgãos ou agentes superiores em 
relação aos órgãos ou agentes subordinados. 

ATENÇÃO:  O  controle  hierárquico  ou  por  subordinação  será  exercido  no 

âmbito  do  Poder  Executivo  da  União,  Estados,  Distrito  Federal,  Municípios,  e, 
ainda, nas entidades da Administração Pública Indireta. Também irá ocorrer no 
interior  dos  órgãos  administrativos  que  compõem  a  estrutura  do  Poder 
Judiciário  e  Legislativo,  mas  nunca  em  relação  ao  exercício  das  respectivas 
funções típicas (judiciária e legislativa). 

 

3.3.2. Controle por vinculação ou controle finalístico 

É o controle exercido externamente pelas entidades da Administração 

Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) em  relação às entidades 
da  Administração  Indireta  (autarquias,  fundações  públicas,  empresas 
públicas e sociedades de economia mista). 

Conforme estudamos anteriormente, não existe relação de subordinação 

entre  as  entidades  da  Administração  Direta  e  entidades  da  Administração 
Indireta,  pois  estas  estão  apenas  vinculadas  às  primeiras.  Assim,  não  há 
como  se  falar  em  controle  hierárquico,  mas  sim  em  controle  por  vinculação 
(que é a relação existente entre Administração Direta e Indireta).  

Podemos  citar  como  exemplos  de  controle  finalístico  ou  por  vinculação  o 

exercido  pelo  Ministério  da  Fazenda  (órgão  integrante  da  estrutura  da  União) 
em face do Banco do Brasil (sociedade de economia mista federal); o exercido 
pelo  Ministério  do  Meio  Ambiente  em  face  do  IBAMA  (autarquia  federal);  o 
exercido pelo Ministério da Previdência sobre o INSS (autarquia federal), etc. 

 

3.4. Quanto à oportunidade 

3.4.1. Controle prévio 

Controle  prévio  (ou  a  priori)  é  aquele  exercido  antes  da  consumação  do 

ato administrativo, possuindo natureza preventiva. Como exemplo, podemos 
citar  a  aprovação,  pelo  Senado  Federal,  da  escolha  do  Procurador-Geral  da 
República (artigo 52, III, “e”, da CF/88).  

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Assim, antes de o Procurador-Geral da República ser empossado no cargo 

é  necessário  um  controle  prévio  do  Senado  Federal,  que  irá  aprovar  a 
indicação efetuada pelo Presidente da República mediante o quorum de maioria 
absoluta.  Caso  os  Senadores  entendam  que  a  pessoa  indicada  pelo  Presidente 
da República não preenche as condições necessárias para o exercício do cargo, 
será rejeitada a indicação. 

 

3.4.2. Controle concomitante 

É aquele que acontece ao mesmo tempo em que o ato administrativo ou 

a  atividade  da  Administração  estão  sendo  executados,  permitindo-se,  assim, 
tanto o controle preventivo quanto o repressivo, conforme o andamento do ato 
ou atividade. 

Como  exemplo,  podemos  citar  o  acompanhamento  de  um  concurso 

público por uma comissão de servidores especialmente constituída com essa 
finalidade, que irá controlar todas as etapas do certame, desde a elaboração do 
edital até a homologação do concurso. 

 

3.4.3. Controle subsequente ou posterior (a posteriori) 

Controle subsequente ou corretivo é aquele efetuado após a conclusão do 

ato ou atividade administrativa com o objetivo de confirmá-los ou corrigi-los, 
a exemplo do que ocorre na homologação de um procedimento licitatório ou no 
controle judicial de atos administrativos. 

Exemplo: Suponha que o edital de um concurso público para o TRT da 3ª 

Região tenha sido publicado com a oferta de 100 (cem) vagas para o cargo de 
Técnico  Judiciário.  Entretanto,  imaginemos  que  o  referido  edital  não  tenha 
reservado  uma  vaga  sequer  para  os  candidatos  portadores  de  deficiência. 
Sendo  assim,  caso  a  Associação  dos  Portadores  de  Deficiência  do  Estado  de 
Minas  Gerais  ingresse  com  uma  ação  civil  pública  para  tentar  corrigir  o 
problema,  estará  sendo  exercido  um  controle  preventivo,  concomitante  ou 
posterior?  

É  claro  que  posterior,  pois  o  edital  do  referido  concurso  público  (ato 

administrativo)  já  havia  sido  publicado  e  estava  produzindo  os  seus  efeitos 
normalmente. 

No  concurso  público  para  o  cargo de  Auditor  Fiscal  do  Trabalho  – 

MTE, realizado em 2010, a ESAF elaborou questão apresentando vários 
exemplos de controle prévio, sucessivo ou concomitante e corretivo ou 
posterior, nos seguintes termos: 

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(ESAF/Auditor  Fiscal  do  Trabalho  -  MTE  /2010)  Quanto  ao  controle  da 
Administração  Pública,  em  especial,  quanto  ao  momento  em  que  ele  se 
efetiva, assinale:  

(1) para controle prévio;  

(2) para controle sucessivo ou concomitante;  

(3)  para  controle  corretivo  ou  posterior.  E  escolha  a  opção  que 
represente a sequência correta.  

(  ) Aprovação, pelo Senado Federal, de operação financeira externa de interesse 
da União.  

(   ) Auditorias realizadas pelo TCU em obras públicas federais.  

(    )  Aprovação,  pelo  Senado  Federal,  dos  Ministros  do  TCU  indicados  pelo 
Presidente da República.  

(   ) Julgamento das contas dos gestores públicos pelo TCU.  

(  ) Registro, pelo TCU, das admissões, aposentadorias e pensões no âmbito das 
pessoas jurídicas de direito público da Administração Pública Federal.           

a) 3 / 1 / 2 / 1 / 3               
b) 2 / 2 / 1 / 3 / 3               
c) 2 / 3 / 3 / 1 / 2               
d) 1 / 1 / 3 / 3 / 2               
e) 1 / 2 / 1 / 3 / 3 
 
Gabarito: Letra “e” 

 

 

3.5. Quanto à iniciativa 

 

3.5.1. Controle de ofício 

É aquele praticado pela própria Administração, no exercício do poder de 

autotutela,  independentemente  da  provocação  de  terceiros.  Ocorre,  por 
exemplo,  quando  uma  autoridade  administrativa  anula  ou  revoga  um  ato 
administrativo praticado por subordinado. 

Nesse  caso,  nenhum  “terceiro”  solicitou  a  revogação  ou  anulação  do  ato 

administrativo.  A  própria  Administração  Pública,  através  de  seu  agente, 
entendeu  que  o  ato  administrativo  deveria  ser  anulado  (caso  ilegal)  ou 
revogado (caso inconveniente ou inoportuno). 

 

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3.5.2. Controle provocado 

Controle  provocado  é  aquele  que  tem  o  seu  início  mediante  o 

acionamento  ou  provocação  de  terceiros,  a  exemplo  do  que  acontece  nos 
recursos administrativos. 

Se  a  Administração  Pública  proferiu  uma  decisão  que  não  é  de  interesse 

do particular, por exemplo, este poderá recorrer à autoridade superior com o 
objetivo de tentar rever a decisão. 

 

4. Controle administrativo 

 

É possível definir como controle administrativo (ou autocontrole) o poder 

de fiscalização e correção exercido pelo Poder Executivo e pelos  órgãos de 
administração  (no  exercício  da  função  administrativa)  do  Poder  Judiciário  e 
Legislativo sobre os seus próprios atos e atividades. 

Através  do  controle  administrativo,  o  Poder  Executivo  e  os  órgãos  de 

administração dos demais  Poderes exercem um controle  de  legalidade e  de 
mérito sobre seus atos e atividades, confirmando-os ou desfazendo-os. 

A prerrogativa de anular os seus próprios atos, quando ilegais (controle 

de  legalidade),  ou  revogá-los,  quando  inconvenientes  ou  inoportunos 
(controle  de  mérito),  está  fundamentada  no  dever-poder  de  autotutela  e 
encontra amparo na Súmula 473 do STF, que é expressa ao afirmar: 

A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios 
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-
los,  por  motivo  de  conveniência  ou  oportunidade,  respeitados  os  direitos 
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 

ATENÇÃO:  Perceba  que  o  controle  administrativo  é  interno,  ou  seja, 

ocorre no interior da própria Administração ou nos  órgãos de administração 
dos  demais  Poderes,  sempre  inserido  em  uma  relação  hierárquica  entre 
órgãos e agentes públicos. 

O controle administrativo ocorre, por exemplo, quando é  revogada uma 

licença para tratar de assuntos particulares concedida a um servidor do Senado 
Federal  (Legislativo).  Nesse  caso,  o  controle  administrativo  foi  exercido  no 
âmbito  do  Poder  Legislativo,  porém  em  relação  à  função  administrativa 
(concessão  da  licença),  que  é  atípica.  Da  mesma  forma  acontece  quando  o 
Tribunal  Regional  Federal  da  1ª  Região  (Judiciário),  por  exemplo,  anula  de 
ofício um ato administrativo realizado no âmbito de um procedimento licitatório 
realizado pelo próprio tribunal. 

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Em  ambos  os  casos,  o  controle  ocorreu  internamente,  no  exercício  da 

função administrativa. 

              

4.1. Instrumentos 

São  vários  os  instrumentos  previstos  em  lei  e  no  próprio  texto 

constitucional com o objetivo de permitir à Administração Pública e aos órgãos 
de  administração  do  Poder  Judiciário  e  Legislativo  o  controle  de  seus  atos  e 
decisões. Cada um desses instrumentos possui características específicas e por 
isso passemos à análise individual dos principais deles: 

 

4.1.1. Direito de petição 

O inciso XXXIV, “a”, artigo 5º, da CF/88, declara expressamente que são 

a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de 
petição  aos  poderes  públicos  em  defesa  de  direitos  ou  contra  ilegalidade  ou 
abuso de poder. 

O  direito  de  petição  é  um  instrumento  que  possibilita  a  qualquer  pessoa 

(física  ou  jurídica)  dirigir-se  formalmente  a  uma  autoridade  do  Poder 
Público  com  o  intuito  de  fazer  uma  reivindicação,  queixa,  solicitar 
esclarecimentos ou simplesmente manifestar a sua opinião sobre algo que seja 
de seu próprio interesse ou de interesse da coletividade. 

Através  do  exercício  do  direito  de  petição,  o  interessado  irá  provocar  a 

Administração  Pública  a  fim  de  que  se  manifeste  sobre  um  assunto  específico 
ou adote determinada providência interna. 

Peticionar  significa  pedir,  requerer  e,  portanto,  esse  direito  tem  como 

objetivo  assegurar  ao  interessado  a  obtenção  de  informações  ou  providências 
junto  a  determinada  autoridade  pública  a  fim  de  que  sejam  tomadas  as 
providências cabíveis em relação ao assunto informado. 

Trata-se  de  um  instrumento  desprovido  de  maiores  formalidades.  As 

únicas  exigências  referem-se  ao  fato  de  que  a  petição  administrativa  deve  ser 
escrita  e  identificado  o  peticionário  (aquele  que  está  efetuando  o  pedido). 
Assim, não é necessário ser advogado ou contratar os serviços deste para que 
seja apresentada uma petição administrativa perante a autoridade competente. 

O  professor  José  Afonso  da  Silva  destaca  que  “o  direito  de  petição  não 

pode ser destituído de eficácia. Não pode a autoridade a que é dirigido escusar-
se  de  pronunciar  sobre  a  petição,  quer  para  acolhê-la  quer  para  desacolhê-la 
com a devida motivação”. 

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Exemplo:  Suponhamos  que  você  tenha  sido  aprovado  em  um  concurso 

público para o cargo de agente administrativo no Município de Fabianópolis, na 
1ª  colocação.  Entretanto,  alguns  meses  depois,  chegou  ao  seu  conhecimento 
que  o  2º  colocado  já  havia  sido  nomeado,  enquanto  você,  1º  colocado,  ainda 
aguardava a nomeação. 

Nesse  caso,  antes  de  recorrer  ao  Poder  Judiciário,  é  assegurado 

constitucionalmente  o  direito  de  protocolar  uma  petição  administrativa 
solicitando esclarecimentos do Senhor Prefeito e requerendo uma solução para 
a situação.  

  

4.1.2. Pedido de reconsideração 

Trata-se  de  um  pedido  escrito,  dirigido  pelo  interessado  à  autoridade 

responsável pela edição do ato, pleiteando a extinção ou a alteração do ato 
em conformidade com as suas pretensões. 

É  importante  esclarecer  que  o  pedido  de  reconsideração  não  é  um 

recurso propriamente dito. Este é destinado à autoridade ou órgão superior 
com  o  objetivo  de  que  seja  reexaminado  ato  ou  decisão  proferida  por 
autoridade  ou  órgão  inferior,  enquanto  aquele  é  direcionado  à  própria 
autoridade responsável pelo ato ou decisão proferida. 

Na esfera federal, o pedido de reconsideração encontra previsão expressa 

no artigo 65 da Lei nº 9.784/99: 

Art.  65.  Os  processos  administrativos  de  que  resultem  sanções  poderão 
ser  revistos,  a  qualquer  tempo,  a  pedido  ou  de  ofício,  quando  surgirem 
fatos  novos  ou  circunstâncias  relevantes  suscetíveis  de  justificar  a 
inadequação da sanção aplicada.  

 

Mesmo que o prazo para a  propositura de recursos administrativos já 

tenha  se  esgotado,  o  interessado  poderá  ainda  apresentar  pedido  de 
reconsideração  quando  estiver  embasado  na  suposta  existência  de  fatos 
novos  ou  circunstâncias  relevantes  que  possam  justificar  a  inadequação  da 
decisão  proferida,  ou  ainda  a  existência  de  vícios  que  tornem  ilegal  o  ato 
administrativo. 

Assim,  o  pedido  de  reconsideração  deve  ser  recebido  e  analisado  pela 

autoridade  administrativa,  não  como  recurso,  mas  sim  como  uma  revisão  do 
ato a pedido da parte interessada. 

 

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4.1.3. Reclamação administrativa 

 

A  professora  Maria  Sylvia  Zanella  di  Pietro  define  a  reclamação 

administrativa como “o ato pelo qual o administrado, seja particular ou servidor 
público, deduz uma pretensão perante a Administração Pública, visando obter o 
reconhecimento de um direito ou a correção de um ato que lhe cause lesão ou 
ameaça de lesão”. 

 

Em  termos  gerais,  a  reclamação  administrativa  encontra-se  prevista  no 

Decreto  Federal  20.910/32.  Entretanto,  é  importante  destacar  que  o  referido 
decreto  não  especifica  as  modalidades  e  as  hipóteses  de  cabimento  da 
reclamação administrativa, restringindo-se a informar o prazo prescricional para 
a  apresentação  da  reclamação,  que  é  de  01  (um)  ano,  contado  do  ato  ou 
atividade lesiva, se outro prazo não for fixado em lei. 

 

O  professor  Diógenes  Gasparini,  sem  especificar  as  modalidades  ou 

espécies  de  reclamações  administrativas,  as  define  como  “a  oposição  solene, 
escrita  e  assinada,  a  ato  ou  atividade  pública  que  afete  direitos  ou  interesses 
legítimos  do  reclamante.  Dessas  reclamações  são  exemplos  a  que  impugna 
certo lançamento tributário e a que se opõe a determinada medida punitiva”.  

Informa  ainda  o  autor  que  se  trata  de  “faculdade  exercitável  por  pessoa 

física ou jurídica, que tenha direitos ou interesses legítimos afetados ou em via 
de  afetação  por  ato  ou  atividade  pública.  Pode,  assim,  ser  repressiva  ou 
preventiva”. 

 

4.1.4. Recursos administrativos ou hierárquicos 

Recursos  administrativos  são  instrumentos  formais  de  controle 

administrativo  através  dos  quais  o  interessado  pleiteia  perante  órgão  ou 
autoridade  superior  a  reapreciação  de  atos  ou  decisões  de  órgãos  ou 
agentes inferiores. 

 Os  recursos  administrativos  são  propostos  no  interior  da  própria 

Administração,  não  sofrendo  interferência  direta  do  Poder  Judiciário  em  sua 
tramitação  e  decisão.  Entretanto,  caso  a  decisão  proferida  no  recurso 
administrativo  não  seja  favorável  ao  interessado,  este  poderá  ainda  acionar  o 
Poder Judiciário com o objetivo de que seja reapreciada a mesma questão, em 
respeito  ao  princípio  da  inafastabilidade  do  controle  jurisdicional  (artigo 
5º, XXXV, da CF/88). 

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Os  recursos  administrativos  são  instrumentos  formais  de  impugnação 

de atos e decisões administrativas e, por isso, devem ser interpostos através de 
petição  escrita  e  devidamente  protocolada  na  repartição  administrativa 
competente. 

ATENÇÃO:  A  possibilidade  de  recorrer  a  órgãos  ou  autoridades 

superiores com o objetivo de solicitar a reapreciação de atos ou decisões de 
órgãos ou autoridades inferiores está amparada no inciso LV, artigo 5º, da 
Constituição Federal de 88. 

O referido inciso declara expressamente que “aos litigantes, em processo 

judicial  ou  administrativo,  e  aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o 
contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 

 

4.1.4.1. Classificação 

Para  fins  de  concursos  públicos,  é  necessário  que  você  saiba  que  os 

recursos  administrativos  podem  ser  classificados  de  várias  formas  e  maneiras 
diferentes.  Todavia,  a  mais  importante  delas  é  a  que  divide  os  recursos  em 
próprios e impróprios. 

 

a)  Recursos  hierárquicos  próprios:  São  aqueles  dirigidos  a 

autoridades  ou  órgãos  imediatamente  superiores  aos  responsáveis  pelo  ato 
ou  decisão  impugnados.  Assim,  o  recurso  dirigido  ao  Superintendente  da 
Receita Federal do Brasil, em face de um ato praticado por Delegado da Receita 
Federal,  pode  ser  considerado  um  recurso  hierárquico  próprio,  pois  o  segundo 
está subordinado ao primeiro em uma relação de hierarquia. 

 

Os  recursos  hierárquicos  próprios  podem  ser  interpostos  mesmo 

inexistindo  disposição  legal  expressa,  pois  derivam  do controle  hierárquico 
que  os  órgãos  e  autoridades  superiores  devem  realizar  em  face  dos  atos  e 
atividades administrativas exercidos pelos seus subordinados. 

 

O  controle  efetuado  pelos  órgãos  e  autoridades  superiores  é  pleno  e 

permanente. Pleno porque abrange tanto os aspectos de mérito quanto os de 
legalidade,  sendo  possível  revogar,  anular,  modificar,  convalidar  ou  praticar 
quaisquer  atos  que  importem  em  controle  dos  atos  praticados  pelos 
subordinados.  Por  outro  lado,  é  permanente  porque  pode  ser  exercido  a 
qualquer momento, independentemente de provocação. 

 

 

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b)  Recursos  hierárquicos  impróprios:  São  aqueles  endereçados  a 

autoridades  ou  órgãos  que  não  são  hierarquicamente  superiores  àqueles 
responsáveis  pela  edição  do  ato  ou  decisão  que  se  deseja  impugnar.  Podemos 
citar como exemplo um recurso interposto perante uma Secretaria Estadual de 
Governo em face de decisão proferida por entidade integrante da Administração 
Indireta daquele mesmo Estado (autarquias, fundações públicas, sociedades de 
economia mista ou empresas públicas).   

 

Nesse  caso,  entre  a  Secretaria  de  Estado  (Administração  Direta)  e  as 

entidades  integrantes  da  Administração  Indireta  não  existe  relação  de 
hierarquia ou subordinação, mas somente uma vinculação.  

 

A propositura de recursos hierárquicos impróprios depende de expressa 

previsão legal, já que não existe relação de hierarquia entre os órgãos ou 

autoridades que analisarão o pedido de reapreciação da decisão ou ato 

praticado.

  

 

4.1.5. Prescrição administrativa 

 

É  possível  analisar  a  prescrição  administrativa  sob  duas  vertentes 

distintas: em relação à Administração e em relação aos administrados. 

Sob a ótica do administrado a prescrição administrativa ocorre quando 

o  particular  “perde”  o  prazo  para  recorrer  de  decisão  administrativa,  ou  seja, 
ocorre  o  transcurso  do  prazo  legal  sem  que  o  particular  impugne  a  decisão 
contrária aos seus interesses. 

Na  esfera  federal,  o  artigo  59  da  Lei  9.784/99  estabelece  que,  “salvo 

disposição  legal  específica,  é  de  dez  dias  o  prazo  para  interposição  de  recurso 
administrativo,  contado  a  partir  da  ciência  ou  divulgação  oficial  da  decisão 
recorrida”.  Assim,  não  apresentado  o  recurso  no  prazo  legal  de  10  dias, 
ocorrerá a denominada prescrição administrativa. 

A  Administração  Pública  também  possui  prazos  fixados  em  lei  para 

rever  os  seus  próprios  atos  ou  manifestar-se  em  relação  a  situações  ocorridas 
em seu âmbito de atuação, a exemplo dos prazos previstos no artigo 142 da Lei 
8.112/90 para a aplicação de penalidades a servidores públicos federais: 

Art. 142.  A ação disciplinar prescreverá:  

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I  -  em  05  (cinco)  anos,  quanto  às  infrações  puníveis  com  demissão, 
cassação  de  aposentadoria  ou  disponibilidade  e  destituição  de  cargo  em 
comissão; 

II - em 02 (dois) anos, quanto à suspensão;  

III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência. 

Assim,  transcorridos  os  prazos  acima  sem  que  a  Administração  se 

manifeste  sobre  a  eventual  aplicação  de  penalidade a  servidor  público  federal, 
ocorrerá  a  prescrição  administrativa,  e  a  Administração  não  mais  poderá 
puni-lo pela suposta infração disciplinar. 

 

4.1.6. O silêncio da Administração Pública 

 

Quando a Administração deixa de se pronunciar sobre um pedido que lhe 

é  apresentado  pelo  administrado  na  defesa  de  seus  interesses,  tem-se  o 
silêncio administrativo, que é um fato jurídico. 

 

A  falta  de  pronunciamento  dentro  do  prazo  fixado  pode  significar  o 

deferimento  ou  indeferimento  do  pedido,  concordância  ou  oposição  ao  ato 
controlado, e as consequências devem ser analisadas no caso em concreto. 

 

Se não existir prazo específico para a manifestação da Administração e o 

silêncio  persistir,  não  restará  outra  alternativa  ao  interessado  que  não  seja 
recorrer ao Poder Judiciário. Este decidirá em favor do interessado se entender 
que  entre  o  seu  pedido  e  a  data  da  invocação  da  tutela  judicial  decorreu  um 
prazo  razoável,  isto  é,  em  período  de  tempo  suficiente  para  que  a 
Administração se pronunciasse sobre o pedido. 

 

É  importante  destacar  que  a  negligência  do  servidor  público  que  cause 

prejuízos ao administrado deve ensejar a responsabilização civil do Estado, nos 
termos  do  §  6º,  artigo  37,  da  CF/88.  Da  mesma  forma,  deverá  ser  punido  o 
servidor  que  se  omitiu,  quando  estava  obrigado  legalmente  a  se  pronunciar 
sobre o pedido apresentado. 

 

5. Controle legislativo 

 

O  controle  legislativo,  também  denominado  de  controle  parlamentar,  é 

exercido  pelos  órgãos  do  Poder  Legislativo  em  relação  a  determinados  atos 
praticados  pela  Administração  Pública.  Ao  contrário  do  controle  administrativo, 
que  é  interno,  o  controle  legislativo  caracteriza-se  por  ser  um  controle 
externo, exercido nos exatos termos e limites previstos no texto constitucional. 

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Em  termos  gerais,  o  controle  do  Poder  Legislativo  sobre  os  atos 

praticados  pelo  Poder  Executivo  está  fundamentado  no  inciso  X,  artigo  49,  da 
Constituição Federal de 1988, ao declarar que “compete ao Congresso Nacional 
fiscalizar  e  controlar,  diretamente,  ou  por  qualquer  de  suas  Casas,  os  atos  do 
Poder Executivo, incluídos os da administração indireta”. 

 O  professor  José  dos  Santos  Carvalho  Filho  afirma  que  o  controle 

legislativo é exercido sobre atividades bastante diferenciadas e, por isso, possui 
dupla natureza: o controle político e o controle financeiro. 

 

5.1. Controle político 

O  controle  político  está  amparado  na  possibilidade  de  fiscalização  e 

decisão  sobre  atos  exercidos  no  âmbito  da  função  administrativa  e  de 
organização dos Poderes Executivo e Judiciário. 

São vários os aspectos de controle, mas, para fins de concursos públicos, 

destacam-se os seguintes: 

 

5.1.1. Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) 

As  comissões  parlamentares  de  inquérito,  que  terão  poderes  de 

investigação  próprios  das  autoridades  judiciais,  estão  previstas  no  §  3º, 
art.  58,  da  CF/88.  Além  de  outros  poderes  previstos  nos  regimentos  das 
respectivas  Casas  Legislativas,  serão  criadas  pela  Câmara  dos  Deputados  e 
pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento 
de  um  terço  de  seus  membros,  para  a  apuração  de  fato  determinado  e  por 
prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério 
Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. 

As  CPI´s  não  se  restringem  à  esfera  federal,  pois  podem  ser  criadas  no 

âmbito  dos Estados (pelas Assembléias Legislativas) e dos Municípios (Câmara 
de  Vereadores),  com  regulamentação  prevista  nas  Constituições  Estaduais  e 
Leis Orgânicas (respectivamente). 

Os  professores  Vicente  Paulo  e  Marcelo  Alexandrino,  respaldados  em 

entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  apresentam  uma  relação  de 
prerrogativas asseguradas às CPI´s, desde que motivadamente: 

(a)  Convocar  investigados  e  testemunhas  a  depor,  incluindo  autoridades 

públicas federais, estaduais e municipais; 

(b)  Determinar  as  diligências  que  entender  necessárias  (é  muito  comum  a 

solicitação de diligências ao Tribunal de Contas da União, à Secretaria da 

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Receita  Federal  e  à  Polícia  Federal,  nas  respectivas  áreas  de 
competência); 

(c)  Requisitar  de  repartições  públicas  informações  e  documentos  de  seu 

interesse; 

(d)  Determinar a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico das pessoas 

por ela investigadas; 

(e)  Convocar juízes para depor, desde que a respeito de sua atuação como 

administrador público (função não-jurisdicional). 

 

Além  disso,  apresentam  também  as  proibições  impostas  às  CPI´s  pela 

jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: 

(a)  Decretar a busca e a apreensão domiciliar de documentos; 
(b)  Determinar a indisponibilidade de bens do investigado; 
(c)  Decretar  a  prisão  de  qualquer  pessoa,  ressalvada  a  hipótese  de 

flagrância; 

(d)  Determinar  a  interceptação  (escuta)  telefônica  (não  confundir  com  a 

quebra do sigilo dos registros telefônicos); 

(e)  Convocar  magistrados  para  depor  a  respeito  de  sua  atuação  típica,  na 

função jurisdicional. 

 

5.1.2. Pedido de informação 

As  Mesas  da  Câmara  dos  Deputados  e  do  Senado  Federal  poderão 

encaminhar  pedidos  escritos  de  informação  a  Ministros  de  Estado  ou  a 
quaisquer  titulares  de  órgãos  diretamente  subordinados  à  Presidência  da 
República,  bem  como  aos  dirigentes  máximos  das  entidades  integrantes  da 
Administração  Pública  Indireta  sobre  fatos  ou  atividades  administrativas 
ocorridos em seu âmbito de atuação.  

Os  pedidos  também  poderão  ser  formulados  pelas  Assembléias 

Legislativas,  Câmara  Distrital  e  Câmara  de  Vereadores  com  o  objetivo  de 
fiscalizar e controlar as atividades administrativas em âmbito municipal, distrital 
e estadual, respectivamente. 

A  recusa  ou  não-atendimento  ao  pedido  de  informações  no prazo  de 

trinta dias, bem como a prestação de informações falsas, importará em crime 
de responsabilidade, nos termos do § 2º, artigo 50, da Constituição Federal. 

 

 

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5.1.3. Convocação de autoridades 

O caput do artigo 50 da CF/88 estabelece que “a Câmara dos Deputados e 

o Senado Federal, ou qualquer de suas comissões, poderão  convocar Ministro 
de  Estado  ou  quaisquer  titulares  de  órgãos  diretamente  subordinados  à 
Presidência  da  República  para  prestarem,  pessoalmente,  informações  sobre 
assunto 

previamente 

determinado, 

importando 

em 

crime 

de 

responsabilidade a ausência sem justificação adequada”. 

 

5.1.4. Participação na função administrativa 

Em vários dispositivos constitucionais, está prevista a obrigatoriedade da 

participação  do  Poder  Legislativo  nas  funções  administrativas  típicas  do  Poder 
Executivo,  autorizando  ou  aprovando  competências  privativas  do  Presidente 
da República.  

Podemos  citar  como  exemplo  as  seguintes  competências  atribuídas  com 

exclusividade ao Congresso Nacional e que estão previstas expressamente no 
artigo  49  da  CF/88:  resolver  definitivamente  sobre  tratados,  acordos  ou  atos 
internacionais  que  acarretem  encargos  ou  compromissos  gravosos  ao 
patrimônio  nacional;  autorizar  o  Presidente  da  República  a  declarar  guerra,  a 
celebrar  a  paz,  a  permitir  que  forças  estrangeiras  transitem  pelo  território 
nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos 
em lei complementar; autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a 
se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias, entre outros. 

Da  mesma  forma,  compete  privativamente  ao  Senado  Federal,  nos 

termos  do  artigo  52  da  CF/88:  aprovar  previamente,  por  voto  secreto,  após 
arguição  em  sessão  secreta,  a  escolha  dos  chefes  de  missão  diplomática  de 
caráter  permanente;  autorizar  operações  externas  de  natureza  financeira,  de 
interesse  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal,  dos  Territórios  e  dos 
Municípios; aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de 
ofício,  do  Procurador-Geral  da  República  antes  do  término  de  seu  mandato, 
entre outras atribuições. 

 

5.1.5. Poder de sustação do Congresso Nacional 

Prevê  o  artigo  49,  V,  da  Constituição  Federal,  que  cabe  ao  Congresso 

Nacional “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder 
regulamentar  ou  dos  limites  de  delegação  legislativa”.  Trata-se  de  um 
mecanismo  criado  pelo  próprio  texto  constitucional  com  o  objetivo  de  conter 
eventuais  excessos  do  Presidente  da  República  na  edição  de  decretos 
regulamentares ou leis delegadas. 

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Assim, o Congresso irá suspender os efeitos dos dispositivos do decreto 

ou  lei  delegada  que  tenha  exorbitado  a  competência  normativa  do  Chefe  do 
Executivo.  Não  se  trata  de  revogação,  mas  sim  de  uma  suspensão  da  eficácia 
do decreto ou lei delegada,que ocorre no exercício do controle externo. 

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Analista  Técnico  do  Ministério  do 
Turismo,  realizado  em  2014,  a  ESAF  considerou  incorreta  a  seguinte 
assertiva: “Não há dispositivo constitucional expresso que permita o Congresso 
Nacional  sustar  atos  normativos  do  Poder  Executivo  que  exorbitem  do  Poder 
Regulamentar”. 

 

 

5.2. Controle Financeiro 

 

Controle  financeiro  é  aquele  exercido  externamente  pelo  Poder 

Legislativo em relação aos Poderes Executivo e  Judiciário, bem como sobre a 
sua própria administração no que se refere à receita, à despesa e à gestão dos 
recursos públicos. 

 

Trata-se de controle externo exercido pelo Poder Legislativo em relação 

aos  demais  Poderes,  nos  termos  do  artigo  70  da  Constituição  Federal,  que 
estabelece  ainda  a  obrigatoriedade  de  que  o  Poder  Legislativo  tenha  o  seu 
próprio  sistema  de  controle  interno,  não  ficando,  portanto,  imune  a 
controle e fiscalização. 

 

Assim,  é  correto  afirmar  que  o  controle  financeiro  alcança  todos  os 

poderes da República, seja em âmbito federal, estadual,  distrital ou municipal, 
abrangendo cinco áreas básicas de atuação: contábil, financeira (em sentido 
estrito), orçamentária, operacional e patrimonial. 

 

José dos Santos Carvalho Filho afirma que a  área contábil é aquela em 

que  se  formalizam  os  registros  das  receitas  e  despesas.  Na  área  financeira 
strictu  sensu,  o  controle  se  executa  sobre  os  depósitos  bancários,  os 
empenhos,  o  pagamento  e  o  recebimento  de  valores,  etc.  O  controle 
orçamentário  visa  ao  acompanhamento  do  orçamento  e  à  fiscalização  dos 
registros nas rubricas adequadas. 

Restam  os  controles  operacional  e  patrimonial.  No  primeiro,  a 

fiscalização  incide  sobre  a  execução  das  atividades  administrativas  em  geral, 
verificando-se  notadamente  a  observância  dos  procedimentos  legais  para  cada 
fim, bem como a necessidade de sua adequação à maior celeridade, eficiência e 
economicidade.  O  controle  patrimonial  recai  sobre  os  bens  do  patrimônio 

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público,  exigindo-se  que  sejam  fiscalizados  os  almoxarifados,  os  bens  em 
estoque, os bens de uso, os bens consumíveis etc. 

A  professora  Maria  Sylvia  Zanella  di  Pietro,  analisando  o  artigo  70  da 

Constituição  Federal  de  1988,  afirma  a  possibilidade  de  se  inferir  algumas 
normas básicas sobre o controle financeiro, sendo elas: 

“1.  Quanto  à  atividade  controlada,  a  fiscalização  abrange  a  contábil,  a 
financeira,  a  orçamentária,  a  operacional  e  a  patrimonial;  isso  permite  a 
verificação  da  contabilidade  das  receitas  e  despesas,  da  execução  do 
orçamento, dos resultados e dos acréscimos e diminuições patrimoniais; 

2 – Quanto aos aspectos controlados, compreende: 

I  –  controle  de  legalidade  dos  atos  de  que  resultem  a 

arrecadação  de  receita  ou  a  realização  da  despesa,  o  nascimento  ou  a 
extinção de direitos e obrigações; 

II  –  controle  de  legitimidade,  que  a  Constituição  tem  como 

diverso da legalidade, de sorte que parece assim admitir exame de mérito 
a  fim  de  verificar  se  determinada  despesa,  embora  não  ilegal,  fora 
legítima,  tal  como  atender  a  ordem  de  prioridade,  estabelecida  no  plano 
plurianual; 

III  –  controle  da  economicidade,  que  envolve  também  questão 

de  mérito,  para  verificar  se  o  órgão  procedeu,  na  aplicação  da  despesa 
pública  de  modo  mais  econômico,  atendendo,  por  exemplo,  uma 
adequada relação custo-benefício; 

IV  –  controle  de  fidelidade  funcional  dos  agentes  da 

Administração, responsável por bens e valores públicos; 

V  –  controle  de  resultado  de  cumprimento  de  programa  de 

trabalho  e  de  metas,  expresso  em  termos  monetários  e  em  termos  de 
realização  de  obras  e  prestação  de  serviços”.  (cf.  José  Afonso  da  Silva. 
2000:727) 

3.  quanto  às  pessoas  controladas,  abrange  União,  Estados,  Municípios, 
Distrito Federal e entidades da Administração Direta e Indireta, bem como 
qualquer pessoa física ou entidade publica, que utilize, arrecade, guarde, 
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a 
União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza 
pecuniária; 

4. a fiscalização compreende os sistemas de controle externo, e compete 
ao  Poder  Legislativo,  com  auxílio  do  Tribunal  de  Contas,  e  de  controle 
interno exercido por cada um dos Poderes”. 

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5.2.1. Tribunal de Contas 

A  Constituição  Federal  de  1988  concedeu  ao  Tribunal  de  Contas  da 

União  na  esfera  federal,  poderes  para,  no  auxílio  ao  Congresso  Nacional, 
exercer  a  fiscalização  contábil,  financeira,  orçamentária,  operacional  e 
patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto 
à legalidade, à legitimidade e à economicidade e à fiscalização da aplicação das 
subvenções e da renúncia de receitas.  

Todavia,  é  importante  destacar  que  o  TCU  não  é  o  único  órgão 

responsável por essa fiscalização, pois a competência é compartilhada também 
com o Congresso Nacional e os órgãos de controle interno.  

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Técnico  da  Receita  Federal, 

realizado em 2002, a ESAF elaborou a seguinte questão sobre o tema: 

(ESAF/Técnico  da  Receita  Federal  -  SRF/2002)  Na  área  federal,  o 
Tribunal  de  Contas  da  União  (TCU)  exerce  o  monopólio  do  controle 
contábil,  financeiro  e  orçamentário,  da  Administração  Pública  Federal 
Direta  e  Indireta,  quanto  aos  aspectos  de  legalidade,  legitimidade  e 
economicidade.             
a) Correta essa assertiva.               
b) Incorreta a assertiva, porque esse controle é exercido com exclusividade pelo 
Congresso Nacional (CN).               
c) Incorreta a assertiva, porque tal função cabe ao sistema de controle interno, 
com exclusividade.               
d) Incorreta a assertiva, porque tal fiscalização é compartilhada entre CN, TCU e 
sistema de controle interno.               
e)  Incorreta  a  assertiva,  porque  esse  controle  exercido  pelo  TCU  se  restringe  à 
Administração Direta.    
 
Gabarito: Letra “d”. 

 

Qualquer  pessoa  física  ou  jurídica,  pública  ou  privada,  que  utilize, 

arrecade,  guarde,  gerencie  ou  administre  dinheiro,  bens  e  valores  públicos  ou 
pelos  quais  a  União  responda,  ou  que,  em  nome  desta,  assuma  obrigações  de 
natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU. 

As  normas  previstas  no  texto  constitucional  e  que  tratam  do  Tribunal  de 

Contas  da  União  aplicam-se,  no  que  couber,  à  organização,  à  composição  e  à 
fiscalização  dos  Tribunais  de  Contas  dos  Estados  e  do  Distrito  Federal,  bem 
como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. 

As  competências  do  Tribunal  de  Contas  da  União  estão  arroladas 

expressamente no artigo 71 da CF/88, abaixo apresentadas: 

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“Art.  71.  O  controle  externo,  a  cargo  do  Congresso  Nacional,  será 
exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: 

      I  -  apreciar  as  contas  prestadas  anualmente  pelo  Presidente  da 
República,  mediante  parecer  prévio,  que  deverá  ser  elaborado  em 
sessenta dias a contar de seu recebimento; 

      II  -  julgar  as  contas  dos  administradores  e  demais  responsáveis  por 
dinheiros,  bens  e  valores  públicos  da  administração  direta  e  indireta, 
incluídas  as  fundações  e  as  sociedades  instituídas  e  mantidas  pelo  poder 
público federal, e as contas daqueles  que derem causa a perda, extravio 
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;     

      III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão 
de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas 
as  fundações  instituídas  e  mantidas  pelo  poder  público,  excetuadas  as 
nomeações  para  cargo  de  provimento  em  comissão,  bem  como  a  das 
concessões  de  aposentadorias,  reformas  e  pensões,  ressalvadas  as 
melhorias  posteriores  que  não  alterem  o  fundamento  legal  do  ato 
concessório; 

      IV  -  realizar,  por  iniciativa  própria,  da  Câmara  dos  Deputados,  do 
Senado  Federal,  de  comissão  técnica  ou  de  inquérito,  inspeções  e 
auditorias  de  natureza  contábil,  financeira,  orçamentária,  operacional  e 
patrimonial,  nas  unidades  administrativas  dos  Poderes  Legislativo, 
Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; 

      V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo 
capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do 
tratado constitutivo; 

      VI  -  fiscalizar  a  aplicação  de  quaisquer  recursos  repassados  pela 
União,  mediante  convênio,  acordo,  ajuste  ou  outros  instrumentos 
congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; 

      VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por 
qualquer  de  suas  Casas,  ou  por  qualquer  das  respectivas  comissões, 
sobre  a  fiscalização  contábil,  financeira,  orçamentária,  operacional  e 
patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;  

      VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou 
irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerão, 
entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; 

      IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências 
necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; 

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      X  -  sustar,  se  não  atendido,  a  execução  do  ato  impugnado, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;  

      XI  -  representar  ao  Poder  competente  sobre  irregularidades  ou 
abusos apurados. 

  §  1º  No  caso  de  contrato,  o  ato  de  sustação  será  adotado  diretamente 
pelo  Congresso  Nacional,  que  solicitará,  de  imediato,  ao  Poder  Executivo 
as medidas cabíveis.     

  §  2º  Se  o  Congresso  Nacional  ou  o  Poder  Executivo,  no  prazo  de 
noventa  dias,  não  efetivar  as  medidas  previstas  no parágrafo  anterior,  o 
Tribunal decidirá a respeito. 

  §  3º  As  decisões  do  Tribunal  de  que  resulte  imputação  de  débito  ou 
multa terão eficácia de título executivo.     

  §  4º  O  Tribunal  encaminhará  ao  Congresso  Nacional,  trimestral  e 
anualmente, relatório de suas atividades”.    

 

A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro informa que o controle externo 

foi consideravelmente ampliado na atual Constituição, conforme se constata em 
seu artigo 71, compreendendo as funções de: 

1.  fiscalização  financeira  propriamente  dita,  quando  faz  ou  recusa  o 
registro de atos de admissão de pessoal (excetuadas as nomeações para 
cargo em comissão) ou de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou 
pensão; quando faz inquéritos, inspeções e auditorias; quando fiscaliza a 
aplicação  de  quaisquer  recursos  repassados  pela  União,  mediante 
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao 
distrito Federal ou a Município; 

2.  de  consulta,  quando  emite  parecer  prévio  sobre  as  contas  prestadas 
anualmente pelo Presidente da República; 

3.  de  informação,  quando  as  presta  ao  Congresso  Nacional,  a  qualquer 
de  suas  Casas,  ou  a  qualquer  das  respectivas  Comissões,  sobre  a 
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e 
sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; 

4.  de  julgamento,  quando  “julga”  as  contas  dos  administradores  e 
demais  responsáveis  por  dinheiros,  bens  e  valores  públicos  e  as  contas 
daqueles  que  derem  causa  à  perda,  extravio  ou  outra  irregularidade  de 
que  resulte  prejuízo  ao  Erário  Público;  embora  o  dispositivo  fale  em 
“julgar” (inciso II do art. 71), não se trata de função jurisdicional, porque 
o  Tribunal  apenas  examina  as  contas,  tecnicamente,  e  não  aprecia  a 

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responsabilidade  do  agente  público,  que  é  de  competência  exclusiva  do 
Poder  Judiciário;  por  isso  se  diz  que  o  julgamento  das  contas  é  uma 
questão  prévia,  preliminar,  de  competência  do  Tribunal  de  Contas,  que 
antecede o julgamento do responsável pelo Poder Judiciário; 

5.  sancionatórias,  quando  aplica  aos  responsáveis,  nos  casos  de 
ilegalidade  de  despesa  ou  irregularidade  de  contas,  as  sanções  previstas 
em  lei,  que  estabelecerão,  entre  outras  cominações,  multa  proporcional 
ao dano causado ao erário; 

6.  corretivas,  quando  assina  prazo  para  que  o  órgão  ou  entidade adote 
as  providências  necessárias  ao  exato  cumprimento  da  lei,  se  verificada 
ilegalidade;  e  quando  susta,  se  não  atendido,  a  execução  do  ato 
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao senado 
Federal; nos termos do § 1º do artigo 71, no caso de contrato, o ato de 
sustação  será  adotado  diretamente  pelo  Congresso  Nacional,  que 
solicitará, de imediato, ao poder Executivo,as medidas cabíveis; pelo § 2º, 
se o Congresso ou o Poder Executivo, no Prazo de 90 dias, não efetivar as 
medidas  previstas  no  parágrafo  anterior,  o  Tribunal  decidirá  a  respeito; 
isso  constitui  inovação  da  Constituição  de  1998,  já  que,  na  anterior,  a 
decisão  final,  de  natureza  puramente  política,  ficava  com  o  Congresso 
Nacional; 

7.  de  ouvidor,  quando  recebe  denúncia  de  irregularidades  ou 
ilegalidades,  feita  pelos  responsáveis  pelo  controle  interno  ou  por 
qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato, nos termos do 
art. 74, §§ 1º e 2º. 

 

Alguns  tópicos  envolvendo  a  atuação  e  competência  dos  Tribunais  de 

Contas  são  frequentemente  cobrados  em  concursos  e,  por  isso,  é  importante 
destacar os principais: 

1º)  O  TCU  somente  possui  competência  para  apreciar  as  contas 

prestadas anualmente pelo Presidente da República (art. 71, I, CF/88), mas 
não para julgá-las, pois esta é uma prerrogativa do Congresso Nacional (art. 
49, I, CF/88); 

2º)  As  Constituições  Estaduais  e  Leis  Orgânicas  podem  estabelecer  a 

competência  das  Assembleias  Legislativas  e  Câmara  de  Vereadores, 
respectivamente,  para  julgar  as  contas  dos  Tribunais  de  Contas  Estaduais  e 
Municipais, onde houver; 

3º) As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa 

terão eficácia de título executivo, nos termos do § 3º do artigo 71; 

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4º)  Os  Tribunais  de  Contas,  no  exercício  de  suas  atribuições,  podem 

apreciar a constitucionalidade das leis e atos do Poder Público, apesar de não 
integrarem o Poder Judiciário. Entretanto, destaca-se que as decisões proferidas 
pelos Tribunais de Contas podem ser revistas pelo Poder Judiciário; 

5º)  Aplica-se  o  instituto  da  tomada  de  contas  especial  a  todas  as 

sociedades  de  economia  mista,  prestadoras  de  serviços  públicos  ou 
exploradoras  de  atividade  econômica.  A  tomada  de  contas  especial  é  um 
instrumento  de  que  dispõe  a  Administração  Pública  para  ressarcir-se  de 
eventuais prejuízos que lhe forem causados, sendo o processo revestido de rito 
próprio  e  somente  instaurado  depois  de  esgotadas  as  medidas  administrativas 
para reparação do dano.  

               

6. CONTROLE JUDICIAL 

 

Declara  o  inciso  XXXV,  artigo  5º,  da  CF/88,  que  “a  lei  não  excluirá  da 

apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Trata-se do princípio 
da  inafastabilidade  da  jurisdição  ou  princípio  do  amplo  acesso  ao  Poder 
Judiciário. Assim, sempre que alguém tiver um direito violado ou ameaçado de 
violação, poderá recorrer ao Poder Judiciário requerendo providências de modo 
a afastar uma lesão ou possibilidade de lesão a direito. 

 

Todos os atos prejudiciais aos interesses individuais e coletivos podem ser 

apreciados  pelo  Poder  Judiciário,  inclusive  os  atos  e  condutas  da 
Administração  Pública,  que  não  são  imunes  ao  controle  jurisdicional. 
Todavia, é importante destacar que o Poder Judiciário deve ser provocado pelo 
interessado ou legitimado a fim de que possa se manifestar. 

 

 

6.1. Conceito e objetivo 

 

O  controle  judicial  pode  ser  conceituado  como  o  controle  de  legalidade 

exercido  pelo  Poder  Judiciário  em  relação  aos  seus  próprios  atos  e  condutas 
administrativas,  bem  como  em  relação  aos  atos  e  atividades  administrativas 
oriundos do Poder Executivo e Legislativo. O direito brasileiro adotou o sistema 
de  jurisdição  una,  que  concede  ao  Poder  Judiciário  o  monopólio  da  função 
jurisdicional (somente ele pode decidir em caráter definitivo). 

 

O professor Diógenes Gasparini informa que o controle judicial é externo, 

provocado  e  direto.  “É  externo  por  se  realizar  por  órgão  que  não  integra  a 
mesma  estrutura  organizacional  da  Administração  Pública.  É  provocado 
porquanto  só  excepcionalmente  o  Judiciário  atua  de  ofício.  É  direto  porque 

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incide,  precípua  e  imediatamente,  sobre  os  atos  e  atividades  administrativas. 
Além  disso,  é,  notadamente,  repressivo,  dado  incidir  sobre  medida  que  já 
produziu  ou  está  produzindo  efeitos.  Extraordinariamente,  pode  ser 
preventivo.  É  o  que  ocorre,  por  exemplo,  com  a  ação  declaratória,  o  habeas 
corpus e o mandado de segurança preventivos. Por essas medidas previne-se a 
atuação da Administração Pública havida por ilegal”. 

 

O  controle  judicial  tem  por  objetivo  efetuar  o  exame  de  legalidade  do 

ato  ou  atividade  administrativa,  confirmando  aqueles  que  estão  em 
conformidade  com  a  legislação  vigente  e  anulando  os  que  violam  o 
ordenamento jurídico ou princípios gerais do Direito. 

 

Lembre-se sempre de que o Poder Judiciário jamais poderá revogar atos 

editados pelo Poder Executivo ou pelo Legislativo (no exercício da função 

administrativa), mas somente anulá-los, quando forem ilegais ou 

contrariarem princípios gerais do Direito.  

 

A  revogação  de  atos  administrativos  restringe-se  ao  Poder  responsável 

pela  sua  edição,  pois  essa  possibilidade  está  relacionada  diretamente  à 
conveniência  e  à  oportunidade.  Portanto,  aos  Poderes  Executivo  e  Legislativo 
compete a revogação de seus próprios atos quando forem inconvenientes ou 
inoportunos. Da mesma forma, é correto afirmar que o Poder Judiciário poderá 
revogar  os  seus  próprios  atos,  mas  jamais  os  atos  praticados  pelo  Poder 
Executivo  e  Legislativo,  pois,  nesse  caso,  estaria  exercendo  um  controle  de 
mérito, o que lhe é vedado. 

 

6.1. Controle judicial em espécie 

Inicialmente,  é  importante  esclarecer  que  são  várias  as  ações  judiciais 

que  podem  ser  propostas  perante  o  Poder  Judiciário  com  o  objetivo  de 
materializar o controle dos atos praticados pela Administração Pública. Todavia, 
as  bancas  examinadoras  não  exigem  que  você  conheça  as  características  e 
condições de cada uma dessas ações nas provas de Direito Administrativo. 

Você não precisará estudar, por exemplo, as características de uma ação 

judicial  de  rito  ordinário,  já  que  se  trata  de  matéria  relativa  ao  Direito 
Processual Civil. 

 

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6.1.1. Mandado de segurança 

O inciso LXIX, artigo 5º, da CF/88, declara expressamente que “conceder-

se-á  mandado  de  segurança  para  proteger  direito  líquido  e  certo,  não 
amparado  por  habeas  corpus  ou  habeas  data,  quando  o  responsável  pela 
ilegalidade  ou  abuso  de  poder  for  autoridade  pública  ou  agente  de  pessoa 
jurídica no exercício de atribuições do poder público”. 

 

Trata-se  de  uma  ação  judicial  de  natureza  civil  que  tramita  pelo  rito 

sumário  (mais  rápido)  e  que  tem  por  objetivo  proteger  direito  líquido  e  certo 
violado ou ameaçado de violação. 

Direito  líquido  e  certo  é  aquele  que  pode  ser  demonstrado  de  imediato, 

mediante  provas  pré-constituídas  que  já  serão  apresentadas  no  momento  da 
propositura da ação (documentos ou fotos, por exemplo). Hely Lopes Meirelles 
afirma que "direito líquido e certo é direito comprovado de plano", o que afasta 
a  denominada  dilação  probatória  (que  nada  mais  é  que  apresentar  as  provas 
posteriormente, a exemplo do que acontece com as famosas “testemunhas”). 

Qualquer  pessoa  física  ou  jurídica  pode  impetrar  um  mandado  de 

segurança, desde que tenha um direito líquido e certo lesado ou ameaçado de 
lesão.  Assim,  o  mandado  de  segurança  pode  ser  repressivo  (contra  ato  ou 
omissão  que  já  aconteceram)  ou  preventivo  (contra  uma  ameaça  de  lesão  a 
direito)  e  deverá  ser  proposto  no  prazo  máximo  de  120  dias  contados  do 
conhecimento oficial da lesão ao direito líquido e certo. 

O  sujeito  passivo  (contra  quem  será  impetrado  o  mandado  de 

segurança)  será  uma  autoridade  pública  ou  agente  de  pessoa  jurídica  no 
exercício  de  atribuições  do  poder  público,  que  tenha  praticado  ilegalidade  ou 
abuso de poder. 

O  mandado  de  segurança  poderá  ser  impetrado  na  forma  individual  ou 

coletiva.  Entretanto,  em  relação  à  última  hipótese,  somente  são  legitimados 
pela Constituição Federal os partidos políticos com representação no Congresso 
Nacional,  organização  sindical,  entidade  de  classe  ou  associação  legalmente 
constituída  e  em  funcionamento  há  pelo  menos  um  ano,  em  defesa  dos 
interesses de seus membros ou associados (artigo 5º, LXX, da CF/88). 

 

6.1.2. Mandado de Injunção 

“Conceder-se-á  mandado  de  injunção  sempre  que  a  falta  de  norma 

regulamentadora  torne  inviável  o  exercício  dos  direitos  e  liberdades 
constitucionais  e  das  prerrogativas  inerentes  à  nacionalidade,  à  soberania  e  à 
cidadania” (artigo 5º, LXXI, CF/88). 

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O mandado de injunção é uma ação constitucional de natureza civil e rito 

especial,  que  tem  por  objetivo  combater  a  omissão  do  Poder  Público  em  sua 
obrigação  de  legislar.  Poderá  ser  impetrado  sempre  que  a  ausência  de  uma 
norma regulamentadora (em função da omissão do Poder Público) inviabilizar o 
pleno  exercício  de  direitos  e  prerrogativas  inerentes  à  nacionalidade,  à 
soberania e à cidadania. 

 

Dois  são  os  requisitos  básicos  para  a  propositura  de  um  mandado  de 

injunção:  que  o  direito  esteja  consagrado  no  texto  constitucional  e  que  esse 
direito  não  possa  ser  exercido  em  virtude  da  ausência  de  uma  lei  que  o 
regulamente. 

 

 

6.1.3. Habeas data 

 

Outro  importante  instrumento  de  controle  dos  atos  e  omissões  da 

Administração Pública é o habeas data, previsto no inciso LXXI do artigo 5º da 
CF/88: 

LXXII - conceder-se-á habeas data: 

a)  para  assegurar  o  conhecimento  de  informações  relativas  à  pessoa  do 
impetrante,  constantes  de  registros  ou  bancos  de  dados  de  entidades 
governamentais ou de caráter público; 

b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo; 

Alexandre  de  Moraes  conceitua  o  habeas  data  como  “uma  ação 

constitucional,  de  caráter  civil,  conteúdo  e  rito  sumário,  que  tem  por  objeto  a 
proteção  do  direito  líquido  e  certo  do  impetrante  em  conhecer  todas  as 
informações  e  registros  relativos  à  sua  pessoa  e  constantes  de  repartições 
públicas ou particulares acessíveis ao público, para eventual retificação de seus 
dados pessoais”. 

É  necessário  que  você  fique  atento  ao  conceito  apresentado, 

principalmente  em  relação  à  expressão  “direito  líquido  e  certo”  (mesmo  que 
isso não seja objeto de provas objetivas de Direito Administrativo, mas sim de 
Constitucional).  

Em  regra,  para  a  proteção  de  direito  líquido  e  certo  o  instrumento 

constitucional utilizado é o mandado de segurança. Todavia, quando o objetivo 
for  acessar  informações  e  registros  relativos  à  própria  pessoa  do 
impetrante, o instrumento cabível será o habeas data.  

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Assim,  caso  o  meu  direito  líquido  e  certo  ao  acesso  de  informações 

coletivas  ou  de  terceiros,  constantes  em  bancos  de  dados  de  entidades 
governamentais  ou  de  caráter  público,  tenha  sido  negado,  o  instrumento 
judicial cabível para combater esse abuso será o mandado de segurança. 

Entretanto,  caso  as  informações  constantes  de  registros  ou  bancos  de 

dados  de  entidades  governamentais  ou  de  caráter  público  sejam  relativas  à 
minha  pessoa  (informações  particulares)  e,  mesmo  assim,  sejam  negadas,  o 
instrumento processual cabível será o habeas data. 

 

6.1.4. Ação popular 

A  professora  Maria  Sylvia  Zanella  di  Pietro  define  a  ação  popular  como 

uma "ação civil pela qual qualquer cidadão pode pleitear a invalidação de atos 
praticados  pelo  poder  público  ou  entidades  de  que  participe,  lesivos  ao 
patrimônio  público,  ao  meio  ambiente,  à  moralidade  administrativa  ou  ao 
patrimônio histórico e cultural, bem como a condenação por perdas e danos dos 
responsáveis pela lesão". 

A  ação  popular  também  está  prevista  expressamente  no  texto 

constitucional,  mais  precisamente  em  seu  artigo  5º,  LXXIII,  nos  seguintes 
termos: 

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que 
vise  anular  ato  lesivo  ao  patrimônio  público  ou  de  entidade  de  que  o 
Estado  participe,  à  moralidade  administrativa,  ao  meio  ambiente  e  ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, 
isento das custas judiciais e do ônus da sucumbência. 

 

Trata-se  de  um  instrumento  disponibilizado  a  todos  os  cidadãos  (eleitor 

que  esteja  em  dia  com  as  suas  obrigações  eleitorais)  a  fim  de  que  possam 
fiscalizar a moralidade administrativa, a prática de atos que possam ser lesivos 
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, a proteção ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.  

Além  disso,  também  pode  ser  utilizada  com  a  finalidade  de  promover  a 

restituição  de  bens  ou  o  ressarcimento  de  danos  em  relação  às  pessoas  que, 
por ação ou omissão, causaram ou deram oportunidade à lesão, bem como em 
relação aos beneficiários do fato (art. 5º, LXXIII, da CF).  

 

 

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6.1.5. Ação civil pública 

A  ação  civil  pública  constitui  certamente  um  dos  mais  importantes 

instrumentos  de  controle  da  Administração  Pública  Brasileira,  ao  lado  do 
mandado  de  segurança,  do  habeas  data,  da  ação  popular  e  outras  ações 
judiciais.  A  exemplo  dos  demais  instrumentos  processuais  citados,  também 
possui  amparo  constitucional  (artigo  129)  e  está  regulamentada  pela  Lei 
7.347/85. 

Tem por objetivo afastar ou evitar lesões a interesses coletivos e difusos, 

a exemplo do meio ambiente, a ordem urbanística, a defesa do consumidor, a 
proteção  ao  patrimônio  histórico  e  cultural,  entre  outros,  e  pode  ser  proposta 
pelos legitimados do artigo 5º da Lei 7.347/85, que assim dispõe: 

Art. 5° Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:  

I - o Ministério Público;  

II - a Defensoria Pública;  

III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;  

IV  -  a  autarquia,  empresa  pública,  fundação  ou  sociedade  de  economia 
mista;  

V - a associação que, concomitantemente:  

a) esteja constituída há pelo menos 01 (um) ano nos termos da lei civil; 

b)  inclua,  entre  suas  finalidades  institucionais,  a  proteção  ao  meio 
ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.  

 

Bem,  conforme  informei  anteriormente,  vários  outros  instrumentos 

judiciais podem ser utilizados com o objetivo de se fazer o controle dos atos e 
atividades  da  Administração  Pública,  a  exemplo  da  ação  direta  de 
inconstitucionalidade  e  ação  declaratória  de  constitucionalidade  (ADI  e  ADC), 
habeas  corpus,  ações  possessórias  (artigos  920  a  933  do  Código  de  Processo 
Civil) e várias outras ações judiciais. 

Todavia,  como  o  nosso  objetivo  aqui  está  relacionado  ao  controle  da 

Administração Pública, é suficiente que você conheça as informações que foram 
apresentadas. 

Simbora  agora  estudar  o  tópico  “Responsabilidade  civil  do 

Estado”! 

 

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1.  Quando  os  Poderes  Executivo,  Legislativo  e  Judiciário  estão  analisando  a 
legalidade de seus próprios atos, tem-se o controle interno de legalidade. 
Por  outro  lado,  quando  a  legalidade  dos  atos  editados  por  um  poder  está 
sendo analisada por outro poder, ocorre o controle externo de legalidade; 

2.  O  controle  de  mérito  do  ato  administrativo,  em  regra,  é  exercido  pelo 
próprio Poder responsável pela sua edição. Assim, somente o Poder Executivo 
pode exercer o controle de mérito dos atos editados pelos seus agentes, o que 
também acontece em relação aos demais poderes; 

3. O controle hierárquico ou por subordinação será exercido no âmbito do 
Poder  Executivo  da  União,  Estados,  Distrito  Federal,  Municípios  e  ainda  nas 
entidades  da  Administração  Pública  Indireta.  Também  irá  ocorrer  no  interior 
dos órgãos administrativos que compõem a estrutura do Poder Judiciário e 
Legislativo, mas nunca em relação ao exercício das respectivas funções típicas 
(judiciária e legislativa); 

4.  Controle  por  vinculação  ou  controle  finalístico  é  o  controle  exercido 
externamente  pelas  entidades  da  Administração  Direta  (União,  Estados, 
Municípios  e  Distrito  Federal)  em  relação  às  entidades  da  Administração 
Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de 
economia mista); 

5. Controle prévio (ou a priori) é aquele exercido antes da consumação do 
ato  administrativo,  possuindo  natureza  preventiva.  Como  exemplo, 
podemos  citar  a  aprovação,  pelo  Senado  Federal,  da  escolha  do  Procurador-
Geral da República (artigo 52, III, “e”, da CF/88); 

6.  Controle  concomitante  é  aquele  que  acontece  ao  mesmo  tempo  em 
que  o  ato  administrativo  ou  a  atividade  da  Administração  estão  sendo 
executados,  permitindo-se,  assim,  tanto  o  controle  preventivo  quanto  o 
repressivo, conforme o andamento do ato ou atividade; 

7.  Controle  subsequente  ou  posterior  (a  posteriori)  é  aquele  efetuado 
após  a  conclusão  do  ato  ou  atividade  administrativa  com  o  objetivo  de 
confirmá-los  ou  corrigi-los,  a  exemplo  do  que  ocorre  na  homologação  de 
um procedimento licitatório ou no controle judicial de atos administrativos; 

8.  Controle  de  ofício  é  aquele  praticado  pela  própria  Administração,  no 
exercício  do  poder  de  autotutela,  independentemente  da  provocação  de 
terceiros.  Ocorre,  por  exemplo,  quando  uma  autoridade  administrativa  anula 
ou revoga um ato administrativo praticado por subordinado; 

9.  Os  recursos  hierárquicos  próprios  são  aqueles  dirigidos  a  autoridades 
ou órgãos imediatamente superiores aos responsáveis pelo ato ou decisão 

RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP 

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impugnados.  Podem  ser  interpostos  mesmo  inexistindo  disposição  legal 
expressa, pois derivam do controle hierárquico que os órgãos e autoridades 
superiores  devem  realizar  em  face  dos  atos  e  atividades  administrativas 
exercidos pelos seus subordinados; 

10.  Recursos  hierárquicos  impróprios  são  aqueles  endereçados  a 
autoridades  ou  órgãos  que  não  são  hierarquicamente  superiores  àqueles 
responsáveis pela edição do ato ou decisão que se deseja impugnar. Podemos 
citar como exemplo um recurso interposto perante uma Secretaria Estadual de 
Governo  em  face  de  decisão  proferida  por  entidade  integrante  da 
Administração  Indireta  daquele  mesmo  Estado  (autarquias,  fundações 
públicas, sociedades de economia mista ou empresas públicas); 

11.  A  propositura  de  recursos  hierárquicos  impróprios  depende  de expressa 
previsão  legal,  já  que  não  existe  relação  de  hierarquia  entre  os  órgãos  ou 
autoridades  que  analisarão  o  pedido  de  reapreciação  da  decisão  ou  ato 
praticado; 

12.  O  TCU  somente  possui  competência  para  apreciar  as  contas  prestadas 
anualmente  pelo  Presidente  da  República  (art.  71,  I,  CF/88),  mas  não 
para julgá-las, pois esta é uma prerrogativa do Congresso Nacional (art. 49, 
I, CF/88); 

13. Os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, podem apreciar 
a  constitucionalidade  das  leis  e  atos  do  Poder  Público,  apesar  de  não 
integrarem  o  Poder  Judiciário.  Entretanto,  destaca-se  que  as  decisões 
proferidas pelos Tribunais de Contas podem ser revistas pelo Poder Judiciário; 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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01.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014)  A 
Coluna  I  enuncia  dois  tipos  de  controle  administrativo,  conforme  a 
presença ou não do quesito hierarquia. 

A Coluna II traz hipóteses concretas na qual há o exercício do controle. 

Correlacione  as  Colunas  I  e  II  conforme  a  presença  ou  não  da 
hierarquia  no  exercício  do  controle  nas  hipóteses  elencadas  na  Coluna 
II.  Ao  final,  assinale  a  opção  que  expresse  a  sequência  correta  para  a 
Coluna I. 

 

COLUNA I    

 

 

 

 

 

 

 

(2) Controle Administrativo Não Hierárquico. 

(1) Controle Administrativo Hierárquico 

 

COLUNA II 

 

(  )  Controle  exercido  entre  os  órgãos  da  administração  direta  que 
sejam escalonados verticalmente em cada poder. 

(  )  Entre  órgãos  que  embora  integrem  uma  só  pessoa  jurídica,  não 
estão na mesma linha de escalonamento vertical. 

( ) Entre órgãos de cada entidade da administração indireta que sejam 
escalonados verticalmente, no âmbito interno da própria entidade. 

(    )  Entre  a  administração  direta  e  a  administração  indireta  (tutela  ou 
controle finalístico). 

 

a) 1, 1, 2, 2 

b) 1, 2, 1, 2 

c) 2, 2, 2, 1 

d) 1, 2, 2, 1 

e) 2, 1, 2, 1 

 

Comentários 

 

Item  I  (Coluna  II)  –  Se  há  escalonamento  vertical  entre  órgãos 

diversos,  dentro  do  mesmo  poder,  não  restam  dúvidas  de  que  estamos  diante 
do controle administrativo hierárquico.  

 

Item  II  (Coluna  II)  –  O  Tribunal  de  Contas  da  União,  apesar  de 

também  ser  considerado  órgão  integrante  da  estrutura  da  pessoa  jurídica 
“União”, exerce o controle não hierárquico dos atos praticados pelos demais 
órgãos do Poder Executivo, por exemplo.  

QUESTÕES COMENTADAS 

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Item III (Coluna II) – Se o controle está sendo exercido entre órgãos 

integrantes  da  estrutura  da  própria  entidade  administrativa  (IBAMA,  por 
exemplo), possui natureza hierárquica. 

 

Item  IV (Coluna II) – Entre a Administração Direta e Indireta não há 

hierarquia,  portanto,  somente  é  possível  que  se  faça  um  controle  não 
hierárquico, a exemplo do controle finalístico.  

 

Gabarito: Letra b. 
 
 
02.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014)  A 
respeito do controle realizado pelo Tribunal de Contas da União, analise 
as  afirmativas  abaixo,  classificando-as  em  verdadeiras  (V)  ou  falsas 
(F). 

Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta. 

( ) Os tribunais de contas, no desempenho de suas  atribuições, podem 
realizar o controle de constitucionalidade das leis. 

(  )  O  Tribunal  de  Contas  da  União  dispõe  de  competência  para 
determinar  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  submetidas  a  seu 
controle. 

(  )  No  caso  de  contrato  administrativo,  cabe  ao  próprio  Tribunal  de 
Contas  da  União  sustar  a  sua  execução,  dando  ciência  dessa 
providência à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. 

a) F, V, V 
b) V, F, F 
c) V, V, V 
d) F, F, V 
e) V, F, V 

Comentários 

Item I - A Súmula n° 347 do Supremo Tribunal Federal dispõe que "o 

Tribunal  de  Contas,  o  exercício  de  suas  atribuições,  pode  apreciar  a 
constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público". Assertiva correta. 

Item  II  –  Em  regra,  a  quebra  de  sigilo  bancário  somente  pode  ser 

determinada  pela  autoridade  judicial  ou  Comissão  Parlamentar  de  Inquérito, 
nos termos do art. 58, § 3º, da CF⁄1988. Assertiva incorreta. 

Item  III  -  No  caso  de  contrato  administrativo,  o  ato  de  sustação  será 

adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, 
ao Poder Executivo as medidas cabíveis. Assertiva incorreta. 

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Gabarito: Letra b. 

 
03.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014) 
Referente  ao  controle  da  administração  pública,  assinale  a  opção 
correta. 
a)  O  Senado  Federal  não  tem  o  poder  de  convocar  Ministro  de  Estado 
para  prestar  pessoalmente  informações  sobre  assunto  previamente 
determinado. 
b) Não é possível supervisão ministerial de empresas estatais. 
c)  O  Congresso  Nacional  não  possui  a  função  de  julgar  anualmente  as 
contas prestadas pelo Presidente da República. 
d) O Poder Judiciário não tem sistema de controle interno. 
e) Ação popular não pode ser proposta por pessoa jurídica. 
 

Comentários 

a)  O  at.  50  da  CF⁄1988  dispõe  que  “a  Câmara  dos  Deputados  e  o  Senado 
Federal,  ou  qualquer  de  suas  Comissões,  poderão  convocar  Ministro  de  Estado 
ou  quaisquer  titulares  de  órgãos  diretamente  subordinados  à  Presidência  da 
República  para  prestarem,  pessoalmente,  informações  sobre  assunto 
previamente  determinado,  importando  crime  de  responsabilidade  a  ausência 
sem justificação adequada”. Assertiva incorreta. 

b)  Tanto  as  empresas  públicas  quanto  as  sociedades  de  economia  mista,  que 
também chamadas de “empresas estatais”, estão sujeitas ao controle finalístico 
realizado pela Administração Direta. Assertiva incorreta. 

c)  O  art.  49,  IX,  da  CF⁄1988,  dispõe  que  é  da  competência  exclusiva  do 
Congresso Nacional “julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da 
República  e  apreciar  os  relatórios  sobre  a  execução  dos  planos  de  governo”. 
Assertiva incorreta. 

d)  Por  imposição  constitucional,  os  Poderes  Legislativo,  Executivo  e  Judiciário 
manterão, de forma integrada, sistema de controle interno (art. 74). Assertiva 
incorreta. 

e)  Somente  o  cidadão,  isto  é,  aquele  que  está  quite  com  as  obrigações 
eleitorais pode propor ação popular. Assertiva correta. 

Gabarito: Letra e. 

 

04. (ESAF⁄PECFAZ – Ministério da Fazenda⁄2013) Quanto ao controle da 
administração pública, é correto afirmar: 

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a) o controle da esfera federal é denominado de tutela, o qual somente 
pode ser exercido nos limites estabelecidos em lei. 
b)  o  controle  político  abrange  aspectos  ligados  somente  ao  mérito  do 
ato administrativo e não a aspectos de legalidade. 
c)  o  controle  financeiro  previsto  na  constituição  federal  compreende 
também o controle da legitimidade. 
d)  não  é  possível  a  apreciação  judicial  dos  atos  discricionários 
praticados  pela  Administração  Pública  por  se  tratar  de  "mérito", 
principalmente  quanto  à  "motivação",  visto  que  abrangido  pela 
oportunidade e conveniência do administrador público. 
e)  o  recurso  administrativo  próprio  é  dirigido  a  órgão  ou  autoridade 
estranha  à  hierarquia  da  que  expediu  o  ato  recorrido  e  por  esse  órgão 
ou autoridade julgado. 

 

Comentários 

a)  O  controle  realizado  pela  Administração  Pública  Direta  Federal  sobre  as 
entidades  da  Administração  Pública  Indireta  é  denominado  “supervisão 
ministerial”. Assertiva incorreta. 

b) O controle político realizado pelo Poder Legislativo abrange tanto os aspectos 
de legalidade quanto de mérito. Assertiva incorreta. 

c) Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que, quanto aos aspectos controlados, 
o  controle  financeiro  compreende o  controle  de  legalidade  dos  atos  de  que 
resultem a arrecadação de receita ou a realização da despesa, o nascimento ou 
a  extinção  de  direitos  e  obrigações;  o  controle  de  legitimidade,  que  a 
Constituição tem como diverso da legalidade; o  controle da economicidade, 
que envolve também questão de mérito, para verificar se o órgão procedeu, na 
aplicação  da  despesa  pública  de  modo  mais  econômico,  atendendo,  por 
exemplo,  uma  adequada  relação  custo-benefício;  o  controle  de  fidelidade 
funcional  dos  agentes  da  Administração,  responsável  por  bens  e  valores 
públicos;  e,  por  último,  o  controle  de  resultado  de  cumprimento  de 
programa de trabalho e de metas. Assertiva correta. 

d) Todos os atos administrativos editados pela Administração Pública, inclusive 
os  discricionários,  estão  sujeitos  ao  controle  de  legalidade  do  Poder 
Judiciário.  O  que  não  se  admite,  regra  geral,  é  a  análise  do  mérito  do  ato 
discricionário, tarefa reservada ao administrador público. Assertiva incorreta. 

e)  Recursos  hierárquicos  próprios  são  aqueles  dirigidos  a  autoridades  ou 
órgãos  imediatamente  superiores  aos  responsáveis  pelo  ato  ou  decisão 
impugnados.  De  outro  lado,  recursos  hierárquicos  impróprios  são  aqueles 
endereçados a autoridades ou órgãos que não são hierarquicamente superiores 

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àqueles  responsáveis  pela  edição  do  ato  ou  decisão  que  se  deseja  impugnar. 
Assertiva incorreta. 

Gabarito: Letra c. 

 
05.  (Analista  Tributário/RFB  2010/ESAF)  O  controle  externo  da 
Administração  Pública,  no  que  está  afeto  ao  Tribunal  de  Contas  da 
União (TCU), compreende 
a)  o  julgamento  das  contas  prestadas  anualmente  pelo  Presidente  da 
República. 
b) a fiscalização da aplicação dos recursos financeiros repassados pela 
União para os Estados, mediante convênio. 
c)  o  julgamento  das  contas  relativas  à  aplicação  das  cotas  dos  Fundos 
de Participação transferidas para os Estados e Municípios. 
d)  o  registro  prévio  das  licitações  e  respectivos  contratos,  para 
compras, obras e serviços. 
e)  o  registro  prévio  dos  atos  de  admissão  dos  servidores  públicos 
federais,  bem  como  o  das  concessões  de  aposentadorias,  reformas  e 
pensões.  

Comentários 

         a)  O  julgamento  das  contas  prestadas  anualmente  pelo  Presidente  da 
República será realizado pelo Congresso Nacional, nos termos do inc. V, do art. 
49, da CF/1988. Assertiva incorreta. 

b) O inc. VI, do art. 71, da CF/1988, dispõe que compete ao Tribunal de 

Contas  da  União  “fiscalizar  a  aplicação  de  quaisquer  recursos  repassados  pela 
União  mediante convênio,  acordo,  ajuste  ou  outros  instrumentos  congêneres, 
a Estado, ao Distrito Federal ou a Município”, o que torna a assertiva correta.  

c)  A  competência  do  Tribunal  de  Contas  da  União  se  restringe  à 

fiscalização,  não  abrangendo  o  julgamento  de  tais  contas,  conforme  consta 
incorretamente na assertiva. 

d)  Não  há  qualquer  dispositivo  constitucional  ou  legal  que  imponha  ao 

Tribunal  de  Contas  da  União  essa  competência,  portanto,  o  texto  da  assertiva 
deve ser considerado incorreto. 

e) O inc. III, do art. 71, da CF/1988, afirma que compete ao Tribunal de 

Contas  da  União  “apreciar,  para  fins  de  registro,  a  legalidade  dos  atos  de 
admissão  de  pessoal,  a  qualquer  título,  na  administração  direta  e  indireta, 
incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as 
nomeações  para  cargo  de  provimento  em  comissão,  bem  como  a  das 
concessões  de  aposentadorias,  reformas  e  pensões,  ressalvadas  as  melhorias 
posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório”. 

Perceba  que  a  competência  do  Tribunal  de  Contas  se  restringe  à 

apreciação  da  legalidade  para  fins  de  registro,  não  sendo  responsável  pelo 
registro em si, o que invalida o texto da assertiva.  

 

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39 

GABARITO: LETRA B. 

 
06. (Auditor-Fiscal/Receita Federal do Brasil 2009/ESAF) Não se inclui 
na  competência  do  Tribunal  de  Contas  da  União,  determinada  pela 
Constituição Federal, enquanto órgão auxiliar do Congresso Nacional na 
realização do controle externo da administração pública federal: 
a)  revogar  os  atos  administrativos  em  que  se  constate  ilegalidade  de 
que  resulte  prejuízo  ao  erário,  comunicando  a  decisão  à  Câmara  dos 
Deputados e ao Senado Federal. 
b)  julgar  as  contas  daqueles  que  derem  causa  a  perda,  extravio  ou 
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público. 
c)  fiscalizar  a  aplicação  de  quaisquer  recursos  repassados  pela  União 
mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, 
a Estado, ao Distrito Federal ou a Município. 
d)  julgar  as  contas  dos  administradores  e  demais  responsáveis  por 
dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta. 
e)  aplicar  aos  responsáveis,  em  caso  de  ilegalidade  de  despesa  ou 
irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, 
entre  outras  cominações,  multa  proporcional  ao  dano  causado  ao 
erário. 

Comentários 

O  controle  de  mérito  dos  atos  administrativos,  em  regra,  é  exercido 

pelo  próprio  Poder  responsável  pela  sua  edição.  Assim,  somente  o  Poder 
Executivo  pode  exercer  o  controle  de  mérito  dos  atos  editados  pelos  seus 
agentes, o que também acontece em relação aos demais poderes.  

Não se admite que o Tribunal de Contas da União efetue a revogação de 

um ato administrativo editado no âmbito da Administração Pública Federal, pois 
essa  prerrogativa  é  assegurada,  com  exclusividade, ao  órgão  responsável  pela 
sua edição, que ocorrerá mediante a análise da conveniência e oportunidade.  

Além disso,  perceba que a  letra “a” afirmou que compete ao Tribunal de 

Contas  da  União  “revogar  os  atos  administrativos  em  que  se  constate 
ilegalidade”, o que não é correto. Lembre-se sempre de que o ato ilegal deve 
ser  anulado  e  não  revogado.  A  revogação  está  relacionada  à  análise  da 
conveniência e oportunidade de manutenção do ato, enquanto a anulação incide 
sobre o ato que foi editado em desconformidade com a lei (ilegalidade). 

 

GABARITO: LETRA A. 

 
07.  (Procurador/TCE  GO  2007/ESAF)  Sobre  o  sistema  de  controle 
interno da União, é correto afirmar 
a)  que  sua  função  é  dependente  do  controle  externo,  ao  qual  se 
subordina e em nome do qual atua. 

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40 

b)  que,  entre  suas  competências,  está  a  de  exercer  o  controle  das 
operações  de  crédito,  avais  e  garantias,  bem  como  dos  direitos  e 
haveres da União. 
c) que, ao contrário do que ocorre com o exercício do controle externo 
pelo Tribunal de Contas da União, não lhe compete avaliar os resultados 
da  execução  dos  programas  de  governo,  salvo  quando  esta  atividade 
estiver vinculada à avaliação das metas previstas no plano plurianual. 
d)  que  ele  é  único,  para  todos  os  Poderes,  que  deverão  mantê-lo  de 
forma integrada. 
e) 

que 

os 

seus 

responsáveis 

poderão 

ser 

solidariamente 

responsabilizados  por  irregularidade  ou  ilegalidade  que,  conhecida  no 
exercício  de  suas  funções,  não  for  cientificada  ao  Ministro  Chefe  da 
Casa Civil da Presidência da República. 
 

Comentários 

a)  O  sistema  de  controle  interno  da  União  não  é  dependente  do  controle 
externo,  já  que  possuem  perspectivas  distintas.  O  sistema  de  controle  interno 
simplesmente  apoiará  o  controle  externo  no  exercício  de  sua  missão 
institucional. Assertiva incorreta.    

b)  As  competências  asseguradas  aos  órgãos  e  às  unidades  do  Sistema  de 
Controle  Interno  do  Poder  Executivo  Federal  estão  arroladas  no  art.  24  da  Lei 
10.180/2001,  e,  entre  elas,  realmente  consta  a  de  “exercer  o  controle  das 
operações de crédito, avais, garantias, direitos e haveres da União” (inc. IV), o 
que torna correta a assertiva.  

c) Compete aos órgãos e às unidades do Sistema de Controle Interno do Poder 
Executivo  Federal  “fiscalizar  e  avaliar  a  execução  dos  programas  de  governo, 
inclusive  ações  descentralizadas  realizadas  à  conta  de  recursos  oriundos  dos 
Orçamentos  da  União,  quanto  ao  nível  de  execução  das  metas  e  objetivos 
estabelecidos  e  à  qualidade  do  gerenciamento”,  o  que  torna  a  assertiva 
incorreta.  

d) O controle interno é exercido no âmbito de cada um dos Poderes, em relação 
aos  seus  próprios  atos.  Desse  modo,  é  possível  concluir  que  o  responsável 
pelo  controle  interno  dos  atos  editados  no  âmbito  do  Poder  Legislativo  é  o 
próprio Legislativo. O mesmo também ocorre em relação ao Poder Executivo e 
Judiciário. Assertiva incorreta. 

e)  As  irregularidades  ou  ilegalidades  conhecidas  no  exercício  de  suas 
respectivas funções deverão ser comunicadas ao Tribunal de Contas da União, e 
não  ao  Ministro  Chefe  da  Casa  Civil  da  Presidência  da  República,  o  que  torna 
incorreta a assertiva. 

 
GABARITO: LETRA B. 
 
(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  ES/2013  -  adaptada)  Em  relação  ao 
controle da administração pública, julgue os itens seguintes. 

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08.  Dada  a  inafastabilidade  do  controle  externo  da  administração 
pública  pelo  Poder  Judiciário  e  pelo  Poder  Legislativo,  admite-se  a 
renúncia pontual do controle interno pelos órgãos de controle do Poder 
Executivo.   

O  art.  70  da  CF⁄1988  dispõe  que  “a  fiscalização  contábil,  financeira, 
orçamentária,  operacional  e  patrimonial  da  União  e  das  entidades  da 
administração 

direta 

indireta, 

quanto 

à 

legalidade, 

legitimidade, 

economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida 
pelo  Congresso  Nacional,  mediante  controle  externo,  e  pelo  sistema  de 
controle interno de cada Poder”.  

Em  razão  de  se  tratar  de  mandamento  previsto  expressamente  no  texto 
constitucional,  não  há  possibilidade  de  renúncia  ao  controle  interno.  Assertiva 
incorreta. 

 

09.  A  autotutela  não  se  inclui  entre  os  tipos  de  controle  da 
administração pública.  

A autotutela é a prerrogativa assegurada à Administração Pública para rever os 
seus  próprios  atos,  anulando-os,  quando  ilegais,  ou  realizando  a  respectiva 
revogação,  quando  se  tornarem  inconvenientes  ou  inoportunos  ao 
interesse público.  

Desse  modo,  não  restam  dúvidas  de  que  a  autotutela  é  de  um  dos  tipos  de 
controle  da  Administração  Pública.  No  caso,  um  tipo  de  controle  interno  de 
seus próprios atos. Assertiva incorreta. 

 

10. O controle da administração pública pode ser interno e externo.   

Controle interno é aquele exercido internamente, por cada um dos Poderes, 
em  relação  aos  seus  próprios  atos.  Podemos  citar  como  exemplo  o  controle 
exercido  pela  Corregedoria  de  Justiça  em  relação  aos  atos  praticados  pelos 
servidores  do  Poder  Judiciário,  ou,  ainda,  o  controle  exercido  por  um  Gerente 
Executivo  do  INSS  em  relação  aos  seus  subordinados.  De  outro  lado,  ocorre 
controle  externo  quando  o  controle  dos  atos  administrativos  é  exercido  por 
um  Poder  diferente  daquele  responsável  pela  sua  edição.  Essa  possibilidade 
está  amparada  no  artigo  2º  da  Constituição  Federal  de  1988,  ao  afirmar  que 
“são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o 
Executivo e o Judiciário”. 

Para  responder  às  questões  de  prova,  lembre-se  de  que  o  controle  finalístico 
exercido  pela  Administração  Pública  Direta  em relação  à Administração  Pública 
Indireta é considerado EXTERNO. Assertiva correta. 

 

11.  O  controle  da  administração  pública  restringe-se  ao  mérito  da 
atividade administrativa sujeita a controle.  

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O  controle  dos  atos  da  Administração  Pública  abrange  tanto  o  mérito  (que 
pode ser exercido pelo Poder Legislativo ou pela própria administração) quanto 
a  legalidade  (exercido  pelo  Poder  Judiciário  ou  pelos  próprios  órgãos 
administrativos internos de controle). Assertiva incorreta. 

 

12.  Não  podem  os  administrados  participar  das  ações  de  controle  da 
administração 

pública, 

uma 

vez 

que 

constituem 

prerrogativas 

exclusivas  dos  agentes  públicos  provocar  o  procedimento  de  controle, 
bem como realizá-lo. 

Além  da  possibilidade  de  exercer  o  controle  de  ofício  de  seus  atos,  a 
Administração  Pública  também  pode  ser  provocada  por  terceiros  com  essa 
finalidade.  Se  é  proferida  decisão  administrativa  desfavorável  a  administrado, 
por  exemplo,  este  poderá  recorrer  à  autoridade  superior  com  o  objetivo  de 
tentar rever a decisão. Assertiva incorreta. 

 

(CESPE/Analista  –  MPU/2013)  Acerca  do  controle  legislativo  da 
administração  e  da  responsabilidade  civil  do  Estado,  julgue  o  item 
seguinte. 

13. No exercício do controle legislativo, compete ao Senado Federal, em 
caráter  privativo,  sustar  os  atos  normativos  do  Poder  Executivo  que 
exorbitem  do  poder  regulamentar,  bem  como  os  contratos  que 
padeçam  de  ilegalidade,  neste  último  caso  mediante  solicitação  da 
Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.  

Nos  termos  da  CF⁄1988,  compete  ao  Congresso  Nacional  sustar  os  atos 
normativos  do  Poder  Executivo  que  exorbitem  do  poder  regulamentar  ou  dos 
limites de delegação legislativa (art. 49, V), e, ainda, os contratos que padeçam 
de  ilegalidade  (art.  71,  §  1º).  Neste  último  caso,  a  sustação  será  feita 
diretamente pelo Congresso Nacional. Assertiva incorreta. 

 

(CESPE/Técnico 

– 

MPU/2013) 

Em 

relação 

ao 

controle 

à 

responsabilização da administração, julgue os itens subsecutivos. 

14. 

direito 

de 

petição 

constitui 

instrumento 

de 

controle 

administrativo da administração pública.    

O direito de petição, previsto no art. 5º, XXXIV, “a”, da CF⁄1988, é instrumento 
de controle da Administração Pública que possibilita a qualquer pessoa (física ou 
jurídica)  dirigir-se  formalmente a uma autoridade do Poder Público com 
o  intuito  de  fazer  uma  reivindicação,  queixa,  solicitar  esclarecimentos  ou 
simplesmente  manifestar  a  sua  opinião  sobre  algo  que  seja  de  seu  próprio 
interesse ou de interesse da coletividade. Assertiva correta. 

 

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(CESPE/Analista  de  Planejamento  –  INPI/2013)  Acerca  de  agentes 
públicos e servidores públicos, julgue os itens subsequentes.  

15.  O  controle  financeiro  exercido pelo  Poder  Legislativo  alcança  tanto 
o  Executivo  como  o  Judiciário  e  sua  própria  administração,  no  que  se 
refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos públicos. Sujeitas a 
esse  controle  estão  as  áreas  de  atuação  contábil,  financeira, 
orçamentária, operacional e patrimonial.  

O  enunciado  da  questão  está  em  conformidade  com  o  art.  70  da  CF⁄1988,  ao 
dispor  que  “a  fiscalização  contábil,  financeira,  orçamentária,  operacional  e 
patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto 
à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia 
de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, 
e pelo sistema de controle interno de cada Poder”. Assertiva correta. 

 

16.  O  controle  administrativo,  que  consiste  no  acompanhamento  e 
fiscalização  do  ato  administrativo  por  parte  da  própria  estrutura 
organizacional,  configura-se  como  controle  de  natureza  interna, 
privativo do Poder Executivo.  

O  controle  administrativo,  que  realmente  possui  natureza  interna,  não  se 
restringe ao Poder Executivo, alcançando também os órgãos administrativos do 
Poder  Legislativo  e  Poder  Judiciário,  que  possuem  a  prerrogativa  de 
controlar  os  seus  próprios  atos,  anulando-os,  confirmando-os,  ou  efetuando  a 
respectiva  revogação,  caso  não  sejam  mais  convenientes  ou  oportunos. 
Assertiva incorreta. 

 

17.  Os  tribunais  de  contas  dispõem  de  competência  para  fiscalizar  a 
legalidade, legitimidade, economicidade, a aplicação de subvenções e a 
renúncia de receitas das entidades da administração direta, razão pela 
qual a Constituição Federal lhes faculta a condição de, como órgãos que 
se  inserem  na  esfera  do  Poder  Executivo,  rever  o  mérito  dos  atos 
administrativos praticados no âmbito desse Poder.   

O  art.  71  da  CF⁄1988  dispõe  que  o  controle  externo,  a  cargo  do  Congresso 
Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Todavia, 
o TCU não integra a estrutura do Poder Executivo. Segundo o entendimento da 
doutrina  majoritária,  trata-se  de  órgão  independente,  que  não  estaria 
inserido  na  estrutura  de  qualquer  dos  poderes.  De  qualquer  forma,  deve  ficar 
claro que o CESPE já elaborou questões afirmando que o TCU está inserido na 
esfera do Poder Legislativo Federal. Assertiva incorreta. 

 

18. No que se refere ao controle da atividade financeira do estado, vem 
entendendo  o  STF  que  o  jurista  responsável  pela  emissão  de  parecer 
que  autorize  a  realização  de  ato  que  importe  lesão  ao  erário  também 
pode  ser  responsabilizado  pelo  conteúdo  de  seu  parecer.  Assim,  ainda 

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que  a  consulta  ao  parecerista  seja  facultativa,  a  autoridade 
administrativa  vincula-se  ao  emitir  o  ato  tal  como  submetido  à 
consultoria, com parecer favorável ou contrário, tornando o parecerista 
também responsável pelo ato, pois somente poderia praticá-lo de forma 
diversa da apresentada à consultoria se o submetesse a novo parecer.  

 

Para  o  STF,  “é  lícito  concluir  que  é  abusiva  a  responsabilização  do 

parecerista à luz de uma alargada relação de causalidade entre seu parecer e o 
ato administrativo do qual tenha resultado dano ao erário. Salvo demonstração 
de culpa ou erro grosseiro, submetida às instâncias administrativo-disciplinares 
ou  jurisdicionais  próprias,  não  cabe  a  responsabilização  do  advogado  público 
pelo  conteúdo  de  seu  parecer  de  natureza  meramente  opinativa”  (MS 
24.631/DF, DJ 01/02/2008). Assertiva incorreta. 

 
19.  (Conhecimentos  básicos/Controladoria  Geral  do  Estado  de 
Pernambuco 

2010/CESPE) 

fiscalização 

contábil, 

financeira, 

orçamentária, operacional e patrimonial da União, no que diz respeito à 
legalidade,  legitimidade,  economicidade,  aplicação  das  subvenções  e 
renúncia de receitas, será exercida mediante controle externo 
A) pela Advocacia Geral da União. 
B)  pelo  Congresso  Nacional,  com  o  auxílio  do  Tribunal  de  Contas  da 
União. 
C) pelo Poder Judiciário. 
D) pela Controladoria Geral da União. 
E) pela Procuradoria Geral da República. 
 

Comentários 

 

 

O  art.  70  da  CF/1988  dispõe  que  “a  fiscalização  contábil,  financeira, 

orçamentária,  operacional  e  patrimonial  da  União  e  das  entidades  da 
administração 

direta 

indireta, 

quanto 

à 

legalidade, 

legitimidade, 

economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida 
pelo  Congresso  Nacional,  mediante  controle  externo,  e  pelo  sistema  de 
controle interno de cada Poder”. 

 

Por  outro  lado,  afirma  o  art.  71  que  o  controle  externo,  a  cargo  do 

Congresso  Nacional,  será  exercido  com  o  auxílio  do  Tribunal  de  Contas  da 
União, o que impõe a marcação da letra “B” como resposta da questão. 

Gabarito: Letra b. 

 

20.  (Procurador/TCE  GO  2007/ESAF)  Sobre  a  fiscalização  contábil, 
financeira,  orçamentária,  operacional  e  patrimonial  da  União  e  das 
entidades da administração direta e indireta, a que se refere o artigo 70 
da Constituição, é correto afirmar que ela 

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a)  será  feita  pelo  sistema  de  controle  interno  de  cada  Poder 
exclusivamente sob o aspecto da legalidade. 
b) se dará, por intermédio tanto do controle externo quanto do controle 
interno 

de 

cada 

Poder, 

quanto 

à 

legalidade, 

legitimidade 

economicidade,  reservando-se  ao  Poder  Legislativo,  por  oportunidade 
da lei orçamentária anual, a verificação quanto à correção da aplicação 
das subvenções e renúncia de receitas. 
c)  se  fará  pelo  sistema  de  controle  externo,  mas  não  pelo  sistema  de 
controle  interno  de  cada  Poder,  quando  se  trate  de  verificar  a 
legitimidade da aplicação das subvenções. 
d) será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e 
pelo sistema de controle interno de cada Poder. 
e) abrangerá a legitimidade da deliberação do Congresso Nacional, por 
oportunidade  da  elaboração  da  lei  orçamentária  anual,  quanto  à 
concessão de subvenções e renúncias de receitas. 
 

Comentários 

O  art.  70  da  CF/1988  dispõe  que  “a  fiscalização  contábil,  financeira, 
orçamentária,  operacional  e  patrimonial  da  União  e  das  entidades  da 
administração 

direta 

indireta, 

quanto 

à 

legalidade, 

legitimidade, 

economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida 
pelo  Congresso  Nacional,  mediante  controle  externo,  e  pelo  sistema  de 
controle interno de cada Poder”. 

Desse modo, não restam dúvidas de que somente a letra “d” pode ser marcada 
como  resposta  da  questão,  já  que  todas  as  demais  alternativas  contrariam  o 
teor do dispositivo constitucional citado. 

Gabarito: letra D. 

 
21. (Procurador/TCE GO 2007/ESAF) Sobre a estrutura e a composição 
do Tribunal de Contas da União, é correto afirmar que 
a) o Auditor, quando no exercício de atribuições de judicatura exceto a 
substituição  a  Ministro,  tem  as  mesmas  garantias  e  impedimentos  de 
juiz de Tribunal Regional Federal. 
b) compete ao Congresso Nacional, mediante resolução de iniciativa de 
qualquer  dos  seus  membros,  organizar  as  secretarias  e  os  serviços 
auxiliares vinculados ao TCU. 
c)  são  requisitos  para  ser  nomeado  Ministro  do  Tribunal  de  Contas  da 
União,  entre  outros,  ser  brasileiro  com  mais  de  trinta  e  cinco  e  menos 
de setenta anos. 
d)  os  seus  ministros  têm  as  mesmas  garantias,  prerrogativas, 
impedimentos,  vencimentos  e  vantagens  dos  Ministros  do  Supremo 
Tribunal Federal. 
e)  ele  tem  quadro  de  pessoal  compartilhado  com  a  Câmara  dos 
Deputados e com o Senado Federal. 
 

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Comentários 

a) O professor Lucas Rocha Furtado afirma que “a existência dos auditores dos 
Tribunais  de  Contas  se  revela  medida  extremamente  salutar,  haja  vista  sua 
seleção  ser  feita  por  meio  de  concurso  público.  O  sistema  de  provimento  do 
cargo de auditor cria situação peculiar  em nosso sistema constitucional. Trata-
se  de  único  cargo  provido  por  concurso  público  em  que  seus  ocupantes  se 
tornam vitalícios com a posse”. 

A  previsão  de  que  terão  as  mesmas  garantias  e  impedimentos  de  juiz  de 
Tribunal Regional Federal, exceto quando na substituição a Ministro do Tribunal 
de Contas da União, consta expressamente no § 4º, do art. 73, da CF/1988, o 
que torna correta a assertiva. 

b)  Nos  termos  do  art.  96,  I,  b,  da  CF/1988,  compete  ao  próprio  Tribunal  de 
Contas  da  União  organizar  as  secretarias  e  os  serviços  auxiliares  que  lhes  são 
vinculados, o que invalida o texto da assertiva.  

c) Conforme dispõe o § 1º, do art. 73, da CF/1988, os Ministros do Tribunal de 
Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes 
requisitos: mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade; 
idoneidade  moral  e  reputação  ilibada;  notórios  conhecimentos  jurídicos, 
contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública; e, ainda, mais 
de  dez  anos  de  exercício  de  função  ou  de  efetiva  atividade  profissional. 
Assertiva incorreta. 

d)  Nos  termos  do  §  3°,  do  art.  73,  da  CF/1988,  “os  Ministros  do  Tribunal  de 
Contas  da  União  terão  as  mesmas  garantias,  prerrogativas,  impedimentos, 
vencimentos  e  vantagens  dos  Ministros  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, 
aplicando-se-lhes,  quanto  à  aposentadoria  e  pensão,  as  normas  constantes  do 
art. 40”. Assertiva incorreta. 

e) Ao contrário do que consta no texto da assertiva, é importante destacar que 
o  Tribunal  de  Contas  da  União  possui  quadro  próprio  de  pessoal,  que,  em 
sentido amplo, é constituído pelos seus Ministros, Auditores, representantes do 
Ministro Público e analistas de controle externo. Assertiva incorreta. 

GABARITO: LETRA A. 

 
(Analista  –  Advocacia/SERPRO  2013/CESPE)  Julgue  o  item  a  seguir, 
referente ao direito administrativo. 

22.  De  acordo  com  a  jurisprudência  do  STF,  os  tribunais  de  contas,  no 
exercício de suas atribuições, não podem apreciar a constitucionalidade 
das leis e dos atos do poder público, em razão de suas decisões serem 
de caráter eminentemente administrativo.  

Os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, podem apreciar 

a  constitucionalidade  das  leis  e  atos  do  Poder  Público,  apesar  de  não 
integrarem o Poder Judiciário. Entretanto, destaca-se que as decisões proferidas 
pelos  Tribunais  de  Contas  podem  ser  revistas  pelo  Poder  Judiciário.  Assertiva 
incorreta. 

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(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Julgue  os  itens 
seguintes quanto ao controle da administração pública. 

23.  Ao  constatar  a  existência  de  ilegalidades  na  execução  de 
determinado  contrato  administrativo,  o  Poder  Legislativo  deve, 
primeiramente,  determinar  prazo  para  que  a  entidade  responsável 
adote  as  medidas  cabíveis  e,  se  não  atendido,  ingressar  com  a  ação 
judicial cabível para a sustação do contrato.  

O  art.  71,  IX,  da  CF⁄1988,  dispõe  que  compete  ao  Tribunal  de  Contas  da 
União  “assinar  prazo  para  que  o  órgão  ou  entidade  adote  as  providências 
necessárias  ao  exato  cumprimento  da  lei,  se  verificada  ilegalidade”.  De  outro 
lado,  é  claro  o  parágrafo  1º  do  art.  71  que  “no  caso  de  contrato,  o  ato  de 
sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, 
de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis”. Assertiva incorreta. 

 

24. Devido à cláusula de reserva de jurisdição, a administração pública 
não pode declarar a nulidade dos seus próprios atos, devendo ingressar 
com a ação judicial cabível para tanto.  

A súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal dispõe que “a administração 
pode  anular  seus  próprios  atos,  quando  eivados  de  vícios  que  os  tornam 
ilegais,  porque  deles  não  se  originam  direitos;  ou  revogá-los,  por  motivo  de 
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, 
em todos os casos, a apreciação judicial”. Assertiva incorreta. 

 

25.  Os  decretos  editados  pelo  governador  que  violem  dispositivos 
legais  não  estarão  submetidos  ao  controle  legislativo,  mas  apenas  ao 
controle judicial de constitucionalidade.  

O  art.  49,  V,  da  CF⁄1988,  dispõe  que  compete  exclusivamente  ao  Congresso 
Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder 
regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.  

Em  razão  do  princípio  da  simetria,  a  mesma  regra  se  aplica  no  âmbito  dos 
Estados,  assegurando  às  Assembleias  Legislativas  a  prerrogativa  de  sustar  os 
decretos regulamentares ilegais editados pelo Governador. Assertiva incorreta. 

 

26. O controle exercido pela administração direta sobre as autarquias é 
finalístico,  externo  e  administrativo  e  não  se  baseia  na  subordinação 
hierárquica.  

A Administração Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) possui 
a  prerrogativa  de  realizar  o  controle  externo,  denominado  finalístico,  em 
relação  às  entidades  da  Administração  Indireta  (autarquias,  fundações 
públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista).  

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48 

Para  responder  às  questões  de  prova,  lembre-se  de  que  se  trata  de  controle 
administrativo. Ademais, não há hierarquia entre as entidades da Administração 
Direta e Indireta. Assertiva correta. 

 

27. As entidades integrantes da administração indireta exploradoras de 
atividade  econômica  e  que  não  prestem  serviços  públicos  não  estão 
submetidas ao controle do tribunal de contas.  

O Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que os Tribunais de 
Contas  devem  exercer  o  controle  externo  em  face  de  todas  as  entidades  da 
Administração  Pública  Indireta,  inclusive  empresas  públicas  e  sociedades  de 
economia  mista,  independentemente  de  prestarem  serviços  públicos  ou 
explorar atividades econômicas. Assertiva incorreta. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

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49 

 
 
01.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014)  A 
Coluna  I  enuncia  dois  tipos  de  controle  administrativo,  conforme  a 
presença ou não do quesito hierarquia. 

A Coluna II traz hipóteses concretas na qual há o exercício do controle. 

Correlacione  as  Colunas  I  e  II  conforme  a  presença  ou  não  da 
hierarquia  no  exercício  do  controle  nas  hipóteses  elencadas  na  Coluna 
II.  Ao  final,  assinale  a  opção  que  expresse  a  sequência  correta  para  a 
Coluna I. 

 

COLUNA I    

 

 

 

 

 

 

 

(2) Controle Administrativo Não Hierárquico. 

(1) Controle Administrativo Hierárquico 

 

COLUNA II 

 

(  )  Controle  exercido  entre  os  órgãos  da  administração  direta  que 
sejam escalonados verticalmente em cada poder. 

(  )  Entre  órgãos  que  embora  integrem  uma  só  pessoa  jurídica,  não 
estão na mesma linha de escalonamento vertical. 

( ) Entre órgãos de cada entidade da administração indireta que sejam 
escalonados verticalmente, no âmbito interno da própria entidade. 

(    )  Entre  a  administração  direta  e  a  administração  indireta  (tutela  ou 
controle finalístico). 

a) 1, 1, 2, 2 

b) 1, 2, 1, 2 

c) 2, 2, 2, 1 

d) 1, 2, 2, 1 

e) 2, 1, 2, 1 

 

 
02.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014)  A 
respeito do controle realizado pelo Tribunal de Contas da União, analise 
as  afirmativas  abaixo,  classificando-as  em  verdadeiras  (V)  ou  falsas 
(F). 

Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta. 

( ) Os tribunais de contas, no desempenho de suas  atribuições, podem 
realizar o controle de constitucionalidade das leis. 

RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO 

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(  )  O  Tribunal  de  Contas  da  União  dispõe  de  competência  para 
determinar  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  submetidas  a  seu 
controle. 

(  )  No  caso  de  contrato  administrativo,  cabe  ao  próprio  Tribunal  de 
Contas  da  União  sustar  a  sua  execução,  dando  ciência  dessa 
providência à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. 

a) F, V, V 
b) V, F, F 
c) V, V, V 
d) F, F, V 
e) V, F, V 
 
03.  (ESAF⁄Analista  Técnico-Administrativo  –  Min.  Turismo⁄2014) 
Referente  ao  controle  da  administração  pública,  assinale  a  opção 
correta. 
a)  O  Senado  Federal  não  tem  o  poder  de  convocar  Ministro  de  Estado 
para  prestar  pessoalmente  informações  sobre  assunto  previamente 
determinado. 
b) Não é possível supervisão ministerial de empresas estatais. 
c)  O  Congresso  Nacional  não  possui  a  função  de  julgar  anualmente  as 
contas prestadas pelo Presidente da República. 
d) O Poder Judiciário não tem sistema de controle interno. 
e) Ação popular não pode ser proposta por pessoa jurídica. 
 
04. (ESAF⁄PECFAZ – Ministério da Fazenda⁄2013) Quanto ao controle da 
administração pública, é correto afirmar: 
a) o controle da esfera federal é denominado de tutela, o qual somente 
pode ser exercido nos limites estabelecidos em lei. 
b)  o  controle  político  abrange  aspectos  ligados  somente  ao  mérito  do 
ato administrativo e não a aspectos de legalidade. 
c)  o  controle  financeiro  previsto  na  constituição  federal  compreende 
também o controle da legitimidade. 
d)  não  é  possível  a  apreciação  judicial  dos  atos  discricionários 
praticados  pela  Administração  Pública  por  se  tratar  de  "mérito", 
principalmente  quanto  à  "motivação",  visto  que  abrangido  pela 
oportunidade e conveniência do administrador público. 
e)  o  recurso  administrativo  próprio  é  dirigido  a  órgão  ou  autoridade 
estranha  à  hierarquia  da  que  expediu  o  ato  recorrido  e  por  esse  órgão 
ou autoridade julgado. 

 

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05.  (Analista  Tributário/RFB  2010/ESAF)  O  controle  externo  da 
Administração  Pública,  no  que  está  afeto  ao  Tribunal  de  Contas  da 
União (TCU), compreende 
a)  o  julgamento  das  contas  prestadas  anualmente  pelo  Presidente  da 
República. 
b) a fiscalização da aplicação dos recursos financeiros repassados pela 
União para os Estados, mediante convênio. 
c)  o  julgamento  das  contas  relativas  à  aplicação  das  cotas  dos  Fundos 
de Participação transferidas para os Estados e Municípios. 
d)  o  registro  prévio  das  licitações  e  respectivos  contratos,  para 
compras, obras e serviços. 
e)  o  registro  prévio  dos  atos  de  admissão  dos  servidores  públicos 
federais,  bem  como  o  das  concessões  de  aposentadorias,  reformas  e 
pensões.  
 
06. (Auditor-Fiscal/Receita Federal do Brasil 2009/ESAF) Não se inclui 
na  competência  do  Tribunal  de  Contas  da  União,  determinada  pela 
Constituição Federal, enquanto órgão auxiliar do Congresso Nacional na 
realização do controle externo da administração pública federal: 
a)  revogar  os  atos  administrativos  em  que  se  constate  ilegalidade  de 
que  resulte  prejuízo  ao  erário,  comunicando  a  decisão  à  Câmara  dos 
Deputados e ao Senado Federal. 
b)  julgar  as  contas  daqueles  que  derem  causa  a  perda,  extravio  ou 
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público. 
c)  fiscalizar  a  aplicação  de  quaisquer  recursos  repassados  pela  União 
mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, 
a Estado, ao Distrito Federal ou a Município. 
d)  julgar  as  contas  dos  administradores  e  demais  responsáveis  por 
dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta. 
e)  aplicar  aos  responsáveis,  em  caso  de  ilegalidade  de  despesa  ou 
irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, 
entre  outras  cominações,  multa  proporcional  ao  dano  causado  ao 
erário. 
 
07.  (Procurador/TCE  GO  2007/ESAF)  Sobre  o  sistema  de  controle 
interno da União, é correto afirmar 
a)  que  sua  função  é  dependente  do  controle  externo,  ao  qual  se 
subordina e em nome do qual atua. 
b)  que,  entre  suas  competências,  está  a  de  exercer  o  controle  das 
operações  de  crédito,  avais  e  garantias,  bem  como  dos  direitos  e 
haveres da União. 
c) que, ao contrário do que ocorre com o exercício do controle externo 
pelo Tribunal de Contas da União, não lhe compete avaliar os resultados 
da  execução  dos  programas  de  governo,  salvo  quando  esta  atividade 
estiver vinculada à avaliação das metas previstas no plano plurianual. 
d)  que  ele  é  único,  para  todos  os  Poderes,  que  deverão  mantê-lo  de 
forma integrada. 

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e) 

que 

os 

seus 

responsáveis 

poderão 

ser 

solidariamente 

responsabilizados  por  irregularidade  ou  ilegalidade  que,  conhecida  no 
exercício  de  suas  funções,  não  for  cientificada  ao  Ministro  Chefe  da 
Casa Civil da Presidência da República. 
 
 
(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  ES/2013  -  adaptada)  Em  relação  ao 
controle da administração pública, julgue os itens seguintes. 

08.  Dada  a  inafastabilidade  do  controle  externo  da  administração 
pública  pelo  Poder  Judiciário  e  pelo  Poder  Legislativo,  admite-se  a 
renúncia pontual do controle interno pelos órgãos de controle do Poder 
Executivo.   

09.  A  autotutela  não  se  inclui  entre  os  tipos  de  controle  da 
administração pública.  

10. O controle da administração pública pode ser interno e externo.   

11.  O  controle  da  administração  pública  restringe-se  ao  mérito  da 
atividade administrativa sujeita a controle.  

12.  Não  podem  os  administrados  participar  das  ações  de  controle  da 
administração 

pública, 

uma 

vez 

que 

constituem 

prerrogativas 

exclusivas  dos  agentes  públicos  provocar  o  procedimento  de  controle, 
bem como realizá-lo. 

 

(CESPE/Analista  –  MPU/2013)  Acerca  do  controle  legislativo  da 
administração  e  da  responsabilidade  civil  do  Estado,  julgue  o  item 
seguinte. 

13. No exercício do controle legislativo, compete ao Senado Federal, em 
caráter  privativo,  sustar  os  atos  normativos  do  Poder  Executivo  que 
exorbitem  do  poder  regulamentar,  bem  como  os  contratos  que 
padeçam  de  ilegalidade,  neste  último  caso  mediante  solicitação  da 
Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.  

 

(CESPE/Técnico 

– 

MPU/2013) 

Em 

relação 

ao 

controle 

à 

responsabilização da administração, julgue os itens subsecutivos. 

14. 

direito 

de 

petição 

constitui 

instrumento 

de 

controle 

administrativo da administração pública.    

 
(CESPE/Analista  de  Planejamento  –  INPI/2013)  Acerca  de  agentes 
públicos e servidores públicos, julgue os itens subsequentes.  

 

 

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53 

15.  O  controle  financeiro  exercido pelo  Poder  Legislativo  alcança  tanto 
o  Executivo  como  o  Judiciário  e  sua  própria  administração,  no  que  se 
refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos públicos. Sujeitas a 
esse  controle  estão  as  áreas  de  atuação  contábil,  financeira, 
orçamentária, operacional e patrimonial.  

16.  O  controle  administrativo,  que  consiste  no  acompanhamento  e 
fiscalização  do  ato  administrativo  por  parte  da  própria  estrutura 
organizacional,  configura-se  como  controle  de  natureza  interna, 
privativo do Poder Executivo.  

17.  Os  tribunais  de  contas  dispõem  de  competência  para  fiscalizar  a 
legalidade, legitimidade, economicidade, a aplicação de subvenções e a 
renúncia de receitas das entidades da administração direta, razão pela 
qual a Constituição Federal lhes faculta a condição de, como órgãos que 
se  inserem  na  esfera  do  Poder  Executivo,  rever  o  mérito  dos  atos 
administrativos praticados no âmbito desse Poder.   

18. No que se refere ao controle da atividade financeira do estado, vem 
entendendo  o  STF  que  o  jurista  responsável  pela  emissão  de  parecer 
que  autorize  a  realização  de  ato  que  importe  lesão  ao  erário  também 
pode  ser  responsabilizado  pelo  conteúdo  de  seu  parecer.  Assim,  ainda 
que  a  consulta  ao  parecerista  seja  facultativa,  a  autoridade 
administrativa  vincula-se  ao  emitir  o  ato  tal  como  submetido  à 
consultoria, com parecer favorável ou contrário, tornando o parecerista 
também responsável pelo ato, pois somente poderia praticá-lo de forma 
diversa da apresentada à consultoria se o submetesse a novo parecer.  

 
19.  (Conhecimentos  básicos/Controladoria  Geral  do  Estado  de 
Pernambuco 

2010/CESPE) 

fiscalização 

contábil, 

financeira, 

orçamentária, operacional e patrimonial da União, no que diz respeito à 
legalidade,  legitimidade,  economicidade,  aplicação  das  subvenções  e 
renúncia de receitas, será exercida mediante controle externo 
A) pela Advocacia Geral da União. 
B)  pelo  Congresso  Nacional,  com  o  auxílio  do  Tribunal  de  Contas  da 
União. 
C) pelo Poder Judiciário. 
D) pela Controladoria Geral da União. 
E) pela Procuradoria Geral da República. 
 
20.  (Procurador/TCE  GO  2007/ESAF)  Sobre  a  fiscalização  contábil, 
financeira,  orçamentária,  operacional  e  patrimonial  da  União  e  das 
entidades da administração direta e indireta, a que se refere o artigo 70 
da Constituição, é correto afirmar que ela 
a)  será  feita  pelo  sistema  de  controle  interno  de  cada  Poder 
exclusivamente sob o aspecto da legalidade. 
b) se dará, por intermédio tanto do controle externo quanto do controle 
interno 

de 

cada 

Poder, 

quanto 

à 

legalidade, 

legitimidade 

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54 

economicidade,  reservando-se  ao  Poder  Legislativo,  por  oportunidade 
da lei orçamentária anual, a verificação quanto à correção da aplicação 
das subvenções e renúncia de receitas. 
c)  se  fará  pelo  sistema  de  controle  externo,  mas  não  pelo  sistema  de 
controle  interno  de  cada  Poder,  quando  se  trate  de  verificar  a 
legitimidade da aplicação das subvenções. 
d) será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e 
pelo sistema de controle interno de cada Poder. 
e) abrangerá a legitimidade da deliberação do Congresso Nacional, por 
oportunidade  da  elaboração  da  lei  orçamentária  anual,  quanto  à 
concessão de subvenções e renúncias de receitas. 
 

 

21. (Procurador/TCE GO 2007/ESAF) Sobre a estrutura e a composição 
do Tribunal de Contas da União, é correto afirmar que 
a) o Auditor, quando no exercício de atribuições de judicatura exceto a 
substituição  a  Ministro,  tem  as  mesmas  garantias  e  impedimentos  de 
juiz de Tribunal Regional Federal. 
b) compete ao Congresso Nacional, mediante resolução de iniciativa de 
qualquer  dos  seus  membros,  organizar  as  secretarias  e  os  serviços 
auxiliares vinculados ao TCU. 
c)  são  requisitos  para  ser  nomeado  Ministro  do  Tribunal  de  Contas  da 
União,  entre  outros,  ser  brasileiro  com  mais  de  trinta  e  cinco  e  menos 
de setenta anos. 
d)  os  seus  ministros  têm  as  mesmas  garantias,  prerrogativas, 
impedimentos,  vencimentos  e  vantagens  dos  Ministros  do  Supremo 
Tribunal Federal. 
e)  ele  tem  quadro  de  pessoal  compartilhado  com  a  Câmara  dos 
Deputados e com o Senado Federal. 
 
(Analista  –  Advocacia/SERPRO  2013/CESPE)  Julgue  o  item  a  seguir, 
referente ao direito administrativo. 

22.  De  acordo  com  a  jurisprudência  do  STF,  os  tribunais  de  contas,  no 
exercício de suas atribuições, não podem apreciar a constitucionalidade 
das leis e dos atos do poder público, em razão de suas decisões serem 
de caráter eminentemente administrativo.  

 

(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Julgue  os  itens 
seguintes quanto ao controle da administração pública. 

23.  Ao  constatar  a  existência  de  ilegalidades  na  execução  de 
determinado  contrato  administrativo,  o  Poder  Legislativo  deve, 
primeiramente,  determinar  prazo  para  que  a  entidade  responsável 
adote  as  medidas  cabíveis  e,  se  não  atendido,  ingressar  com  a  ação 
judicial cabível para a sustação do contrato.  

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55 

24. Devido à cláusula de reserva de jurisdição, a administração pública 
não pode declarar a nulidade dos seus próprios atos, devendo ingressar 
com a ação judicial cabível para tanto.  

25.  Os  decretos  editados  pelo  governador  que  violem  dispositivos 
legais  não  estarão  submetidos  ao  controle  legislativo,  mas  apenas  ao 
controle judicial de constitucionalidade.  

26. O controle exercido pela administração direta sobre as autarquias é 
finalístico,  externo  e  administrativo  e  não  se  baseia  na  subordinação 
hierárquica.  

27. As entidades integrantes da administração indireta exploradoras de 
atividade  econômica  e  que  não  prestem  serviços  públicos  não  estão 
submetidas ao controle do tribunal de contas.  

 
 

GABARITO 

01.B 

02.B 

03.E 

04.C 

05.B 

06.A 

07.B 

08.F 

09.F 

10.V 

11.F 

12.F 

13.F 

14.V 

15.V 

16.F 

17.F 

18.F 

19.B 

20.D 

21.A 

22.F 

23.F 

24.F 

25.F 

26.V 

27.F 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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56 

 

 

1. Considerações iniciais .............................................................   

57 

2. Evolução histórica .................................................................... 

58 

3. A responsabilidade objetiva prevista no art. 37, § 6º, CF/1988 

62 

4. Causas excludentes da responsabilidade do Estado ................. 

66 

5.  A  responsabilidade  civil  do  Estado  em  virtude  da  omissão  dos  seus 
agentes ........................................................................................ 

71 

6. Situações especiais abrangidas pela responsabilidade objetiva  

73 

 

6.1. Responsabilidade por dano nuclear ............................... 

73 

 

6.2. Danos de obra pública ................................................... 

74 

 

6.3 Atos legislativos ............................................................. 

75 

 

6.4. Atos judiciais ................................................................. 

76 

 

6.5. Coisas ou pessoas sob a responsabilidade do Estado .... 

76 

 

6.5.1. Suicídio de detento ..................................................... 

77 

 

7. Responsabilidade civil e prazo quinquenal ............................... 

78 

 

7.1. Atos de tortura .............................................................. 

80 

8. Ação regressiva em face do agente público .............................. 

80 

9.  Responsabilidade  administrativa,  civil  e  penal  dos  agentes  públicos 
causadores do dano ao particular ................................................. 

84 

10. Super Revisão de Véspera de Prova ........................................ 

88 

11. Questões comentadas .............................................................     90 

12. Questões para fixação do conteúdo ........................................   109 

 

SUMÁRIO – RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 

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Curso preparatório para Auditor Fiscal da RFB – Direito Administrativo 

Aula 07 – Controle e Responsabilidade Civil da Administração Pública 

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57 

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 

Conforme  consagra  o  caput,  artigo  1º,  da  CF/1988,  a  República 

Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e, portanto, 
todos nós (inclusive o próprio Estado) somos regidos por leis que foram criadas 
para atender às necessidades do povo. 

Tais leis são necessárias para que as relações jurídicas entre os indivíduos 

possam ocorrer de forma harmônica, já que todos saberão, com antecedência, 
quais  são  os  direitos  e  deveres  inerentes  a  cada  um  para  que  possamos  viver 
em sociedade. 

Nesse  contexto,  o  Código  Civil  brasileiro  declara  expressamente,  em  seu 

artigo  186,  que  “aquele  que,  por  ação  ou  omissão  voluntária,  negligência  ou 
imprudência,  violar  direito  e  causar  dano  a  outrem,  ainda  que  exclusivamente 
moral, comete ato ilícito”. Já o artigo 927, também do Código Civil, prevê que 
“aquele  que,  por  ato  ilícito  (arts.  186  e  187),  causar  dano  a  outrem,  fica 
obrigado a repará-lo”. 

 

Analisando-se os citados artigos, conclui-se que as vítimas de atos ilícitos 

podem  exigir  a  reparação  dos  danos  morais  e/ou  materiais  que  porventura 
sofrerem em virtude de omissões ou ações praticadas por outros particulares.  

 

Caso não seja possível efetuar a reparação do dano de forma “amigável”, 

a  vítima  poderá,  então,  recorrer  ao  Poder  Judiciário,  exigindo  providências  do 
Estado, ou seja, o cumprimento da lei. 

 

A  obrigação  de  reparar  os  danos/prejuízos  causados  a  terceiros  não  é 

exclusiva dos particulares, pois incide também em relação ao Estado.  

Entretanto,  tal  obrigação  não  é  proveniente  de  contratos  celebrados 

pelo  Estado  com  terceiros,  denominada  responsabilidade  contratual,  pois, 
nesses casos, os possíveis prejuízos se resolvem com base nos próprios termos 
contratuais.  Também  não  se  refere  à  obrigação  de  indenizar  em  virtude  do 
legítimo  exercício  de  poderes  em  face  do  direito  de  terceiros,  como  ocorre 
frequentemente  no  caso  da  desapropriação  e,  algumas  vezes,  no  caso  de 
servidões.  

 

Conforme  afirma  o  professor  Celso  Antônio  Bandeira  de  Mello,  tal 

obrigação  deriva  da  responsabilidade  EXTRACONTRATUAL  do  Estado  face  a 
comportamentos  unilaterais,  comissivos  ou  omissivos,  legais  ou  ilegais, 
materiais ou jurídicos, que a ele são atribuídos.  

 

 

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58 

 

É por isso que, em alguns livros, você irá encontrar o presente tópico com 

o  nome  de  “Responsabilidade  Extracontratual  do  Estado”,  “Responsabilidade 
patrimonial  do  Estado”  ou,  ainda,  “Responsabilidade  civil  da  Administração 
Pública”, o que em nada irá interferir no conteúdo que será apresentado. 

 

Antes  de  passarmos  para  o  próximo  item,  é  necessário  chamar  a  sua 

atenção para o fato de que a responsabilidade civil do Estado, pelos danos 
que seus agentes causem a terceiros, não se confunde com a responsabilidade 
civil, penal ou administrativa dos agentes públicos responsáveis pelo dano. 

Além  da  responsabilização  do  Estado,  que  irá  ocorrer  exclusivamente 

na esfera civil, o agente público também poderá ser responsabilizado, mas em 
três esferas distintas: civil, penal e administrativa, se for o caso. 

As  responsabilidades  civil,  penal  e  administrativa,  em  regra,  são 

independentes entre si, podendo, ainda, cumular-se, conforme veremos mais a 
frente.  

Em  alguns  casos,  além  de  o  Estado  ser  obrigado  a  reparar 

financeiramente  (civilmente)  o  particular  pelos  danos  causados  pelos  seus 
agentes, estes ainda podem responder simultaneamente na esfera penal (caso 
a  conduta  ou  omissão  seja  tipificada  como  crime  ou  contravenção), 
administrativa  (caso  o  ato  omissivo  ou  comissivo  seja  praticado  no 
desempenho  do  cargo  ou  função  e  previsto  como  infração  funcional)  e  civil, 
sendo obrigados a devolver aos cofres públicos os valores que foram utilizados 
pelo Estado para indenizar os danos causados aos particulares. 

 

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA 

 

Conforme  veremos  a  seguir,  vigora  no  Brasil  a  responsabilidade 

objetiva do Estado pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, sob a 
modalidade do risco administrativo.  

Entretanto,  nem  sempre  foi  assim,  pois  em  outras  épocas  não  era 

possível responsabilizar civilmente o Estado, vejamos: 

 

2.1. Irresponsabilidade do Estado 

 

Historicamente, por muitos anos, vigorou a máxima de que “O Rei nunca 

erra” (The King can do no wrong) ou “O Rei não pode fazer mal” (Le roi ne peut 
mal faire).  

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Durante  esse  período,  notadamente  nos  regimes  absolutistas,  o  Estado 

NÃO  PODIA  SER  RESPONSABILIZADO  pelos  danos  que  causasse  aos 
particulares no exercício das funções estatais. 

 

Entretanto,  mesmo  durante  esse  período,  os  indivíduos  não  ficavam 

totalmente  desamparados  de  proteção  em  virtude  dos  danos  sofridos,  pois 
existia  a  possibilidade  de  responsabilização  individual  dos  agentes  públicos 
que,  atuando  com  dolo  ou  culpa,  acarretassem  danos  a  terceiros.  A 
responsabilidade,  nesse  caso,  recaía  sobre  o  próprio  agente  e  não  sobre  o 
Estado. 

 

Conforme  nos  informa  o  professor  Diógenes  Gasparini,  o  princípio  da 

responsabilidade  do  agente  público,  em  lugar  da  responsabilidade  do  Estado, 
estava previsto na Constituição de 1824, no item 29, artigo 179.  

No  item  29  do  artigo  179,  o  próprio  Imperador  fazia  a  ressalva  de  que 

não estava submetido a qualquer responsabilidade. 

 

Apesar  da  necessidade  de  você  ter  conhecimento  dessa  teoria  para 

responder  às  questões  de  concursos,  destaca-se  que  ela  está  inteiramente 
superada,  mesmo  nos  Estados  Unidos  e  na  Inglaterra,  que  foram  os  últimos 
países a abandoná-las, em 1946 e 1947, respectivamente. 

 

2.2. Responsabilidade subjetiva do Estado ou Teoria da “culpa civil” 

 

Segundo  essa  teoria,  o  Estado  seria  equiparado  ao  particular  para  fins 

de  indenização.  Em  regra,  como  os  particulares  somente  podem  ser 
responsabilizados pelos seus atos quando atuam com dolo (desejo de causar o 
dano) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia), tais requisitos também 
deveriam ser demonstrados a fim de que se pudesse responsabilizar o Estado.  

 

Tanto  o  Estado  quanto  o  particular  eram  tratados  de  forma  igualitária  e, 

sendo  assim,  ambos  respondiam  nos  termos  do  direito  privado,  sendo 
imprescindível  a  demonstração  do  dolo  ou  culpa  para  que  ocorresse  a 
responsabilização.   

 

Essa teoria passou a vigorar no Brasil com o advento do Código Civil, de 

1916  e,  somente  em  1946,  com  a  promulgação  da  Constituição,  deixou  de 
existir. 

 

2.3. Teoria da Culpa Administrativa ou da faute du service 

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60 

 

Essa  teoria  relaciona-se  à  possibilidade  de  responsabilização  do  Estado 

em virtude do serviço público prestado de forma insatisfatória, defeituosa ou 
ineficiente.  

Não é necessário que ocorra uma falta individual do agente público, mas 

uma deficiência no funcionamento normal do serviço, atribuível a um ou vários 
agentes da Administração, que não lhes seja imputável a título pessoal.  

 

Nesse caso, a vítima tem o dever de comprovar a falta do serviço (ou a 

sua  prestação  insuficiente  ou  insatisfatória)  para  obter  a  indenização,  além  de 
ser  obrigada  a  provar  ainda  uma  “culpa  especial”  do  Estado,  ou  seja,  provar 
que o Estado é responsável por aquela “falta” do serviço público. 

 

O  professor  Diógenes  Gasparini  cita  alguns  exemplos  em  que  ocorrerá  a 

culpa do serviço e, portanto, a obrigação de o Estado indenizar o dano causado:  

1º ) Caso devesse existir um serviço de prevenção e combate a incêndio 
em  prédios  altos,  mas  não  houvesse  (o  serviço  não  funcionava,  não 
existia); 

2º)  O  serviço  de  prevenção  e  combate  a  incêndio  existisse,  mas  ao  ser 
demandado  ocorresse  uma  falha,  a  exemplo  da  falta  d´água  ou  do 
emperramento de certos equipamentos (o serviço funcionava mal); 

3º) O serviço de prevenção e combate a incêndio existisse, mas chegasse 
ao  local  do  evento  depois  que  o  fogo  já  consumira  tudo  (o  serviço 
funcionou atrasado). 

 

Sendo  assim,  gostaria  que  ficasse  bem  claro  que  a  teoria  francesa  da 

faute du service se enquadra como hipótese de responsabilidade subjetiva, 
já  que  compete  à  vítima  provar  a  “falta  do  serviço”  e  a  responsabilidade  do 
Estado  pela  sua  prestação,  posicionamento  também  defendido  pelo  professor 
Celso Antônio Bandeira de Mello.  

Esse  também  é  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que,  ao 

julgar  o  Recurso  Especial  703741,  declarou  que  “[...]  A  responsabilidade  civil 
por omissão, quando a causa de pedir a ação de reparação de danos assenta-se 
no  faute  du  service  publique,  é  subjetiva,  uma  vez  que  a  ilicitude  no 
comportamento omissivo é aferido sob a hipótese de o Estado deixar de agir na 
forma da lei e como ela determina”.  

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Juiz  do  Trabalho  Substituto 

do TRT da 7ª Região, realizado em 2005, a ESAF considerou incorreta a 
seguinte  assertiva:  “A  teoria  francesa  da  ‘faute  du  service’  é 
enquadrada como hipótese de responsabilidade objetiva”. 

 

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61 

2.4. Teoria do risco administrativo 

 

Essa  é  a  teoria  adotada  pela  Constituição  Federal  de  1988  e,  portanto, 

iremos  estudá-la  com  mais  detalhes  nos  próximos  itens.  De  qualquer  forma, 
você já deve ter em mente que nesta modalidade de responsabilização não se 
exige a culpa ou dolo do agente público, nem a demonstração da “falta do 
serviço”.   

Para  que  o  indivíduo  seja  indenizado,  basta  que  comprove  a  existência 

do fato danoso e injusto ocasionado por ação do Estado.  

O professor Hely Lopes Meirelles   esclarece  que  tal  teoria  baseia-se  no 

risco  que  a  atividade  pública  gera  para  os  administrados,  bem  como  na 
possibilidade  de  acarretar  danos  a  certos  membros  da  comunidade,  impondo-
lhes um ônus que não é suportado pelos demais.  

Sendo  assim,  para  compensar  essa  desigualdade  individual,  criada  pelo 

próprio  Estado,  todos  os  outros  componentes  da  coletividade  devem  concorrer 
para a reparação do dano. 

 

2.5. Teoria do risco integral 

 

Com  base  em  tal  teoria,  o  Estado  é  responsável  por  qualquer  dano 

causado ao indivíduo na gestão de seus serviços, independentemente da culpa 
da própria vítima, caso fortuito ou força maior.  

Para  que  o  Estado  seja  obrigado  a  indenizar,  basta  que  esteja  envolvido 

no dano causado. Exemplo: se um indivíduo se jogar na frente de um caminhão 
de  lixo  que  está  realizando  o  serviço  de  limpeza  urbana,  objetivando  um 
suicídio,  ainda  sim  o  Estado  estaria  obrigado  a  indenizar  a  família  da  vítima, 
pois o caminhão que “passou por cima” do suicida pertence ao Estado. 

 

É fácil perceber que a teoria do risco integral escapa ao bom senso, pois 

não 

prevê 

qualquer 

hipótese 

de 

exclusão 

ou 

redução 

da 

responsabilidade do Estado em relação ao evento danoso, ao contrário do 
que  ocorre,  por  exemplo,  na  teoria  do  risco  administrativo,  como  veremos 
adiante.  

 

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Analista  da  Secretaria  de 

Fazenda  do  Ceará,  realizado  em  2007,  a  ESAF  elaborou  a  seguinte 
questão abordando a teoria do risco integral: 

 

 

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62 

(ESAF/Analista de Tecnologia da Informação - SEFAZ CE/2007) A teoria 
que  responsabiliza  o  Estado  pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a 
terceiros  sem  admitir  qualquer  excludente  de  responsabilidade  em 
defesa do Estado denomina-se teoria               
a) objetiva.               
b) subjetiva.               
c) da falta do serviço.               
d) da irresponsabilidade.               
e) do risco integral. 
 
Gabarito: Letra “e” 

 

3. A RESPONSABILIDADE OBJETIVA PREVISTA NO ARTIGO 37, § 6º DA 
CF/88 

 

 O nosso ordenamento jurídico pátrio, durante muito tempo, oscilou entre 

as  doutrinas  subjetiva  e  objetiva  da  responsabilidade  civil  do  Estado. 
Entretanto, a Constituição Federal de 1988 decidiu pela responsabilidade civil 
objetiva do Estado, sob a modalidade do risco administrativo.  

 

Sendo assim, para que o Estado seja obrigado a indenizar o dano causado 

por  seus  agentes,  é  suficiente  que  o  particular  prejudicado  comprove  o  dano 
existente  e  o  nexo  causal  entre  a  ação  do  agente  e  o  evento  danoso.  Não  é 
necessário  que  o  particular  comprove  que  o  agente  público  agiu  com  dolo  ou 
culpa, pois isso é irrelevante para efeitos de indenização estatal. 

O  professor  Alexandre  de  Moraes  afirma  ser  necessária  a  presença  dos 

seguintes requisitos para que o Estado seja obrigado a indenizar: ocorrência do 
dano;  ação  administrativa;  existência  de  nexo  causal  entre  o  dano  e  a  ação 
administrativa e ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. 

 

A possibilidade de responsabilizar o Estado pelos danos que seus agentes 

causarem  a  terceiros  possui  amparo  no  próprio  texto  constitucional,  mais 
precisamente no artigo 37, § 6º, da CF/1988, que assim declara: 

§  6º.  As  pessoas  jurídicas  de  direito  público  e  as  de  direito  privado 
prestadoras  de  serviços  públicos  responderão  pelos  danos  que  seus 
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de 
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 

 

Para  que  possamos  responder  mais  facilmente  às  questões  elaboradas 

pelas bancas examinadoras, principalmente da ESAF, é necessário que façamos 
um detalhamento das informações que podem ser extraídas do § 6º, do artigo 
37, da CF/88. Avante! 

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63 

 

No  processo  seletivo  do  plano  de  cargos  do  Ministério  da  Fazenda, 
realizado  em  2013,  a  ESAF  considerou  correta  a  seguinte  assertiva:  “A 
Constituição Federal prevê a responsabilidade objetiva da Administração Pública, 
garantindo que as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que 
prestem  serviços  públicos  respondam  pelos  atos  de  seus  agentes  que,  nessa 
qualidade,  causem  dano  a  terceiros,  com  direito  de  regresso  contra  o 
responsável nos casos de dolo ou culpa”. 

 

3.1.  A  abrangência  da  expressão  “as  pessoas  jurídicas  de  direito 

público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos” 

 

Na  expressão  destacada  acima,  devemos  incluir  como  pessoas  jurídicas 

de  direito  público  a  União,  os  Estados,  os  Municípios,  o  Distrito  Federal,  as 
autarquias e as fundações públicas regidas pelo Direito Público. 

 

Como  pessoas  jurídicas  de  Direito  Privado  prestadoras  de  serviços 

públicos,  incluímos  as  empresas  públicas  e  sociedades  de  economia  mista, 
desde  que  prestadoras  de  serviços  públicos,  e  também  as  empresas 
privadas, mesmo não integrantes da Administração Pública, desde que prestem 
serviços  públicos,  a  exemplo  das  concessionárias,  permissionárias  e 
autorizatárias de serviços públicos. 

Até o mês de agosto de 2009, prevalecia no Supremo Tribunal Federal o 

entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos não 
poderiam  ser  responsabilizadas  objetivamente  pelos  danos  causados  pelos 
seus  agentes  aos  terceiros  que  não  fossem  usuários  do  serviço  público 
prestado. 

 

No julgamento do Recurso Extraordinário 262.651/SP, em 16/11/2004, de 

relatoria  do  Ministro  Carlos  Veloso,  o  STF  decidiu  que  “a  responsabilidade 
objetiva  das  prestadoras  de  serviço  público  não  se  estende  a  terceiros  não-
usuários,  já  que  somente  o  usuário  é  detentor  do  direito  subjetivo  de  receber 
um  serviço  público  ideal,  não  cabendo  ao  mesmo,  por  essa  razão,  o  ônus  de 
provar a culpa do prestador do serviço na causação do dano.”  

 

Desse  modo,  se  um  ônibus  pertencente  a  uma  concessionária  de  serviço 

público de transporte coletivo urbano colidisse com um automóvel particular, a 
responsabilidade civil daquela seria de natureza subjetiva, isto é, o particular 
somente  seria  indenizado  pelos  prejuízos  sofridos  se  provasse  o  dolo  ou  a 
culpa  do  motorista  da  empresa,  já  que  não  estava  usufruindo  dos  serviços 
prestados pela mesma. 

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Todavia,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  591.874,  em 

26/08/2009, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal 
Federal  decidiu  que  “a  Constituição  Federal  não  faz  qualquer  distinção  sobre  a 
qualificação  do  sujeito  passivo  do  dano,  ou  seja,  não  exige  que  a  pessoa 
atingida pela lesão ostente a condição de usuário do serviço”.  

 

Desse  modo,  passou  a  vigorar  no  Supremo  Tribunal  Federal  o 

entendimento  de  que  as  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  públicos 
respondem  objetivamente  pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a 
terceiros,  inclusive  aqueles  que  não  estejam  usufruindo  dos  serviços 
prestados,  a  exemplo  do  particular  que  tem  o  seu  carro  atingido  por  um 
ônibus pertencente a concessionária prestadora de serviços públicos. 

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Fiscal  de  Rendas  do  Rio  de 

Janeiro,  realizado  em  2010,  a  ESAF  considerou  correta  a  seguinte 
assertiva:  “A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  de  direito 
privado  prestadoras  de  serviço  público  é  objetiva  em  relação  aos 
usuários,  bem  como  em  relação  a  terceiros  não  usuários  do  serviço 
público”.    

Além disso, não se esqueça de que as empresas públicas e sociedades de 

economia  mista,  exploradoras  de  atividades  econômicas,  não  são 
alcançadas pelo § 6º, do artigo 37, da CF/1988.  

As  empresas  públicas  e  sociedades  de  economia  mista,  exploradoras  de 

atividades  econômicas  (podemos  citar  como  exemplo  a  Petrobrás,  a  Caixa 
Econômica  Federal,  o  Banco  do  Brasil  etc.),  respondem  pelos  danos  que  seus 
agentes  causarem  a  terceiros  de  acordo  com  as  regras  do  Direito  Privado, 
assim como acontece com os seus concorrentes no mercado.  

Em virtude de responderem pelos danos causados pelos seus agentes em 

conformidade com as regras de direito privado, desde já, é necessário que você 
saiba  que  a  responsabilidade  de  tais  pessoas  jurídicas  será  SUBJETIVA,  ao 
contrário  daquela  preconizada  no  do  §  6º,  do  artigo  37,  da  CF/1988,  que  é 
OBJETIVA, em regra. 

 

3.2.  A  abrangência  da  expressão  “pelos  danos  que  seus  agentes, 

nessa qualidade, causarem a terceiros” 

 

A  denominada  “teoria  do  órgão”,  elaborada  pelo  professor  alemão  Otto 

Friedrich von Gierke, declara que os atos praticados pelos agentes públicos são 
imputados  ao  Estado,  já  que  este  não  possui  condições  de  se  expressar  por 
conta própria e, portanto, se manifesta através de seus agentes. 

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Sendo  assim,  quando  um  agente  público,  no  exercício  de  suas  funções 

administrativas, pratica um ato lesivo  a outrem, é como se o próprio Estado o 
tivesse praticado e, por isso, deve então ser obrigado a indenizar. 

 

Para  que  o  ato  praticado  pelo  agente  público  possa  ser  imputado  ao 

Estado, é necessário que exista uma relação entre o ato e o serviço, ou seja, é 
essencial  que  o  ato  ou  ação  lesiva  tenham  sido  praticados  para  o  serviço  ou 
durante  a  prestação  do  serviço  público.  Se  a  condição  de  agente  público  tiver 
contribuído  de  algum  modo  para  a  prática  do  ato  danoso,  ainda  que 
simplesmente lhe proporcionando a oportunidade para o comportamento ilícito, 
responde o Estado pela obrigação de indenizar. 

 

Ao  referir-se  a  “agentes”,  o  constituinte  não  restringiu  o  alcance  do 

texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo também os 
celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de economia mista 
e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços públicos), os 
contratados  temporariamente  em  razão  de  necessidade  temporária  de 
excepcional  interesse  público,  bem  como  todos  aqueles  que  exercem  funções 
públicas,  ainda  que  transitoriamente  e  sem  remuneração,  incluindo-se  os 
agentes delegados (oficiais de cartório, por exemplo). 

 

Fato importante, e que deve ser lembrando no momento da prova, é que 

os  agentes  públicos  devem  ter  atuado  na  “condição  de  agente”  ao  causar  o 
dano, pois, caso contrário, não será possível responsabilizar o Estado.  

 

Exemplo:  suponhamos  que  um  servidor  do  Ministério  da  Fazenda  tenha 

acabado  de  sair  do  trabalho,  chegado  em  casa  estressado  e,  ao  encontrar  a 
empregada  doméstica,  tenha  lhe  desferido  vários  “tabefes”  na  cara  alegando 
que precisava descarregar em alguém o desgastante dia de trabalho.  

Pergunta  para  não  zerar  a  prova:  nesse  caso,  a  União  poderá  ser 

responsabilizada pelos danos que o seu agente causou ao particular? 

 

É  lógico  que  não,  pois  o  servidor  do  Ministério  da  Fazenda,  naquele 

momento,  não  estava  no  exercício  da  função  de  agente  público.  Era  apenas 
uma pessoa como outra qualquer. 

 

Pergunta:  e  se  o  servidor,  no  dia  seguinte,  mas  ainda  estressado, 

tivesse se deslocado em um veículo da União para fazer um trabalho externo e, 
a  180  km  por  hora,  colidisse  com  um  veículo  particular.  Neste  caso,  como  o 
servidor dirigia a 180km/h, a União poderá ser responsabilizada? 

É  claro,  pois  o  servidor  estava  no  exercício  de  suas  funções, 

independentemente da velocidade de condução do veículo. 

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Os  professores  Vicente  Paulo  e  Marcelo  Alexandrino  chamam  a  atenção 

para o fato de que é irrelevante se o agente atuou dentro, fora ou além de 
sua competência legal, pois se o ato foi praticado por alguém que se encontrava 
na  condição  de  agente  público  já  é  suficiente  para  a  caracterização  da 
responsabilidade objetiva. 

 

4. CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE DO ESTADO 

 

 

A  responsabilidade  civil  do  Estado,  conforme  apresentada  no  item 

anterior,  apesar  de  objetiva,  poderá  ser  abrandada  ou  afastada 
integralmente em algumas situações, vejamos: 

 

4.1. Culpa exclusiva da vítima   

 

Ocorre  a  culpa  exclusiva  da  vítima  quando  o  dano  existente  é 

consequência  de  omissão  ou  ação  do  próprio  particular  que  sofreu  o  dano,  ou 
seja, sem a ação ou omissão da vítima do dano, não existiria o dano. Ora, se 
o particular deu causa ao dano que sofreu, deverá suportar sozinho o prejuízo.  

Exemplo:  Imaginemos  um  indivíduo  que,  após  terminar  um  longo 

relacionamento amoroso, desgostoso da vida, decide se jogar na frente de um 
trator  de  propriedade  do  município,  que  estava  recapeando  algumas  ruas  na 
cidade. Como consequência de tal ato, quebra as duas pernas e tem 10 dentes 
arrancados da boca.  

Pergunta: Quem deverá ser responsabilizado civilmente pelo tratamento 

médico  e  as  demais  despesas  provenientes  do  ato  insano  praticado  pelo 
particular? O próprio particular, é claro! Ademais, este ainda pode ser obrigado 
a ressarcir ao Município os possíveis danos causados ao trator. 

Lembre-se de que no citado exemplo será afastada a obrigatoriedade de 

o Município indenizar o particular porque foi rompido o NEXO CAUSAL, ou seja, 
o  Município  não  deu  CAUSA  ao  dano,  pois  foi  o  particular  que  se  JOGOU 
embaixo do trator. 

O  ônus  de  provar  que  a  culpa  é  exclusiva  do  particular  ou  que  este 

contribuiu com o evento danoso recai sobre o Estado (aqui a expressão inclui 
todas as entidades políticas). Caso este não consiga provar, deverá indenizar o 
dano  sofrido  pelo  particular,  mesmo  não  tendo  sido  o  responsável  direto  pelo 
prejuízo 

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 Em outras circunstâncias, em vez de ser afastada a responsabilidade civil 

do  Estado,  poderá  ocorrer  apenas  um  “abrandamento”  em  virtude  da  culpa 
concorrente do particular. 

A  culpa  concorrente  ocorre  quando  o  particular  também  contribui  para  o 

evento danoso, e, portanto, é responsabilizado proporcionalmente ao seu grau 
de participação no prejuízo causado. 

Exemplo:  Suponhamos  que,  em  uma  via  municipal,  cuja  velocidade 

máxima  seja  de  60km/h,  um  particular  esteja  conduzindo  o  seu  veículo  a 
130km/h.  De  repente,  o  particular  depara-se  com  um  bueiro  destampado  no 
meio da via e, na tentativa de desviar-se do buraco, perde a direção do veículo 
e colide-se contra um muro, destruindo completamente o veículo. 

Pergunta:  Neste  caso,  se  o  particular  ingressar  com  uma  ação  judicial 

exigindo  o  pagamento  integral  do  prejuízo  referente  ao  veículo,  o  Município 
teria  que  pagar  a  integralidade,  somente  parte  ou  não  poderia  ser 
responsabilizado pelo dano? 

 É  claro  que  nós  não  conhecemos  todos  os  detalhes  do  caso,  mas,  de 

qualquer forma, já sabemos que o Município foi omisso ao permitir que o bueiro 
ficasse  sem  tampa  de  proteção,  devendo,  portanto,  ser  responsabilizado  por 
isso.  Por  outro  lado,  o  particular  estava  conduzindo  o  veículo  em  velocidade 
superior ao dobro da permitida para aquela via urbana. Provavelmente, se o 
particular  estivesse  em  velocidade  compatível  para  o  local,  o  acidente  sequer 
teria ocorrido. 

Sendo  assim,  o  mais  sensato  é  dividir  o  prejuízo  proporcionalmente  à 

participação  de  cada  um  no  evento  danoso,  já  que,  nesse  caso,  existiu  a 
denominada culpa concorrente. 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Analista  do  Banco  Central, 

realizado em 2001, a ESAF considerou correta a seguinte assertiva: “Na 
teoria  do  risco  administrativo,  a  culpa  exclusiva  da  vítima  afasta  a 
responsabilidade do Estado”.  

 

4.2. Caso fortuito e força maior 

 

Não  existe  consenso  doutrinário  ou  mesmo  jurisprudencial  sobre  as 

definições de caso fortuito e força maior. E para dificultar ainda mais a vida do 
concurseiro,  a  divergência  também  se  estende  à  possibilidade  de  tais 
acontecimentos  serem  capazes  ou  não  de  excluir  a  responsabilidade  civil  do 
Estado. 

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Recentemente,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  disponibilizou  em  seu  site 

(www.stj.gov.br) um breve texto através do qual deixou claro que a existência 
de  caso  fortuito  ou  força  maior  devem  ser  analisadas  em  cada  caso  e, 
somente  após  tal  análise,  seria  possível  decidir  sobre  a  possibilidade  de  tais 
eventos afastarem ou não a responsabilidade do Estado. 

 

Analisemos  um  exemplo  citado  no  referido  texto  apresentado  no  site  do 

STJ:  um  motorista  está  dirigindo  em  condições  normais  de  segurança.  De 
repente,  um  raio  atinge  o  automóvel  no  meio  da  rodovia  e  ele  bate  em  outro 
carro.  O  raio  é  um fato  natural.  Se  provar  que  a  batida  aconteceu  devido  ao 
raio, que é um acontecimento imprevisível e inevitável, o condutor não pode ser 
punido  judicialmente,  ou  seja:  não  vai  ser  obrigado  a  pagar  indenização  ao 
outro envolvido no acidente.  

Ao demonstrar que a causa da batida não está relacionada com o veículo, 

como  problemas  de  manutenção,  por  exemplo,  fica  caracterizada  a  existência 
de caso fortuito ou força maior.  

No exemplo anterior, destaca-se que o STJ reuniu o caso fortuito e a força 

maior dentro de um único conceito, como se fossem expressões sinônimas, 
posicionamento  também  defendido  pelo  professor  José  dos  Santos  Carvalho 
Filho, ao afirmar que “são fatos imprevisíveis aqueles eventos que constituem o 
que  a  doutrina  tem  denominado  de  força  maior  e  de  caso  fortuito.  Não 
distinguiremos estas categorias, visto que há grande divergência doutrinária na 
caracterização  de  cada  um  dos  eventos.  Alguns  autores  entendem  que  a  força 
maior  é  o  acontecimento  originário  da  vontade  do  homem,  como  é  o  caso  da 
greve,  por  exemplo,  sendo  o  caso  fortuito  o  evento  produzido  pela  natureza, 
como os terremotos, as tempestades, os raios e os trovões”. 

Repita-se:  De  acordo  com  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de 

Justiça, bem como do Professor José dos Santos Carvalho Filho, caso fortuito 
e  força  maior  representam  a  mesma  coisa,  ou  seja,  um  acontecimento 
imprevisível e inevitável. 

 

A doutrina tradicional entende que a FORÇA MAIOR caracteriza-se por um 

evento  da  natureza,  imprevisível,  irresistível  e  inevitável,  tais  como 
enchentes, terremotos, furacões, entre outros.  

Por  outro  lado,  o  CASO  FORTUITO  estaria  relacionado  a  condutas 

culposas  ou  dolosas  de  terceiros,  da  mesma  forma,  imprevisíveis, 
irresistíveis, inevitáveis e independentes da vontade das partes. Podemos citar 
como  exemplo  os  criminosos  arrastões,  guerras,  greves  ou  invasões  a  locais 
públicos. 

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Independente  da  corrente  conceitual  que  se  adote,  existe  consenso  em 

um único ponto: o caso fortuito e o evento de força maior são acontecimentos 
externos  à  atuação  administrativa,  o  que  faz  com  que  a  sua  ocorrência, 
numa  situação  em  que  houve  alguma  atuação  administrativa  causando  dano 
para o particular, exclua o nexo causal entre a atuação e o dano. 

 

Voltemos  ao  exemplo  do  automóvel  que  foi  atingido  por  um  raio. 

Suponhamos  que  o  veículo  integrasse  o  patrimônio  da  União  e  que,  no 
momento  que  um  agente  se  dirigia  para  uma  fiscalização  em  uma  empresa 
privada,  tenha  sido  atingido  por  um  raio,  fato  que  fez  com  que  o  motorista 
perdesse o controle e atingisse outro veículo.  

Ora, neste caso, a União não poderia ser responsabilizada civilmente, pois 

foi  o  evento  natural  (raio)  que  deu  origem  ao  acidente,  quebrando-se  assim  o 
nexo  causal  entre  a  atuação  do  Estado  e  o  dano  causado  ao  veículo  do 
particular.  

Se alguém tem que ser responsabilizado pelo dano, esse seria São Pedro 

(sem  comentários  ...),  pois  foi  o  responsável  pelo  envio  do  raio  que  caiu  no 
veículo  do  Estado  e  que,  consequentemente,  causou  o  acidente.  Se  o  veículo 
não tivesse sido atingido pelo raio, o acidente não teria acontecido. 

 

 

Nesse caso, você não precisa se preocupar em definir o evento como de força 

maior ou caso fortuito. Volto a repetir: basta que você entenda que o prejuízo 

ao veículo do particular ocorreu em virtude do raio e não de um “querer” do 

Estado, pois este não teve como evitá-lo. 

 

 

 

Como  se  não  bastassem  todas  as  divergências  apresentadas  até  o 

momento, é necessário ainda que você tenha conhecimento das definições dos 
professores  Celso  Antônio  Bandeira  de  Mello  e  Maria  Sylvia  Zanella  Di  Pietro, 
citadas no livro dos professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. 

 

Os  professores  acima  entendem  que  podem  ser  incluídos  como  eventos 

de  FORÇA  MAIOR  os  eventos  da  natureza  e  também  os  atos  de  terceiros, 
desde  que  imprevisíveis,  irresistíveis  e  inevitáveis  e  que  não  tenham  relação 
com  a  atuação  do  Estado.  Sendo  assim,  poderiam  ser  citados  como  exemplos 
de força maior uma enchente, um terremoto, um arrastão, uma guerra, etc. 

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Como o Estado não deu causa aos citados exemplos, não há nexo causal 

que  ligue  o  Estado  aos  danos  sofridos  pelos  particulares.  Portanto,  caso  o 
particular  tenha  sofrido  um  dano  proveniente  de  força  maior,  não  há 
possibilidade de atribuir ao Estado tal responsabilidade. 

Sobre  o  CASO  FORTUITO,  os  professores  entendem  que  se  trata  de  um 

evento  interno  à  própria  atuação  administrativa,  mas  que,  pela  sua 
imprevisibilidade  e  inevitabilidade,  gerou  um  resultado  também  totalmente 
imprevisto e imprevisível.  

Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo esclarecem que o caso fortuito seria 

sempre  um  evento  interno,  ou  seja,  decorrente  de  uma  atuação  da 
Administração.  O  resultado  dessa  atuação  é  que  seria  inteiramente  anômalo, 
tecnicamente  inexplicável  e  imprevisível.  Assim,  na  hipótese  de  caso  fortuito, 
todas  as  normas  técnicas,  todos  os  cuidados  relativos  à  segurança,  todas  as 
providências  exigidas  para  a  obtenção  de  um  determinado  resultado  foram 
adotadas,  mas,  não  obstante  isso,  inexplicavelmente,  o  resultado  ocorre  de 
forma diversa da prevista e previsível. 

Analisando-se o posicionamento apresentado pelos professores, conclui-se 

que o caso fortuito não teria o condão de afastar a reponsabilidade civil 
do  Estado,  pois  o  dano  teria  ocorrido  diretamente  de  sua  atuação,  apesar  de 
inexistir qualquer culpa no dano existente.  

 

Tenho  certeza  de  que  você  deve  estar  se  perguntando:  e  para 

responder às questões da ESAF, qual posicionamento devo adotar? 

 

Essa  é  uma  pergunta  difícil  de  responder.  Para  ser  sincero,  não  tenho 

visto  questões  de  Direito  Administrativo  exigindo  a  diferença  entre  esses  dois 
institutos.  De  qualquer  forma,  já  está  pacificado  o  entendimento  de  que  o 
evento de força maior exclui a responsabilidade civil do Estado.  

 

Aconselho que você vá para a prova sabendo que tanto o caso fortuito, quanto 

o evento de força maior, dependendo da análise concreta, podem afastar a 

responsabilidade do Estado, conforme entende o Superior Tribunal de Justiça.

  

 

 

Entretanto,  se  a  questão  se  referir  ao  entendimento  do  professor  Celso 

Antônio  Bandeira  de  Mello,  você  já  sabe  que  tem  que  responder  em 
conformidade com o que apresentei neste tópico.  

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No  concurso  público  para  o  cargo  de  Auditor  Fiscal  do  Trabalho, 

realizado  em  2010,  a  ESAF  considerou  incorreta  a  seguinte  assertiva: 
“Conforme  decidiu  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  nem  a  força  maior 
exclui a responsabilidade civil do Estado”.   

        

5. A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM  VIRTUDE DA OMISSÃO 
DE SEUS AGENTES 

Tenha  muita  atenção  ao  responder  às  questões  de  concursos  públicos, 

pois  as  bancas  tendem  a  elaborar  questões  afirmando  que  a  responsabilidade 
do Estado sempre será objetiva, o que está incorreto.  

Na  prática,  os  particulares  podem  sofrer  danos  em  virtude  de  condutas 

comissivas (ações) praticadas pelos agentes públicos, bem como em virtude de 
omissões  (deixar  de  fazer)  estatais.  Ocorrendo  quaisquer  dessas  hipóteses,  o 
Estado estará obrigado a indenizar.  

Nos danos oriundos de uma ação praticada por agente público, incluindo 

os  agentes  delegados,  a  responsabilidade  será  OBJETIVA,  mas,  nos  danos 
provenientes  de  uma  omissão  estatal,  a  responsabilidade  passa  a  ser 
SUBJETIVA, ou seja, será necessário que o particular comprove o dolo e/ou a 
culpa do Estado na omissão a fim de que seja indenizado. 

Esse é o posicionamento defendido pelo professor Celso Antônio Bandeira 

de  Mello,  ao  afirmar  que  a  expressão  "causarem"  do  artigo  37,  parágrafo  6.º, 
da CF/88, somente abrange os atos comissivos, e não os omissivos, afirmando 
que estes últimos somente "condicionam" o evento danoso. 

O  professor  ainda  destaca  que  “quando  o  dano  foi  possível  em 

decorrência  de  uma  omissão  do  Estado  (o  serviço  não  funcionou,  funcionou 
tardia  ou  ineficientemente)  é  de  aplicar-se  a  teoria  da  responsabilidade 
subjetiva. Com efeito, se o Estado não agiu, não pode, logicamente, ser o autor 
do dano. E se não foi o autor, só cabe responsabilizá-lo caso esteja obrigado a 
impedir  o  dano.  Isto  é,  só  faz  sentido  responsabilizá-lo  se  descumpriu  dever 
legal que lhe impunha obstar o evento lesivo.  

Deveras,  caso  o  Poder  Público  não  estivesse  obrigado  a  impedir  o 

acontecimento  danoso,  faltaria  razão  para  impor-lhe  o  encargo  de  suportar 
patrimonialmente  as  conseqüências  da  lesão.  Logo,  a  responsabilidade  estatal 
por ato omissivo é sempre responsabilidade por comportamento ilícito. E sendo 
responsabilidade por ilícito, é necessariamente responsabilidade subjetiva, pois 
não  há  conduta  ilícita  do  estado  que  não  seja  proveniente  de  negligência, 
imprudência  ou  imperícia  (culpa)  ou,  então,  deliberado  propósito  de  violar  a 

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norma que o constituía em dada obrigação (dolo). Culpa e dolo são justamente 
modalidades de responsabilidade subjetiva. 

Diante  desse  contexto,  é  possível  citar  vários  exemplos  em  que  a 

responsabilidade do Estado será subjetiva em virtude de omissões constatadas 
e provadas: 

 

Exemplo:  Imaginemos  o  caso  de  uma  árvore  centenária,  com  vinte 

metros de altura e dez metros de diâmetro, localizada em uma praça no centro 
da cidade. Suponhamos agora que, há vários meses, os moradores próximos à 
praça  estão  reivindicando  o  corte  da  árvore  em  virtude  de  estar  infestada  de 
cupins  e  ameaçando  cair.  Para  tanto,  foram  protocoladas  diversas  petições 
administrativas  individuais  e  coletivas,  mas  o  Município  nunca  tomou  qualquer 
providência.  Ressalta-se  ainda  que  o  risco  de  queda  da  árvore  também  tenha 
sido  noticiado  em  jornais  escritos  e  televisivos  de  toda  a  região,  mas,  apesar 
disso, o Município continuou inerte.  

Imaginemos  agora  que,  num  certo  dia,  um  turista  resolve  parar  o  seu 

veículo  debaixo  dessa  árvore  e,  para  a  sua  surpresa,  a  árvore  “desaba”  em 
cima de seu carro.  

 

Ora,  nesse  exemplo,  está  claro  que  a  árvore  somente  caiu  em  cima  do 

carro  do  turista  porque  o  Município  foi  omisso.  Apesar  de  todas  as 
manifestações dos moradores exigindo providências, o Município nada fez.  

 

Sendo assim, para que o turista seja ressarcido dos prejuízos causados ao 

seu  veículo,  deverá  provar  a  omissão  do  Estado,  ou  seja,  deverá  comprovar o 
dolo  e/ou  a  culpa  (negligência,  imprudência  ou  imperícia)  do  Município  no 
evento danoso. 

 

Pergunta: Mas como deverá proceder o turista para provar tal fato? Ora, 

nesse  caso  ele  terá  que  bater  de  porta  em  porta,  em  toda  a  vizinhança,  para 
saber  se  alguém  possui  cópia  das  petições  administrativas  que  foram 
protocoladas perante o Município, cópia dos jornais noticiando o risco de queda, 
entre  outros,  além  de  poder  ainda  colher  o  nome  de  alguns  moradores  para 
servirem de testemunhas (prova) no desenvolvimento do processo. 

 

Outro exemplo bastante comum em prova é o caso de danos provenientes 

de enchentes, conseqüência de chuvas acima da média.  

Pergunta:  Nesse  caso,  o  Estado  poderá  ser  responsabilizado  civilmente 

pelos danos que a enchente causar aos particulares? Depende. 

 

Se ficar comprovado que o Estado foi omisso, ou seja, que não efetuou a 

limpeza  dos  bueiros  de  escoamento  da  água,  permitindo  o  acúmulo  de  lixo  e, 
consequentemente,  o  seu  entupimento,  poderá,  sim,  ser  responsabilizado, 

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desde  que  o  particular  lesado  comprove  o  dolo  e/ou a  culpa  do  Estado.  Nessa 
hipótese, a responsabilidade do Estado será SUBJETIVA. 

 

Entretanto,  se  os  danos  provenientes  da  enchente  ocorreram  em  virtude 

do  real  excesso  de  chuvas,  já  que  recentemente  o  Estado  havia  efetuado  a 
limpeza  de  todo  o  sistema  de  escoamento  de  água,  mantendo-o  em  perfeitas 
condições  de  funcionamento,  teremos  então  a  hipótese  de  FORÇA  MAIOR  (já 
que se trata de um evento EXTERNO, estranho a qualquer atuação do Estado) 
e, portanto, será excluída a responsabilidade estatal. 

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Juiz  do  Trabalho  Substituto 

do  TRT  da  7ª  Região,  realizado  em  2005,  a  ESAF  considerou  correta  a 
seguinte  assertiva:  “A  responsabilidade  do  Estado  por  omissão 
caracteriza-se como de natureza subjetiva”. 

               

6.  SITUAÇÕES  ESPECIAS  ABRANGIDAS  PELA  RESPONSABILIDADE 
OBJETIVA 

 

6.1. Responsabilidade por dano nuclear 

 

O  artigo  21,  XXI,  da  Constituição  de  1988,  declara  expressamente  que 

compete  à  União  explorar  os  serviços  e  instalações  nucleares  de  qualquer 
natureza  e  exercer  monopólio  estatal  sobre  a  pesquisa,  a  lavra,  o 
enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios 
nucleares e seus derivados. 

Todavia,  na  alínea  “d”  do  mesmo  dispositivo,  consta  que  a 

responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa, ou 
seja, trata-se de responsabilidade objetiva. 

Informação  importante  e  que  deve  ser  assimilada  para  responder  às 

questões  de  prova,  refere-se  ao  fato  de  que,  apesar  de  a  Constituição  Federal 
de 1988 não estabelecer expressamente, a responsabilidade civil daqueles que 
causarem  danos  nucleares  a  outrem  será  regida  pela  teoria  do  risco 
integral. 

Isso  significa  que  permanecerá  a  obrigação  de  indenizar  até  mesmo  nos 

casos  de  inexistência  de  nexo  causal  entre  a  ação/omissão  do  Estado  ou 
particular e o dano causado. 

Trata-se  de  uma  hipótese  excepcional  e  extremada  de  responsabilização 

civil, pois não prevê excludentes de responsabilidade, nem mesmo nos casos de 
culpa exclusiva de terceiros, da vítima, caso fortuito ou de força maior. 

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Outra informação importante é o fato de que até mesmo o PARTICULAR, 

mesmo  não  sendo  prestador  de  serviços  públicos,  responderá 
objetivamente pelos danos nucleares que causar a terceiros.  

Apesar de ser um tema novo e instigante, penso que essas são as únicas 

informações  que  você  precisa  saber  para  acertar  as  questões  de  concursos 
relativas a este item. 

 

6.2. Danos de obra pública 

 

A  responsabilidade  do  Estado  por  danos  decorrentes  de  obras  públicas 

pode ser do tipo OBJETIVA ou SUBJETIVA.  

 

Quando  o  dano  ao  particular  ocorrer  em  função  do  só  fato  da  obra,  a 

responsabilidade  do  Estado  será  do  tipo  OBJETIVA,  na  modalidade  do  risco 
administrativo,  independentemente  se  a  obra  está  ou  estava  sendo  realizada 
pelo próprio Estado ou por particulares contratados. 

 

Ocorre  dano  pelo  só  fato  da  obra  quando  o  prejuízo  é  proveniente  da 

própria natureza da obra, seja pela sua duração, execução ou extensão. Como 
o  Estado  foi  o  responsável  pela  decisão  governamental  que  originou  a 
realização da obra, ele deve ser o responsável por eventuais danos advindos de 
sua execução. 

 

Conforme  esclarece  o  professor  Hely  Lopes  Meirelles,  se  na  abertura  de 

um túnel ou de uma galeria de águas pluviais, o só fato da obra causa danos 
aos  particulares  (erro  de  cálculo,  por  exemplo),  por  estes  danos,  responde 
objetivamente  a  Administração  que  ordenou  os  serviços;  se,  porém,  o  dano  é 
produzido pela imperícia, imprudência ou negligência do construtor na execução 
do  processo,  a  responsabilidade  originária  é  da  Administração,  como  dona  da 
obra, mas pode ela haver do executor culpado tudo quanto pagou à vítima. 

 

Esse é um ponto importante e que merece uma maior atenção: se o dano 

puder  ser  atribuído  ao  EXECUTOR  da  obra,  em  virtude  da  má-execução  do 
contrato administrativo, a responsabilidade será SUBJETIVA, ou seja, deverá 
ser  comprovada  a  negligência,  imprudência  ou  imperícia  do  EXECUTOR  para 
que ocorra a sua responsabilização civil.  

Contudo,  se  o  Estado,  por  algum  motivo,  decidir  indenizar  o  particular 

pelo  dano  sofrido,  poderá  propor  ação  regressiva  em  face  do  executor  para 
reaver os recursos financeiros utilizados no pagamento.   Veja  o  exemplo  de 
uma questão que confirma o que acabou de ser exposto: 

 

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(Procurador Judicial do Município de Recife/2003) Durante a execução de obra 
pública,  um  particular  contratado  para  a  realização  da  construção  provoca 
danos  a  prédio  vizinho,  de  propriedade  do  próprio  Poder  contratante.  Nessa 
hipótese, a responsabilidade civil do particular 
(A) é objetiva, pois a atividade prestada é equiparada a serviço público. 
(B) depende da comprovação de seu dolo ou culpa. 
(C)  apenas  se  caracteriza  se  não  for  comprovada  omissão  na  fiscalização  da  obra,  pelo 
Poder Público. 
(D) não se configura, cabendo ao Poder Público executar as garantias contratuais. 
(E)  depende  da  constatação  de  vícios  que  comprometam  a  solidez  e  segurança  da 
edificação. 
 
Gabarito: Letra b.  

 

6.3. Atos Legislativos 

 

Como 

estudamos 

anteriormente, 

Estado 

responde 

pelos 

comportamentos  lícitos  e  ilícitos  praticados  pelos  agentes  do  Poder  Executivo 
que  causarem  danos  a  terceiros.  Todavia,  em  regra,  os  atos  legislativos 
editados  pelos  representantes  do  povo  não  geram  responsabilidade  para  o 
Estado.  

 

Os  autores  que  defendem  esse  posicionamento  afirmam  que  a  aceitação 

da possibilidade de responsabilizar o Estado por atos legislativos implicaria em 
retirar  a  soberania  desse  Poder.  Entretanto,  entendo  que  a  soberania  do 
Legislativo  não  deixa  de  existir,  da  mesma  forma  que  o  Executivo  também  é 
Poder  e  não  se  cogita  de  falta  de  soberania  quando  o  Estado  responde  pelos 
atos praticados pelos seus agentes. 

Isso  porque  o  Estado  é  UNO  e  as  funções  estatais  são  apenas 

instrumentos  utilizados  pelo  povo  a  fim  de  que  o  poder  possa  ser  exercido  de 
forma igualitária e mais ágil. 

Dessa  forma,  o  Estado  pode  sim  ser  responsabilizado,  em  algumas 

situações  especiais,  pelos  atos  danosos  oriundos  do  Legislativo,  da  mesma 
forma que já o é pelos atos do outros dois Poderes.  

Para responder às questões da ESAF: Segundo o entendimento da doutrina 
dominante  para  “fins  de  concursos  públicos”,  atualmente  o  Estado  somente 
pode  ser  responsabilizado  pela  edição  de  leis  inconstitucionais  ou  leis  de 
efeitos concretos. 

 

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Apesar de o Poder Legislativo exercer parcela da soberania do Estado ao 

legislar, é necessário que tais atos legislativos sejam editados em conformidade 
com as normas constitucionais, pois, caso contrário, ocorrendo o desrespeito ao 
texto constitucional, surge a obrigação de indenizar. 

É válido ressaltar que, para que o particular possa pleitear indenização em 

virtude de lei inconstitucional, é necessário que exista pronunciamento expresso 
do Supremo Tribunal Federal. 

Da  mesma  forma,  as  leis  de  efeitos  concretos  (aquelas  que  não 

possuem  caráter  normativo,  generalidade,  impessoalidade  ou  abstração  – 
citam-se como exemplos aquelas famosas leis municipais que modificam nomes 
de ruas), se causarem danos aos particulares, geram para o Estado o dever de 
indenizar.  

 

6.4. Atos judiciais 

 

Assim  como  ocorre  em  relação  aos  atos  legislativos,  a regra  é  a  de  que 

não  será  possível  responsabilizar  o  Estado  pelos  atos  jurisdicionais 
praticados  pelos  juízes,  desde  que  no  exercício  de  suas  funções  típicas  (a  de 
julgar). 

Entretanto,  o  próprio  inciso  LXXV,  do  artigo  5º,  da  CF/88,  apresenta 

duas exceções, ao estabelecer que o “Estado indenizará o condenado por erro 
judiciário,  assim  como  o  que  ficar  preso  além  do  tempo  fixado  na 
sentença”. 

O erro judiciário e o excesso de prisão acarretarão indenização por danos 

materiais (danos emergentes e lucros cessantes), devendo recompor a situação 
anterior do prejudicado, e também por danos morais, uma vez que são óbvios 
os seus efeitos psicológicos, em face do ferimento frontal do direito à liberdade 
e à honra, conforme ressalta o professor Alexandre de Moraes. 

 

É  válido  ressaltar  que  a  exceção  prevista  no  texto  constitucional  alcança 

somente  a  esfera  penal,  excluindo  a  esfera  cível.  Contudo,  a  fim  de  ser 
indenizado  pelos  danos  sofridos  na  esfera  penal,  o particular  deverá  pleitear  o 
seu direito na esfera cível, através de ação judicial própria. 

 

6.5. Coisas ou pessoas sob a responsabilidade do Estado 

 

Eis  aqui  outro  ponto  polêmico  e  que  já  tem  despertando  a  atenção  das 

bancas examinadoras no momento da elaboração de questões.  

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Sabemos 

que, 

em 

diversos 

momentos, 

Estado 

assume  a 

responsabilidade pela “guarda” de pessoas, animais ou coisas, como se verifica, 
por exemplo, em relação aos indivíduos que cumprem pena em presídios, 
àqueles  que  estão  internados  em  manicômios,  aos  alunos  de  uma  escola 
pública, às mercadorias que foram retidas por algum órgão ou entidade pública 
e que se encontram em depósitos públicos etc.  

Sendo  assim,  o  Estado  possui  responsabilidade  OBJETIVA  pelos  danos 

que  as  pessoas,  coisas  ou  animais  sofrerem  enquanto  estiverem  sob  a  sua 
“guarda”, exceto se tal dano ocorrer em virtude de caso fortuito ou força 
maior,  já  que  esses  são  eventos  imprevisíveis  e  irresistíveis,  que  fogem  ao 
controle do Estado. 

 O  professor  Celso  Antônio  Bandeira  de  Mello  exemplifica  tal 

responsabilidade afirmando que, se um detento fere outro, o Estado responde 
objetivamente, pois cada um dos presidiários está exposto a uma situação de 
risco  inerente  ao  ambiente  em  que  convivem  e,  portanto,  o  Estado  deve  zelar 
pela integridade física e moral de cada um deles. 

Mas,  se  um  raio  vier  a  matar  um  detento,  a  responsabilidade  desloca-se 

para  o  campo  da  culpa  administrativa,  deixando  de  ser  objetiva,  por  inexistir 
conexão  lógica  entre  o  evento  raio  e  a  situação  de  risco  vivida  pelo 
desafortunado.  A  responsabilidade  advirá  se  eventualmente  ficar  comprovado 
que  as  instalações  capazes  de  impedir  o  evento  (para-raios)  não  existiam, 
foram mal projetadas ou estavam mal conservadas. 

 

 

 

6.5.1. Suicídio de detento 

Atualmente  vigora  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  o 

entendimento de que “a Administração Pública está obrigada ao pagamento de 
pensão  e  indenização  por  danos  morais  no  caso  de  morte  por  suicídio  de 
detento  ocorrido  dentro  de  estabelecimento  prisional  mantido  pelo  Estado. 
Nessas  hipóteses,  não  é  necessário  perquirir  eventual  culpa  da  Administração 
Pública.  Na  verdade,  a  responsabilidade  civil  estatal  pela  integridade  dos 
presidiários  é  objetiva  em  face  dos  riscos  inerentes  ao  meio  no  qual  foram 
inseridos  pelo  próprio  Estado  (AgRg  no  REsp  1.305.259-SC,  Rel.  Min.  Mauro 
Campbell Marques, julgado em 2/4/2013). 

 

 

 

 

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7. RESPONSABILIDADE CIVIL E PRAZO QUINQUENAL 

 

Apesar  de  o  Estado  poder  ser  responsabilizado  pelos  danos  que  seus 

agentes  causarem  a  terceiros,  a  ação  judicial  que  pode  ser  proposta  com  tal 
finalidade prescreve em cinco anos, contados da ocorrência do ato ou fato.  

 

Tal previsão está expressa no artigo 1º do Decreto 20.910/32: “As dívidas 

passivas  da  União,  dos  Estados  e  dos  Municípios,  bem  assim  todo  e  qualquer 
direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a 
sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato 
do qual se originarem”.   

A propósito, destaca-se que o prazo de 5 (cinco) anos foi ratificado pelo 

Superior  Tribunal  de  Justiça  no  julgamento  do  recurso  especial  nº 
1.251.993-PR,  que  ocorreu  em  12/12/2012,  cujo  acórdão  ficou  assim 
ementado: 

DIREITO  ADMINISTRATIVO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  PRAZO  PRESCRICIONAL 
DA  PRETENSÃO  INDENIZATÓRIA  CONTRA  A  FAZENDA  PÚBLICA.  PRAZO 
QUINQUENAL DO DEC. N. 20.910/1932. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C 
DO CPC E RES. N. 8/2008-STJ).  

Aplica-se  o  prazo  prescricional  quinquenal  –  previsto  no  art.  1º  do  Dec.  n. 
20.910/1932 – às ações indenizatórias ajuizadas contra a Fazenda Pública, 
e  não  o  prazo  prescricional  trienal  –  previsto  no  art.  206,  §  3º,  V,  do 
CC/2002.  

O art. 1º do Dec. n. 20.910/1932 estabelece que “as dívidas passivas da União, dos 
Estados  e  dos  Municípios,  bem  assim  todo  e  qualquer  direito  ou  ação  contra  a 
Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 
cinco anos  contados  da  data do  ato  ou fato  do  qual se  originarem”.  Por  sua  vez, o 
art.  206,  §  3º,  V,  do  CC/2002  dispõe  que  prescreve  em  três  anos  a  pretensão  de 
reparação  civil.  Ocorre  que,  no  que  tange  às  pretensões  formuladas  contra  a 
Fazenda  Pública,  deve-se  aplicar  o  prazo  prescricional  do  Dec.  n.  20.910/1932  por 
ser  norma  especial  em  relação  ao  CC,  não  revogada  por  ele.  Nesse  aspecto,  vale 
ressaltar  que  os  dispositivos  do  CC/2002,  por  regularem  questões  de  natureza 
eminentemente  de  direito  privado,  nas  ocasiões  em  que  abordam  temas  de  direito 
público,  são  expressos  ao  afirmarem  a  aplicação  do Código  às  pessoas  jurídicas  de 
direito público, aos bens públicos e à Fazenda Pública. No caso do art. 206, § 3º, V, 
do  CC/2002,  em  nenhum  momento  foi  indicada  a  sua  aplicação  à  Fazenda  Pública. 
Certamente, não há falar em eventual omissão legislativa, pois o art. 178, § 10, V, 
do  CC/1916  estabelecia  o prazo prescricional  de  cinco  anos para  as  ações  contra  a 
Fazenda Pública, o que não foi repetido no atual código, tampouco foi substituído por 
outra norma infraconstitucional. Por outro lado, o art. 10 do referido decreto trouxe 
hipótese  em  que  o  prazo  quinquenal  não  seria  aplicável,  qual  seja,  a  existência  de 
prazos  prescricionais  reduzidos  constantes  de  leis  e  regulamentos  já  em  vigor 
quando de sua edição. Esse dispositivo deve ser interpretado pelos critérios histórico 
e  hermenêutico  e,  por  isso  mesmo,  não  fundamenta  a  afirmação  de  que  o  prazo 

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prescricional  nas  ações  indenizatórias  contra  a  Fazenda  Pública  teria  sido  reduzido 
pelo  CC/2002.  Ademais,  vale  consignar  que  o  prazo  quinquenal  foi  reafirmado  no 
art. 2º do Dec.-lei n. 4.597/1942 e no art. 1º-C da Lei n. 9.494/1997, incluído pela 
MP  n.  2.180-  35,  de  2001.  Precedentes  citados:  AgRg  no  AREsp  69.696-SE,  DJe 
21/8/2012,  e  AgRg  nos  EREsp  1.200.764-AC,  DJe  6/6/2012.  REsp  1.251.993-PR, 
Rel. Min. Mauro Campbell, julgado em 12/12/2012 (Informativo nº 0512). 

 

Apesar  de  o  particular  possuir  apenas  o  prazo  de  05  (cinco)  anos  para 

pleitear  indenização  em  virtude  de  danos  causados  pelo  Estado,  este  não 
possui  prazo  para  cobrar  o  ressarcimento  de  prejuízos  ou  danos  causados  ao 
seu  patrimônio  em  virtude  de  comportamento  culposo  ou  doloso  de  seus 
agentes,  servidores  ou  não,  conforme  estabelece  o  §  5º  do  artigo  37  da 
CF/88: 

§  5º  A  lei  estabelecerá  os  prazos  de  prescrição  para  ilícitos 
praticados  por  qualquer  agente,  servidor  ou  não,  que  causem 
prejuízos  ao  erário,  ressalvadas  as  respectivas  ações  de 
ressarcimento.   

O  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  dezembro  de 2008,  reafirmou  que  as 

ações de ressarcimento ao erário por danos decorrentes de atos de improbidade 
administrativa são imprescritíveis. A conclusão da Segunda Turma foi tomada 
durante  o  julgamento  do  recurso  especial  nº  1069779,  seguindo,  por 
unanimidade,  o  entendimento  do  ministro  Herman  Benjamin,  que  foi  o  relator 
(o primeiro juiz do Tribunal a emitir a sua opinião sobre o processo) da questão.  

Para  o  relator,  o  artigo  23  da  Lei  de  Improbidade  Administrativa  (Lei  n. 

8.429/1992)  -  que  prevê  o  prazo  prescricional  de  cinco  anos  para  a  aplicação 
das  sanções  previstas  nessa  lei  -  disciplina  apenas  a  primeira  parte  do 
parágrafo 5º, do artigo 37, da Constituição Federal, já que, em sua parte final, 
a  norma  constitucional  teve  o  cuidado  de  deixar  ressalvadas  as  respectivas 
ações  de  ressarcimento,  o  que  é  o  mesmo  que  declarar  a  sua 
imprescritibilidade.  

Dessa  forma,  concluiu-se  que  prescreve  em  cinco  anos  a  punição  do  ato 

ilícito,  mas  a  pretensão  de  ressarcimento  pelo  prejuízo  financeiro  (pecuniário) 
causado ao erário é imprescritível.  

O entendimento é de que o prazo de cinco anos é apenas para aplicação 

de pena (suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, proibição de 
contratar  com  o  Poder  Público  etc.),  não  para  o  ressarcimento  dos  danos 
financeiros aos cofres públicos.   

 

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7.1. Atos de tortura 

 

No  julgamento  do  recurso  especial  nº  1.374.376-CE,  que  ocorreu  em 

25⁄06⁄2013,  a  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ratificou  o 
entendimento  de  que  “é  imprescritível  a  pretensão  de  recebimento  de 
indenização  por  dano  moral  decorrente  de  atos  de  tortura  ocorridos 
durante o regime militar de exceção”.  

 

8.  AÇÃO  REGRESSIVA  EM  FACE  DO  AGENTE  PÚBLICO  RESPONSÁVEL 
PELO DANO 

 

Conforme  já  foi  exposto,  o  Estado  pode  ser  responsabilizado  civilmente 

pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Sendo 
assim, caso o particular tenha sofrido algum prejuízo em razão de uma ação ou 
omissão  de  agente  público  estatal,  deverá  exigir  o  respectivo  ressarcimento 
diretamente do Estado, e não do agente público. 

 

Como  o  Estado  responderá  objetivamente  pelos  danos  causados  pelos 

seus agentes, a própria CF/1988 assegura, na parte final do § 6º, do artigo 37, 
o  direito  de  o  Estado  tentar  reaver  o  valor  indenizatório  que  foi  pago  ao 
particular,  podendo  propor  contra  o  agente  público  a  denominada  ação 
regressiva.  

 

Apesar  de  tal  possibilidade  estar  prevista  diretamente  no  texto 

constitucional,  é  necessário  que  o  Estado  comprove  em  juízo  que  o  agente 
público  agiu  com  DOLO  ou  CULPA  ao  causar  o  dano  ao  particular,  pois,  caso 
contrário,  o  agente  não  será  obrigado  a  devolver  aos  cofres  públicos  o  valor 
gasto pelo Estado, já que responde SUBJETIVAMENTE. 

 

Para  que  o  Estado  possa  propor  a  referida  ação  regressiva, 

primeiramente,  é  necessário  que  comprove  já  ter  indenizado  o  particular, 
pois essa é uma condição obrigatória. Trata-se de um requisito lógico, pois, se 
o  Estado  ainda  não  pagou  ao  particular  qualquer  tipo  de  indenização,  como 
poderá  exigir  do  agente  público  o  ressarcimento  de  um  prejuízo  que  nem 
experimentou ou sequer sabe o valor? 

 

Muito  cuidado  ao  responder  às  questões  de  concursos,  pois  a  simples 

existência do trânsito em julgado de sentença condenando o Estado a pagar ao 
particular  a  indenização,  por  si  só,  não  é  suficiente  para  fundamentar  a 
propositura  da  ação  regressiva.  Pelo  menos  esse  é  o  entendimento  do 
Supremo  Tribunal  Federal.  Além  do  trânsito  em  julgado,  é  necessário  ainda 
que já tenha ocorrido o efetivo pagamento ao particular. 

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Vamos  citar  um  exemplo  simples,  capaz  de  explicar  melhor  o  que  acaba 

de ser exposto: 

 

Exemplo:  Suponhamos  que  uma  ambulância  do  Estado,  conduzida  por 

um  agente  público,  que  trafegava  normalmente  por  uma  avenida,  tenha  se 
envolvido  em  um  acidente  com  um  veículo  particular,  no  qual  ambos  tiveram 
danos  materiais.  Como  a  discussão  entre  os  motoristas  começou  a  ficar 
acalouradada,  ambos  decidiram  contactar  a  Perícia  de  Trânsito  a  fim  de  que 
fosse  emitido  um  laudo  pericial,  declarando  as  razões  que  motivaram  tal 
acidente e pudesse ser definida a culpa pelo mesmo. 

 

Na data combinada para a entrega do laudo pericial oficial, foi divulgado o 

resultado, todavia, ao analisá-lo, verificou-se a impossibilidade de definição 
da culpa pelo acidente “em razão das circunstâncias do evento”. 

 

De posse do referido laudo pericial, o particular ingressou com uma ação 

judicial  pleiteando  do  Estado  o  ressarcimento  dos  danos  causados  ao  seu 
automóvel.  

Pergunta  1

:  Neste  caso,  com  base  no  laudo  pericial  apresentado  pelo 

Perito, o particular teria direito a receber indenização pelos danos sofridos? 

 

Sim,  pois  a  responsabilidade  do  Estado  pelos  danos  que  seus  agentes 

causarem a terceiros, em regra, é OBJETIVA, ou seja, dispensa a comprovação 
de  DOLO  ou  CULPA.  Sendo  assim,  como  o  laudo  pericial  não  afirmou  que  a 
culpa  era  exclusiva  do  particular,  ou  melhor,  sequer  definiu  de  quem  seria  a 
culpa, presume-se que seja do Estado. 

 

Pergunta 2

: Suponhamos que o Estado tenha sido condenado a pagar ao 

particular  R$  10.000,00  (dez  mil  reais)  em  virtude  do  dano  causado  pelo 
motorista  da  ambulância.  Nesse  caso,  o  Estado  conseguirá  êxito  em  uma 
possível ação de ressarcimento proposta em face do agente público?  

Não, pois, conforme expresso no laudo pericial, não é possível determinar 

qual  dos  motoristas  foi  o  responsável pelo  acidente,  muito  menos  se  o  agente 
agiu com dolo ou culpa, e, sendo assim, o Estado é que assumirá integralmente 
o prejuízo. 

 

Pergunta  3

:  Suponhamos  que,  ao  ser  citado  para  responder  à  ação  de 

indenização  proposta  pelo  particular,  o  Estado  tenha  decidido  denunciar  à  lide 
(incluir  no  processo)  o  motorista  da  ambulância,  alegando  que  ele  foi  o 
responsável  pelo  acidente  e,  portanto,  deveria  participar  do  processo  e  ser 
responsabilizado pelo pagamento do prejuízo causado ao particular. Nesse caso, 
o  Estado  estaria  agindo  de  forma  correta,  em  conformidade  com  o 
entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência? 

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Não.  Segundo  entendimento  da  doutrina  e  jurisprudência  majoritárias 

(adotada  pelas  bancas  examinadoras),  não  pode  haver  denunciação  à  lide  do 
agente público, já que o pedido do particular em face do Estado está amparado 
na RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Já a responsabilidade do agente em face 
do Estado, está amparada na RESPONSABILIDADE SUBJETIVA.  

O  próprio  Estatuto  dos  Servidores  Públicos  Federais  (Lei  8.112/90) 

declara que, ocorrendo danos causados a terceiros, o servidor deverá responder 
perante a Fazenda Pública mediante AÇÃO REGRESSIVA (artigo 122, § 2º) e, 
portanto, não há que se falar em denunciação à lide. 

 

No  concurso  público  para  o  cargo  de  Analista  de  Controle  Externo  do 
TCU,  realizado  em  2006,  a  ESAF  considerou  incorreta  a  seguinte 
assertiva:  “Tratando-se  de  dano  causado  a  terceiro,  o  servidor  responderá 
mediante denunciação à lide”.  

 

A  propósito,  gostaria  de  destacar  que  no  julgamento  do  recurso  especial 

nº 1.325.862/PR, de relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão, a Quarta Turma 
do Superior Tribunal de Justiça decidiu que na hipótese de dano causado  a 
particular por agente público no exercício de sua função, nos termos do art. 37, 
§ 6º, da CF/1988, há de se conceder ao lesado a possibilidade de ajuizar ação 
reparatória  diretamente  contra  o  agente  causador  do  dano,  contra  o  Estado 
ou contra ambos. 

A decisão da Quarta Turma do STJ foi proferida em ação de reparação por 

danos morais, proposta por Procurador do Estado do Paraná, que tinha no polo 
passivo uma Escrivã de Vara da Fazenda Pública da comarca de Curitiba/PR. 

O  Procurador  alegava  que  a  servidora,  ao  promover  a  publicação  do 

resumo de uma sentença proferida em embargos de execução em desfavor do 
Estado  do  Paraná,  erroneamente  teria  incluído  a  informação  de  que  o 
magistrado também havia proferido condenação do Estado por litigância de má-
fé, o que efetivamente não ocorrera. 

Ao  propor  a  ação  judicial  indenizatória,  o  Procurador  optou  por  incluir  a 

Escrivã  (servidora  pública)  no  polo  passivo  da  demanda  e  não  a  pessoa 
jurídica a qual ela estava vinculada em razão do exercício de suas funções no 
TJ PR (Estado do Paraná). 

Apesar  de  ter  indeferido  o  recurso  apresentado  pelo  Procurador  do 

Estado, que pleiteava a reforma do acórdão do TJ/PR que lhe negou o direito à 
indenização  por  danos  morais,  a  Quarta  Turma  do  Superior  Tribunal  de 
Justiça,  corroborando  voto  do  Ministro  Relator,  afirmou  que  “há  de  se 
franquear  ao  particular  a  possibilidade  de  ajuizar  a  ação  diretamente  contra  o 
servidor, suposto causador do dano, contra o Estado ou contra ambos, se assim 

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desejar.  A  avaliação  quanto  ao  ajuizamento  da  ação  contra  o  servidor  público 
ou  contra  o  Estado  deve  ser  decisão  do  suposto  lesado.  Se,  por  um  lado,  o 
particular  abre  mão  do  sistema  de  responsabilidade  objetiva  do  Estado,  por 
outro também não se sujeita ao regime de precatórios”. 

A  decisão  proferida  pelo  STJ  ainda  repercutirá  bastante  nas  provas  de 

concursos  públicos,  principalmente  por  ser  divergente  do  atual  entendimento 
que prevalece nas duas turmas do Supremo Tribunal Federal. 

A  título  de  exemplo,  destaca-se  que  no  julgamento  do  recurso 

extraordinário  nº  327.904/SP,  cujo  acórdão  foi  publicado  no  DJe  de 
08/09/2006, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal assim decidiu: 

"O  §  6º  do  art.  37  da  Magna  Carta  autoriza  a  proposição  de  que  somente  as 
pessoas  jurídicas  de  direito  público,  ou  as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado 
que  prestem  serviços  públicos,  é  que  poderão  responder,  objetivamente,  pela 
reparação de danos a terceiros. Isto por ato ou omissão dos respectivos agentes, 
agindo  estes  na  qualidade  de  agentes  públicos,  e  não  como  pessoas  comuns. 
Esse mesmo dispositivo constitucional consagra, ainda, dupla garantia: uma, em 
favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica 
de  direito  público,  ou  de  direito  privado  que  preste  serviço  público,  dado  que 
bem  maior,  praticamente  certa,  a  possibilidade  de  pagamento  do  dano 
objetivamente  sofrido.  Outra  garantia,  no  entanto,  em  prol  do  servidor 
estatal,  que  somente  responde  administrativa  e  civilmente  perante  a 
pessoa  jurídica  a  cujo  quadro  funcional  se  vincular."  (RE  327.904,  Rel. 
Min. Ayres Britto, julgamento em 15-8-2006, Primeira Turma, DJ de 8-9-2006).  

 

No  mesmo  sentido,  assim  também  decidiu  a  Segunda  Turma  do 

Supremo Tribunal Federal, conforme se constata no seguinte julgado: 

AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  AÇÃO  DE  REPARAÇÃO 
DE  DANOS.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA  DO  ESTADO.  §  6º  DO  ART.  37  DA 
CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  AGENTE  PÚBLICO.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA  AD 
CAUSAM. 

O  Supremo  Tribunal  Federal,  por  ocasião  do  julgamento  da  RE  n.  327.904, 
Relator o Ministro Carlos Britto, DJ de 8.9.06, fixou entendimento no sentido de 
que “somente as pessoas jurídicas de direito público, ou as pessoas jurídicas de 
direito  privado  que  prestem  serviços  públicos,  é  que  poderão  responder, 
objetivamente, pela reparação de danos a terceiros. Isto por ato ou omissão dos 
respectivos  agentes,  agindo  estes  na  qualidade  de  agentes  públicos  e  não 
pessoas  comuns”  (RE  470.996-AgR,  Rel.  Min.  Eros  Grau,  julgamento  em  18-8-
2009, Segunda Turma, DJE de 11-9-2009). 

 

Esse também é o entendimento de grande parte da doutrina, inclusive de 

José  Afonso  da  Silva,  citado  no  voto  relator  do  recurso  extraordinário  nº 
327.904/SP: 

 

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“(...) A obrigação de indenizar é da pessoa jurídica a que pertencer o agente. O 
prejudicado  há  que  mover  a  ação  de  indenização  contra  a  Fazenda  Pública 
respectiva ou contra a pessoa jurídica privada prestadora de serviço público, não 
contra  o  agente  causador  do  dano.  O  princípio  da  impessoalidade  vale  aqui 
também  (in  Comentário  contextual  à  Constituição,  Editora  Malheiros,  2005,  p. 
349). 

E aí professor? Como devo me posicionar nas questões de prova? 

Bem, se você estiver se preparando para questões objetivas, como é o 

caso do concurso da Receita Federal, penso que o mais coerente ainda é adotar 
o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (salvo se a ESAF fizer referência 
expressa ao posicionamento do STJ). Todavia, se tiver que enfrentar questões 
discursivas, apresente os dois entendimentos para o examinador. 

Outro ponto que merece destaque é o fato de que a ação regressiva, nos 

termos  do  artigo  5º,  XLV,  da  CF/88,  transmite-se  aos  herdeiros,  até  o  limite 
da herança recebida, ou seja, mesmo após a morte do agente público, o seu 
patrimônio responde pelo dano. 

 

Ainda não encontrei em provas da ESAF questões versando sobre o início do 

prazo para a propositura da ação regressiva em face do servidor causador de 

dano ao particular. Entretanto, é importante esclarecer que o art. 2º da Lei 

4.619/65 prevê que “o prazo para ajuizamento da ação regressiva será de 

sessenta dias a partir da data em que transitar em julgado a condenação 

imposta à Fazenda”, isto é, entendimento que não está em conformidade com 

o posicionamento do Supremo Tribunal Federal. 

 

 

         9.  RESPONSABILIDADES  ADMINISTRATIVA,  CIVIL  E  PENAL  DOS 
AGENTES PÚBLICOS 

 

Quando  o  agente  público,  no  exercício  de  suas  funções,  praticar  alguma 

irregularidade, algum ato violador do ordenamento jurídico vigente, poderá ser 
obrigado a responder a um processo administrativo, um processo cível e outro 
na  esfera  penal,  simultaneamente,  já  que  essas  esferas  são  independentes 
entre si. 

Em  regra,  não  há  vinculação  entre  as  sanções  administrativas,  civis  e 

penais  e,  portanto,  elas  poderão  cumular-se.  Da  mesma  forma,  os  processos 
em  cada  esfera  poderão  tramitar  isoladamente,  não  sendo  necessário,  por 
exemplo,  aguardar  o  julgamento  da  esfera  judicial  cível  a  fim  de  que  seja 
proferida a decisão administrativa. 

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É  possível  que  exista  a  responsabilidade  civil  sem  que  haja 

responsabilidade  penal  ou  administrativa.  Pode  ainda  haver  a responsabilidade 
administrativa,  sem  que  ocorra  conjuntamente  a  responsabilidade  penal  ou 
civil.  

 

Em razão da independência das instâncias, a Administração pode aplicar a 

penalidade administrativa de demissão ao servidor, por exemplo, mesmo antes 
de  ter  sido  julgada  a  ação  penal.  Entretanto,  caso  o  servidor  seja  absolvido 
posteriormente por sentença penal que negue que ele seja o autor do possível 
crime  (negativa  de  autoria)  ou,  ainda,  que  declare  a  inexistência  do  fato 
criminoso, deverá ser reintegrado ao cargo anteriormente ocupado, com direito 
à  recepção  de  todas  as  vantagens  financeiras  a  que  teria  direito  se  estivesse 
trabalhando. 

 

9.1. Responsabilidade Civil 

 

Segundo  o  professor  José  dos  Santos  Carvalho  Filho,  a  responsabilidade 

civil  é  a  imputação,  ao  servidor,  da  obrigação  de  reparar  o  dano  que  tenha 
causado  à  Administração  ou  a  terceiros,  em  decorrência  de  conduta  dolosa  ou 
culposa,  de  caráter  comissivo  ou  omissivo,  tratando-se  de  responsabilidade 
SUBJETIVA. 

 

A obrigação de o servidor reparar pecuniariamente o dano causado pode 

lhe ser exigida de uma só vez ou de forma parcelada, sendo possível o desconto 
de  cada  parcela  nos  vencimentos  mensais  do  servidor,  desde  que  com  a  sua 
expressa concordância e nos termos previstos em lei. 

 

O  Estatuto  dos  Servidores  Públicos  Federais  (Lei  8.112/90)  estabelece 

que, nos casos de parcelamento, o valor de cada parcela não poderá ser inferior 
ao  correspondente  a  dez  por  cento  da  remuneração,  provento  ou  pensão  do 
agente público. 

 

9.2. Responsabilidade penal 

 

A  responsabilidade  penal  abrange  os  crimes  e  contravenções  imputadas 

ao servidor, nessa qualidade. Existe a possibilidade, conforme informado acima, 
de o servidor ser condenado apenas na esfera penal.  

Entretanto,  se  o  ilícito  penal  acarretar  prejuízos  à  Administração,  poderá 

também  ser  condenado  na  esfera  cível  pela  prática  do  mesmo  ato,  que 
repercutiu em outra esfera.  

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9.3. Responsabilidade administrativa 

 

A  responsabilização  administrativa  poderá  ocorrer  em  consequência  de 

condutas comissivas ou omissivas que configurem violação às normas previstas 
no estatuto dos próprios servidores, a exemplo da Lei 8.112/90. 

Antes de ser condenado na esfera administrativa, deverá ser assegurado 

ao  servidor  o  direito  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa,  garantias  previstas 
expressamente no texto constitucional, em processo administrativo próprio.  

 

É válido destacar ainda que o servidor condenado na esfera administrativa 

tem o direito de rediscutir a penalidade aplicada no âmbito do poder judiciário, 
que  está  restrito  à  análise  da  legalidade,  pois  não  pode  ter  ingerência  nos 
critérios  de  conveniência,  oportunidade  ou  justiça  dos  atos  punitivos  da 
Administração. 

 

9.4. Efeitos da decisão penal nas esferas civil e administrativa 

Certamente, este é um dos tópicos mais cobrados em concursos públicos, 

independentemente da banca responsável pela elaboração das questões. Sendo 
assim,  é  necessário  que  você  tenha  bastante  atenção  aos  detalhes  que  serão 
narrados a seguir, para não correr o risco de errar uma questão em prova. 

1º)  A  decisão  penal  condenatória  só  causa  reflexo  na  esfera  civil  da 

Administração  se  o  fato  ilícito  penal  se  caracterizar  também  como  fato  ilícito 
civil.  Exemplo:  Se  um  servidor  for  condenado  pela  prática  do  crime  de  dano 
(artigo 163 do CP) contra bem público, tal decisão provocará reflexo na esfera 
civil, pois a Administração teve um prejuízo real ao seu patrimônio e, portanto, 
o servidor estará obrigado a reparar o dano. 

 

-  É  válido  ressaltar  que,  em  regra,  a  esfera  penal  não  vincula  a  esfera 

administrativa. 

2º)  Em  se  tratando  de  decisão  penal  condenatória  por  crime  funcional 

(aquele  que  tem  relação  com  os  deveres  administrativos),  sempre  haverá 
reflexo  na  esfera  administrativa,  já  que  tal  conduta  deverá  ser  considerada 
também  um  ilícito  administrativo.  Exemplo:  Se  o  servidor  é  condenado  pelo 
crime de corrupção passiva (art. 317 do CP), terá implicitamente cometido um 
ilícito  administrativo,  como  aquele  previsto  no  artigo  117,XII,  da  Lei  8.112/90 
(receber  propina,  comissão,  presente  ou  vantagem  de  qualquer  espécie,  em 
razão de suas atribuições) e, portanto, deverá ser condenado nas duas esferas. 

 

-  Nesse  caso,  a  esfera  penal  irá  vincular  obrigatoriamente  a  esfera 

administrativa. 

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3º)  Se  a  decisão  na  esfera  penal  afirmar  a  INEXISTÊNCIA  DO  FATO 

atribuído  ao  servidor  ou  a  NEGATIVA  DE  AUTORIA  (declarar  que  o  servidor 
não  foi  o  autor  do  crime),  deverá  ser  reproduzida  necessariamente  na  esfera 
administrativa, ou seja, caso o servidor seja absolvido na esfera penal nas duas 
situações  citadas,  deverá  também  ser  absolvido  na  esfera  administrativa, 
OBRIGATORIAMENTE. 

 

- Caso o servidor já tenha sido demitido administrativamente no momento 

do  trânsito  em  julgado  da  decisão  penal,  deverá  ser  reintegrado  ao  cargo 
anteriormente ocupado, após a anulação da demissão. 

4º)  Se  a  decisão  na  esfera  penal  absolver  o  servidor  por 

INSUFICIÊNCIA DE PROVAS quanto à autoria, por exemplo, não ocorrerá a 
vinculação da esfera administrativa e, se as provas existentes forem capazes de 
configurar um ilícito administrativo, poderá então ser condenado na esfera 
administrativa. É o que a doutrina denomina de conduta residual. 

 

- EXEMPLO: Se um servidor for absolvido da suposta prática de crime de 

peculato  (artigo  art.  312  do  CP),  por  insuficiência  de  provas  quanto  à  sua 
participação no fato criminoso, nada impede, porém, que seja punido na esfera 
administrativa  por  ter  atuado  de  forma  desidiosa,  ilícito  administrativo 
previsto  no  artigo  117,  XV,  da  Lei  8.112/90,  que  constitui  conduta  residual 
independente do crime de peculato. 

5º)  Se  o  servidor  é  condenado  a  crime  que  não  tenha  relação  com  a 

função  pública,  nenhuma  influência  haverá  na  esfera  administrativa  quando  a 
pena  não  impuser  a  perda  da  liberdade.  Se  a  privação  da  liberdade  ocorrer, 
surgem duas hipóteses distintas: 

 

- Se a privação da liberdade for por tempo inferior a 04 (quatro) anos, 

o  servidor  ficará  afastado  de  seu  cargo  ou  função,  assegurado  o  direito  de  a 
família receber o auxílio-reclusão; 

 

- Se a privação da liberdade é superior a 04 (quatro) anos, ocorrerá a 

perda do cargo, função pública ou mandato eletivo. Com relação a este último, 
é  válido  ressaltar  que  devem  ser  observadas  as  regras  do  artigo  55,  VI, 
combinadas com a  regra do § 2º do mesmo artigo,  todos  eles da Constituição 
Federal de 1988.  

A  decisão  final  sobre  a  perda  do  mandato  eletivo  fica  sob  a 

responsabilidade da Câmara dos Deputados ou Senado Federal, dependendo do 
caso. 

 

 

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1. A CF/88 adotou a teoria do risco administrativo e não a do risco integral; 

2.  A  teoria  do  risco  administrativo  admite  excludentes  de  responsabilidade 
em relação ao Estado, tais como a culpa exclusiva da vítima, o caso fortuito e 
força maior; 

3. A teoria do risco integral não admite excludentes de responsabilidade; 

4. A responsabilidade civil do Estado pelos danos que seus agentes causarem a 
terceiro é de natureza OBJETIVA; 

5. As pessoas jurídicas de direito privado, desde que prestadoras de serviços 
públicos  (como  as  concessionárias,  por  exemplo),  respondem  objetivamente 
pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  aos  usuários  ou  não-usuários  do 
serviço prestado;  

6.  As  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  quando  prestadoras  de  serviços 
públicos  (como  as  concessionárias,  por  exemplo),  respondem  objetivamente 
pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  aos  não-usuários  do  serviço 
prestado;  

7.  Segundo  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  tanto  o  caso 
fortuito quanto o evento de força maior excluem a responsabilidade civil do 
Estado; 

8.  A  responsabilidade  civil  do  Estado,  em  virtude  de  omissões  que  causaram 
danos  aos  particulares,  é  de  natureza  subjetiva,  sendo  necessária  a 
comprovação  do  dolo  e/ou  culpa  a  fim  de  que  o  Estado  seja  obrigado  a 
indenizar; 

9.    A  responsabilidade  do  Estado,  ou  mesmo  do  particular,  em  virtude  de 
danos nucleares, será sempre objetiva, na modalidade do risco integral; 

10. Quando o Estado causar danos ao particular em função da obra pública em 
si (só fato da obra), a responsabilidade civil será de natureza objetiva; 

11.  O  Estado  responde  civilmente  pelos  danos  causados  aos  particulares 
provenientes de leis inconstitucionais e leis de efeitos concretos; 

12.  A  CF/88,  em  seu  artigo  5º,  LXXV,  assegura  que  Estado  poderá  ser 
responsabilizado civilmente por atos jurisdicionais em duas hipóteses: erro do 
judiciário  e  quando  o  indivíduo  ficar  preso  além  do  tempo  fixado  na 
sentença. 

RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP 

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13. A responsabilidade do Estado, em relação aos bens, coisas e pessoas sob a 
sua guarda, é de natureza objetiva; 

14.  A  prazo  para  o  particular  propor  ação  de  indenização  em  face  do  Estado 
prescreve  em  cinco  anos,  contados  da  data  do  ato  ou  fato  do  qual  se 
originarem. Todavia, é IMPRESCRITÍVEL o prazo da Administração Pública para 
cobrar  o  ressarcimento  de  prejuízos  ou  danos  causados  ao  seu  patrimônio  em 
virtude  de  comportamento  culposo  ou  doloso  de  seus  agentes,  servidores  ou 
não, conforme estabelece o § 5º do artigo 37 da CF/88; 

15.  O  Estado  tem  o  direito  de  regresso  contra  o  agente  público  se  foi 
obrigado  a  pagar  indenização  proveniente  de  dano  causado  a  particular  em 
virtude de ação/omissão do agente público; 

16.  A  responsabilidade  civil  do  agente  público,  em  face  do  Estado,  é  de 
natureza  subjetiva,  portanto,  deve  ser  comprovado  que  o  agente  agiu  com 
culpa e/ou dolo; 

17. O entendimento da doutrina majoritária é no sentido de não ser permitida 
a  nomeação  à  lide,  pelo  Estado,  do  servidor  responsável  pelo  dano  ao 
particular; 

18.  Pela  prática  de  ato  irregular,  o  servidor  pode  responder  na  esfera  penal, 
civil  e  administrativa,  já  que  são  independentes  entre  si,  entretanto,  as 
sanções aplicáveis nessas esferas podem cumular-se; 

19.  A  absolvição  do  servidor,  na  esfera  penal,  por  insuficiência  de  provas, 
não  exclui  a  possibilidade  de  condenação  na  esfera  administrativa  em  virtude 
de falta residual. 

20.  A  absolvição  do  servidor  na  esfera  penal,  por  negativa  de  autoria  ou 
inexistência  do  fato,  obriga  à  absolvição  do  servidor  também  na  esfera 
administrativa. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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01. (ESAF⁄Procurador – PGFN⁄2012) Assinale a opção que corresponde 
ao  entendimento  atualmente  esposado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal 
sobre  a  responsabilidade  civil  das  empresas  concessionárias  de 
serviços públicos. 
a) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, 
na modalidade do risco administrativo. 
b) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, 
desde que caracterizada ao menos culpa da prestadora do serviço. 
c) É reconhecida  a possibilidade de responsabilização em face de dano 
causado  a  não-usuário  do  serviço,  uma  vez  caracterizada  ao  menos 
culpa  da  concessionária  e  nexo  de  causalidade  entre  a  conduta  e  o 
resultado prejudicial. 
d)  É  reconhecida  a  possibilidade  de  responsabilização  objetiva  das 
concessionárias, mesmo em face de terceiros não-usuários do serviço. 
e)  A  teoria  da  responsabilidade  subjetiva  é  aplicável  tanto  perante 
usuários como não-usuários do serviço público, considerando-se que as 
concessionárias  são  empresas  privadas  que  não  integram  o  Poder 
Público. 
 

Comentários 

Até o mês de agosto de 2009, prevalecia no Supremo Tribunal Federal o 

entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos não 
poderiam  ser  responsabilizadas  objetivamente  pelos  danos  causados  pelos 
seus  agentes  aos  terceiros  que  não  fossem  usuários  do  serviço  público 
prestado. 

 

Todavia,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  591.874,  em 

26/08/2009, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal 
Federal  decidiu  que  “a  Constituição  Federal  não  faz  qualquer  distinção  sobre  a 
qualificação  do  sujeito  passivo  do  dano,  ou  seja,  não  exige  que  a  pessoa 
atingida pela lesão ostente a condição de usuário do serviço”.  

 

Desse  modo,  passou  a  vigorar  no  Supremo  Tribunal  Federal  o 

entendimento  de  que  as  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  públicos 
respondem  objetivamente  pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a 
terceiros,  inclusive  aqueles  que  não  estejam  usufruindo  dos  serviços 
prestados,  a  exemplo  do  particular  que  tem  o  seu  carro  atingido  por  um 
ônibus pertencente a concessionária prestadora de serviços públicos. 

Gabarito: Letra d. 

 
02.  (Analista  de  Finanças  e  Controle/CGU  2008/ESAF)  Considerando 
entendimento  consolidado  do  Supremo  Tribunal  Federal,  assinale  a 
opção  em  que  a  sentença  penal  não  pode  influenciar  na  esfera 
administrativa.  

QUESTÕES COMENTADAS 

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91 

a) Absolvição que não compreenda falta residual.  
b) Absolvição por inexistência do fato.  
c)  Condenação  por  crime  contra  a  Administração  Pública  à  pena 
privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano.  
d)  Condenação  em  que  é  aplicada pena  privativa  de  liberdade  superior 
a quatro anos.  
e) Absolvição em que a autoria seja negada.  
 

Comentários 

a)  A  Súmula  18  do  Supremo  Tribunal  Federal  dispõe  que  “pela  falta 

residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é  admissível a 
punição administrativa do servidor público”, o que torna a assertiva correta. 

De  início,  é  importante  esclarecer  que  falta  residual,  como  o  próprio  nome 
indica,  é  aquela  que  não  foi  objeto  da  sentença  judicial  proferida  na  esfera 
penal (uma falta à parte, um resíduo).  

Para  ficar  mais  fácil  o  entendimento,  citemos  o  exemplo  de  um  servidor  que, 
por  algum  motivo,  após  ter  proferido  dezenas  de  “palavrões”  no  interior  da 
repartição, tenha agredido um colega de trabalho com diversos socos na face.  

Em  razão  dessa  agressão,  suponhamos  que  tenham  sido  instaurados  um 
processo criminal (por lesão corporal) e outro administrativo (por violação do 
art. 132, VII, da Lei 8.112/1990) contra o servidor. Imaginemos, agora, que o 
servidor  tenha  sido  absolvido  na  esfera  criminal  sob  a  alegação  de  que  teria 
agido em legítima defesa.  

Nesse  caso,  se  o  já  servidor  tiver  sido  demitido  na  esfera  administrativa  em 
razão  da  violação  do  inc.  VII,  do  art.  132,  da  Lei  8.112/1990,  deverá  ser 
reintegrado  obrigatoriamente  ao  cargo,  pois  a  decisão  proferida  na  criminal 
vinculará  a  esfera  administrativa  (o  Judiciário  entendeu  que  o  crime  não 
ocorreu, já que o servidor teria agido em legítima defesa). 

Todavia,  é  importante  destacar  que  no  momento  da  confusão  o  servidor 
proferiu  vários  “palavrões”  no  âmbito  da  repartição,  que  foram  ouvidos  por 
diversos colegas. Desse modo, é possível afirmar que o servidor também violou 
os  incisos  IX  e  XI,  do  art.  116,  bem  como  o  inc.  V,  do  art.  132,  da  Lei 
8.112/1990,  infrações  que  não  foram  analisadas  pelo  Poder  Judiciário  (faltas 
residuais). 

Assim,  mesmo  que  o  servidor  tenha  sido  absolvido  na  esfera  criminal  por  ter 
agido  em  legítima  defesa,  perceba  que  ele  não  tratou  com  urbanidade  as 
pessoas (art. 116, XI), e, portanto, poderia ser penalizado com a aplicação  de 
uma advertência em razão dessa falta residual, por exemplo. 

Se  a  sentença  que  absolveu  o  servidor  não  se  referiu  à  falta  residual,  não 
vinculará  a  esfera  administrativa,  no  que  se  refere  à  aplicação  de  penalidades 
em face da falta residual em si. 

 

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92 

b) Se o servidor foi absolvido na esfera penal por inexistência do fato, 

também  será  absolvido,  obrigatoriamente,  na  esfera  administrativa,  ocorrendo 
assim  uma  vinculação  da  decisão  penal  sobre  a  administrativa.  Não  é  a 
resposta da questão.  

c) O texto da assertiva não pode ser marcado como resposta da questão, 

pois o art. 92 do Código Penal dispõe que “também são efeitos da condenação 
criminal a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, quando aplicada 
pena  privativa  de  liberdade  por  tempo  igual  ou  superior  a  um  ano,  nos 
crimes  praticados  com  abuso  de  poder  ou  violação  de  dever  para  com  a 
Administração Pública”. 

d) Nos mesmos moldes da assertiva anterior, ainda consta no art. 92 do 

Código  Penal  que  quando  for  aplicada  ao  servidor  pena  privativa  de  liberdade 
por  tempo  superior  a  4  (quatro)  anos,  ocorrerá  a  perda  de  cargo,  função 
pública  ou  mandato  eletivo.  Assim,  a  assertiva  não  pode  ser  marcada  como 
resposta da questão. 

e)  Se  a  decisão  na  esfera  penal  absolveu  o  servidor  por  negativa  de 

autoria,  também  ocorrerá  a  sua  automática  absolvição  na  esfera 
administrativa,  o  que  impede  que  a  assertiva  seja  marcada  como  resposta  da 
questão. 

 

GABARITO: LETRA A. 

 

(CESPE/Analista  Judiciário  –  TJDF/2013)  No  que  concerne  ao  direito 
administrativo, julgue o item a seguir. 

03.  Suponha  que  o  TJDFT,  por  intermédio  de  um  oficial  de  justiça,  no 
exercício  de  sua  função  pública,  pratique  ato  administrativo  que  cause 
dano  a  terceiros.  Nessa  situação,  não  se  aplicam  as  regras  relativas  à 
responsabilidade civil do Estado, já que os atos praticados pelos juízes 
e  pelos  auxiliares  do  Poder  Judiciário  não  geram  responsabilidade  do 
Estado.  

As  regras  constitucionais  sobre  responsabilização  civil  do  Estado,  previstas  no 
art.  37,  §  6º,  da  CF⁄1988,  abrangem  os  atos  administrativos  editados  por 
todos  os  poderes  (Legislativo,  Executivo  e  Judiciário),  assim  como  Ministério 
Público e Tribunais de Contas. 

Todavia,  em  relação  aos  atos  jurisdicionais  (que  são  praticados 
exclusivamente  pelos  juízes)  causadores  de  danos  a  terceiros,  vigora  a  regra 
geral de que não é possível responsabilizar civilmente o Estado, salvo em duas 
exceções  previstas  expressamente  no  art.  5º,  XXV,  da  CF⁄1988:  erro 
judiciário  e  quando  o  indivíduo  ficar  preso  além  do  tempo  fixado  na 
sentença. Assertiva incorreta. 

 

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(CESPE/Advogado  –  SERPRO/2013)  Julgue  os  itens  subsequentes, 
relativos à responsabilidade da administração pública. 

04. Segundo entendimento do STF, a responsabilidade civil das pessoas 
jurídicas  de  direito  privado  prestadoras  de  serviço  público  é  objetiva 
tanto em relação aos usuários, quanto aos não usuários de um  serviço 
público.  

No julgamento do Recurso Extraordinário 591.874, em 26/08/2009, de relatoria 
do  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  o  Supremo  Tribunal  Federal  decidiu  que  “a 
Constituição  Federal  não  faz  qualquer  distinção  sobre  a  qualificação  do  sujeito 
passivo do dano, ou seja, não exige que a pessoa atingida pela lesão ostente a 
condição de usuário do serviço”.  

Desse modo, passou a vigorar no Supremo Tribunal Federal o entendimento de 
que  as  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  públicos  respondem 
objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, inclusive 
aqueles  que  não  estejam  usufruindo  dos  serviços  prestados,  a  exemplo 
do  particular  que  tem  o  seu  carro  atingido  por  um  ônibus  pertencente  a 
concessionária prestadora de serviços públicos. Assertiva correta. 

 

05.  Caso  o  poder  público  seja  condenado  em  ação  de responsabilidade 
civil  pelos  danos  causados  por  seu  servidor  a  terceiro,  caberá  ação 
regressiva  do  Estado  contra  o  servidor,  ação  esta  cujo  prazo 
prescricional será de três anos.  

O  gabarito  preliminar,  divulgado  pela  banca,  informou  que  a  assertiva  estava 
correta.  Todavia,  após  a  fase  de  apresentação  de  recursos,  a  banca  decidiu 
anular  a  questão  sob  a  alegação  de  que  jurisprudência  entende  se  tratar  de 
ação  imprescritível,  nos  termos  do  art.  37,  §  5º,  da  CF⁄1988,  que  assim 
dispõe:  “a  lei  estabelecerá  os  prazos  de  prescrição  para  ilícitos  praticados  por 
qualquer  agente,  servidor  ou  não,  que  causem  prejuízos  ao  erário, 
ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento”. 

 

06.  Na  teoria  do  risco  administrativo,  verifica-se  a  necessidade  de  a 
vítima comprovar a culpa da administração.  

Segundo  a  teoria  do  risco  administrativo,  para  que  o  Estado  seja  obrigado  a 
indenizar  o  dano  causado  por  seus  agentes,  é  suficiente  que  o  particular 
prejudicado  comprove  o  dano  existente  e  o  nexo  causal  entre  a  ação  do 
agente  e  o  evento  danoso.  Não  é  necessário  que  o  particular  comprove  que  o 
agente  público  agiu  com  dolo  ou  culpa,  pois  isso  é  irrelevante  para  efeitos  de 
indenização estatal. Assertiva incorreta. 

 

(CESPE/Procurador  –  TC  DF/2013)  Julgue  os  itens  que  se  seguem, 
acerca  de  direitos  dos  servidores  públicos  civis,  aposentadorias  e 
pensões, bens públicos e responsabilidade por atos legislativos. 

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07.  O  Estado  só  responderá  pela  indenização  ao  indivíduo  prejudicado 
por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF.  

Em  regra,  não  incide  a  responsabilidade  civil  estatal  em  razão  dos  atos 
legislativos  que  causem  dados  a  terceiros,  salvo  em  duas  hipóteses  (o 
enunciado 

da 

questão 

apresentou 

apenas 

uma): 

leis 

declaradas 

inconstitucionais  e  leis  de  efeitos  concretos  (que  não  possui  caráter 
genérico  e  abstrato,  a  exemplo  daquela  que  atribui  o  nome  de  determinada 
personalidade a um aeroporto, por exemplo). Assertiva incorreta. 

 

(CESPE/Técnico  Judiciário  –  TJDF/2013)  Acerca  da  responsabilidade 
civil do Estado, julgue o item abaixo. 

08.  Se  um  particular  sofrer  dano  quando  da  prestação  de  serviço 
público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará 
afastada a responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o 
ônus da prova, contudo, caberá à administração.  

A  culpa  exclusiva  da  vítima  configura-se  quando  o  dano  existente  é 
consequência  de  sua  própria  ação  ou  omissão  e  não  de  conduta  praticada  por 
agente  público  no  exercício  da  função  pública.  Todavia,  compete  ao  Estado, 
para eximir-se de eventual responsabilidade nos autos de um processo judicial, 
comprovar que ocorreu a culpa exclusiva da vítima, sob pena de ser obrigado a 
indenizá-la. Assertiva correta. 

 

(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

09.  De  acordo  com  a  teoria  do  risco  integral,  o  Estado  responde 
integralmente  quando  houver  danos  a  terceiros,  desde  que  não  esteja 
presente nenhuma das causas excludentes de responsabilidade.   

Levando-se  em  conta  a  teoria  do  risco  integral,  o  Estado  é  responsável  por 
todos  e  quaisquer  danos  causados  aos  indivíduos  durante  a  execução  dos 
serviços públicos, ainda que sejam consequências de caso fortuito, força maior 
ou tenham sido causados por culpa exclusiva da vítima.  

Nesse  caso,  o  Estado  não  poderá  alegar  qualquer  excludente  de 
responsabilização  para  se  esquivar  da  obrigação  de  indenizar  civilmente  o 
particular. Assertiva incorreta. 

 

10. Nas situações que caracterizem conduta omissiva do Estado, deve-
se adotar a teoria da irresponsabilidade administrativa.  

Para  Celso  Antônio  Bandeira  de  Mello,  “quando  o  dano  foi  possível  em 
decorrência  de  uma  omissão  do  Estado  (o  serviço  não  funcionou,  funcionou 
tardia  ou  ineficientemente)  é  de  aplicar-se  a  teoria  da  responsabilidade 
subjetiva.  Com  efeito,  se  o  Estado  não  agiu,  não  pode,  logicamente,  ser  o 

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autor  do  dano.  E  se  não  foi  o  autor,  só  cabe  responsabilizá-lo  caso  esteja 
obrigado  a  impedir  o  dano.  Isto  é,  só  faz  sentido  responsabilizá-lo  se 
descumpriu  dever  legal  que  lhe  impunha  obstar  o  evento  lesivo”.  Assertiva 
incorreta. 

 
11.  (Procurador/PGDF  2007/ESAF)  Em  face  da  responsabilidade 
extracontratual  do  Estado,  dentro  do  sistema  da  Constituição 
Republicana  de  1988  e  da  formulação  teórica  adotada  pelo  Direito 
Administrativo pátrio, é correto afirmar que:  
a)  a  aplicação  da  responsabilidade  objetiva  se  satisfaz  somente  com  a 
demonstração do nexo causal.  
b) a ocorrência da denominada dupla causalidade (concausas) traz em 
seu bojo a exclusão da responsabilidade estatal.  
c)  não  tem  sido  admitida  pela  doutrina  nem  pela  jurisprudência  a 
hipótese de reconhecimento de surgimento da responsabilidade estatal 
por atos danosos causados por multidões.  
d)  eventual  alegação  de  força  maior,  por  Procurador  do  DF,  na  defesa 
apresentada  em  ação  de  reparação  de  danos  movida  contra  o  Distrito 
Federal,  é  relevante  para  excluir  a  responsabilidade  estatal  apenas  na 
medida  em  que  pode  comprovar  a  inexistência  de  nexo  causal  entre 
alguma atuação do Estado e o dano ocorrido.  
e) a teoria da faute du service, segundo entendimento predominante na 
doutrina 

administrativista 

pátria, 

insere-se 

no 

campo 

da 

responsabilidade  extracontratual  estatal  objetiva,  por  aplicação  da 
regra do § 6º do art. 37 da CF.  
 

Comentários 

a)  Ao  afirmar  que  a  o  Estado  responde  objetivamente  pelos  danos  que 

seus  agentes,  nessa  qualidade,  causarem  a  terceiros,  o  texto  constitucional 
estabeleceu  a  obrigatoriedade  de  que  o  interessado  comprove  a  ocorrência  do 
dano (prejuízo) e do nexo causal a fim de que seja indenizado, o que invalida 
o texto da assertiva.  

b)  A  concausa  nada  mais  é  do  que  uma  situação  específica,  que  se 

junta  à  causa  principal,  e  que  também  influencia  no  resultado  final.  Isso 
acontece,  por  exemplo,  quando  a  vítima  de  um  dano  causado  por  agente 
público, de alguma forma, participa do evento danoso. 

Para  responder  às  questões  de  prova,  lembre-se  sempre  de  que  a  culpa 

concorrente  (existência  de  concausa)  não  exclui  a  responsabilidade  estatal, 
mas é suficiente para atenuá-la, o que torna a assertiva incorreta. 

A  título  de  exemplo,  destaca-se  que  no  julgamento  do  Recurso  Especial 

1046535/SP,  de  relatoria  do  Ministro  Aldir  Passarinho  Junior,  ao  decidir  sobre 
um  pedido  de  indenização  proposto  por  familiares  de  vítima  que  havia  sido 
atropelada  em  uma  linha  de  trem,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidiu  que 
“não  obstante  constitua  ônus  da  empresa  concessionária  de  transporte 
ferroviário  a  fiscalização  de  suas  linhas  em  meios  urbanos,  a  fim  de  evitar  a 

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irregular  transposição  da  via  por  transeuntes,  é  de  se  reconhecer  a 
concorrência  de  culpas  quando  a  vítima,  tendo  a  sua  disposição  passarela 
construída nas proximidades para oferecer percurso seguro, age com descaso e 
imprudência,  optando  por  trilhar  caminho  perigoso,  levando-o  ao  acidente 
fatal”. 

Assim,  entendeu  o  STJ  que  a  família  da  vítima  somente  teria  direito  ao 
recebimento  da  metade  do  valor  da  indenização  cabível  à  espécie,  já  que  a 
vítima  também  foi  responsável  pelo  evento  morte,  ao  atravessar  a  linha  de 
trem fora dos locais indicados pela empresa concessionária (concausa). 

c) Em regra, prevalece o entendimento de que os atos danosos causados 

por multidões não ensejam a responsabilidade civil do Estado.  

Todavia,  afirma  o  professor  José  dos  Santos  Carvalho  Filho  que,  em  certas 
situações,  “se  torna  notória  a  omissão  do  Poder  Público,  porque  teria  ele  a 
possibilidade de garantir o patrimônio das pessoas e evitar os danos provocados 
pela multidão. Nesse caso, é claro que existe uma conduta omissiva do Estado, 
assim  como  é  indiscutível  o  reconhecimento  do  nexo  de  causalidade  entre  a 
conduta e o dano, configurando-se, então, a responsabilidade civil Estado”.  

Essa  situação  ocorre,  por  exemplo,  quando  o  Poder  Público  é  comunicado  de 
que  um  grupo  de  manifestantes,  armados  com  pedaços  de  paus,  está 
ameaçando  saquear  lojas  e  outros  estabelecimentos  comerciais.  Se  os  órgãos 
de  segurança  pública  não  tomarem  as  providências  cabíveis  e  os  saques 
ocorrerem, o Estado poderá ser responsabilizado, já que se manteve omisso. 

Assim,  constata-se  que  é  possível  responsabilizar  o  Estado  por  atos  danosos 
causados  por  multidões,  desde  que  o  Poder  Público  não  tenha  tomado  as 
providências que eram de sua responsabilidade, mantendo-se omisso. Assertiva 
incorreta. 

d) Apesar de não existir um consenso doutrinário acerca da conceituação 

de  caso  fortuito  e  força  maior,  o  fato  é  que  ambos  são  acontecimentos  
alheios  à  regular  atuação  administrativa,  o  que  faz  com  que  a  sua 
ocorrência,  numa  situação  em  que  houve  alguma  atuação  administrativa 
causando dano ao particular, exclua o nexo causal entre a atuação e o dano. 

Desse  modo,  a  eventual  alegação  de  força  maior,  por  Procurador  do  DF,  seria 
relevante  para  excluir  a  responsabilidade  estatal,  caso  fique  demonstrada  e 
realmente comprovada nos autos. Assertiva correta. 

e)  A  teoria  francesa  da  faute  du  service  assegura  a  possibilidade  de 

responsabilização  do  Estado  em  virtude  do  serviço  público  prestado  de  forma 
insatisfatória,  defeituosa  ou  ineficiente.  Não  é  necessário  que  ocorra  uma 
falta  individual  do  agente  público,  mas  uma  deficiência  no  funcionamento 
normal do serviço, atribuível a um ou vários agentes da Administração. 

Nesse caso, a vítima tem o dever de comprovar a falta do serviço (ou a sua 
prestação  insuficiente  ou  insatisfatória)  para  obter  a  indenização,  além  de  ser 
obrigada a provar ainda uma “culpa especial” do Estado, ou seja, provar que o 
Estado é responsável por aquela “falta” do serviço público. 

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97 

Trata-se  de  uma  hipótese  de  responsabilidade  subjetiva  do  Estado,  já  que 
compete  à  vítima  provar  a  “falta  do  serviço”  e  a  responsabilidade  do  Estado 
pela sua prestação, o que torna a assertiva incorreta. 

  
Gabarito: Letra d. 
 
12.  (Analista  da  Tecnologia/SEFAZ-CE  2007/ESAF)  Assinale  a  opção 
que  contenha  a  correlação  correta.  A  respeito  da  responsabilidade 
extracontratual  do  Estado,  estabeleça  a  correlação  entre  o  Poder  e  a 
causa que enseja a responsabilização.  
 
(1) Poder Executivo  
(2) Poder Legislativo  
(3) Poder Judiciário  
 

) Lei de efeito concreto.  

) Manter cidadão preso além do tempo fixado na sentença.  

) Lei inconstitucional.  

) Infração às obrigações gerais devidas por todos.  

) Juiz que, no exercício das funções, proceda com dolo ou culpa.  

 
a) 1/1/3/2/1  
b) 3/2/1/2/3  
c) 2/2/3/1/1  
d) 2/3/2/1/3  
e) 1/2/2/3/1 

Comentários 

Em  relação  aos  atos  legislativos,  que,  por  óbvio,  são  editados  pelo  Poder 
Legislativo  (2),  predomina  o  entendimento  na  doutrina  de  que  o  Estado 
somente poderá ser responsabilizado civilmente em duas hipóteses: criação de 
leis inconstitucionais ou leis de efeitos concretos (1º e 3º item). 

No  mesmo  sentido,  a  regra  é  a  de  que  não  será  possível  responsabilizar  o 
Estado  pelos  atos  jurisdicionais  praticados  pelos  magistrados  integrantes  do 
Poder  Judiciário  (3),  desde  que  no  exercício  de  suas  funções  típicas  (a  de 
julgar).  Entretanto,  o  próprio  inciso  LXXV,  do  art.  5º,  da  CF/1988,  apresenta 
duas exceções, ao estabelecer que o “Estado indenizará o condenado por  erro 
judiciário,  assim  como  o  que  ficar  preso  além  do  tempo  fixado  na 
sentença”.  

Além  disso,  é  importante  destacar  que  a  doutrina  também  reconhece  a 
possibilidade  de  responsabilização  civil  em  virtude  de  condutas  lesivas 
praticadas por juízes que, no exercício da função pública, atuem dolosamente. 

Na  maioria  das  vezes,  é  o  Poder  Executivo  (1),  por  meio  de  seus  agentes, 
que  pratica  infrações  às  obrigações  gerais  devidas  por  todos,  o  que  também 
enseja a responsabilidade estatal. 

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98 

GABARITO: LETRA D. 

 
13. 

(Analista 

de 

Controle 

Externo/TCU 

2006/ESAF) 

Sobre 

responsabilidade civil da Administração, assinale a afirmativa falsa.  
a) A responsabilidade decorre de ato comissivo ou omissivo, culposo ou 
doloso.  
b)  A  obrigação  do  servidor  em  reparar  o  dano  estende-se  a  seus 
sucessores, até o limite do valor da herança.  
c)  Tratando-se  de  dano  causado  a  terceiro,  o  servidor  responderá 
mediante denunciação à lide.  
d)  A  responsabilidade  objetiva  pode  abranger  ações  de  agentes  de 
empresas privadas, desde que concessionárias de serviços públicos.  
e) É possível a responsabilidade do Estado por ato jurisdicional. 

 

Comentários 

a)  A  responsabilidade  civil  do  Estado  pode  decorrer  de  ato  comissivo  ou 

omissivo,  materiais  ou  jurídicos,  lícitos  ou  ilícitos,  dolosos  ou  culposos, 
imputáveis aos agentes públicos. Assertiva correta. 

b) Esse é o teor do § 3º do art. 122 da Lei 8.112/1990, ao dispor que “a 

obrigação  de  reparar  o  dano  estende-se  aos  sucessores  e  contra  eles  será 
executada, até o limite do valor da herança recebida”. Assertiva correta. 

c)  O  texto  da  assertiva  não  está  em  conformidade  com  o  entendimento 

da doutrina majoritária, e, portanto, deve ser considerado incorreto. 

Para responder às questões de prova, principalmente da ESAF, tenha em mente 
que o servidor somente poderá ser responsabilizado civilmente através de ação 
regressiva  proposta  pela  Administração,  jamais  por  ação  judicial  proposta 
diretamente pelo particular em face de sua pessoa física.  

Esse  é  o  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  reiterado,  por  exemplo, 
no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  327.904/SP,  de  relatoria  do  Ministro 
Carlos Ayres Britto. 

d)  Apesar  de  ter  sido  considerada  correta  pela  banca,  é  importante 

esclarecer que a assertiva deveria ter sido anulada. Isso  porque, da forma em 
que  foi  elaborada,  a  assertiva  traduz  a  ideia  de  que  somente  as 
concessionárias 

de 

serviços 

públicos 

podem 

ser 

responsabilizadas 

objetivamente  pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a  terceiros,  excluindo-
se, assim, as permissionárias de serviços públicos, por exemplo.  

e)  Assim  como  ocorre  em  relação  aos  atos  legislativos,  a  regra  é  a  de 

que  não  será  possível  responsabilizar  o  Estado  pelos  atos  jurisdicionais 
praticados  pelos  seus  magistrados,  desde  que  no  exercício  de  suas  funções 
típicas (a de julgar). 

 

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99 

Entretanto, o próprio inciso LXXV do art. 5º da CF/1988 apresenta duas 

exceções,  ao  estabelecer  que  o  “Estado  indenizará  o  condenado  por  erro 
judiciário,  assim  como  o  que  ficar  preso  além  do  tempo  fixado  na 
sentença”, o que torna a assertiva correta. 

 

GABARITO: LETRA C. 

 
(Técnico em assuntos educacionais/DPU 2010/CESPE) No que concerne 
à administração pública e à responsabilidade civil do Estado, assinale a 
opção correta. 

14.  A  responsabilidade  civil  objetiva  não  abrange  as  pessoas  jurídicas 
de direito privado.  

 

As  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  desde  que  prestadoras  de 

serviços públicos, também respondem objetivamente pelos danos que seus 
agentes, no exercício da função pública, causarem a terceiros, o que invalida o 
texto da assertiva.  

 

15.  O  sistema  jurídico  brasileiro  jamais  adotou  a  responsabilidade 
direta 

do 

agente 

público, 

qual 

está 

ligada 

à 

teoria 

da 

irresponsabilidade do Estado.  

 

O professor Diógenes Gasparini afirma que o princípio da responsabilidade 

do agente público, em lugar da responsabilidade do Estado, estava previsto na 
Constituição  de  1824,  no  item  29,  do  artigo  179,  o  que  invalida  o  texto  da 
assertiva. 

Durante esse período, em que vigorava a teoria da irresponsabilidade 

do  Estado,  os  indivíduos  não  ficavam  totalmente  desamparados  de  proteção 
em virtude dos danos sofridos, pois existia a possibilidade de responsabilização 
individual  dos  agentes  públicos  que,  atuando  com  dolo  ou  culpa, 
acarretassem danos a terceiros. A responsabilidade, nesse caso, recaía sobre o 
próprio agente e não sobre o Estado. 

 

16.  A  responsabilidade  civil  objetiva  do  Estado  não  está  prevista  na 
Constituição Federal de 1988.  

 

Ao  contrário  do  que  conta  no  texto  da  assertiva,  destaca-se  o  §  6º,  do 

art. 37, da CF/1988, dispõe que “as pessoas jurídicas de direito público e as de 
direito  privado  prestadoras  de  serviços  públicos  responderão  pelos  danos  que 
seus  agentes,  nessa  qualidade,  causarem  a  terceiros,  assegurado  o  direito  de 
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. 

 

Trata-se  de  responsabilidade  civil  na  modalidade  objetiva,  que  não 

alcança as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de 
atividades econômicas. Assertiva incorreta. 

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100 

17.  Pela  teoria  da  responsabilidade  solidária  do  Estado,  o  lesado  pode 
mover ação contra o servidor ou contra o Estado.  

 

De  início,  perceba  que  o  texto  da  assertiva  se  referiu  expressamente  à 

teoria  da  responsabilidade  solidária  do  Estado,  que,  atualmente,  não  é 
mais  adotada  no  âmbito  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  Superior  Tribunal  de 
Justiça. 

 

Apesar  disso,  essa  teoria  realmente  assegura  que  compete  ao  particular 

prejudicado  escolher  se  irá  propor  a  ação  indenizatória  em  face  do  Estado  ou 
em face do agente público, o que torna a assertiva correta. 

 
18.  (Técnico  em  assuntos  educacionais/DPU  2010/CESPE)  No  Brasil,  a 
responsabilidade  civil  do  Estado,  em  relação  aos  danos  causados  a 
terceiros, é 
A) dependente de culpa do agente do estado. 
B) subjetiva, passível de regresso. 
C) objetiva, insuscetível de regresso. 
D)O objetiva, passível de regresso. 
E) subjetiva, insuscetível de regresso. 

 

Comentários 

 
 

Nos  termos  do  art.  37,  §  6º,  da  CF/1988,  a  responsabilidade  civil  do 

Estado  em  relação  aos  danos  que  seus  agentes  causarem  a  terceiros  é  de 
natureza objetiva, sendo assegurado o direito de regresso em face do agente 
causador do dano. 
 

Assim, constata-se que somente a letra “D” complementa corretamente o 

caput da questão. 
 
Gabarito: Letra d. 
 
(Analista  de  Saneamento  –  Direito/EMBASA  2010/CESPE)  Com  relação 
à  responsabilidade  civil  do  Estado,  às  formas  de  utilização  dos  bens 
públicos e à administração indireta, julgue os itens a seguir. 

19. Quando ocorre enchente em determinado local devido a excesso de 
chuva,  o  Estado  pode  ser  responsabilizado  civilmente  pelos  danos 
causados à população.  

 

Se ficar comprovado que o Estado foi omisso, ou seja, que não efetuou a 

limpeza  dos  bueiros  de  escoamento  da  água,  permitindo  o  acúmulo  de  lixo  e, 
consequentemente,  o  seu  entupimento,  poderá,  sim,  ser  responsabilizado, 
desde  que  o  particular  lesado  comprove  o  dolo  e/ou a  culpa  do  Estado.  Nessa 
hipótese, a responsabilidade do Estado será SUBJETIVA. 

 

 

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101 

 

Entretanto,  se  os  danos  provenientes  da  enchente  ocorreram  em  virtude 

do  real  excesso  de  chuvas,  já  que  recentemente  o  Estado  havia  efetuado  a 
limpeza  de  todo  o  sistema  de  escoamento  de  água,  mantendo-o  em  perfeitas 
condições  de  funcionamento,  teremos  então  a  hipótese  de  FORÇA  MAIOR  (já 
que se trata de um evento EXTERNO, estranho a qualquer atuação do Estado) 
e, portanto, será excluída a responsabilidade estatal. Assertiva correta. 

 

(Promotor  de  Justiça  Substituto/MPE  SE  2012/CESPE  -  adaptada)  No 
que  concerne  à  responsabilidade  civil  do  Estado  e  aos  poderes 
administrativos, assinale a opção correta. 

20. Para efeito de responsabilidade civil do Estado, considera-se agente 
o  servidor  que,  em  sua  atuação,  causar  dano  a  terceiros.  Exclui-se, 
assim,  dessa  noção  as  pessoas  que  não  têm  vínculo  típico  de  trabalho 
com a administração e os agentes colaboradores e sem remuneração.  

 

Ao  referir-se  a  “agentes”,  o  constituinte  não  restringiu  o  alcance  do 

texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo também os 
celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de economia mista 
e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços públicos), os 
contratados  temporariamente  em  razão  de  necessidade  temporária  de 
excepcional  interesse  público,  bem  como  todos  aqueles  que  exercem  funções 
públicas,  ainda  que  transitoriamente  e  sem  remuneração,  incluindo-se  os 
agentes delegados (oficiais de cartório, por exemplo). 

 

Fato importante, e que deve ser lembrando no momento da prova, é que 

os  agentes  públicos  devem  ter  atuado  na  “condição  de  agente”  ao  causar  o 
dano, pois, caso contrário, não será possível responsabilizar o Estado. Assertiva 
incorreta. 

 

21.  Direito  de  regresso  é  o  assegurado  ao  Estado  no  sentido  de  dirigir 
sua  pretensão  indenizatória  contra  o  agente  responsável  pelo  dano, 
independentemente de este ter agido com culpa ou dolo.  

 

O  direito  de  regresso  em  face  do  agente  público  causador  do  dano 

realmente  está  assegurado  no  §  6º,  do  art.  37,  da  CF/1988.  Todavia,  é 
necessário  que  o  Estado  comprove  em  juízo  que  o  agente  público  agiu  com 
DOLO  ou  CULPA  ao  causar  o  prejuízo  ao  particular,  pois,  caso  contrário,  não 
conseguirá  êxito  na  demanda,  pois  a  responsabilidade  do  agente  público  é  de 
natureza subjetiva. Assertiva incorreta. 

 

(Procurador  Municipal/Prefeitura  de  Boa  Vista  –  RR  2010/CESPE) 
Julgue  o  item  abaixo,  considerando  a  responsabilidade  do  advogado 
público parecerista. 

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102 

22.  No  tocante  à  advocacia  pública  consultiva,  o  advogado  poderá  ser 
responsabilizado  nos  casos  de  culpa  grave,  erro  inescusável,  dolo  e 
quando o parecer for vinculante.  

 

No julgamento do Mandado de Segurança nº 24.631-3/DF, de relatoria do 

Ministro  Joaquim  Barbosa,  o  Supremo  Tribunal  Federal  fixou  entendimento  de 
que  o  advogado  somente  poderá  ser  responsabilizado  se  agiu  com  culpa 
extrema,  erro  inescusável,  e,  ainda,  nas  manifestações  jurídicas  cujo  parecer 
for vinculante, o que valida o texto da assertiva. 

Eis o teor da ementa do acórdão: 

“EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  ADMINISTRATIVO.  CONTROLE  EXTERNO.  AUDITORIA  DO 
TCU. RESPONSABILIDADE DE PROCURADOR DE AUTARQUIA POR EMISSÃO DE PARECER 
TÉCNICO-JURÍDICO DE NATUREZA OPINATIVA. SEGURANÇA DEFERIDA. 

I  –  Repercussões  de  natureza  jurídico-administrativa  do  parecer  jurídico:  (i)  quando  a 
consulta  é  facultativa,  a  autoridade  não  se  vincula  ao  parecer  proferido,  sendo  que  seu 
poder  de  decisão  não  se  altera  pela  manifestação  do  órgão  consultivo;  (ii)  quando  a 
consulta  é  obrigatória,  a  autoridade  administrativa  se  vincula  a  emitir  o  ato  tal  como 
submetido à consultoria, com parecer favorável ou contrário, e se pretender praticar ato 
de forma diversa da apresentada à consultoria, deverá submetê-lo a  novo parecer; (iii) 
quando  a  lei  estabelece  a  obrigação  de  decidir  à  luz  de  parecer  vinculante,  essa 
manifestação  de  teor  jurídica  deixa  de  ser  meramente  opinativa  e  o  administrador  não 
poderá decidir senão nos termos da conclusão do parecer, ou , então, não decidir. 

II – No caso de que cuidam os autos, o parecer emitido não tinha caráter vinculante. Sua 
aprovação  pelo  superior  hierárquico  não  desvirtua  sua  natureza  opinativa,  nem  o  torna 
parte  de  ato  administrativo  posterior  do  qual  possa  eventualmente  decorrer  dano  ao 
erário, mas apenas incorpora sua fundamentação ao ato. 

III – Controle externo: É lícito concluir que é abusiva a responsabilização do parecerista 
à luz de uma largada relação de causalidade entre seu parecer e o ato administrativo do 
qual  tenha  resultado  dano  ao  erário.  Salvo  demonstração  de  culpa  ou  erro  grosseiro, 
submetida  às  instâncias  administrativo-disciplinares  ou  jurisdicionais  próprias,  não  cabe 
a  responsabilização  do  advogado  público  pelo  conteúdo  de  seu  parecer  de  natureza 
meramente opinativa. 

IV – Mandado de Segurança deferido. 

(STF, Pleno - MS nº 24.631-3/DF, rel. Min. JOAQUIM BARBOSA. DJU, 01.02.2008) 

 

(Analista  Judiciário  –  área  administrativa/TRE  MT  2010/CESPE  - 
adaptada)  Segundo  a  Constituição  Federal  de  1988  (CF),  as  pessoas 
jurídicas  de  direito  público  e  as  de  direito  privado  prestadoras  de 
serviços  públicos  responderão  pelos  danos  que  seus  agentes,  nessa 
qualidade,  causarem  a  terceiros,  assegurado  o  direito  de  regresso 
contra  o  responsável  nos  casos  de  dolo  ou  culpa.  Considerando  o 
entendimento  da  jurisprudência  e  doutrina  dominantes  acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

23.  Segundo  a  teoria  objetiva  da  responsabilidade  civil  do  Estado  no 
Brasil,  não  é  necessária  a  comprovação  de  culpa  ou  nexo  causal  entre 
ação e resultado para se imputar o dever de indenizar ao Estado.  

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103 

 

Para  que  o  Estado  seja  obrigado  a  indenizar  o  dano  causado  por  seus 

agentes,  é  imprescindível  que  o  particular  prejudicado  comprove  o  dano 
existente  e  o  nexo  causal  entre  a  ação  do  agente  e  o  evento  danoso.  Não  é 
necessário  que  o  particular  comprove  que  o  agente  público  agiu  com  dolo  ou 
culpa,  pois  isso  é  irrelevante  para  efeitos  de  indenização  estatal.  Assertiva 
incorreta. 

 

(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

24.  A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado 
prestadoras de serviço público é objetiva em decorrência dos danos que 
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros.  

A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços 
públicos  pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a  terceiros,  sejam  elas  de 
direito  público  (autarquias  ou  municípios,  por  exemplo)  ou  privado 
(concessionários ou permissionários, por exemplo), será de natureza objetiva, 
nos termos do art. 37, § 6º, CF⁄1988. Assertiva correta. 

 

25. No Brasil, não se admite a responsabilidade civil do Estado por atos 
da administração pública no caso de dano moral.  

É  pacífico  no  âmbito  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  do  Superior  Tribunal 
de Justiça que a responsabilidade civil do Estado, nos termos do art. 37, § 6º, 
da  CF⁄1988,  abrange  tanto  os  danos  materiais  quanto  os  danos  morais 
causados a particulares. Assertiva incorreta. 

 

26.  Caso  o  Estado  seja  condenado  a  indenizar  vítima  de  prejuízos 
provocados por servidor público, será possível a busca da compensação 
de  suas  despesas  mediante  o  ajuizamento  de  ação  regressiva  em  face 
do servidor responsável, mesmo que este não tenha agido com culpa ou 
dolo.  

O  art.  37,  §  6º,  da  CF⁄1988,  realmente  assegura  à  Administração  Pública  a 
prerrogativa de propor ação regressiva em face do agente público causador do 
dano. Todavia, somente quando este tiver atuado com dolo ou culpa. Assertiva 
incorreta. 

 

(Técnico  Judiciário/TRE  MT  2010/CESPE  -  adaptada)  Julgue  os  itens 
seguintes relativamente à responsabilidade civil do Estado. 

27.  Os  agentes  que,  por  ação  ou  omissão,  podem  gerar  a 
responsabilidade  civil  do  Estado  são  os  servidores  estatutários,  uma 
vez  que  apenas  eles  têm  relação  de  trabalho  que  os  vincula 
diretamente à administração.  

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104 

 

Para  que  o  ato  praticado  pelo  agente  público  possa  ser  imputado  ao 

Estado, é necessário que exista uma relação entre o ato e o serviço, ou seja, é 
essencial  que  o  ato  ou  ação  lesiva  tenham  sido  praticados  para  o  serviço  ou 
durante  a  prestação  do  serviço  público.  Se  a  condição  de  agente  público  tiver 
contribuído  de  algum  modo  para  a  prática  do  ato  danoso,  ainda  que 
simplesmente lhe proporcionando a oportunidade para o comportamento ilícito, 
responde o Estado pela obrigação de indenizar. 

 

Ao  referir-se  a  “agentes”,  o  constituinte  não  restringiu  o  alcance  do 

texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo também os 
celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de economia mista 
e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços públicos), os 
contratados  temporariamente  em  razão  de  necessidade  temporária  de 
excepcional  interesse  público,  bem  como  todos  aqueles  que  exercem  funções 
públicas,  ainda  que  transitoriamente  e  sem  remuneração,  incluindo-se  os 
agentes delegados (oficiais de cartório, por exemplo). Assertiva incorreta. 

 

28.  Se  a  pessoa  que  sofrer  dano  contribuir,  de  alguma  forma,  para  o 
resultado danoso, a responsabilidade do Estado estará, então, afastada, 
pois  este  só  responde  pelos  danos  cuja  responsabilidade  lhe  seja 
integralmente atribuída.  

 

Ocorre  a  culpa  exclusiva  da  vítima  quando  o  dano  existente  é 

consequência  de  omissão  ou  ação  do  próprio  particular  que  sofreu  o  dano,  ou 
seja, sem a ação ou omissão da vítima do dano, não existiria o dano. Ora, se 
o particular deu causa ao dano que sofreu, deverá suportar sozinho o prejuízo, 
afastando-se a responsabilidade estatal.  

Por  outro  lado,  podem  acontecer  situações  que,  em  vez  afastar  a 

responsabilidade  civil  do  Estado,  assegurem  apenas  um  “abrandamento”  em 
virtude  da  culpa  concorrente  do  particular.  Nesse  caso,  como  o  particular 
também 

contribuiu 

para 

evento 

danoso, 

será 

responsabilizado 

proporcionalmente ao seu grau de participação no prejuízo sofrido.  

 

Diante do exposto, lembre-se sempre de que se houver participação do 

particular  no  dano  sofrido,  ocorrerá  uma  mitigação  da  responsabilidade  do 
Estado, mas não a sua exclusão. Assertiva incorreta.  

 

29.  A  reparação  de  danos  causados  a  terceiros  somente  pode  ser  feita 
no  âmbito  judicial,  pois  a  administração  não  está  legitimada  a,  por  si 
só, reconhecer a sua responsabilidade e definir o valor de uma possível 
indenização.  

 

A reparação do dano decorrente da responsabilidade civil do Estado pode 

ser  feita  tanto  no  âmbito  administrativo  quanto  no  âmbito  judicial, 
mediante  acordo  firmado  entre  o  particular  e  a  Administração,  nos  termos  e 
limites legais. Assertiva incorreta. 

 

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105 

30.  A  força  maior,  como  acontecimento  imprevisível  e  inevitável, 
estranho  à  vontade  das  partes,  não  gera  a  responsabilidade  civil  do 
Estado.  

 

A doutrina tradicional entende que a FORÇA MAIOR caracteriza-se por um 

evento  da  natureza,  imprevisível,  irresistível  e  inevitável,  tais  como 
enchentes, terremotos, furacões, entre outros.  

Por  outro  lado,  o  CASO  FORTUITO  estaria  relacionado  a  condutas 

culposas  ou  dolosas  de  terceiros,  da  mesma  forma,  imprevisíveis, 
irresistíveis, inevitáveis e independentes da vontade das partes. Podemos citar 
como  exemplo  os  criminosos  arrastões,  guerras,  greves  ou  invasões  a  locais 
públicos. 

Em  que  pese  a  posição  doutrinária  apresentada,  no  entendimento  do 

Superior Tribunal de Justiça, bem como do Professor José dos Santos Carvalho 
Filho,  caso  fortuito  e  força  maior  representam  a  mesma  coisa,  ou  seja, 
um acontecimento imprevisível e inevitável. 

 

Independente  da  corrente  conceitual  que  se  adote,  existe  consenso  em 

um único ponto: o caso fortuito e o evento de força maior são acontecimentos 
externos  à  atuação  administrativa,  o  que  faz  com  que  a  sua  ocorrência, 
numa  situação  em  que  houve  alguma  atuação  administrativa  causando  dano 
para o particular, exclua o nexo causal entre a atuação e o dano, eliminando, 
assim, a possibilidade de responsabilização civil do Estado. Assertiva correta. 

 

(CESPE/Analista  Judiciário  –  TRT  10ª  Região/2013)  No  tocante  à 
responsabilidade civil da administração, julgue os itens subsequentes. 

31. A teoria do risco integral obriga o Estado a reparar todo e qualquer 
dano,  independentemente  de  a  vítima  ter  concorrido  para  o  seu 
aperfeiçoamento.   

Adotando-se  a  teoria  do  risco  integral,  o  Estado  será  obrigado  a  indenizar  a 
vítima  ainda  que  esta  tenha  se  jogado  na  frente  de  um  veículo  público  com  o 
objetivo de suicidar-se. Trata-se de modalidade extremada de responsabilização 
civil que não é mais adotada nos países desenvolvidos. Assertiva correta. 

 

32.  Pela  teoria  da  faute  du  service,  ou  da  culpa  do  serviço,  eventual 
falha  é  imputada  pessoalmente  ao  funcionário  culpado,  isentando  a 
administração da responsabilidade pelo dano causado.  

A  teoria  da  culpa  administrativa  ou  da  faute  du  service    assegura  a 
possibilidade de responsabilização civil do Estado em virtude do serviço público 
prestado  de  forma  insatisfatória,  defeituosa  ou  ineficiente.  Nesse  caso, 
incidirá  a  responsabilização  civil  do  Estado  ainda  que  a  falha  ou  defeito  na 
prestação  do  serviço  público  seja  imputada  a  agente  público.  Assertiva 
incorreta. 

 

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106 

33.  Caso  algum  cidadão  pretenda  ser  ressarcido  de  prejuízos  sofridos, 
poderá propor ação contra o Estado ou, se preferir, diretamente contra 
o  agente  público  responsável,  visto  que  a  responsabilidade  civil  na 
situação hipotética em apreço é solidária.   

No julgamento do recurso extraordinário nº 327.904⁄SP, de relatoria do Ministro 
Carlos Britto, o Supremo Tribunal Federal ratificou o entendimento de que “o 
mencionado art. 37, § 6º, da CF, consagra dupla garantia: uma em favor do 
particular,  possibilitando-lhe  ação  indenizatória  contra  a  pessoa  jurídica  de 
direito público ou de direito privado que preste serviço público; outra, em prol 
do  servidor  estatal,  que  somente  responde  administrativa  e  civilmente 
perante  a  pessoa  jurídica  a  cujo  quadro  funcional  pertencer”.  Assertiva 
incorreta. 

 

34.  (Fiscal  de  Rendas/Prefeitura  do  Rio  de  Janeiro  2010/ESAF)  No 
tocante  à  Responsabilidade  Civil  do  Estado,  assinale  a  opção  correta, 
conforme  o  entendimento  mais  recente  do  Supremo  Tribunal  Federal 
sobre a matéria. 
a)  Os  atos  jurisdicionais  típicos  podem  ensejar  responsabilidade  civil 
objetiva  do  Estado,  sem  maiores  distinções  em  relação  aos  atos 
administrativos comuns. 
b)  É  viável  ajuizar  ação  de  responsabilidade  diretamente  em  face  do 
agente  público  causador  do  dano,  ao  invés  de  ser  proposta  contra  a 
pessoa jurídica de direito público. 
c)  O  Estado  não  é  passível  de  responsabilização  civil  objetiva  por  atos 
praticados por notários.  
d)  A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado 
prestadoras de serviço público é objetiva em relação aos usuários, bem 
como em relação a terceiros não usuários do serviço público. 
e) Só haverá responsabilidade objetiva do Estado se o ato causador do 
dano for ilícito. 

 

Comentários 

a)  Em  regra,  não  é  possível  responsabilizar  o  Estado  pelos  atos 

jurisdicionais praticados pelos juízes no exercício de suas funções típicas (a de 
julgar). Entretanto, deve ficar claro que o inciso LXXV, do art. 5º, da CF/1988, 
apresenta  duas  exceções,  ao  estabelecer  que  o  “Estado  indenizará  o 
condenado  por  erro  judiciário,  assim  como  o  que  ficar  preso  além  do 
tempo fixado na sentença”. 

Esse  também  é  o  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que,  no 
julgamento  do  Recurso  Extraordinário  429.518/SC,  de  relatoria  do  Ministro 
Carlos Velloso, decidiu que “a responsabilidade objetiva do estado não se aplica 
aos atos dos juízes, a não ser nos casos expressamente declarados em lei”.  

 

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107 

Fique atento ao responder às questões de prova, pois, se a banca examinadora 
estiver se referindo aos atos administrativos editados pelo Poder Judiciário (e 
não  aos  atos  jurisdicionais),  aplicam-se  as  mesmas  regras  objetivas  de 
responsabilização da Administração Pública, o que invalida o texto da assertiva.  

b) No Julgamento  do Recurso Extraordinário 327.904/SP, de relatoria do 

Ministro  Carlos  Ayres  Britto,  o  Supremo  Tribunal  Federal  reafirmou  o 
entendimento no sentido de que “o § 6º do art. 37 da Magna Carta autoriza a 
proposição  de  que  somente  as  pessoas  jurídicas  de  direito  público,  ou  as 
pessoas  jurídicas  de  direito  privado  que  prestem  serviços  públicos,  é  que 
poderão responder, objetivamente, pela reparação de danos a terceiros. Isto 
por  ato  ou  omissão  dos  respectivos  agentes,  agindo  estes  na  qualidade  de 
agentes  públicos,  e  não  como  pessoas  comuns.  Esse  mesmo  dispositivo 
constitucional consagra, ainda, dupla garantia: uma, em favor do particular, 
possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de direito público, 
ou  de  direito  privado  que  preste  serviço  público,  dado  que  bem  maior, 
praticamente  certa,  a  possibilidade  de  pagamento  do  dano  objetivamente 
sofrido. Outra garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, que somente 
responde  administrativa  e  civilmente  perante  a  pessoa  jurídica  a  cujo  quadro 
funcional se vincular”. 

Desse  modo,  tenha  sempre  em  mente  que  a  ação  de  responsabilidade  deverá 
ser  proposta  em  face  da  pessoa  jurídica  a  qual  o  agente  público  esteja 
vinculado,  e  não  em  face  do  próprio  servidor,  o  que  invalida  o  texto  da 
assertiva.  

c)  Em  várias  oportunidades,  o  Supremo  Tribunal  Federal  decidiu  que  o 

Estado  pode  ser  responsabilizado  objetivamente  pelos  atos  praticados  por 
notários, o que torna incorreta a assertiva. 

No julgamento do Recurso Extraordinário 209.354/PR, por exemplo, de relatoria 
do Ministro Carlos Velloso, o Supremo Tribunal Federal afirmou que “a natureza 
estatal  das  atividades  exercidas  pelos  serventuários  titulares  de  cartórios  e 
registros  extrajudiciais,  exercidas  em  caráter  privado,  por  delegação  do  Poder 
Público, enseja a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos praticados a 
terceiros por esses servidores no exercício de tais funções, assegurado o direito 
de regresso contra o notário, nos casos de dolo ou culpa (CF, art. 37, § 6º)”. 

d)  Até  o  mês  de  agosto  de  2009,  prevalecia  no  Supremo  Tribunal 

Federal  o  entendimento  de  que  as  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços 
públicos  não  poderiam  ser  responsabilizadas  objetivamente  pelos  danos 
causados pelos seus agentes aos terceiros que não fossem usuários do serviço 
público prestado. 

No  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  262.651/SP,  em  16/11/2004,  de 
relatoria  do  Ministro  Carlos  Velloso,  o  STF  decidiu  que  “a  responsabilidade 
objetiva  das  prestadoras  de  serviço  público  não  se  estende  a  terceiros  não 
usuários,  já  que  somente  o  usuário  é  detentor  do  direito  subjetivo  de  receber 
um  serviço  público  ideal,  não  cabendo  ao  mesmo,  por  essa  razão,  o  ônus  de 
provar a culpa do prestador do serviço na causação do dano”. 

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108 

Desse modo, se um ônibus pertencente a uma concessionária de serviço público 
de  transporte  coletivo  urbano  colidisse  com  um  automóvel  particular,  a 
responsabilidade civil daquela seria de natureza subjetiva, isto é, o particular 
somente  seria  indenizado  pelos  prejuízos  sofridos  se  provasse  o  dolo  ou  a 
culpa  do  motorista  da  empresa,  já  que  não  estava  usufruindo  dos  serviços 
prestados pela mesma. 

Todavia, no julgamento do Recurso Extraordinário 591.874, em 26/08/2009, de 
relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal alterou 
o  seu  entendimento  anterior  e  decidiu  que  “a  Constituição  Federal  não  faz 
qualquer distinção sobre a qualificação do sujeito passivo do dano, ou seja, não 
exige  que  a  pessoa  atingida  pela  lesão  ostente  a  condição  de  usuário  do 
serviço”.  

Assim, passou a vigorar no Supremo Tribunal Federal o entendimento de que as 
pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  públicos  respondem  objetivamente 
pelos  danos  que  seus  agentes  causarem  a  terceiros,  inclusive  contra  aqueles 
que não estejam usufruindo dos serviços prestados, a exemplo do particular 
que  tem  o  seu  carro  atingido  por  um  ônibus  pertencente  a  concessionária 
prestadora de serviços públicos. Assertiva correta. 

e)  O  fato  de  o  ato  ser  lícito  ou  ilícito  não  influi  na  obrigatoriedade  do 

Estado  de  responsabilizar  os  danos  que  seus  agentes,  no  exercício  da  função 
pública, causarem a terceiros, já que se trata de  responsabilidade objetiva. 
Assertiva incorreta. 

 

GABARITO: LETRA D. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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109 

 
 
01. (ESAF⁄Procurador – PGFN⁄2012) Assinale a opção que corresponde 
ao  entendimento  atualmente  esposado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal 
sobre  a  responsabilidade  civil  das  empresas  concessionárias  de 
serviços públicos. 
a) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, 
na modalidade do risco administrativo. 
b) Há responsabilidade somente perante os usuários do serviço público, 
desde que caracterizada ao menos culpa da prestadora do serviço. 
c) É reconhecida  a possibilidade de responsabilização em face de dano 
causado  a  não-usuário  do  serviço,  uma  vez  caracterizada  ao  menos 
culpa  da  concessionária  e  nexo  de  causalidade  entre  a  conduta  e  o 
resultado prejudicial. 
d)  É  reconhecida  a  possibilidade  de  responsabilização  objetiva  das 
concessionárias, mesmo em face de terceiros não-usuários do serviço. 
e)  A  teoria  da  responsabilidade  subjetiva  é  aplicável  tanto  perante 
usuários como não-usuários do serviço público, considerando-se que as 
concessionárias  são  empresas  privadas  que  não  integram  o  Poder 
Público. 
 
02.  (Analista  de  Finanças  e  Controle/CGU  2008/ESAF)  Considerando 
entendimento  consolidado  do  Supremo  Tribunal  Federal,  assinale  a 
opção  em  que  a  sentença  penal  não  pode  influenciar  na  esfera 
administrativa.  
a) Absolvição que não compreenda falta residual.  
b) Absolvição por inexistência do fato.  
c)  Condenação  por  crime  contra  a  Administração  Pública  à  pena 
privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano.  
d)  Condenação  em  que  é  aplicada pena  privativa  de  liberdade  superior 
a quatro anos.  
e) Absolvição em que a autoria seja negada.  
 
(CESPE/Analista  Judiciário  –  TJDF/2013)  No  que  concerne  ao  direito 
administrativo, julgue o item a seguir. 

03.  Suponha  que  o  TJDFT,  por  intermédio  de  um  oficial  de  justiça,  no 
exercício  de  sua  função  pública,  pratique  ato  administrativo  que  cause 
dano  a  terceiros.  Nessa  situação,  não  se  aplicam  as  regras  relativas  à 
responsabilidade civil do Estado, já que os atos praticados pelos juízes 
e  pelos  auxiliares  do  Poder  Judiciário  não  geram  responsabilidade  do 
Estado.  

 

(CESPE/Advogado  –  SERPRO/2013)  Julgue  os  itens  subsequentes, 
relativos à responsabilidade da administração pública. 

 

RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO 

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110 

04. Segundo entendimento do STF, a responsabilidade civil das pessoas 
jurídicas  de  direito  privado  prestadoras  de  serviço  público  é  objetiva 
tanto em relação aos usuários, quanto aos não usuários de um  serviço 
público.  

05.  Caso  o  poder  público  seja  condenado  em  ação  de responsabilidade 
civil  pelos  danos  causados  por  seu  servidor  a  terceiro,  caberá  ação 
regressiva  do  Estado  contra  o  servidor,  ação  esta  cujo  prazo 
prescricional será de três anos.  

06.  Na  teoria  do  risco  administrativo,  verifica-se  a  necessidade  de  a 
vítima comprovar a culpa da administração.  

 

(CESPE/Procurador  –  TC  DF/2013)  Julgue  os  itens  que  se  seguem, 
acerca  de  direitos  dos  servidores  públicos  civis,  aposentadorias  e 
pensões, bens públicos e responsabilidade por atos legislativos. 

07.  O  Estado  só  responderá  pela  indenização  ao  indivíduo  prejudicado 
por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF.  

 

(CESPE/Técnico  Judiciário  –  TJDF/2013)  Acerca  da  responsabilidade 
civil do Estado, julgue o item abaixo. 

08.  Se  um  particular  sofrer  dano  quando  da  prestação  de  serviço 
público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará 
afastada a responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o 
ônus da prova, contudo, caberá à administração.  

 

(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

09.  De  acordo  com  a  teoria  do  risco  integral,  o  Estado  responde 
integralmente  quando  houver  danos  a  terceiros,  desde  que  não  esteja 
presente nenhuma das causas excludentes de responsabilidade.   

10. Nas situações que caracterizem conduta omissiva do Estado, deve-
se adotar a teoria da irresponsabilidade administrativa.  

 
11.  (Procurador/PGDF  2007/ESAF)  Em  face  da  responsabilidade 
extracontratual  do  Estado,  dentro  do  sistema  da  Constituição 
Republicana  de  1988  e  da  formulação  teórica  adotada  pelo  Direito 
Administrativo pátrio, é correto afirmar que:  
a)  a  aplicação  da  responsabilidade  objetiva  se  satisfaz  somente  com  a 
demonstração do nexo causal.  
b) a ocorrência da denominada dupla causalidade (concausas) traz em 
seu bojo a exclusão da responsabilidade estatal.  

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111 

c)  não  tem  sido  admitida  pela  doutrina  nem  pela  jurisprudência  a 
hipótese de reconhecimento de surgimento da responsabilidade estatal 
por atos danosos causados por multidões.  
d)  eventual  alegação  de  força  maior,  por  Procurador  do  DF,  na  defesa 
apresentada  em  ação  de  reparação  de  danos  movida  contra  o  Distrito 
Federal,  é  relevante  para  excluir  a  responsabilidade  estatal  apenas  na 
medida  em  que  pode  comprovar  a  inexistência  de  nexo  causal  entre 
alguma atuação do Estado e o dano ocorrido.  
e) a teoria da faute du service, segundo entendimento predominante na 
doutrina 

administrativista 

pátria, 

insere-se 

no 

campo 

da 

responsabilidade  extracontratual  estatal  objetiva,  por  aplicação  da 
regra do § 6º do art. 37 da CF.  
 
12.  (Analista  da  Tecnologia/SEFAZ-CE  2007/ESAF)  Assinale  a  opção 
que  contenha  a  correlação  correta.  A  respeito  da  responsabilidade 
extracontratual  do  Estado,  estabeleça  a  correlação  entre  o  Poder  e  a 
causa que enseja a responsabilização.  
 
(1) Poder Executivo  
(2) Poder Legislativo  
(3) Poder Judiciário  
 

) Lei de efeito concreto.  

) Manter cidadão preso além do tempo fixado na sentença.  

) Lei inconstitucional.  

) Infração às obrigações gerais devidas por todos.  

) Juiz que, no exercício das funções, proceda com dolo ou culpa.  

 
a) 1/1/3/2/1  
b) 3/2/1/2/3  
c) 2/2/3/1/1  
d) 2/3/2/1/3  
e) 1/2/2/3/1 
 
13. 

(Analista 

de 

Controle 

Externo/TCU 

2006/ESAF) 

Sobre 

responsabilidade civil da Administração, assinale a afirmativa falsa.  
a) A responsabilidade decorre de ato comissivo ou omissivo, culposo ou 
doloso.  
b)  A  obrigação  do  servidor  em  reparar  o  dano  estende-se  a  seus 
sucessores, até o limite do valor da herança.  
c)  Tratando-se  de  dano  causado  a  terceiro,  o  servidor  responderá 
mediante denunciação à lide.  
d)  A  responsabilidade  objetiva  pode  abranger  ações  de  agentes  de 
empresas privadas, desde que concessionárias de serviços públicos.  
e) É possível a responsabilidade do Estado por ato jurisdicional. 
 

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112 

(Técnico em assuntos educacionais/DPU 2010/CESPE) No que concerne 
à administração pública e à responsabilidade civil do Estado, assinale a 
opção correta. 

14.  A  responsabilidade  civil  objetiva  não  abrange  as  pessoas  jurídicas 
de direito privado.  

15.  O  sistema  jurídico  brasileiro  jamais  adotou  a  responsabilidade 
direta 

do 

agente 

público, 

qual 

está 

ligada 

à 

teoria 

da 

irresponsabilidade do Estado.  

16.  A  responsabilidade  civil  objetiva  do  Estado  não  está  prevista  na 
Constituição Federal de 1988.  

17.  Pela  teoria  da  responsabilidade  solidária  do  Estado,  o  lesado  pode 
mover ação contra o servidor ou contra o Estado.  

 
18.  (Técnico  em  assuntos  educacionais/DPU  2010/CESPE)  No  Brasil,  a 
responsabilidade  civil  do  Estado,  em  relação  aos  danos  causados  a 
terceiros, é 
A) dependente de culpa do agente do estado. 
B) subjetiva, passível de regresso. 
C) objetiva, insuscetível de regresso. 
D)O objetiva, passível de regresso. 
E) subjetiva, insuscetível de regresso. 
 
(Analista  de  Saneamento  –  Direito/EMBASA  2010/CESPE)  Com  relação 
à  responsabilidade  civil  do  Estado,  às  formas  de  utilização  dos  bens 
públicos e à administração indireta, julgue os itens a seguir. 

19. Quando ocorre enchente em determinado local devido a excesso de 
chuva,  o  Estado  pode  ser  responsabilizado  civilmente  pelos  danos 
causados à população.  

 

(Promotor  de  Justiça  Substituto/MPE  SE  2012/CESPE  -  adaptada)  No 
que  concerne  à  responsabilidade  civil  do  Estado  e  aos  poderes 
administrativos, assinale a opção correta. 

20. Para efeito de responsabilidade civil do Estado, considera-se agente 
o  servidor  que,  em  sua  atuação,  causar  dano  a  terceiros.  Exclui-se, 
assim,  dessa  noção  as  pessoas  que  não  têm  vínculo  típico  de  trabalho 
com a administração e os agentes colaboradores e sem remuneração.  

21.  Direito  de  regresso  é  o  assegurado  ao  Estado  no  sentido  de  dirigir 
sua  pretensão  indenizatória  contra  o  agente  responsável  pelo  dano, 
independentemente de este ter agido com culpa ou dolo.  

 

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Aula 07 – Controle e Responsabilidade Civil da Administração Pública 

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(Procurador  Municipal/Prefeitura  de  Boa  Vista  –  RR  2010/CESPE) 
Julgue  o  item  abaixo,  considerando  a  responsabilidade  do  advogado 
público parecerista. 

22.  No  tocante  à  advocacia  pública  consultiva,  o  advogado  poderá  ser 
responsabilizado  nos  casos  de  culpa  grave,  erro  inescusável,  dolo  e 
quando o parecer for vinculante.  

 

(Analista  Judiciário  –  área  administrativa/TRE  MT  2010/CESPE  - 
adaptada)  Segundo  a  Constituição  Federal  de  1988  (CF),  as  pessoas 
jurídicas  de  direito  público  e  as  de  direito  privado  prestadoras  de 
serviços  públicos  responderão  pelos  danos  que  seus  agentes,  nessa 
qualidade,  causarem  a  terceiros,  assegurado  o  direito  de  regresso 
contra  o  responsável  nos  casos  de  dolo  ou  culpa.  Considerando  o 
entendimento  da  jurisprudência  e  doutrina  dominantes  acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

23.  Segundo  a  teoria  objetiva  da  responsabilidade  civil  do  Estado  no 
Brasil,  não  é  necessária  a  comprovação  de  culpa  ou  nexo  causal  entre 
ação e resultado para se imputar o dever de indenizar ao Estado.  

 

(CESPE/Defensor  Público  –  DPE  RR/2013  -  adaptada)  Acerca  da 
responsabilidade civil do Estado, julgue os itens seguintes. 

24.  A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado 
prestadoras de serviço público é objetiva em decorrência dos danos que 
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros.  

25. No Brasil, não se admite a responsabilidade civil do Estado por atos 
da administração pública no caso de dano moral.  

26.  Caso  o  Estado  seja  condenado  a  indenizar  vítima  de  prejuízos 
provocados por servidor público, será possível a busca da compensação 
de  suas  despesas  mediante  o  ajuizamento  de  ação  regressiva  em  face 
do servidor responsável, mesmo que este não tenha agido com culpa ou 
dolo.  

 

(Técnico  Judiciário/TRE  MT  2010/CESPE  -  adaptada)  Julgue  os  itens 
seguintes relativamente à responsabilidade civil do Estado. 

27.  Os  agentes  que,  por  ação  ou  omissão,  podem  gerar  a 
responsabilidade  civil  do  Estado  são  os  servidores  estatutários,  uma 
vez  que  apenas  eles  têm  relação  de  trabalho  que  os  vincula 
diretamente à administração.  

 

 

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28.  Se  a  pessoa  que  sofrer  dano  contribuir,  de  alguma  forma,  para  o 
resultado danoso, a responsabilidade do Estado estará, então, afastada, 
pois  este  só  responde  pelos  danos  cuja  responsabilidade  lhe  seja 
integralmente atribuída.  

29.  A  reparação  de  danos  causados  a  terceiros  somente  pode  ser  feita 
no  âmbito  judicial,  pois  a  administração  não  está  legitimada  a,  por  si 
só, reconhecer a sua responsabilidade e definir o valor de uma possível 
indenização.  

30.  A  força  maior,  como  acontecimento  imprevisível  e  inevitável, 
estranho  à  vontade  das  partes,  não  gera  a  responsabilidade  civil  do 
Estado.  

 
(CESPE/Analista  Judiciário  –  TRT  10ª  Região/2013)  No  tocante  à 
responsabilidade civil da administração, julgue os itens subsequentes. 

31. A teoria do risco integral obriga o Estado a reparar todo e qualquer 
dano,  independentemente  de  a  vítima  ter  concorrido  para  o  seu 
aperfeiçoamento.   

32.  Pela  teoria  da  faute  du  service,  ou  da  culpa  do  serviço,  eventual 
falha  é  imputada  pessoalmente  ao  funcionário  culpado,  isentando  a 
administração da responsabilidade pelo dano causado.  

33.  Caso  algum  cidadão  pretenda  ser  ressarcido  de  prejuízos  sofridos, 
poderá propor ação contra o Estado ou, se preferir, diretamente contra 
o  agente  público  responsável,  visto  que  a  responsabilidade  civil  na 
situação hipotética em apreço é solidária.   

 
34.  (Fiscal  de  Rendas/Prefeitura  do  Rio  de  Janeiro  2010/ESAF)  No 
tocante  à  Responsabilidade  Civil  do  Estado,  assinale  a  opção  correta, 
conforme  o  entendimento  mais  recente  do  Supremo  Tribunal  Federal 
sobre a matéria. 
a)  Os  atos  jurisdicionais  típicos  podem  ensejar  responsabilidade  civil 
objetiva  do  Estado,  sem  maiores  distinções  em  relação  aos  atos 
administrativos comuns. 
b)  É  viável  ajuizar  ação  de  responsabilidade  diretamente  em  face  do 
agente  público  causador  do  dano,  ao  invés  de  ser  proposta  contra  a 
pessoa jurídica de direito público. 
c)  O  Estado  não  é  passível  de  responsabilização  civil  objetiva  por  atos 
praticados por notários.  
d)  A  responsabilidade  civil  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado 
prestadoras de serviço público é objetiva em relação aos usuários, bem 
como em relação a terceiros não usuários do serviço público. 
e) Só haverá responsabilidade objetiva do Estado se o ato causador do 
dano for ilícito. 
 
 

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115 

GABARITO 

01.D 

02.A 

03.F 

04.V 

05.X 

06.F 

07.F 

08.V 

09.F 

10.F 

11.D 

12.D 

13.C 

14.F 

15.F 

16.F 

17.V 

18.D 

19.V 

20.F 

21.F 

22.V 

23.F 

24.V 

25.F 

26.F 

27.F 

28.F 

29.F 

30.V 

31.V 

32.F 

33.F 

34.D